Fernando, meu amigo

Naturalmente / mas é claro, deves saber que não te esqueci. Não posso. E nesta madrugada, por algum motivo insone, talvez por ter feito tanto durante o dia (trabalho cansativo doméstico de ir e vir) não durmo. Lendo o Musil, livro denso, político, pesado quando cada frase já é um texto a ficar e a pensar (parei), e  peguei o outro, um chato autor americano que renego neste momento, não vou sequer terminar a leitura, tanto o texto me aborrece! Começo a procurar ansiosa outro livro, um livro novo que eu possa, finalmente, me apaixonar, tão seca e fria estou por dentro, desmotivada! Ao menos um livro! E foi como uma reza a minha vontade. E foi Fiódor Dostoiévski – certamente já deves ter lido O IDIOTA. Editora 34, tradução de Paulo Bezerra e desenhos de Oswaldo Goeldi.  Livro nas mãos, prazer. E foi febre, impressionante, vivo, e…, não adianta fugir: eles são os reis / os donos / os príncipes, o resumo do poder: os bons escritores. Escuta este parágrafo:

Príncipe, não sei por que gostei de ti. Talvez por havê -lo encontrado num momento como esse, mas acontece que também encontrei esse aí (fez sinal para Liébediev) e não gostei dele. Vem me visitar, príncipe. Nós vamos tirar essas tuas polainazinhas, vou pôr em ti um casaco de pele de marta de primeiríssima, um colete branco ou o que tu quiseres, abarrotar teus bolsos de dinheiro, e …vamos ver Nastácia Filíppovna! Virás ou Não? […] Irei com maior prazer e lhe agradeço muito por ter gostado de mim. Pode ser até que hoje mesmo eu apareça, se tiver tempo. Porque, digo-lhe francamente, gostei muito do senhor, […]. Eu também lhe agradeço pela roupa que prometeu e pelo casaco de pele, porque dentro em breve vou realmente precisar de roupa e de um casaco de pele. Quanto a dinheiro, neste momento quase não tenho um copeque.” (p.32-33)

E eu lembrei  de ti. Do teu gostar. O mesmo olhar, a mesma decisão, a mesma firmeza, e fui presenteada generosamente. Vamos escrever a história. Obrigada. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

velho quarto

laborioso

Caminhar para dentro, encontrar a alma, e depois acreditar: e o brilho brilha. O poder não está no outro, mas cravado em nós: difícil e laborioso caminho. A pequena alegria de viver salva. Beth Mattos

luiza com os cães

baixa autoestima está intimamente ligada a dificuldade de autoaceitação,

amor-próprio e a falta de autoconhecimento.

A maior dificuldade está em reconhecer os sinais da baixa autoestima em nossos hábitos, pensamentos e emoções.

Então, confira as principais características dessa condição e algumas dicas para mudar isso!

Quais são os sintomas da baixa autoestima?

  • Hábito de sempre encontrar culpados para seus problemas ou erros;
  • Dificuldade de aceitar as próprias limitações;
  • Timidez em excesso;
  • Medo da rejeição;
  • Busca constante por elogios e reconhecimento externo;
  • Falta de confiança em si mesmo;
  • Tendência a procrastinação e preguiça;
  • Hábito de se comparar com outras pessoas;
  • Competitividade em excesso;
  • Falta de habilidade para lidar com críticas;
  • Sensação de incapacidade;
  • Necessidade de inferiorizar as pessoas;
  • Perfeccionismo;
  • Dificuldade para reconhecer as próprias vitórias e conquistas.

desafio

…pensar na profundeza do mar e da terra, na beleza interior. E no espaço que ocupa  dentro do corpo. Entender o erotismo (intocado) e o desejo físico; e o espírito do amor a flutuar livre. E a sexualidade. A felicidade multiplica a possibilidade de realizações. Beth Mattos – maio de 2020 – Torres

