acesso de honestidade

…,inacreditável como todos viraram virgens vestais honestas, e, magnificas! A tentativa de jogar diferente / do novo (os pecados são maiores do que o mundo, antes eram veniais…risos) e o antes, o antes brilha no céu do correto! há qualquer coisa no ar que não deixa respirar, excesso de frio, talvez, de calor. As cabeças ficaram com moleira de recém nascidos puros…, resistentes. Inacreditável esta roda! Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2021 – TORRES compro margaridas e mistura com rosas e cravos, ainda não sei do perfume, vou descobrir, sem assistir televisão, claro!

Simone Jockymann

palavra, suspiro, voz congelam neste junho ameaçador / dor e desencontro no Brasil, mas em Torres as mimosas floriram e os jasmins apontam, ouço tua voz a me chamar, estou indo! – festejo o aniversário da Simone Jockymann com bolo, chocolate quente, conversa com/em sanduiche: piano e canções. Nossa alegria saltando em ciranda. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2021 –

lambuzar pincéis

Feitiço e palavra: mágico sentimento: porão de sensações! E sou eu, e és tu, e somos nós, a desafiar o equilíbrio deste silêncio e do grito, e do gozo. Corpo, saciado, agradece, inverno gelado se espanta… Olhar estarrecedor traduz o alegre feliz. A juventude dá uma volta no que pensa/parece/se diz envelhecer: “É uma decisão e não opção.” Não existe música, nem movimento, nem dúvidas ou lástimas queixosas. “Se tiver que violentar pudores é menos danoso do que perder a oportunidade de dar-se prazer. Romper barreiras.” Beth M.B. Mattos a colorir na aquarela, a ler no desenho. Lambuzar os pincéis e mergulhar no copo a transbordar: estamos esparramados no violento sentimento de rasgar, plantar e fazer explodir.

Ntozake Shange

Há um verso em for colored girls who have considered suicide / when the raibonw is enough, Ntozake Shange. Na peça, a mulher de roxo fala depois de lutar para lidar com todos os aspectos físicos e psíquicos de si mesma que a cultura ignora ou deprecia. Ela se resume com estas palavras sábias e pacíficas:

here is what i have…

poems

big thighs

lil tits

&

so much love*

é isso o que tenho…/poemas/coxas grossas/peito pequeno & tanto amor

(p.267) O corpo jubiloso: a carne selvagem in Mulheres que correm com os Lobos – Clarissa Pinkola Estés

corrupção = a

ter ou não corrupção equivale ao número de picolés e pacotes de sorvete de chocolate que um congelador comporta: se vivemos doze, ou treze ou foram quantos anos? sei lá. quanto de tempo anos engolimos a violenta palavra?, agora vivemos/estamos/ temos a se remexer no estômago uma indigestão colorida: todos, confortavelmente, sentados nas suas cadeiras administrativas: ninguém quer picolé ou sorvete de chocolate. Esperam a safra dos morangos…ElizaBeth Mattos – junho de 2021- Torres – Céus! não tenho ideia de como farei para chegar mais perto, estão eletrificadas as cercas, e tanto/muito barro…revolta

lágrima – poder criativo

Eu disse que alguns livros voltam..., as leituras nunca são/serão definitivas, datas também não. Esquisitices humanas. Mulheres Que Correm Com os Lobos de Clarissa Pinkola Estés, impressiona. O texto não se fecha numa ideia emotiva, nem tesão ou sensação, nem caça pela caça, mas aborda uma reflexão – pensamento. Arranca um motivo. “Amar o outro não basta. Não basta ‘não ser um estorvo’ na vida do outro. Não basta ‘dar apoio’, ‘estar disponível quando necessário’ e tudo o mais. O objetivo é estar familiarizado com os métodos da vida e da morte, na nossa própria vida e numa visão panorâmica. E o único meio de se chegar a ser um homem familiarizado consiste em aprender a lição nos ossos da Mulher-esqueleto. Ela está esperando pelo sinal de sentimento profundo, por aquela única lágrima que diz: ‘Admito o ferimento.’ Essa simples admissão alimenta a natureza da vida-morte-vida. Ela cria o vínculo e faz com que comece a surgir no homem o conhecimento profundo. Todos nós já cometemos o erro de pensar que uma outra pessoa podia ser nossa cura, nossa emoção, nossa realização. Leva muito tempo para se descobrir que isso não existe, especialmente porque pomos o ferimento na parte externa em vez de ministrar – lhe a cura dentro de nós. Talvez não exista nada que uma mulher deseje mais de um homem do que a atitude de ele desmanchar suas projeções e encarar seus próprios ferimentos. Quando um homem enfrenta seu ferimento, a lágrima surge naturalmente, e suas lealdades internas e externas se tornam mais fortes e definidas. Elas se transformam no seu próprio curandeiro. […] Ele não tem medo de desejar, porque acredita que sua necessidade vai ser satisfeita,”(p.197-198) – e, não basta, mas é o começo, pensar, derrubar o proibido, amar pelo amor de amar… como podemos ser frágeis e evidentes! … eu posso dormir no teu abraço. E vou até o final. Seguras minhas lágrimas, passas a mão no meu cabelo, e embalas meu sono. Junho de 2021 – Torres – Elizabeth M.B. Mattos ” Não é de espantar que na nossa cultura coexistam a questão de esculpir o corpo natural da mulher, a questão correlata de entalhar a paisagem e ainda a de retalhar a cultura em partes que estejam na moda. Apesar de uma mulher não ter condição de parar a dissecação da cultura e das terras da noite para o dia, ela tem condição de interromper esse processo no seu próprio corpo.” (p.256)

