Paulo Hecker Filho

O INSONE

Que coisa estranha, possuo um corpo.

A alma é fácil, sou eu; já o corpo é seu.

Tem ímpetos, cansaços, anda, chega,

tem as venturas de comer, livrar-se,

sabe de cor respirar,

pronto ao que eu quiser deliberar.

Com uma velha exceção, não quer dormir.

Há duas horas espicho-o na cama,

o encolho, desencolho,

me volto, revolto, apaziguo,

faço a alma calar,

não penso, não sinto, não reclamo,

e não dorme.

Ao que, ó noite, ele estará reclamando? P.H.F.

Gosto / perfeitos poemas. Aliás, tudo o que escreve: crônicas, teatro, novelas, o crítico. Artista completo.

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