a visita

Fazia parte da rotina ver/procurar casa, pequena, nem tanto e algumas eram grandes, com gramado, sem cerca, ou com muros altos. Varandas, sacadas, espaços abertos floridos… Depois o chá com fatia grossa de bolo, ou biscoitos, e nenhuma pressa. Rotina amiga. Nestes velhos encontros novos, a vida. Conversa praiana se desvia pelas costuras e pela pintura caseira, o desenho. Uma exposição. A meia volta traz o sorriso do amado. Os livros a serem relidos em pilhas. Depois os velhos e importantes filmes, um jeito de voltar estando, afinal aqui, juntos. Encontro tardio com aquele ano desaparecido. Vendaval de lágrimas chuvosas. Ah! Como seria bom teu abraço mais apertado, e tua voz. Queres saber dos amores amado? Ou do ponto final. Antes não importa, quero tua voz. Loucura não te procurar, por que te esconder? Tu me contaste, dedilhaste teus amores ferventes.

Como tu, ninguém mais. Fechei os olhos de prazer. Voltei a buscar aquela luz. Os amados se remexem vivos dentro de mim, sou eu. A lembrança se espreguiçou pra voltar, preguiça. Amar agora, lustrar, polir, trazer as pratas e os cristais, estender a toalha e somos nós dois, povoados com o passado, então felizes. Adolescemos na felicidade do encontro. Obrigada por teres vindo…

Um prato de madeira com bergamotas, tangerinas e limões e o vento ventando uma voz pequena no sono. Acordei. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

eu me envolvo

https://www.youtube.com/watch?v=q-6F4JFbZ0g

Baby, Can I Hold You?

Sorry
Is all that you can’t say?
Years gone by and still
Words don’t come easily
Like sorry
Like sorry

Forgive me
Is all that you can’t say?
Years gone by and still
Words don’t come easily
Like forgive me
Forgive me

But you can say: Baby
Baby, can I hold you tonight?
Maybe if I told you the right words
At the right time
You’d be mine

I love you
Is all that you can’t say?
Years gone by and still
Words don’t come easily
Like I love you
I love you

But you can say: Baby
Baby, can I hold you tonight?
Maybe if I told you the right words
At the right time
You’d be mine

Baby, can I hold you tonight?
Maybe if I told you the right words
At the right time
You’d be mine
You’d be mine
You’d be mine

Querido, Posso Te Abraçar?

Desculpa
É tudo o que você não pode dizer?
Os anos passaram e mesmo assim
As palavras não vêm tão facilmente
Como desculpa
Como desculpa

Me perdoe
É tudo o que você não pode dizer?
Os anos passaram e mesmo assim
Palavras não vem tão facilmente
Como um me perdoe
Me perdoe

Mas você pode dizer: Querido
Querido, posso te abraçar essa noite?
Talvez se eu tivesse dito as palavras certas
Na hora certa
Você seria meu

Eu te amo
É tudo o que você não pode dizer?
Os anos passaram e mesmo assim
As palavras não vêm tão facilmente
Como um eu te amo
Eu te amo

Mas você pode dizer: Querido
Querido, posso te abraçar essa noite?
Talvez se eu tivesse dito as palavras certas
Na hora certa
Você seria meu

Querido, posso te abraçar essa noite?
Talvez se eu tivesse dito as palavras certas
Na hora certa
Você seria meu
Você seria meu
Você seria meu

 

amores secretos

Amores secretos, alguns indiscretos, outros terríveis… Verdade. Liz Taylor se casava com cada secreto e apaixonado amor. Grace escolheu ser princesa… Abandonou o cinema por amor. Por amor ao homem ou por amor a realeza? Quem sabe a verdade? Escolhas. Terríveis e doces escolhas. De quem é a culpa?Da vida, por ser apenas uma? A cada escolha um rumo tão absolutamente diferente! Todas escolhas interferem, alteram, definem… As profissionais, e também as amorosas. O parceiro “remexe” em tudo. Tira do lugar: a polir, para lavar, para conhecer, ou fazer ciúme, reconquistar, ou largar outra vez. Um jogo. Temos que escolher o tabuleiro, as peças, e as posições. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres.