2004 2014 2021

Quatro autores conversam, e, se fecham. Em circuitos particulares. Personagens e sentimentos… Outra vez, a estudar. Exigente, embora amolecida pelas horas. Dias fantasiados se sacodem exaustos, insones porque vigilantes. Tudo se alinha, mas tão absurdamente sem sentido! Pobre. Sem sentido nem explicação. Incompreendidas angustias. Sobressaltos autoritários, talvez poderosos. De tal forma poderosos que escravizam em exigências silenciosas. Num repente a relação-união queima como sacrifício, imolação. Difícil acertar na liberdade de ir e vir / avançar ou recuar.

Relações deveriam ser oxigenadas / livres, não pedras. E os sonhos, sonhos, não dívidas ou pesadelos. Relações sem falsas imagens nem teatro. Que a sombra fosse arejada, sombra de árvore bem plantada. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2021 – Torres – anotações de 2014 – chegando a 2004, sem urgência – debruçada em 2021 no embalo do inverno)

para Francisco, carta derramada

Alter ego ou alterego (do latim alter = outro egus = eu) pode ser entendido literalmente como outro eu, outra personalidade de uma mesma pessoa. Para a psicanálise, o alter ego é um outro eu inconsciente.

Assumo que estremeço. Assumo que deixo de ser natural. Assumo que conversar contigo é…, indizível. Antes do amigo, professor. Professor de uma nova disciplina. O homem dos pássaros, da terra, do jardim, e dos livros, da literatura, da teoria, meu professor, e ponto. Um ser/pessoa diferente. Bloqueio. Sinto medo, alguma coisa esquisita em relação ao que escreves, ao que escrevo para ti, ou compartilho contigo, ou imagino dizer e nem digo. Bloquear o pensamento, e me assombrar contigo. Não consigo estabelecer diferenças saudáveis, nem mesmo nas leituras. Até o teu francês grita superior ao meu, e sabes da minha formação… Existe o muro, a parede a ser derrubada / transposta / atravessada cada vez que te encontro nova sensação. Esquisito. Mergulhei na análise detalhada deste sentimento, que sejas, então, o terapeuta. Demoro um tempão pra relaxar, pra ver, olhar, para sentir que estou a conversar, afinal, com Francisco, o velho amigo! Em tempo, pois tão jovens és! Que dificuldade! E me sinto vigiada. Esquisito isso. Um jogo estranho. Sim, como se existisse um tabuleiro, e eu precisasse jogar, inferir, negar, ir pra direita, ou pra esquerda, atacar. Defender. Recuar. Esconder-me. Como se te escrever, ou responder me levasse para um terreno minado, cheio de bombásticas incertezas. Leio. Releio. Não respondo. E quando, espontaneamente escrevo, recuo. Outro mundo. Outro planeta. A vida acadêmica que eu queria / desejava pra mim? Um jeito de pensar, uma inteligência como a tua, não a minha? Não, mas não sou assim, penso. Tenho a minha própria história e trajetória, diferente, apenas diferente, mas,… Não é o algoz nem o juiz. Apenas o Francisco! Esquisito! Politicamente diferentes, e, tu és homem, e eu sou mulher, tu moras em Jacarepaguá. Curiosamente /estranhamente Jacarepaguá. Era onde pretendíamos morar, um longe agreste, hoje tão povoado, diferente. Estou a colocar todos os pronomes: excessivos em português, mas tão ‘naturais’ em francês! A doença, a perda, a morte. O fixo e o rígido. Neurótico. Algumas perdas me escapam, ou se acomodam no necessário. Luto prolongado quando perdi a mãe (atritos e divergências), conversas sem ponto final. Três anos depois o pai morreu, e, a minha tia Joana, aumentou a lista em cascata já sem lágrimas. Perdi as raízes, ou finalmente, brotou uma árvore?! Não sei. Não sinto mais nada agora. Não somos eternos / nem para sempre. Eu te digo que estou atrapalhada. Sofro para dentro, num lamento inútil, pesado e ansioso, tropeço na dor e avanço: tudo passado, e, ainda hoje/agora. Engolir a coisa sozinha. Afinal, morrer