





Sucesso aos dois! PARABÉNS



todas as letras (não escolhi nenhuma), a voz tudo nele é maravilhoso importa …, morreu tão jovem! Quem gosta do francês … , gosta de Jacques Brel
Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres
Em 1977 desloca-se a Paris, onde grava discretamente em estúdio doze canções das 17 que havia escrito, e que virão a integrar o seu último álbum, esperado há mais de 10 anos, e chamado, simplesmente, “Brel”.Gravado nas difíceis condições físicas e psicológicas de Brel que se podem antever, torna-se perturbador ler as últimas palavras da sua canção “Les Marquises”: “Veux-tu que je te dise / Gémir n’est pas de mise / Aux Marquises”(trad:”Se queres que te diga/Gemer não é opção/Nas Marquesas”). O disco teve um sucesso imediato: apesar de Brel ter pedido que não houvesse publicidade, mais de um milhão de exemplares estavam reservados antes da edição e setecentos mil foram adquiridos logo no primeiro dia da sua venda ao público. Alheio a esse sucesso volta à ilha pela penúltima vez. Em 1978 a saúde começa-se a degradar e retorna a Paris em Julho para novos tratamentos. Em Outubro é internado no Hospital com uma embolia pulmonar, vindo a falecer com 49 anos, às 4 e 10 da madrugada do dia 9 de Outubro de 1978.O regresso a Hiva Oa, dá-se uma última vez: Jacques Brel é sepultado no cemitério local.

(…) queria que estivesses aqui. Dividir alegria, filhos que nos multiplicam, até a pequena Luiza nos pertence. Saudade sentimento; saudade nostalgia saudade não definida de nós dois. No caminho. Um dia houve um caminho. (…), nunca deixarão de ser nossas crianças.
Outra vez embarco …, e se agita o não é tudo. Falta. Nunca o suficiente … história/estória colorida, outra. Nunca somos os mesmos, mas somos, paradoxalmente, nunca deixamos de ser os mesmos. Os amores amados se veem. E se reconhecem … Queria que estivesses em Miguel Pereira, queria te ver abrindo as janelas do chalé, embora tenhas afirmado: “ estou indo sem saber do que se trata” eu te digo: “ também não sei bem o que é a vida, mas irei sob protestos” … uma questão completa a outra. Elizabeth M.B. Mattos -novembro de 2017 – Torres



“É tolice imaginar que a paixão nasce de uma harmonia mental, de idéias semelhantes, ela é o dispositivo simultâneo de dois espíritos empenhados em crescer e conquistar sua autonomia. É como uma explosão silenciosa tivesse ocorrido no interior de cada um. Confuso e inquieto, o amante examina sua própria experiência, sentindo gratidão pelo amante, imagina estar em comunhão com ele, mas impressão é falsa. O objeto amado é simplesmente alguém que compartilhou uma experiência de forma simultânea e narcísica; e, ao menos no início, o desejo de estar próximo desse objeto não tem relação com a ideia de posse, mas apenas com a intenção de comparar as duas experiências como reflexos em espelhos diferentes. Tudo isso pode preceder o primeiro olhar, o primeiro beijo, o primeiro toque, preceder qualquer ambição, orgulho ou cobiça; preceder as primeiras declarações que marcam o instante da virada — pois daí em diante, o amor degenera-se em hábito, sentimento de posse, e retorno à solidão.“(p.48-49) Lawrence Durrell – Justine – O Quarteto de Alexandria – Volume I – Ediouro, 2006 Rio de Janeiro.
Esquisito emaranhado esdrúxulo. Desaparecer, não do mundo, mas disso tudo, de um disso não definido. Um disso que pressinto. Deste ser o que não sou, ou estar sem aparecer. Arrancar o agônico inexplicável. É o não chegar. Aonde. Ser eu mesma sem alta tensão. Estado passagem. Seguro o fio, a voz o jeito, depois esqueço. Saudade de ser a outra que um dia eu fui. E, nunca fomos/somos de ninguém. Fica- se a espera. Não existe outra metade. Envelhecer parece aborrecido/chato/ frustrante, … não sei explicar. Pequeno/grande tanto espaço, … tão ao acaso. Não sei se sei. É pouco, mas novo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

Foto de Luiza .M. Domingues
Sentimento amargo aperto. Estranho. Estrangulado gosto, e, logo a cabeça explode. De dentro o jasmim, o jasmim-camélia, jasmim do cabo: branca, branco. Enorme, perfumado, para ver/olhar sentir o cheiro/perfume, nunca tocar. Pétala macia, carnuda. Intocável jasmim… Elizabeth M.B. Mattos – novembro 2017 – Torres

…,plantei um abacateiro no meio da praça. Estava no copo a desesperar. ElizaBETH M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

…, comi com fome, delícia! Exagero no alho, na cebola. Batata com casca. Crocante. Lembro o churrasco, costela, maionese feita em casa, ambrosia doce português goiaba, …cebolinha em conserva. Uma associação com vida na/de bandeja…, e, juventude. Gravidez inocente. Languidez de vinho…
Não quero mais cozinhar nem mesmo para o amado, mesmo amando muito (que perdoe o amor!). Nem os netos entram na lista. Quero morar num hotel, e ser servida. Ter cães e gatos… e, olhar verde, sem azul, escolho castanhos. Quieta. Silêncio e pausas. Grande vazio. Sem telefone, sem música, sem comer… talvez, mergulhar no rio, no mar. Nunca piscina. Odeio piscinas mornas. Mentira dizer que vou mimar, e ser e acontecer: não vou. Excesso. Estou cansada, um pouco triste! Sem motivo. Estou. Possuída por um egoísmo bem particular, grande… ah! Se alguém pudesse fazer tudo por mim! Até pensar… Deixo a porta entreaberta. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

Foto da Luiza M. Domingues – 2017 – Alagoas

“ …expressão dos olhos da mãe, …o mundo de dentro que ela tem… de que dentro ela veio… tu és o amor em forma de pessoa” (tu/você)
Um texto se derrama no outro. Imagens a conversar sem voz. Estar estou estamos ( … ). Claro que choro, choro porque sinto saudade. Saudade indefinida da possibilidade do podia ser que se anunciou e se apagou, … não estás aqui não estás comigo, ainda não cheguei… não terminou. […] Não estou no teu olhar porque não estamos tu e eu juntos.
Eu te conto:
Sigo o caminho da lagoa. Hoje de manhã azul, e o dia era azul, muito azul. Agora venta, venta bastante. …, sinto vontade de estar, de voltar ao começo do ano, ao começo de amar, … agora é o que ficou, o fim, o ponto. História acabada. Tu e eu sem sermos nós. Despedida que se estica se alonga se espreguiça, e chora. O vento leva a voz, leva lembrança, leva tudo. Carrega areia folha, este vento. Liza Beth Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres
