pseudônimo codinome

Uma específica publicação, um nome, ou ausência deste nome: confronto nebuloso de identidade. Estamos / estou escondida em tanto pequeno detalhe ausência e vitrine. Somos / sou movimento. Identidade (a verdadeira) quebra opções de um retrato / foto, da narrativa. Mas, nem mesmo um retrato é a imagem real. O agora / momento, ou passado se dilui na velocidade do dia, e no silêncio. Ficção e realidade, uma mistura: personagem fantasma convicção brincadeira séria. Elizabeth M.B. Mattos – março 2018 , no meio de velhos recortes, novas ideias e pressa.

“Se todos os manuscritos tivessem sido publicados […] a ideia trouxe à tona certos pensamentos bizarros e intrigantes: o que significa um autor colocar seu nome em um livro: por que  alguns escritores preferem esconder -se atrás de um pseudônimo: será que um escritor, enfim, possui uma vida real? Perturbou -me a ideia de que escrever sob  um outro nome pudesse ser algo de que eu gostasse – inventar uma identidade secreta para mim mesmo – e me perguntei por que achava essa ideia tão atraente.” (p.257) Paul Auster – Quarto Fechado dA Trilogia de Nova York – tradução Rubens Figueiredo, 1999 São Paulo

jornal.jpg

TAVARES e o amorIBERÊ CAMARGO NOTÍCIA

lista possível

Inadequado lidar com o sofrimento humano e o avanço da corrupção. Baixamos os olhos, ou estamos apenas a duvidar pensar. Escrever torna vulnerável a identidade. E também o autodomínio. A lista louca e possível: Mont Blanc BMW Mercedes Benz Pablo Neruda Guerlain Pierre Cardin Carmélio Cruz Glauco Rodrigues Rui Baron Rio de Janeiro James Joyce Proust August Strindeberg Elias Canetti Himalaia Paul Auster Paulo Hecker Filho Machado de Assis Amós Oz St. Dalfour Olymp Mosmann Svettlana Aleksiévitch Cristian Dior Yves Saint Laurent Philip Roth jasmim rosas violetas buganvílias vontade sexo e tantos beijos.  Gramado mar cães e gatos e tigres e pássaros: Iberê Camargo e azul.Eu e o quadro do Carmélio Cruz

 

virou mar o desejo

Sexo voz cheiro e personalidade corpo. O prazer domina e constrange grita. Ou soa, aos domingos, como o badalo dos sinos: prazer sabor alívio, e perdão. Sexo completo. O outro existe, somos dois para amar o amor. Aceito. Coroar com entrega. O sexo domina, …persegue ativo. Paradoxal silêncio. Grita o grito. Som ruído e música. Ar e chuva. Acorda o desejo do corpo. Pedro João Luís Francisco Antônio José Roberto o homem que és. Egoísta autoritário invadiste a estória, e me assombras. O sexo deveria vencer seguir o corpo no desejo. Deveria. O beco de flores azuis, de amoras e de pedras se rasgou, e tudo virou mar. E.M.B. Mattos – março de 2018 – Torres

Alerta à possibilidade de trocadilhos e jogos de palavras em toda a parte, […]  como a palavra sabor continha uma alusão ao vocábulo latino sapere, que significa tanto  provar como saber, e por conseguinte contém uma referência subliminar à árvore do conhecimento: a fonte da maçã cujo sabor trouxe o conhecimento para o mundo, o que equivale a dizer o bem e o mal. […] também se detinha no paradoxo da expressão  talhados juntos, que contém os significados tanto de unir quanto de separar, desse modo encarnando dois sentidos equivales e opostos, [..] cada palavra-chave possui dois sentidos – um anterior a queda, outro posterior a queda.” (p.53) Paul Auster A trilogia de  Nova York