Ne sois pas triste / Não fiques triste

 Ne sois pas triste.  Nous avons vécu un beau rêve. Vivemos um bom e bonito sonho. Eu me agitei. Sem certeza / com certeza. Seria/serei a pessoa descrita na tua carta? Ou projeção mal resolvida. Tão estupendo, mágico! Pensar que estarias em Torres… Não era/é possível voltar no tempo. A vida em carrossel, mimos aos meus olhos. Li e reli tantas vezes tua carta! Escreves/descreves tua/teu personagem sublinhando o excepcional: quero colar tua imagem/ideia/descrição com a possibilidade de ser eu. Não sou embora possa desejar querer, profundamente, ser pedaço vivo da tua descrição e abraçar/ ser a mulher excepcional. Sabes bem destas coisas sonhadas / destas metas traçadas com o rigor do bom desenho: alcançar o topo, tocar naquele infinito impossível do sonho… Quando imagino, lembro, e te busco nas conversas, lá está o sonhador / o sedutor, e  também o guerreiro. Tens o teu pote de ouro, cheio de moedas: teu jardim florido, e tua primavera particular. E nunca estás sozinho. Seduzida por tuas palavras desejo eu mesma voltar ao Amoras pelos teus olhos, e colorir com rigor e beleza. Tirar os vestígios mal resolvidos de uma solidão que grita mesmo estando povoada. Com certeza despida. Aos teus olhos, nua. Sem pudor ou vergonha. Apenas eu. Entregue ao desejo de ser acolhida / compreendida. Para chegar à mulher passaste pela juventude da beleza soterrada, assim mesmo por inteiro exposta. Uma geração. Não apenas eu. Tantas jovens foram aos mesmos e privados jardins. Ironia? Eu tinha por natural a vida, respirar / ser / e aqueles mimos não foram sublinhados… Eu me deixei atingir na primeira curva. Nenhuma convicção da beleza. Aqui tu me aprisionas, tu me tocas, tu me seduzes como pessoa. Chegas na fragilidade da minha pequena vaidade, no meu desejo mais acirrado e forte: escrever. Escrever. Escrever. Este jogo com as palavras, ou a descoberta de provocar tocando…, e aproximar e estar, imediatamente, confundida com o outro no texto. Céus! Luxúria. Prazer Vitalidade. Comunhão. Numa frase. Ah! Como é bom estar contigo e te escutar, imaginar que somos feitos um para o outro posto que podes me compreender e me sentir como eu me imagino ser e te descobrir como pessoa, eu começo a querer te definir, invadir, também possuir. Estarrecedor! Gosto da palavra merci /obrigada: descrevo/sinto como o prazer da tua leitura. E deste gosto, ao fechar o livro, de intimidade. Eu te agradeço a visita. Eu digo obriga para teus gestos, teu carinho. Eu me sinto lisonjeada, uso a palavra LISONJEADA. Confusão. Depois de ler tanto e tanto Anaïs e Henry Miller, apaixonada de amor pelo amor deles fiz questão de indo a França conhecer Rocamadour. Estas vontades gordas abraçam e nos motivam. Como eu te compreendo. E me sinto triste e culpada por ter sentido tanto medo. Medo da ElizaBeth que ias encontrar, distante daquela que imaginas existir. E aqui todas as considerações possíveis seriam/serão descrever minha pequena e insignificante vida torrense. Acompanhei tua caminhada. Estou contigo, ao teu lado, seguindo teu caminho que tanto me impressiona! Produtivo, inquieto. Teus projetos fervilham… Descreves com beleza e com poesia teu lugar de confinamento. Lugar de conhecer a alma. Teu jardim / tua casa / teu tempo de aujourd’hui. Tua voz ecoa no meu pequeno estar. O sonho sonhado era / seria amoroso, não podia ser uma peregrinação de lugares a ser visitados, mas de intimidade. Talvez nem sequer desejada. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

históriassss

História comovente. História de amor. No começo, no meio. Por todos os ângulos pinga  a boa e generosa alegria. Qualquer fresta ventila o coração. Cinema, poema, ou…

Já estou lá, e deixo lágrima. Ou  a boa lembrança. Ou a esperança de que voltes para mim. Histórias de amor comovem. Pode ser imaginação, ou a ideia mesmo do amor… Reféns do perigo, do medo. Querido, eu te amo. Estás demorando a escrever/responder. Sei lá por onde te perdes e não chegas! Tuas cartas eram longas e tímidas, e eras tu, e era eu a te esperar… Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2020 – Torres

luiza