assim Paulo

Assim, Paulo:

Estou a pensar neste “gosto que olha”, neste gosto que lê. Associações pessoais, únicas. No monólogo. Na conversa. Onde a conversa?! Tão difícil! Ou mesmo inútil. Idiomas diferentes, desconhecidos. Não convergem nem explicam. Qual planeta? Terra, ou Saturno? Marte ou Vênus? Em qual rotação? Qual pressuposto? Qual bagagem? Uma mochila ou uma mala com rodinhas? Sacola ou valise Onde estão os afins, os pares? Sinto-me / estou estrangeira. Fotografaste meu quarto, as plantas, também as pedras e concluíste: “estás protegida, estás feliz, bonita e bem”. A voz da Luiza me faz falta, seu olhar castanho, os cabelos, o corpo, a minha Lú. Sabes que o Flávio já está com sua identidade italiana? E que ela me mandou uma écharpe verde, modesto presente segundo ela, mas, do meu, gosto digo eu. Adoro lenços e mantas como se o inverno pudesse ser permanente na minha vida. Junto ao fogo e ao vinho. Isto traduz o Sul, mas, se o mar estivesse aqui com suas falaises e ventania e maresia eu estaria melhor. E se meus olhos pudessem olhar e ver a filha eu estaria mais feliz. Sinto falta dela: como se eu desejasse o começo. Que tudo recomeçasse, desde a gravidez… Como se eu devesse a ela uma vida. Ela me sabe inteira, e eu? O q eu sei da filha? Quero mais. E não posso tocá-la. Escrever é pouco, não sinto o cheiro. Sinto saudade. Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2021 – numa velha / antiga lembrança de 2004

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