O verão mandou um vento alegrinho sacudir as árvores, e, deu uma sombreada no ensolarado… Espio. Animo e desanimo, não sei bem o que faço! ah Ângela, com nosso passeio de ontem, tentei encaixar alegrias, mas ainda sobrevoa um objeto não identificado! Sim, se me chamarem, não vou… Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres
Mês: abril 2023
desvio

Tem / estou num desvio virando rota. Uma lágima sendo rio, uma palavra morrendo, desfigurada… O desânimo salvo: sim, teu sorriso atravessou teu mar e chegou na minha lagoa. Passadas apressadas da manhã, afinal, descansaram… Uma noite atravessada insone, consome um dia, dois, três. Enche de bafos e tristezas a casa. Reagir pode ser mesmo decisão! ah! este cansaço! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres


sem medo de dizer
céus! Queria comentar vários textos, inclusive, os maus tratos com George Sand – sem piedade, a minha vergonha não permite -, e eu penso, estes limites, pruridos, este medo de dizer, a exposição encolhe as pessoas! Fácil dizer, sejam vocês, completos, mas, a gente se enconde. Então faço outra citação de Charles Baudelaire no seu livro Meu coração desnudado – Editora Autêntica – Belo Horizonte – 2009 – Coleção MIMO
[42] O gosto do prazer nos prende ao presente. A preocupação pela nossa segurança nos deixa pendurados ao futuro. Aquele que se apega ao prazer, isto é, ao presente, causa-me a impressão de um homem que rola por uma ladeira e que, tentando agarrar-se aos arbustos, acaba por arrancá-los e por carregá-los na queda. Ser por si mesmo, antes de tudo, um grande homem, um Santo.(p.59)
[44] Política.
Em suma, perante a história e perante o povo francês, a grande glória de Napoeão III terá sido a de ter demonstrado que aquele que chega primeiro, desde que se apodere do telégrafo e da Imprensa Naccional, pode governar uma grande nação.
Imbecis são os que acreditam que coisas como essas podem se dar sem permissão do povo e os que acreditam que a glóriasó depende da virtude. Os ditadores são os serviçais do povo, nada mais que isso; um papel, aliás, vergonhoso. E a glória é o resultado de um espírito à estupidez nacional.
[45] O que é o amor?
A necessidade de sair de si.
O homem é um animal adorador.
Adorar é sacrificar-se e prostituir-se.
Todo amor é, pois, prostituição. (p.60)
E ele diz sem brincadeira, com todas as letras… Eu vou dando modestas amostras, aconselho comprar o livro.
(147 páginas assustadoras)

[11]Não tenho convicção, tal como as entendem as pessoas do meu século, porque não tenho ambição. Não há em mim base para uma convicão. Há nas pessoas de bem, uma certa frouxidão ou, melhor, uma certa moleza. Só os malfeitores estão convictos. De quê? De que é preciso que se deem bem. Por isso eles se dão bem.
E a gente se assusta porque concorda com quase tudo / sente quase tudo assim mesmo, dá vontade arregaçar as mangas e sovar a massa, fazer o pão, destribuir… Ou recomeçar, mas, a droga é que envelhecemos, e envelhecer é largar as armas. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres
bebê

quero ser uma menininha, ou um bebê aconchegado no colo de alguém, acarinhado, embalado, regredir no tamanho e sentir esta coisa de um abraço – confiança
quero casa ordenada, estantes limpas
vestidos perfumados e certezas em ordem alfabética / limpas, perfumadas
quero meu impossível
mesmo que ainda não seja o onde se esconde o possível!
Acordo e juro que vou dar conta das flores, da poeira do encerado do assoalho, dos lençóis, da mesa nova sem cupim – não quero os cupins, quero o mar e não olhar pro mar.quero flores.
quero cartas, mensagens, afagos, mas estou desorganizada e preguiçosa, durmo na cadeira sem sonhar, dói aqui, dói alí, dói amor de tua ausência, dói, dói…Elizabeth M.B. Mattos abril de 2023 Torre – São Paulo. E a Ônix, difícil deixar a pretinha pra trás… Meu tudo.
loucura desalinho coragem
a loucura que empurramos não é nossa, mas o emaranhado de erros cometidos, um atrás do outro, salvos? neste descaminho bafeja o amor, um amor de carinho, outro desajeitado, outo esondido, inconsciente. então eu caminho: ora no escuro, ora pelas sombras e às vezes eu sento na varando e seguro o sol com o rosto, braços abertas, pernas dobradas, dorso entregue e digo que sou feliz, só por um segundo, depois desconcerta o certo e eu caio no vazio profundo, ines´licável, trancando: não vou contar. As cortinas do teatro caem e o espetáculo termina, durmo. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2023 – Torres

inglês, francês, espanhol, português

Todas elas, todas nas prateleiras, ordenadas, intocáveis… Assim são as potecialidades e os desencontros. Se não atravessamos a rua, não apertamos a mão, ou damos um beijo, ou entragamos a flor ou … Ficamos intocáveis, ausentes, transparentes.
É preciso fazer um gesto, ou memoraziar uma conjugação no modo indicativo subjuntivo, entender os diferentes futuros. É preciso me concentrar, não alterar a voz, nem gritar, nem ensurdecer.
Não bastam as flores

