não tens olhos azuis

Quereria se pudesse querer, quereria te amar de amar. Quereria te ver… Inventei vento, chamei palavra: apreendi a me despir, vestir. Pintar a boca, desenhar os olhos, puxar o cabelo. Dancei. Troquei flores de lugar…Desarrumei a cama, inclinei o corpo. Consertei o tempo, fiz preguiça, aprendi amornar o leite, fazer o chá. Abracei o cheiro do teu corpo. Entendi o disfarçado e guloso olhar… Apago vírgulas, retiro reticências, abro parênteses, deixo exclamações. Não tens os olhos azuis. Nem encabulado jeito de tocar… Recuo. Já sei, não vou / não posso nascer outra vez / pensar outra vez. Começar recomeçar. Riscar, apagar… Com certeza também tu inventaste / imaginaste a leveza de ser e não ser: o limbo. Somos a brincadeira de gostar / de querer desejo… Teus olhos não são olhos azuis. Eu não tenho olhos azuis… Não sou eu, nem és tu. Não somos.

Saudade sinto de ti, meu querido! Aquele aperto com lágrima de chorar, despejo na floreira. Toco piano, pincelo verde, esparramo vermelho, o azul, não tenho. Fecho o sol. As escalas se repetem organizadas. Escrevo histórias perfumadas de tristeza. Apenas hoje, eu prometo. Amanhã volto pra mim… SAUDADE daquela esquisita dependência de só te querer.

Só os míopes conhecem o contraste prodigioso que existe entre a visão confusa e a visão nítida

Tu e eu, nós dois na embriaguez… lentes invertidas, perdidos anos. Vontade louca de… Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s