…uma sexta-feira encostada no Natal. Escrevo porque venta. Como venta! E a ventania ensolarada acorda os verões torrenses: o vento a soprar encrespa o mar. E, encrespado, nos tira da praia. A juventude sacode: o melhor, o bom! A juventude conta estória comprida, enrolada nela mesma. Também engana expectativa, fantasia / enfeita a hora.Tudo pode ser o melhor, sempre o muito bom. Esta foto acorda o verão e a juventude: chave dourada.
A outra traz de volta o campo, a fazenda… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022
Mais Gata Borralheira do que Cinderela, mais temporal.O que, exatamente, justificativa o melhor? A estória da História é a mesma, o povo aplaude. Quem pode aplaudir, claro! Cada um no seu centro, sem centro nenhum, que desordem! Um segundo no mundo, apenas um segundo do relógio. AH! As Cinderelas sem sapatos picam raiva. Uma voltadeada nos pincéis e os sentimentos escorrem venenosos. Como reencontrar a paz amorosa, a paz da saúde, do bom governo? Os príncipes não dão conta dos monstrengos nem dos feitos mal feitos. Aliás, princesas não existem, nem as da realeza real.
Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres
a chuva de dezembro com o sossego que importa / o silêncio da passarinhada, sem vozes / a natureza: a chuva sossegando o sossego da segunda-feira
ah! recomeçar a trabalhar, a pensar, entender, entrar outra vez na vida que desenho ou faço traço.
Vontade indefina de recomeçar num princípio, começo… Incerto. Sem desejo, sem ardência. Os dias se fizeram dezembro, e, 2022 começa a ter fim este ano. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres
Entre tintas, odores, o movimento. Atordoada com a pressa… Nem pausa nem movimento, no imóvel ponto do mundo revoadas e pincéis. O mundo se refaz, eu olho, observo, vejo, mas não penso, acompanho. Deixo acontecer. Nem pausa nem movimento. Penduro o movimento, depois vou entender. Liberdade interior, desejo prático da mágica.
Ah! a beleza caminha, conversa e me agita. A onda, o mar, o vento! Renovada. Hoje volto a cozinhar e a pensar. Obrigada. As palavras se movem, a música se move no tempo, o tempo…
Amigo, lamento à infindável agonia das flores agonizantes. Estaremos juntos a baldear as águas! Vai ser um novo ano apenas quando o pesadelo nos acordar, urge esperar… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres
eles trabalham algres / eles trabalham perfeitos e são uma família; uma orquestra de cores e acertos e beleza, assim terei meu quarto, minha sala e os outros desejos todos embalados… aquela felicidade trabalhosa e que chega iluminando.
Se encontro a paixão, nada importa, fica tudo mesmo como o diabo gosta, na correnteza do rio. O dia sombrio dentro do sol. O sol se esconde atrás da cômoda, das cortinas, espia.
Se o tédio me agarra, o desânimo avança, volto à rotina, ao fazer consequente. Arrasto os chinelos. E neste pensar encontro o motivo, o viés… Sair para a calçada da rua Vitor Hugo, sentar no meio-fio a esperar as gurias. Logo, animada, levanto e vou preparar o jogo, risco a pedra, vou desenhar a amarelinha… Invento uma flor. E os jacarandas copados espalham a sombra. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres passeando por Porto Alegre.
Uma analogia com os contos de fada! Vivemos! A lembrança já não de alguém para alguém / não tem corpo físico, mas intensa emoção! A sensação, o colorido, a paciência e o espaço (castelo) estão no hoje a colorir a vida: distribui /promove / entrega a cada um o que importa. O sentir galopa. Como tu eu sinto o tempo, os anos amassaram o corpo, trituraram. E o cansaço é grande, pesado! Arrasto até a memória! Meu filho Pedro passou uns dias comigo, comprou uma enorme televisão, arrancou uma estante problemática, revolução: já na terça-feira virão os pintores e me assusto com o movimento e… céus! O sufoco desta desordem! O bom é que as buganvílias estão floridas, e, verdade, estou feliz e plena, animada. Sinto saudades do que foi sonhar o sonho, mas eu me acomodo na madrugada de viver. Borralheira: cozinho, lavo, passo roupa. Varrer o castelo, os páteos, encerar o assoalho, amassar o pão, amassar. E, por que não escrever? Escrever aos amados, escrever a memória que já espapa – fantasia, ou a ttua vida vivida, ou a imaginada. GLXXYKQ Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres
A vida se embala no humor, aquela vontade de rir, ou de xingar, apedrejar, depois a cortesia gentil consigo mesmo, e, com os outros, por que não? Presentear com a delícia do almoço fora de hora: bifes e tomates, no meio da manhã. Horário!? Não existe hora certa para ser feliz, apenas somos, assim, sumariamente, felizes, porque as cores estão, adequadamente, azuis. ah! Os advérbios desnecessários e pontuais! Elizabeth M. B. Nattos – dezembro de 2022 – Torres e os efeitos da visita generosa do filho.
Não era a cor preferida, de todas eu me inclinava para a luz do amarelo ou à vibração dos liláses, ou para o verde que não termina nunca. O azul. O verde se multiplica em nuances o dia inteiro a olhos vistos! De certo azul também. O mundo é colorido, presente surpresa com fitas e mágicas.
Ah! meu querido! Tuas marcar por toda a parte, nas fotos, nos livros anotados, nas músicas. Tu entras na minha vida por todas as portas – o som, a leitura, os olhos sobre o passado. Fico feliz e assustada. Fico sem acreditar que está acontecendo no meio deste cansaço de envelhecer, tu, outra vez, perto de mim. Uma desordem imposta remexe a vida… Amanheço possuída de paz, e te confesso, sonolenta. Assim mesmo te escrevo. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres
Temos que ser competentes para sermos loucos. A terrível loucura do idealismo. Tão perto dos festejos natalinos! Tão completamente, absorvida com a pintura do quarto, a nova estante, o novo gosto de tempo! Esta alegria que chega picada como confetes, e se enfia por todos os cantos, todas as dobras.