“optar por si mesmo”

“A liberdade não chega automaticamente: é conquistada. […] O Passo fundamental para a conquista da liberdade interior é ‘optar por si mesmo’. Esta estranha expressão de Kierkeggard afirma a responsabilidade de cada um pelo próprio self e a própria existência. É uma atitude oposta ao impulso cego ou à existência rotineira; é uma atitude de vivacidade e decisão; significa que a pessoa reconhece existir naquele determinado ponto do universo e aceita a responsabilidade da sua existência. Isto é o que Nietzsche queria dizer com sua ‘vontade de viver’ – não apenas o instinto de auto conservação e sim a decisão de aceitar o fato de que a pessoa é ela mesma, com a responsabilidade de cumprir o próprio destino, o que, por sua vez, implica em aceitar o fato de que cada qual deve fazer suas próprias opções fundamentais.” (p.140)

Esta questão inquieta, esta tal de liberdade atormenta. A falta de coisas supérfluas e tão necessárias!, a saudade de algumas pessoas: amigas, amadas, íntimas. O mito permissivo da juventude eterna, Fausto fez a melhor escolha?! Eu posso ser eternamente jovem: eu estou ótimo, eu me cuido. A vida, uma vitória. A tal velhice bateu, fez toc-toc na porta…, não esperou abrir a porta, refestelou-se no meio da sala, entrou antes mesmo que eu terminasse de enfiar o casaco e arrumasse os cabelos, eu não tinha passado a chave, descuido meu. Porque se eu pudesse, se eu exercesse a minha autoridade, eu não a deixaria entrar. Fiquei encabulada. E a conversa começou com intromissão insistente… Então, eu me pergunto qual é o limite, como vou impor a minha vontade?

“Kierkeggard escreveu vinte livros em quatorze anos, terminando -os aos quarenta e dois e – quase dizemos ‘para concluir’ – caiu de cama e morreu.” (p.141) Rollo May O homem a Procura de si mesmo

Estou a fazer uma nova arrumação enquanto me proponho a limpar a casa, agir/fazer e estar disposta (ou alegre) , consciente de que eu mesma escolhi esta vida de não-casada, de dona de casa, de estar sozinha, de amar sem vergonha, de sentir prazer, de me apaixonar, desmedidamente, de ter que desapaixonar, cair na real, seguir caminhando nas calçada esburacadas, mas particularmente, bonitas…É lindo onde eu moro! Atividade: jogar fora os velhos livros, sem dó, nem piedade! Pensar nos catadores de papel! Enfim! Não telefonar ao amigo X, nem ao Y, muito menos ao ZMCGR! porque eles são casados, e as mulher ficam todas…, eles ficam todos melindrados! Pois é, mesmo nesta velhice esquisita, os amigos não se permitem escrever, participar ou dizer olá! Os homens não podem sair dos seus quadrados, e as mulheres seguem atarefadíssimas sendo avós, mães e seres de fé. Não posso reclamar, eu sei, por cima da minha velhice, o meu amado chega para me visitar amanhã. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres

Quanto mais a pessoa se aprofunda em sua própria experiências, mais originais são as reações e os resultados.

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