ou viver não deve ser filosófico, mas real, da vida / na vida, a morte depois do viver. Que loucura! Morrer é difícil! Desaparecer é como não ter vivido. O que resta é a memória na lembrança de outra pessoa. Uma ironia! Ironia fantasiosa! Enfim! Não era da morte, mas da vida o meu escrever. O que queria te dizer, ou o que confesso, agora, neste momento, descreve a minha confusão emocional diante dos teus julgamentos literários que me atropelam antes de serem proferidos. Não acreditas, mas enquanto leio, antes das letras, imagino teu julgamento. Teu julgamento me inibe antes de acontecer, sem existir. Não é ridículo? É louco. Escrever demorado para leres mais demorado ainda, parece um desenho pontilhado, do impressionismo, sair às pressas dos pincéis molhados no preta e mergulhados no vermelho, ao expressionismo. Por que, num repente, alguém se agiganta desta forma? Agora estou lendo Trem Noturno para Lisboa, (começou com o pedido do oficineiro: ver o filme, depois o livro, ou vice-versa. Fui atrás do livro, comprei, e gostei. Mas não sei fazer crônicas, e não consigo escrever, nem entender da coisa. A burrice me imobiliza, nem pra frente, nem pra trás. Então o livro começa a me aborrecer. Sem esmiuçar repetições, dizendo o mesmo… O truncado, o obscuro, o filosófico, mais do que o romancista. Depois me apaixono e mergulho. Tropeço, depois gosto, gosto do texto de Peter Bieri (o inventado). O filósofo com o pseudônimo de Pascal Mercier, ou o autor do romance com mais de 2,5 milhões de exemplares vendidos… Como O mundo de Sofia de Josten Gaarder. Nem ia te contar desta aventura. Habitas o planeta Terra, não sei bem o nome do meu planeta. Sofro influências, e logo desanimo, tu segues sempre. És metódico, sou desorganizada. És absolutamente claro, objetivo mesmo quando te propões subjetivo, sou confusa. Um sentimento de inferioridade acentuado. É isso? Não sendo objetivamente. Confuso. Tudo que preciso, ou imagino necessitar se refere a tua AVALIAÇÃO, a Beth aluna, (discípulo seria demais), se apresenta, um pouco sob o encantamento, outro tanto, timidez, mas certamente com inferioridade. Eliza, ou Liza? Tua posição em relação a vida, escolha, profissão, e até amor parecem seguros. E eu tropeçando… Tudo para te dizer que comprei um volume de Aureliano de Figueiredo Pinto, porque ainda não o conhecia. Quanto ao mineiro, não consegui. Quanto ao Tabajara Ruas, nem lembro mais qual livro, não sei. Estes livros descartados, com dedicatória e tudo, assombram as estantes dos meus filhos que os receberam, assim, aos montes sem terem escolhido. A ideia de os guardar, e de que um dia lessem os que não li, ou redescobrissem os que gostei, pura fantasia minha. Joana ia se desfazer e o fez, lembras? Apenas se desfazer. Esta partilha aleatória e necessária, fiz antecipada, antes de me mudar pra casa da minha irmã. Eu que zelava por grande parte da biblioteca da casa da rua Vitor Hugo. Livros encadernados pelo pai, pela mãe… Nome de família na lombada. Outros doei também para a biblioteca pública de Cambará do Sul! Quem deve ter aberto um livro? As traças. Literatura, jurídicos, e livros em francês! Esta coisa da perda! A biblioteca inteira do Paulo Hecker Filho que ocupava já um apartamento foi doada para Paulo Betancour. Este vendeu aos sebos. Contam que Paulo fez consciente para ajudar o amigo. Pode-se vender livros assim, aos magotes. Graças! Tu és feliz nestes encontros! E guardas os teus livros. Como te agradeço! Por todos os que amam livros. Também és agraciado pelo prazeroso destas leituras, escolhidas ao acaso. Deste jeito. E sempre, eu vou querer te seguir. E leio tão pouco! Um beijo e bastante saudade. Desculpa a carta derramada. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2021 – Torres – a ser revisado