vontades

A vida não pode / não deve ser apanhado de vontades…, num ir de um lado para outro a enfeitar prazeres! Se não tenho a mão decidida para pintar ou desenhar, talvez recortar, quem sabe modelar, e depois enfeitar, rasgar, consertar. Melhor plantar todas as margaridas, todas elas… Terei um jardim atrapalhado de exigências, mais floresta, mais capim…Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres atrapalhadas exigências!

histórias de família

Vontade tenho de me agarrar firme nos nomes dos avós, tataravós, tios, tias, primos, primas e desenhar… / puxar a linha, e descobrir a cor escolhida. Desenrolar as histórias por inteiro / por metades / pelo gosto do pêssego ou pirão, ou pinhão? Aquele assado! Puxa não sei do que ele mais gosta, talvez saiba, mas dela eu esqueci, a escolha / gosto da tia, qual era teu prato preferido? Café. Cigarros e sol: isso eu lembro. O nome define alguma coisa? Um nome coberto por flores, gravado na pedra, um nome de memória / de lembrança gorda presente, perfumada desaparece aos poucos atrás da tempestade de raios e trovões… A sensação de violência na doçura do amor destas lembranças enterradas. Atropelam, apertam. Fiquei insone, atordoada, exausta e sem certezas. Não sou apenas Eu refestelada na minha pequena história arrumadinha de certezas, sou o pedaço que restou de cada um, sou estes retalhos que se desenham na vida deles, e são estes inadvertidos retalhos que definem a minha vida. Pai e mãe não desaparecem nunca, sinaleiros. A pensar que apenas um pedacinho, apenas a mão, ou pode ser o joelho e temos o todo indizível do tudo que sou eu, pronome de duas letras, uma letra, três letras no moi…ufa! Eu me derramo a explicar a história que logo vira estória (gosto desta distinção inventada), transito entre as duas. Esquisito viver! Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres – das lembranças de pai, de mãe, de avós, de esquecimento. Das certidões achadas, e das perdidas…, o que fazemos destes amarelados e soltos papéis de registros? Onde/quando nos reunimos para enfileiras a memória?

Flávio Roberto

Esther Ida – as irmãs

Pedro Alexandrino – o pai

Gaston Bachelard – a imaginação inventa nova vida, novo espírito…

Resolvi fazer um novo casamento, aliás, estou neste casar / descasar incansável uma vida inteira. Estarrecida e maravilhada quando alguém conta/narra/descreve uma vida linear, bonita / com fissuras, claro, mas decididamente segue uma única estrada perfeita… jeito de ser / experiência positiva / caráter / personalidade: maravilha. Eu vou lá, faço recortes / sou feliz / felicíssima aqui e ali, choramingo outras horas, invento solidão e velhice para dar veracidade e sigo no meu Era uma vez… Contar história curtos, nestes repentes do Amoras parece ser a delícia do meu momento. Claro! Queria o concreto, mas vou assim mesmo a tentar no meio deste nevoeiro invernoso e destas notícias escandalosamente enlouquecidas de mentiras e verdades retorcidas…Céus! Em que terra/lugar/estrada ou caminho estou?

Então imaginação tem linha direta com ficção, Olha o que Umberto Eco acrescenta, claro, depois de ter lido Bachelard e muito mais, certamente: “A norma básica para se lidar com uma obra de ficção é a seguinte: o leitor precisa aceitar tacitamente um acordo ficcional, que Coleridge chamou de ‘suspensão da crença’. O leitor tem de saber que o que está sendo narrado é uma história imaginária, mas nem por isso deve pensar que o escritor está contando mentiras. De acordo com John Searle, o autor simplesmente finge dizer a verdade. Aceitamos o acordo ficcional e fingimos que o que é narrado de fato aconteceu.” (p.81) Umberto Eco / Seis passeios pelo bosque da ficção

Absolutamente pensável a questão: é real? não é real? possível ou impossível? e lá sigo na leitura, no texto, no dizer. Depois desdizer a brincar no bosque. Sensação de maravilhamento quanto comecei a pontar a vida/experiência da minha mãe, do meu pai, da minha tia, das minhas irmãs, num desenho incerto do meu mundo, cuidadosamente desenhado no meu agora feliz…Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres

Amei? Não amei? Encontrei o homem companheiro / amigo, o meu? Sei lá. Estou a tentar sublinhar todos os dias estas questões banais, objetivas (??!!!), escorrega a certeza, depois volta galopante e me diz, encontrarás…