Não basta a música, nem fechar as portas…
Um esforço, um mínimo esforço para chegar na paz e tocar o céu… Toda a fluidez, qualquer azul, qualquer cinzento, com estrelas, sem estrelas.
Preciso entender o mar que vai e vem, e se movimenta, irritado, ou manso, vai e vem… Sempre o mesmo, tão diferente… E estou fechada no quarto, com a janela fechada. Sem conexão, no escuro, sentada na beira da cama, sem chorar… É preciso, então, chorar. Elizabeth M.B. Mattos – abril – 2023 – Torres
um fio, um fio bem fino e a água desce…
escasso, devagar, aflito
não sei se vou conseguir matar a sede, sossegar, ou
chegar, naturalmente, vou perder
quando a energia se transforma em sono, sono, sono e descuido,
com certeza, vou perder
posso colocar um piano para tocar, talvez uma valsa, ou comece a cantar…
nada que eu faça vai aletrar a certeza de que estou perdendo…
o que pensei esta manhã desapareceu, de tarde fiz um esforço, gritei
gritei um grito rouco e tão absurdo…
estou juntando os pedaços, para fazer, extamente, o que?
não vou colar nada.
aquela tristeza seca tomou canta, desorientada, seca, sentada, ao meu lado no quarto escuro… Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres

George Sand / Que tu viens a propos pour terminer ma peine!
As histórias de nascer, conviver, se repetem: encontros, desencontros, decisões que importam como faróis para que o amor e a vida possa seguir. Quanto sofrimento enfrentamos /aprendemos para seguir em frente, poucos botes se salvam no meio da tempestade… temos medos, e o medo persegue, as pessoas perseguem umas as outras. Os escudos do amor são importantes. E.M.B. Mattos – abril de 2023
” Mas a história do gênero humano se complica sob tantos sucessos imprevistos, bizarros, misterioros; os caminhos da verdade se ramificam numa tal quantidade de atalhos estranhos e abruptos; as trevas que cercam essa peregrinação eterna são tão frequentes e espessas; as tempestades por tal forma se obstinam em destruir os marcos das estrada, desde a inscrição deixada deixada na areia até às Pirâmides; tantos sinistros dispersam e desorientam os pálidos viajantes, que não é de espantar que ainda não tenhamos tido uma história verdadeira livre de dúvidas, e que vaguemos nem labirinto de enganos. Os acontecimentos de ontem são-nos tão obscuros quanto as epopéias das épocas mitológicas, e somente de hoje datam os estudos sérios que lançam alguma luz a esse cáos. George Sand – História da Minha Vida (p.89) I volume ( História de uma família de Fontenoy a Morengo) tradução de Gulnara Lobato de Morais Pereira – 1945 – Livraria José Olympio / São Paulo
Estou empactada com a coragem de seguir em frente e como a doação sincera: uma autobiografia de todos nós, e história ferve, e somos nós. Os bons livros, serão sempre, os corajosos livros.
“[…]é a alma que sofreu mais que domina a outra. Se uma emoção nos empolga, não buscamos jamais o apoio do céptico zombeteiro e altivo. É para um infeliz como nós, em geral para alguém que tenha sofrido mais que nós, que voltamos nossos olhos e estendemos nossas mãos. Se o surpreendermos num momento de desespero, ele se apiedará de nós e conosco chorará. Se o invocarmos no pleno exercício de sua força e de sua razão, ele saberá instruir-nos e talvez nos salve; contudo, só poderá influenciar – nos se nos compreender, e para que nos compreenda, necessário será que tenha uma uma confidência a fazer em troca da nossa.”
A narrativa dos sofrimentos e das lutas da vida de cada homem é, pois, um ensinamento para todos os outros; seria a salvação de todos, se cada qual soubesse discernir o que o fez sofrer e compreender o que o salvou. Foi com esta mira sublime e sob o domínio de uma fé ardente, que Santo Agostinho escreveu as suas CONFISSÕES, que foram também as do seu século, e que ofereceram, a várias gerações de cristãos, o mais eficiente auxílio.” (p.15)
EM NOME
tu contigo
O esforço de fazer se abraça no esforço de sobreviver, como se um pedaço de você se soltasse do corpo e formace outra Elizabeth, uma boneca de ser feliz, arrastar coisas boas, cozinhar coisas boas, dizer coisas boas, apagar a tristeza ruim, colocar o indesejado na conta do caderno do envelhecer, mas não adianta, o mar está tão longe! Tenho que mudar a geografia, fazer a mala e ir embora pra São Paulo, colorindo o caderninho escondido. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2023 – Torres, ainda na despedida.


