e o estado …

Acordo com aquela sensação estranha de não trabalhar mais. Não saltar da cama enfiar qualquer roupa e ir para a escola … tantos anos! Loucura largar/parar/abandonar. Das quarenta horas , num repente  largar tudo …, sem plano definido. A Ulbra com vinte horas  noturnas, particular alegria. Inovei. Loucura de horários apertados. Engajamento emocional. Ninguém pode ser professor apenas algumas horas. Acordava envolvida e dormia possuída como se este fazer agisse também no sono.  Olhos fechados tudo seguia: vozes, ideias e  livros a serem lidos,  fichas consultadas, gramáticas, filmes. Alunos, escolas, pequenas viagens. Energia para dirigir até Porto Alegre de manhã e voltar a noite. Prazer da estrada. Aquela juventude boa de se entregar ao volante/rodar … Acordei com desejo de entrar no carro. Ir até a beira do rio Mampituba e passar no supermercado. Tomar café com aquele pão quente de farinha bem branca, suco de fruta, e gosto de vida, nova energia. Ideia de aposentar foi a pior que eu tive. Não trabalhar pode ser castigo infringido ao corpo ao tempo, testar alegria. E se desfaz em vagares. Coisa nenhuma. Hoje acordei com vontade estar de volta. Giz, livros, notas, chamada, vozes, pessoas … Eu deveria poder voltar. Desabafo. Novembro segue frio, ainda é muito cedo para providenciar no pão … Vou passar um café preto e desligar o radio. Talvez volte para a cama. Elizabeth M.B.Mattos dezembro de 2018 – Torres

outra foto linda da mesa com ver da batata doce

contar sem pensar

“Meu assombro é que eu me considerava imune a relâmpagos e trovoadas amorosas.

Cansada de simular equilíbrio. Louca loucura sacudida. Desespero, incompreensão. Falta  inteligência amorosa. Escorrego. Verdade pendurada no varal. Muda de de cor a voz, o dizer. Estúpido caminho pedregoso. Desnudar/desvendar/explicar enredo, ou beber vinho e rasgar pêssegos e mangas. Ansiedade sem alegria. Não posso me descuidar, estou perdendo o natural  da natureza alegre. Escorrego. Triste. Enjaulada. Não sei explicar. Não é normal. O corpo aperta os ossos. Efeito de tanto sono e desta saudade ensandecida, louca. Inexplicável.  …. joelhos, braços, pernas escalavradas, palavras  sem sentido.  Perigo! Olha o sinal!  Elizabeth M.B.Mattos – dezembro de 2018 – TORRES

“Cartas! Ela as possui, cartas! […] Cartas onde meu nome aparece […] romance de folhetim não é outra coisa: desenrola-se no papel, espelha-se na vida mas elucida-se nas cartas.”

Trivial sempre é simples, quando se reverencia silêncio, mas quando personagens começam a falar, brotam problemas.” (p.170-171) Marco Aurélio Barroso  in  …ela mora em Botafogo …

LINDA ILUSTRAçÃO mesa e objetos

 

aipim frito e cerveja

Almoço. Independência e liberdade: aipim frito e cerveja. Que frio neste novembro! …, e choramingo. Queria rir contigo. Loucura da loucura. Sem estrada. Café e sonho …, sesta e abraço. Por que não? Posso tudo. Sempre, até envelhecer, e ficar assim, com rios e lagoas, tropeços e descaso…  Gosto de café e o sono. Beth Mattos – dezembro de 2018 – Torres

querer possuir

Volto e retomo não resisto. Não te pergunto se posso, ou se não posso. Espero. Escrevo…, não sei. Sinto. Despedaço aos pedaços. Coisa esquisita envelhecer invisível.

Estás a me escutar… Único, tocado e sentido sentimento. Antecipado. Ansioso, o meu. Depois que apagaste/enterraste história sem contar nem dizer… Fico a pensar e a te querer, assim, devagar…, sem rumo. Completo. Repasso, retomo, eu te toco. O texto não sou eu, nem a palavra, nem o formato, nem o sentir.  És tu, somos nós. Então, existe um tropeço. Retomo. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro em Torres – 2018

” Não podemos nos esquecer que já somos o que somos. Vida solitária exala algo de sublimemente superior que, ora nos faz brilhantes …ora idiotas.