sinistro serpentino delicioso prazeroso voluptuoso

liturgia

Os pescadores estacionam o carro à beira da lagoa, e lançam rede. Claro! A lagoa rasa, posso ver o fundo. De nada servem cartazes de proibido pescar. Errado e proibido, particular a cada um, não alcança todas as pessoas. Errado proibido, feio ou …, ou qualquer coisa que não seja de ordem geral, sempre pessoal, absolutamente pessoal. Não pode o Eu estar no outro. Sou o centro. O pequeno pecado não tem a dimensão do grande pecado. No íntimo sabemos que são todos absolutamente os mesmos. Em latim a missa com cantos gregorianos, ou em língua nativa. A mesma. A liturgia se repete, a fé deveria ser a mesma, a ciência avança …, e o homem fica, ad infinitum à beira da lagoa dentro dos mesmos pecados. E.M.B.Mattos – março de 2018 – Torres

sonhos

…, um diálogo de José Eduardo Agualusa in A Sociedade dos Sonhadores Involuntários:

” –  Vais onde?

  – Ao Brasil, a trabalho.

  – Que trabalho?

 – Sonhos. Vou em busca de sonhos e sonhadores.

 – Não precisas ir tão longe, papá. Eu tenho tantos sonhos.” (p.145)

 Devagar, lenta, sou lenta, então qualquer toque  é tanto prazer! E.M.B. Mattos

 

Francisca Chica ou Albertina

Insegurança fica por conta da insegurança, nunca vou conseguir explicar todos os motivos escarafunchar em todas as feridas, nem reservar e alimentar sementes necessárias para o novo jardim. Acordar foi de repente quando toda a pressão de ser filha mãe avó professora marchand irmã tia prima e …, pois é, depois foi depois de ganhar meu próprio dinheiro, depois de erguer a cabeça livre para ser apenas eu Albertina, não Elizabeth. Cheguei em mim mesma. Eu vi/senti/apalpei. Estou despida. Tirar a roupa é devagar, tirar a alma pra fora também é lento. O que eu quero o que eu não quero, não sei: olho para o corpo envelhecido exausto (palavras de efeito) penso nos biquínis no despudor, na loucura de amar o amor, e fico estarrecida, mas gosto do passado, do choramingo, e gosto deste fogo que arde dentro de mim. Das traições traídas e de encontros que não terminam, começam, transbordam, …. Encabulada eu me cubro outra vez, e adormeço. Gulosamente quero todas as Beth Elizabeth more e more somando apelidados como Chica (Suzana dizia assim) Francisca, Guria, Albertina, Azul, Liza ou Eliza, e fui adotando nomes, mas sou apenas a Elizabeth com z e não com s Mattos. De algum canto de Portugal este nome já simplificado do nome de meu bisavô que seria Francisco de Assumpção (riscado) Martins Cardozo, natural de Conselho de Fontes, solteiro, súdito Português -, diz o passaporte. Para o Rio Grande do Sul Abonado competentemente. Dado em o Porto aos 22 de Março de 1843. E a assinatura resultou Francisco Martins Cardozo de Mattos. Passaporte do Exterior. Signales: Idade 23 anos Altura 59 polegadas Cabello sombrolhos olhos, castanhos, nariz boca regular e côr natural. Este é o pai do Pedro Alexandrino de Mattos (meu avô). Casou com a paulista brasileira Rita Menna Barreto. Disciplina resulta em trabalho ordenado. Desordem em anárquica vida. Se estou perdida, não respiro nem penso ou retomo, corro, desabaladamente … O mar responde e esconde o que não quero mostrar. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2018 – Rio Grande do Sul

passaporteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee

 

 

 

já amanhã

porque acordo e sinto dor no corpo

porque acordo e não tenho corpo

porque acordo, e sei que dormes

enfim, afinal, o que posso mudar, …

reconheço o balanço do tempo

já tanto envelheço, – estupefação,

e agora/ hoje desperto a te esperar

vem chega perto e toca meu corpo, – eu respiro

deita ao meu lado,

respira respira …,

juventude volta, fecho os olhos,

e já somos amanhã

E.M.B. Mattos março de 2018 – Torres in trânsito

Há um provérbio que diz que o tempo e a maré não esperam as pessoas; se o tempo não nos espera, precisamos levar isso em conta e estabelecer o nosso cronograma de forma consciente. Ou seja, em vez de esperar, devemos tomar a iniciativa de forma agressiva.” (p.91) Hauki Murakami Romancista como Vocação Alfaguara, 2017 São Paulo











 

tentativa

Silêncio nas folhas que se agitam.

