A chuva se alonga fértil, um outono cinzento, e frio, eu já me pergunto que verão nos aguarda? e o tempo e os dias, e a chuva e esta esperança esquisita de resistir! É preciso voltar e fazer. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – Torres
Autor: amorasazuis
uma despedida esquisita
o tempo não se segura, nem se espreguiça, aperta: e os sonhos contam constantemente na cabeça, pode ser loucura, podem ser fios a se desconectarem, pode ser saudade, e exautão
investigadar? não sei se posso. exigir também não. querer um companheiro, também não, atemção, acho que não.
” Contemple a velha sonhora levando o cachorro para a um passeio, a moça exibindo, um tanto torto, seu chapéu novo pela primeira vez. Contemple-os todos. Ainda que os céus tenham misericordiosamente decretado que os segredos de todos os corações permaneçam ocultos, de maneira que somos sempre tentados a imaginar algo que talvez não exista; ainda assim, vemos através da fu a muça do nosso cigarro, irromper, em chamas, saudando-a, a esplendida realização de naturais desejos por um chapéu, por um barci, por um rato numa vala; tal qual como uma vez vimos arder – a mente dá esses pulos e saltos bovos quando se derrama toda desse jeito e o realejo toca tal c omo o vimos arder uma fogueira, os minaretes ao fundo, num campo, perto de Co nstaninopla.”(192) Virgínia Woolf
E tudo que eu possa escreverer será tão solto, tão inconsciestente… qualquer meia duzia de pensamento se desgarra do real, do possível para passear num pazer slto e incoerente, os motivos se espatifam, os novos são bouques selvagens…Elizabetn.M.B. Matts – outubro de 2022 = Torres
FT
FT tinha sessenta anos quando o conheci. Não. Ele não leu todos os livros que afirmou ter lido em entrevista… E eu levei vinte ou foram vinte e cinco anos para entender o que ele disse. Céus! Não entendi. Ingenuidade, vaidade! Estupefata. A modéstia, a humildade, e os passos são incompreensíveis quando a carruagem passa. Se tanto tinha lido de Virgínia Woolf, tenho certeza que preciso reler e não estarei nem no começo…
“Estrias de roxo, rubro, laranja e azul irrompiam pelos interstícios das folhas e cintilavam na esmeralda que levava no dedo.” (p.187) Virgínia Woolf Orlando
…escrever / ler / pensar e conversar são tarefas árduas, infindáveis e não posso explicar. Passou tanto tempo! Tanto! Perdi. Inutilidade / nulidade e não…, não acrescentei. Coisas de amar: detalhes. Bocejar, bocejar, deixar passar. Coisas de amar… Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – Torres
modernidade


minha mãe
escolha
Dia de sol. Caminhada curta. A perna esquerda segue doendo. Incomodada o corpo, reclama demais. E não se define. Incômodo constante. Ilusão. Durmo. Vou acordar e tudo estará bem, organizado, não. Nada funciona. As flores, bem, as flores brotam. Se a palavra exuberante for adequada eu sublinho. Certeza: não estou no ponto certo. O fato atropela, interrompe. A decisão se descabela. A esvoejar, a sair do lugar, a recomeçar, ou solucionar… O dia tem que estar acomodado entre quatro paredes, as janelas precisam abrir e fechar, e, as frutas, bem, as frutas maduras precisam ser mastigadas. Memória, lembrança: caprichos. Na biblioteca, ordenados, limpos, escovados. Há que se priorizar a boa luz. Acordar.
O dia boceja nublado. Percepções escorregadia, nenhuma certeza. Ora, as certezas empurram, ora se erguem e caminham nas vontades. Vamos ordenar o batalhão. Hoje marquei encontro com elas (as vontades), e vamos até a praia, se a perna não incomodar. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – Torres

difícil, mas vai terminar…
dia difícil…,expectativas, soluções, mas vamos chegar, vamos conseguir…, estou sem forças, mas não importa, amanhã conseguiremos…
cada dia, um dia, es as vozes, as vozes, as vozes seguem…
vai teimar, eu sei. vou comprar uma braçada de flores, colocar os pés no mar, semtar na areia…e o mar leva, e o mar trás… Elizabeth M. B. Mattos – outubro de 2022 – Torres


sem armas
sem ânimo, sem armas, sem vontade, na despedida, entregue…
“Pois se é temerário entrar sem armas na toca do leão, temerário cruzar o Atlântico num barco a remo, temerário se equilibrar num pé só no alto da Catedral de St. Paul, é ainda mais temerário ir para casa sozinha com um poeta. Um poeta é o Atlântico e o leão reunidos num único ente. Enquanto um nos faz afundar, o outro nos abocanha. Se sobrevivemos aos dentes sucumbimos a maré alta. As ilusões são para a alma o que a atmosfera é para a terra. Recolham essa tênue camada de ar e a planta morre, a cor se desbota. A terra sobre a qual caminhamos é cinza estéril. O cascalho a que pisamos e carvões em brasa o que nos queima os pés. Pela verdade nos perdemos. A vida é um sonho. É o despertar que nos mata. Quem nos tira os sonhos nos tira a vida…(p.134) Virgínia Woolf – Orlando –

volta para a ficção
Eu a delimitar o Eu. Emparedar ideia, não deixar escapar: o que acontece não importa. Não é real, nem verdade. O corpo se estende no cansaço do corpo, então, as pernas se acomodam, soltas, livres. Eu me refestelo, arrumo o sono manso. O sono entendido se anima para dormir, amanhã, amanhã será/é promissor. Chuva e chuva, água chorando, e depois, vamos ver. A trovoada vai logo passar… Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2022 – Torres