A imaginação RENOVA – Toda poesia surpreende. Por essência ela, a poesia, surpreende a linguagem… fonte de vida.

imóvel

…sem respirar, espero. Nada a explicar. Eu me acomodo numa dobra, e noutra. Sinto o cheiro. Aceito o silêncio, releio, escuto. Palavra / dizer / sedução, nenhuma verdade a derramar… Há de haver vida do outro lado, mais vida, mais a mesma coisa. E já passou tanto tempo! E eu não tenho nem trinta, nem quarenta, nem sessenta, dentro de mim, o fogo da meninice, pois é! Tenho dezoito anos. É preciso segurar o impulso. Bergamotas, tangerinas, laranja do céu, laranjas doces, as maiores! Mãos molhadas no suco. Gosto de inverno. Beth Mattos – julho de 2021- Torres

Rio de Janeiro / Ipanema – Pedro Moog

virada / revirada de lembrança

Palavras fervem agitadas. Viver e anotar. Chegar e caminhar. Viajar na viagem, e, no final misturar tristezas pra se alegrar. O bom reservo, cuido, adubo pra florescer. Claro! O agito fica, mas se acomoda. Escrever desperta, cura, perfuma o pensamento. Amados de amor aquecem, os esquecidos andam/caminham por outros países ferventes, diferentes. Saudade aperta. Se aperta, deve ser bom de sentir: alguma coisa especial/forte existia no lugar dela. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021

instalado e confortável

Escondido num lugar protegido, bem confortável, instalado no quente gosto de te querer, e ponto. A estranheza pode ser a boa travessia complicada: a se sustentar com o mínimo no/do mínimo.

Terminei o livro presenteado. Gostei da forma, talvez do conteúdo, pode ser? Não sei. Alguns capítulos poderosos. Escrever pode ser bordado / dom dominado, mas mais do que escrever bem, o que dizer importa: o tema/assunto, a revirada de onde deve sair o novo… Pensar, conduzir, acelerar a palavra no zelo da ideia…

Enfim! Não é aquilo tudo, mas não é pouco, nem mais ou menos, nasceu. Como diria meu amigo Paulo Hecker Filho, a ver o que virá… Amanhã deve ficar menos frio. O novo: consertaram a cratera que levava ao Japão / assim, depois de dois anos, os pedreiros vieram jogar cimento. Acalmam as margens poluídas, empurram os peixes mortos da lagoa. Não posso planejar viajar: vestígios do desastre, não posso mais desejar partir: estupefata acompanho as pás a se movimentarem…

Basta não acreditar no possível, e o impossível acontece. As calçadas de Torres, as ruas de Torres te levam a todos os lugares possíveis imagináveis. Mas, ao carro explicas/ensinas destinos curiosos, veredas, obstáculos, solavancos, e surpresas… Torres sofre o frio de um inverno bem carregado. Junho de 2021 Beth Mattos

Carla Madeira: amor não é incondicional

Espirra palavra: agarra sentimento, todos. Descreve pessoa / carne e osso. Fantasia exigente de romance. Maravilha! Leitura de uma manhã, vai se fechar no entardecer, com certeza vou sonhar. O dia iluminado enche de saudade meu coração apaixonado. Depois do frio gelado o abrandamento da expectativa. Quem sabe voltas?! E tudo volta ao antes, ao acerto. Enfim! Beth Mattos – julho de 2021 – Torres

“Uma sensação de redemoinho misturando água suja com água limpa foi esfriando a espinha de Venâncio. A certeza do que tinha visto começou a se diluir. O transparente virou barro. O amor não é incondicional coisa nenhuma, tem suas fragilidades de matéria orgânica. Estraga, esgarça, rasga, inflama, acaba. E como acaba. É feito gente, depende do que vive. O medo esmagou o coração de Venâncio, não sabia desfazer o que estava feito”.(p.89) Tudo é rio – Carla Madeira

encastelado

Ou tu nasces em confortável colchão de molas, logo cresce em cima de outros com novas tecnologias, e sentes o grão de ervilha… Quem sabe com molas acolchoadas ou sei lá quantas outras maravilhas tecnológicas…, e sonhas sonhos possíveis, consequentes, quase objetivos, acordas disposto. O terrível de viver nos cercadinhos dos palácios, muros altíssimos, se manifesta no amolecimento dos “miolos”/inteligências apertas. Das torres, visão panorâmica nada objetiva ou justa, sem mestres… Pobres encastelados! A vida e suas conquistas! Hoje brotaram novas folhas nas buganvílias do meu jardim. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres

Referência ao conto infantil A princesa e a ervilha