passarinho e chuva

Hora de dormir! Por que dormir no mesmo entardecer da passarinhada?! Gosto de dormir cedo, gosto da rotina. Horário / compromisso e sonho. Não sei se estão na mesma caixa. Passarinho de manhã / chuva / cantoria e eu. O dia espia E o dia me surpreende aos gritos: por quê!? No internato, verdade, as Madres nos recolhiam cedo, sem traumas: vida organizada. No último recreio das internas, que eu me lembre, seria às 20 horas?! Música, sempre música, e com dança, ou leituras tardias até a luz ser apagada. Apenas irmãs tinham quartos, nossos redutos eram no que se chama dormitório. Ah! lembro de dançar, mas lembro de poder ir para o quarto, mais cedo. Tínhamos janela individuais que se abriam para um avarandado. E era bom! Tudo. Disciplina e liberdade. Ordem. Limpeza. Previsíveis, às vezes, o piano… Adorava aquela salinha do piano. Conversas, conversas misteriosas, um chocolate extra. uma confidencia. Um sonho.

Esta memória se atravessou num dia da limpeza: esfrega aqui e ali, pendura lençóis. O passa passa que adoro. Perfumada lembrança do colégio. Na rua Vitor Hugo, nos verões, ficávamos de correria até escurecer. Arteiras e molecas. Estes hábitos monásticos eram coisas do meu gosto de ser freira, convento, ou sei lá… Preciso detalhar. Talvez não devesse ter casado, mas logo, imediatamente as festas / muitas e tantas festas me seduziram! Os dias amanheciam e já estávamos engaladas com rendas, cetins, flores e aquela profusão festas, ah! tanta festa! Somos as meninas do possível e do sempre. E tínhamos nosso Clube Bandeirante para reuniões dançante, brigadeiros e comilanças enquanto dançávamos o baião. E era verão.

Ah! Que saudade também da hora certa pra dormir, hora certa para acordar, hora certa para pegar as roupas cheirosas na lavanderia, e o lugar era lindo! O Beco do Carvalho! Nossas Madres Agostinianas! Voltei para o internato para o Instituto Nossa Senhora das Graças. Alguém chorava com saudade de casa, poucas. As que choravam choravam e choravam até voltar para casa…, diz Ana Helena que não sente saudade do internato, do colégio, das cônegas, do internato não. Temos que lembrar das salas, dos pianos, da capela, das missas e das danças! Dos retiros com Frei Celso. Das fitas complicadas do uniforme. Dos aventais impecáveis. Faço analogias com o Colégio São José, em São Leopoldo? Elizabeth M. B. Mattos agosto de 2021

Rio de Janeiro – rua Macedo Sobrinho – Largo do Humaitá – 1973

Fotos da mãe no Colégio São José – a outra, já professora com seus alunos em Guaíba – 1930 e 1932

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