agarre a vida

É impressionante, a leitura remexe mesmo, altera,por dentro. A narrativa de  Saul Bellow em Agarre a vida traz tensão, tal a forma viva. Senti a derrota de Wilhelm grudada/presa na minha derrota…neste meu passo atrasado, incerto. Não quero ver o meu orgulho, e não entendo a força, mesmo estando reduzida ao pior -, é uma dor e também um desafio. Dor incompreensível porque orgulho. Não há humildade. Se mostras o meu fracasso, escapo, escorrego brinco com as palavras. (p.21-30)

O cepticismo era o modo de vida de todo mundo. E a ironia também. Talvez não fosse possível evitar isso. Provavelmente até era necessário. Wilhelm, contudo, temia isso intensamente. Toda vez que ao fim do dia, sentia – se mais cansado que o normal, atribuía o fato ao cepticismo. Quase tudo no mundo estava feito. Havia falsidade demais. Wilhelm tinha várias palavras para exprimir o efeito que isso exercia sobre ele. Covardes! Falsos! Assassinos! Vencer na vida![…] A pessoa tinha de perdoar. Primeiro a si próprio, e depois a todos. Por acaso ele não sofria por seus erros muito mais do que o pai podia sofrer! […]”

Tantas anotações! Tantos sustos! Ele é ganhador no Prêmio Nobel de Literatura em 1976. ((p.21-30).

Segue o grito, uma oração. O livro me apertou. Eu me senti inútil / vazia/ incompetente até para amar, para fazer o bolo, para manter a casa limpa e os filhos felizes, e o amor perto de mim. Incompetente. Este o sentimento de terminar umas cento e trista e quatro páginas. Gostaria de fechar  estórias com uma narrativa, mas fico assim, aos tropeços, e não faço nada, não entro na rotina, no trabalho, e me assusto constatar: não posso, não sei, não emagreço, não cuido de mim, não dou os beijos  estocados, amontoados, enfeitados para se derramarem em ti. Lembrei das cartas, dos jogos de cartas, velas acessas, em cima da cama, uma prenda para quem ganhava.O tempo passou. Escolhas erradas, sobrevivência de susto. Coragem disfarçada em pequena mentirosas alegria. Tão bom quanto um amigo escreve uma voz, (Nilton Lerrer fez isso), e eu leio /percebo/sinto o beijo. Faltam tantas leituras, escapou a vaidade enquanto sobrevivi. De certo deixei voar o mais importante. Esta questão do equívoco, da falta de dinheiro, o sentimento de afundar, afundar e não voltar, nunca acertar. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres / Vai passar!

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