adversário

A violência da natureza com seus exageros, gritos e resmungos, estremecimentos ensina aquilo que os homens não conseguem apreender em bancos escolares, nem com a família. Forma cruel para crescer: lágrima, soluço.

Necessidade de construir o futuro, não apenas derrotar o adversário. O oportunismo é uma praga, uma doença virulenta. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

destruir

Estupefação com o apedrejamento… Não existe mediação, mas ataque. Impressiona como ódio e raiva,  poder e vilania se manifestam. O encontro não é encontrar a si próprio, mas destruir o outro… E convivi pacificamente com este e aquele. Sem inquérito nem crucificação. Em que momento se assume a direita ou a esquerda, encruzilhada definitiva, não apenas um caminho para chegar nas cerejeiras ou nas laranjeiras, ou passar pelas amoreiras, pelo roseiral, mas alimentar diferenças. Tenho lágrimas.  Não deveria ser necessário o inferno. E.M.B. Mattos

registro da memória

alma cansa mais (2018-01-09 19:54)

O corpo resmunga geme inquieto, e se espreguiça no cochilo. Seguiria polindo se apenas ele,o corpo, reclamasse. Mas alguém mais reclama, boceja, cochila e se estica, a alma.  Orgia de amorosa loucura!

Sem noivo, sem casamento, não fui ao Rio de Janeiro. Os cadetes galonados dançam com as moças-debutantes. Paulo Roberto Pegas deveria ter sido meu par, mas… (curiosidade), dançou foi com Suzana. Majestoso acontecimento no Palácio das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. Meus quinze anos eram insuficientes, os vinte anos da irmã, melhores. Não viajei, aquela valsa não dancei. Somos feitos de tantas coisas que não fizemos / apenas sentimos…

…, histórias! O hoje, o momento certo, é agora. Tu dizes que tu me gostas, ou que me sonhas, fantasias…, histórias. Eu me apaixonei pelo amor impossível, e somos nós! Da memória o registro. Elizabeth. M. B. Mattos – março de 2019  Torres. Volta pra mim!

flor

Adoro cor e flor, o jeito deste detalhe, no recorte: o intenso desarrumado em tanta beleza de azul roxo rosa…, e flor. Estas cores! Sim as telas, os jardins a mata pode/tem esta conversa maior sem som, numa vibração ensurdecedora! Adoro! Gosto /quero flores! Elizabeth.M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

A imagem pode conter: flor, planta e natureza

choramingo

Olhei tua foto. Sei lá de que data, e me surpreendo com o que estamos a fazer enfiados nos comentários do Amoras, mais ou menos escondidos, mas tens razão, já na rede, os nomes se cruzam. Estremeci. Tens coisas importantes e sérias a fazer. Tens compromissos, convicções. Nos vestimos de meninos e nos esquecemos do tempo. Tu não sabes quem eu sou, nada tenho que lembre a menina…. Fora da realidade. Nem podemos nos  ver / encontrar. O que faríamos de nós dois? Olhei a tua foto. Por um minuto, vivo: carne e osso. E tudo não passa de ficção: texto colorido cinzento, choramingo. O que estamos mesmo a nos dizer? Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

 

surpreendida

Morte. Violenta sacudida interna, dolorida. Passiva, quieta, atenta, ou apenas estupefata. Surpreendida? Não sei. Qualquer coisa pior ou maior. Tristeza sem caminho, no fundo do olho o chumbo. Afogo neste sol que me queima…  Feridas pelas pernas, pelos braços, sangra a boca. Palavras soltas, engajadas, arrastadas ou ordenas, sem significado, nem intenção. Um vídeo, o filme. Diminuição, banalidade: cotidiano doméstico, um fazer e um esperar. Será que neste vasto, vasto mundo da poesia, neste mundão de postal, e de tanto faz de conta de vitrines, boas comidas, e tanta futilidade, nesta enorme praça/parque de diversões tem espaço para o real?

Fiz comida. Tomei café, lavei o que ainda faltava, passei roupa e vi as notícias, as mesmas do dia na madrugada, escutei /vi: tudo igual. Não posso ler. Estou impregnada desta atualidade vermelha, rasgada, perfurada, destes buracos na terra. Desta defesa acusação. Brinquedo de polícia e ladrão. Detetive, sem herói. Banalidade a brilhar! Atordoa o silêncio. Nada pode ser dito.  Elizabeth M. B. Mattos – março de 2019 – Torres

segura o copo

Continuas na teia de aranha que teceste da tua vida.”

Na temposidade da mora.

Pedaço das conversas que se minimizam e se escondem. um jeito de espiar a guerra de todos os dias, e a distância que não está em gala, mas enfiada nos chinelos . Ainda é verão. Isabel precisa repetir e dizer:

Ser apaixonada, amar o amor não é amar.” Francisco segura o copo, não responde, e parece que nem ele, nem ela conseguem se olhar, nem pensar. Pensar ou argumentar tem sentido de guerra, afronta. O carro estacionado na garagem, nestes momentos curiosos ela liga para uma conversa resgate, e outra de urgência. O motivo físico, a leveza, aquela alegria inconsciente que se diz natural. O reveso do verso se acorda e me espanta  tua visão. Um desenho de compra e venda / posse e possuído / poder e submissão.

No entanto nós existíamos: eu e tu – nós. Somos sombras porque nos encolhemos nas nossas pequenas covardias – limite. Isabel não consegue transformar em livro, nem em folha, nem em texto o que precisa ser dizer. Um duplo, sem-olhar, uma sombra, mas estamos exaustos, cansados, sem motivos… E os assassinatos, as mortes, os crimes, as flores os tiros, o amontado de pessoas alvo. Estamos nos preparando para morrer passionalmente, na guerra.  E faltam palavras, assunto, motivo, jeito…, o importante é que Lucia e Joana consigam dizer o que pensam. Estou fechada, e estou exposta. Tudo o que for dito se resume na maça. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2019 – Torres

“segura a xícara” disse C. D. de Andrade,ou foi Manoel Bandeira… , e morreu. Foi P. Hecker Filho quem escreveu este poema? Estou fazendo confusão.