tirar férias de mim mesma, preciso

Toda matéria possui certa medida de resistência, além da qual a elevação não é possível, a água tem seu ponto de de ebulição, os materiais seu ponto de fusão, e também os elementos da alma não fogem a essa lei irrevogável. A alegria pode atingir determinado grau, qualquer acréscimo já não será percebido, e assim também
ocorre com a dor, o desespero, a depressão, repugnância e o medo. Quando cheio até a nossa, o vaso interior não absorve nem mais uma foto do universo.”(p.137-138)

Stefan Zweig – Êxtase da Transformação

As dores se instalam no entorno e transpiram. Dentro das pessoas elas se confundem/sufocam. Há que saber se livrar. Talvez toda a doçura não possa ser suficiente para reafirmar a coragem, o que deve, de fato, ser feito. Em 1988 eu escrevi: Minha mãe morreu, mas continua viva dentro de mim. Neste momento, ou sempre lamento tanto e tanto a sua ausência…Com ela, definitivamente, perdi a família. Os elos se desfazem, ou se apertam, ou…, não sei. Não são os mesmos. Não significam, se desfazem da urgência,  da dependência, perdem essência? Agora sei, eu mesma me transformei em começo: eu sou  a nova família. Caminho sem olhar para trás, e vou semeando: preciso colher novas alegrias. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2020. Torres

…as referências, nesta ordem cheia de desordem das estantes empoeiradas, acordam sentimentos. Certo seria me desfazer desta ideia obsessiva dos livros. Não uma despedida, mas uma espécie de morte / ou poda / uma tinta de fundo na tela, a preparar o novo desenho no esboço. Embora eu respire, sufoco aos poucos:  preciso recomeçar. Tirar umas férias de mim mesma…, e seguir para um lugar onde não preciso costurar a sombra, nem insistir com o olhar, escutar, como Peter Pan, depois ir… à Terra do Nunca. Lugar onde eu me desconheça, isso seria viajar…

Talvez ELA possa ser eu noutra história / não soube ser/ não sabe, mas é, ou o que gostaria de ser, ou mesmo o limite desconheça,  atravesse a vida,  e o  vida do outro, e… Existe passiva, ignora o tempo. E ele, vertiginoso aperta seu corpo, exaure  seus olhos. Distraída, se esquece de amar o amor. Insana se agarra aos livros. Lombada, cheiro, colorido. Inúmeras vezes imagina que deveria morar numa casa que não tivesse livros, nem lápis, nem papel ou tintas. Para conseguir ser outra.  Sobreviveria? Talvez escrevesse em canteiros a cuidar das flores,  a pensar estações. Estaria preocupada com a terra, água, vento, sol e chuva. Faria, provavelmente, uma estufa para proteger  o mais sensível… E tudo recomeçaria. Mas saberia distinguir os perfumes no vento. Beth Mattos, ao teu olhar.

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