No meu ombro tua mão …,

e o perfume da terra se mistura ao gosto do corpo.

Perco medo de ser apenas mulher, mas não consigo me despir dos livros nem do prazer morno, arrastado da leitura. Eliza/ Liza /Beth  Mattos – março 2018 – Torres

MATISSE atelier no sótão

Henri MATISSE – O atelier no Sótão, 1903 L’ atelier sous les toits – (Óleo sobre tela Fitzwilliam Museum).

…,mesmo a imaginar teu abraço, teu corpo.

“Descalcei – me, estendi – me na cama e pensei em Moira. Um verso formou-se sozinho. Sentei -me a uma pequena mesa, junto à janela, abri o laptop e escrevi os restantes. Enviei o poema a quem o inspirara. Voltei para a cama e adormeci.” (p.148) José Eduardo Agualusa A Sociedade dos Sonhadores Involuntários  TusQuets Editores – 2017

 

 

culpados, os livros

Não resisto, abro um livro, e esqueço da arrumação das caixas da chuva. Não consigo me despir desnudar das palavras, e ser eu,  não consigo. Cito poetas mergulho, quase me afogo, afundo, mas te juro: respiro também. E.M.B. Mattos – março de 2018 – Torres

Cada livro é uma investido na vida da gente! Quanto mais se lê, menos se sabe e se quer viver como nós mesmos. Pois isso é terrível! Os livros são nossa perdição. Quem leu muito não pode ser feliz. A felicidade é sempre inconsciência, a felicidade é apenas inconsciência. Ler é exatamente como estudar medicina e conhecer nos mínimos detalhes a razão de cada suspiro, de cada sorriso – isso soa sentimental – de cada lágrima. Um médico não pode compreender a poesia! Ou  ele é um mau médico ou um hipócrita, pois a ele impõe-se  a explicação natural de tudo que é sobrenatural. Ora, neste momento, eu me sinto como esse médico. Olho para os fogos nos morros e me lembro do querosene; vejo um rosto triste e me pergunto a a razão – natural – de sua tristeza, talvez, o cansaço, a fome, o mau tempo; ouço a música e vejo as mãos indiferentes que a tocam, uma música tão triste e estranha … E em tudo é assim.” (p.99-100) Marina Tsvetáieva  Vivendo sob o Fogo –Martins Fontes editoratradução de Aurora Fornoni Bernardini, 2008.

Mesmo assim o outono é bonito. Como é bonita uma folha caindo! Primeiro ela se solta, revoa, indecisa, depois vai caindo, caindo, num movimento harmonioso, junta-se ao chão, a suas irmãs – todas terminaram do mesmo modo suas curtas vidas.” (p.92)

fidelidade fantasia

Fidelidade palavra (sentimento) engraçado. Encontro beijo sexo abraço desejo para sempre o mesmo, igual. Fidelidade fiel leal firme constante e observância rigorosa da exatidão e da verdade (definição de dicionário), pois é. Ser livre, ou fiel, ou infiel ou prisioneira, ou eu mesma.  O ciúme mastiga devora o que há de melhor na parceria, – o direito de ir e vir. Amarra amorosa voluntária, nunca imposta. Não existe para sempre. Morrer. Mas nem morrer pode ser para sempre.  Não sei. A fidelidade se enraíza no impulso desejo vontade de que seja para sempre. A roda segue girando.  Nem sempre sou fiel a imagem projetada no espelho. Fantasia, segundo Laplanche e Pontalis no livro Vocabulário da Psicanálise:  fantasia é um roteiro imaginário em que o sujeito está presente e que representa, de modo mais ou menos deformado pelos processos defensivos, a realização de um desejo e, em última análise, de um desejo inconsciente. Este ciúme grudado na fidelidade a infernizar conversa ou olhar consome amor, e também amizade. Danifica a relação. Eu acho, não sei, sinto assim. Elizabeth M.B. Mattos – março de 2018 ainda Torres. Dia de chuva pesada e boa.