Marguerite Yourcenar

Marguerite Yourcenar, penso FT, como se eu voltasse, ou ele voltasse ao Bazar Praiano para comprar livros, ou me vender ideias, escrever memórias. Nesta insônia natural / dormi tanto e muito! Noite e sonhos! Com minha tia Joana, com o pai e com a mãe: eles me visitam, ela mais vezes, gosto. Vou para a estante pequena do quarto, viajo pelas/nas possibilidades de encontrar um volume não lido / não rabiscado, porque o certo que são muitas leituras esquecidas, tantas picotadas, outras intensas, a ver. A grande dama, ao lado de Marguerite Duras, quietas.

Neste quarto banal, sem ligação com o passado e o futuro (onde por isso somos mais nós mesmos), no meio de um dia ou de uma noite qualquer, esse milagre que bruscamente se realiza, essa graça que por vezes desce: não um instante de felicidade, porque a felicidade não se conta em instantes, mas a súbita consciência de que a felicidade nos habita. Os objetos que compõem a vida regular de repente numa outra ordem voltam para nós sua face ensolarada.” (p.53) Marguerite Yourcenar A volta da prisão

“Era uma dessas naturezas amalgamadas de sonhos que, que pelo mais feliz dos instintos, negligenciam o lado irritante e falsificado da realidade, e caem com todo o peso sobre a evidência das noites e a simplicidade do dia.” (p. 37) Golpe de Misericórdia

Nosso corpo esquece tanto quanto nossa alma. É talvez essa capacidade de esquecer que, em muitos de nós, explica a renovação da inocência“. (p.77) Alexis ou O Tratado do Vão Combate

A leitura tem/é/ desenha esta viagem descabelada / desnorteada enfiava nas estantes. Por que existem estantes? E se os livros fossem lidos e largados/deixados em bancos de praças. Ou fossem lidos apenas nas bibliotecas, nas horas certas. Se as leituras não fossem desorganizadas assim, como ondas de tempestade ou ventania dentro de casa, e, sendo assim, atrapalham o sono, a lógica, a tal rotina chamada de vida organizada / convivência! Fica tudo fora do lugar, daqui escuto o mar, deve estar forte hoje, avançando… E misturo tudo com texto e leitura, desconcerto. Ah! Estas notas de saudade e inquietude, és tu no teu silêncio necessário, neste amar fora do lugar, neste amigo desejo e nesta loucura vazia de imaginar! Onde estás? Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 – Torres

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