Covarde

ÔNIX boa

Que estranho embraço se enreda nesta quarentena: a pandemia se gruda no imaginário, e deforma o dia. Mesmo que amanheça e depois tenha o entardecer, e a lua, e na noite estrelas, sigo estacionada. Fatiada. Posso pensar assim? Estou pela metade, impotente. Uma desorientação. Tu és laborioso: segues escrevendo, traduzindo. O teu TITANIC vence o gelo. O meu se espatifou… Estou presa. E os botes ocupados. Amordaço o meu grito porque, afinal, é tempo de tempo passar, e ponto. Envelhecer pode ser uma droga. Estou acovardada. Beth Mattos – junho de 2020 – Torres

distraida no sofá Ônixnão quero ser fotografada

Trabalhar pode ser complicado quando não se tem certeza do plano, do final, como se fosse fincar estacas, carregar pedras para dormir e comer. É preciso ter alguma certeza por dentro, uma intenção que não seja apenas sobreviver. E não…

Amanheceu azul e quente. Ontem frio, bastante frio. Resistimos as temperaturas, a tal irritante epidemia, e ao mal humor e azedume. Claro! Envelhecer = chatice e inconveniência. Impostas. Pela primeira vez entendo as plásticas de rejuvenescimento, desta caça a beleza eterna que antes flutuava num campo/país absolutamente incompreensível para mim. É a conhecimento precoce desta droga, e deformado jeito com sequelas que a vida nos presenteia. Alienada pessoa fui até agora. Inocente. Um desabafo. Porque além de ser um despencar diário há no invólucro (a pele) algumas estranhezas. Para não mencionar os cabelos. Enfim! Há que se fazer exercício mental (ler e pensar) e físico (ginásticas aeróbicas ou sexo) para resguardar e revitalizar a máquina.

Estou a te escrever / escrevendo / porque pensando já faz uma semana. Eu me proponho a isso e aquilo, numa energia de arrancada, depois parece que a carroceira reclama e… E eu aceito.  De repente, quero sentar no teu sofá, tomar uma taça de café e ler as manchetes da Zero Hora. Escutar os meninos, e suas histórias de ir e vir, pensar no jantar, e no vinho. Ou quem sabe  ir ao cinema! Quando agosto chegar! Ou setembro? Não sei. A televisão irrita, os livros despropósitos, estudar inútil, trabalhar e receber dinheiro suspeito. Céus! Pensei que ia te escrever uma carta gentil. Desculpa. A  lagoa, beleza pura, o jardim, cuidado, a Ônix late menos, o que me preocupa, dorme mais, o que também me preocupa, mas come satisfatoriamente. Quanto ao amor amado (sempre presente) segue igual, todos e tudo de quarentena. Aguardo notícias tuas… Um bilhete.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s