Insegurança leva – nos ao sorriso. É que. a mais de vezes, não nos damos conta de que prazer de querer possuir é melhor do que próprio ato de possuir. Pensar em amar alguém, abraçar esse alguém, beijar esse alguém, por irrealizável seja, sobrevive e eterniza – se. Beijo não realizado, abraço evitado, encontro mal sucedido podem ser lacunas de toda uma vida. Morre -se sem saborear gosto do beijo, calor do abraço. Mas… se realizado, vai perdendo encanto […]

O prazer sempre é anterior. […]

Certo desejo de não querer chegar nunca. Travar vida onde ela se encontra, para viver esta ânsia inefável de querer encontrá -la mas sem jamais querer encontrá – la. O momento de querer vê – la mas sem querer viver o momento de querer vê – la. Querer senti – la mas sem querer senti – la. Este é o melhor momento. O momento que antecede ao melhor momento. Surpresas de futuro próximo são inenarravelmente melhores do que todo o passado vivido. […] Ideia vira imagem. algo perigoso. Assustador.” (p.102) Marco Aurélio Barroso  …ela mora em Botafogo …ou, esqueça seus dramas, para entender o meu.

mesa preta cheia de coisassssssssssssssssssssssssssss

é assim mesmo

Torna -se difícil desvendar significados de objetos exteriores a nós, quando tudo se encontra e se esconde dentro de nós mesmos. O mundo somos nós e a paisagem, que passa, só serve para retratar as mudanças, que sentimos.”

E segue, farei recorte, porque posso pensar e dizer  …, sem explicar nada.

Discretamente gostaria de me encontrar com algumas pessoas […] Já outras, não gostaria de  encontrar nem em catálogo telefônico. Mas cidade pequena é assim mesmo. Tudo é oculto. Tudo se sabe. Ama-se avassaladoramente, detesta -se visceralmente. Todos sabem de todos. Todos opinam sobre todos. Ninguém conhece  ninguém.”

Que venha vida! Deixarei acontecer tudo aquilo que, pela experiência dos que já passaram e existiram, sei que vai acontecer mesmo. Pois nada muda. O que antecede é sempre o melhor. quem arou, colha!

Última curva.

É aqui …” (p.82-83)  Marco Aurélio Barroso  …ela mora em Botafogo20140801_134947

fui me afeiçoando

fui me afeiçoando […]

fui me emocionando […]

fui me afeiçoando […]”

Assim somos nós, um em vários.”

“Eis aí, talvez, razão de só se sonhar com o que não se possui.”

“Ao se descobrir quem nos completa, algo que não conseguimos evitar, estamos a dois passos da insegurança e a um do infortúnio. Equilíbrio interior desloca -se. Passamos a necessitar de um outro ser que o mundo nos faz conhecer e sentir mas que a vida nem sempre endossa e acata.”(p.47) Marco A. Barroso  “…ela mora em Botafogo …”

ela mora em Botafogo

…, não explico nada, sinto, e o sentir não se explica nem se escreve. Tropeço no degrau …, sigo sem olhar para trás. Faz frio em novembro. Durmo de tarde, durmo cedo, durmo … Não é para esquecer, mas deixar escorrer. Beth Mattos dezembro – 2018 – Torres

 

sou duas, e tua

Duas caras, duas versões, dois olhares, duas vozes. Sou tua: dupla. De todas as formas sou tua. Sem te aperceberes, querido, és meu. Não fujas. Eu te vejo e escuto no silêncio da tua respiração. E.M.B.Mattos – dezembro de 2018 – Torres

Toda confissão é história, corajosa, e … perigosa. Toda! Mas o que sera da vida, sem a saudade de tudo aquilo que passou para sempre? Não seria o passado, o que de melhor nos traz o presente? Esta fatal noção de só possuir o que já se foi.” (p.14)  Marco Aurélio Barroso – ela mora em Botafogo …ou, esqueça seus dramas, para entender o meu.

