cupins: porta fechada

13 de abril de 2021: Torres, anoitecer agradável. Caminhamos apressadas, mas poderíamos fazer a volta na lagoa se eu não tivesse já um fio de medo crônico instalado. Será que eu deveria comprar um carrinho que me permitisse sair e ir e vir como se eu ainda fosse pessoa mulher capaz de beijar ou abraçar? Ah! Cruel associação! Estou fazendo pequenas e curiosas elucubrações. Amanhã converso com o filho, ou pergunto por aí, se afinal aperto meu orçamento e coloco um carrinho a minha disposição. AH! Esta ladeira da garagem vai ser dureza! Os sentimentos que uma mulher com minha idade entre 73 anos, ou 74, completando 75 anos?!! Dificuldade números e certezas… Suponho que esta experiência de envelhecer e rejuvenescer não tem como contar/explicar, em/com números; somos tu e eu a brincar. A matemática elementar… Nasci em 1946 -, nove de setembro. A pandemia alonga a loucura boa dos desejos. Alonga a organização interior exterior do/para fazer o necessário. Alonga a distância / barreira e intensifica o sentimento.

Coloca alguns livros a serem relidos ou dispensados, definitivamente, e nos prepara para voar, fazer pequenas loucuras ingênuas (ou nem tanto!) e definitivas. Agarra um copo de vinho, de whisky, uma caipirinha. Tudo seria/pode ser mais completo, detalhado, mais tu e eu. Não ver televisão: desafio de três ou quatro dias. Desligar o celular para não cometer a loucura de filmar o próprio corpo / imagens / enredos (alucinações). Todas construídas de vaidade tesão e equívocos. Ou não?

Última garrafa de vinho colocada na adega por ti: bebo dois cálices do vinho encorpado… A saborear devaneios aproveito os arrepios indecentes que se espalharam no meu sofá. Escrevi longas e detalhadas cartas (alertas) para os amigos, conversei com os filhos. Viajo de um estado para outro… Os teus, os meus que se misturam como nossos. Depois de arrumar a cortina, uma inversão solução, e mandar fazer as do quarto eu me sinto heroína: a descupinização alcançada no seu quinto dia, com vedações e esperanças. Sem TV, sem trocar a roupa, sem mexer nos livros, aguardo ansiosa o momento da limpeza. Escutei o piano até adormecer: velhos discos de vinil , com ranhuras. Tropeço nas águas da música. Volto ao tempo de menina: entrar / invadir / inventar a história de te encontrar. Loucamente te beijar. Do tímido vagar, para o amolecer da alma. Entrega, que pode ser apenas silêncio. Que vida temos levado! Que vida temos imaginado! Que vida inventada, tão boa! 

Leio curiosidades empurradas, outras sugeridas. Sinto tua falta para comentar a vírgula, a bobice desta expressão, a audácia daqueles escritos. Sinto tua falta! Sinto falta de ti. Sinto falta de você. As enlouquecidas ideias penduradas nos meus cachos, escapam dos bolsos afoitas. Quero desdobrar tudo, tecer tudo. Quero te amarrar… Não preciso dizer da saudade que sinto dos teus afagos, tua mão pelo meu corpo, teus beijos à beira do fogão e nossas loucuras amorosas pela casa. Então eu danço, na imaginação te envolvo: eu te amo nesta alegria. Claro! Lamento não termos nos encontrado mais cedo, tanto carregamos de experiências, outras vidas a partilhar. Escreve. Telefone, tão logo chegues em casa / ou te aproximes. Corro ao teu encontro (como nos filmes)…. Faz já tanto tempo que não toco teu corpo! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2021 – Torres – Tu te importas? Na velhice, num galope, não me cuidei… Nesta juventude de hoje estou redesenhada de/por amor. Mas, mas, mas, assim mesmo, tu podes apagar a luz quando fores me beijar.

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