…, vou contar a história. Não importa teu sono.

Entre beijos, afagos vigília e sono, … a escutar.

…, não importa. Invento ao dizer/escrever, confesso.

amamos excesso

Dias contados. Vou devagar, não resisto. Sento e leio. Tenho medo de dizer perfeito/a. Essência, sem excesso. “Amamos excesso“. Transcrevo. Não é equívoco, sou eu a me explicar: pode ser espelho, e nesse me deixo ficar…  Sempre sou eu a te dizer, e não me ouves. Não me importo. Teu mundo, no limite da terra, do prazer.  Eu gosto. Eu sou o que és, não quem imaginas que sou.  Beth Mattos – dezembro de 2018 – Torres

“Nessa vida em que tudo passa mas nada passa, realmente, somos semelhantes. A igual de velhos teatros que, hoje, tão atônitos quanto incrédulos, legados ao próprio destino, não fazem mais do que assistir, sem necessidade de ingresso, ao espetáculo que vida, por si mesma, apresenta: nós na rua.

Fluxo eterno e infindável. Eterna ilusão do leva e traz que nos leva de encontro à felicidade que sonhamos estar sempre na primeira esquina. Incansável ir e vir, descer, subir, que não elucida, não esclarece a que destino compensador prende -se condição humana. Cercado de heroínas, não fazemos que sofrer. E isso é nós na rua. É estar sempre esperando encontrar, em dobrar de esquino, reluzente futuro. Somos é personagens de nós mesmos, cuja platéia somos nós próprios. Amamos excesso. Saímos dum, caímos noutro.” (p.11-12) Marco Aurélio Barroso – …ela mora em Botafogo … 2006

Torres

Foto de Ana Moog – 2018- Torres

 

desastre e acerto

Entre desastre e acerto. Panelas e janelas. Hidráulicos eletricistas e …, certo desespero desdobrado neste eterno consertar. E Torres? Nas praças estruturas para cantos natalinos e  grandes eventos. …, que seja! A cada um seu espelho. A Prainha ainda guardava corajosa o genuíno com areia pedras e grama, mar …, agora tem uma estrutura de cimento T O R R E S. Obviedade do excesso de mau gosto.   …, e não me arrisco a fotografar, onde estão as dunas, …?! Sou passado. Qualquer natureza natural também é passado. Americanizamos. Novo PLANO DIRETOR … aberto aos construtores investidores, e lá vamos nós nos pendurar em arranha céus milionários e visionários. Praia de sombras, em …, mas ainda temos Santa Catarina! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2018 – Torres

cinamomo florido

 Fotos de Torres : Ana Maria Moog

Sucesso aos eventos esportivos.

busca meu rosto

Quando eu te procuro vejo e sinto tuas mãos. No escuro. O cego tateando. Este sentido assume a energia do corpo. Então, tu me beijas. Amor transformado. Estamos a viver anos conturbados, estranhados e longe um do outro. Não temos tempo azul, mas tempestades e acasos. Beth Mattos – 2018 dezembro em Torres

“Como disse Nietzsche ‘A verdade é feia’ Ele disse: ‘Temos a arte para que a verdade não nos mate. A única virtude que nos resta nestes tempos modernos é a coragem diante da falta de esperança. A única arte é aquela em que os símbolos apreendam (guardem protejam)a verdade fundamental da vida, a tragédia da vida. A arte primitiva é mágica porque é moldada pelo terror. O homem moderno tem seu próprio terror, e nós …” […] O sonho é só uma parafunda, refugo cerebral. O importante não é a psiquê, e sim a metafísica. É penetrar no mistério do mundo; para isso, a mente do pintor deve ser tão pura quanto a do cientista e a do filósofo. Eu chamo esse processo plásmico: o objetivo da arte abstrata é converter cor e forma em plasma mental.“(p.60) John Updike BUSCA MEU ROSTO