agapantos

AMOR PERFEITO EM PATY

(…) queria que estivesses aqui. Dividir alegria, filhos que nos multiplicam, até a pequena Luiza nos pertence. Saudade sentimento; saudade nostalgia saudade não definida de nós dois. No caminho. Um dia houve um caminho. (…), nunca deixarão de ser nossas crianças.

Outra vez embarco …, e se agita o não é tudo. Falta. Nunca o suficiente … história/estória colorida, outra. Nunca somos os mesmos, mas somos, paradoxalmente, nunca deixamos de ser os mesmos. Os amores amados se veem. E se reconhecem … Queria que estivesses em Miguel Pereira, queria te ver abrindo as janelas do chalé, embora tenhas afirmado: “ estou indo sem saber do que se trata” eu te digo: “ também não sei bem o que é a vida, mas irei sob protestos” … uma questão completa a outra. Elizabeth M.B. Mattos -novembro de 2017 – Torres

da varanda os agapantosPaty hoje foto da ClaudiaAGAPANTOS DE PATY

https://www.letras.com.br/tom-jobim/eu-nao-existo-sem-voce

é tolice

“É tolice imaginar que a paixão nasce de uma harmonia mental, de idéias semelhantes, ela é o dispositivo simultâneo de dois espíritos empenhados em crescer e conquistar sua autonomia. É como uma explosão silenciosa tivesse ocorrido no interior de cada um. Confuso e inquieto, o amante examina sua própria experiência, sentindo gratidão pelo amante, imagina estar em comunhão com ele, mas impressão é falsa. O objeto amado é simplesmente alguém que compartilhou uma experiência de forma simultânea e narcísica; e, ao menos no início, o desejo de estar próximo desse objeto não tem  relação com a ideia de posse, mas apenas com a intenção de comparar   as duas experiências como reflexos em espelhos diferentes. Tudo isso pode preceder o primeiro olhar, o primeiro beijo, o primeiro toque, preceder qualquer ambição, orgulho ou cobiça; preceder as primeiras declarações que marcam o instante da virada — pois daí em diante, o amor degenera-se em hábito, sentimento de posse, e retorno à solidão.“(p.48-49)   Lawrence Durrell – Justine – O Quarteto de Alexandria – Volume I – Ediouro, 2006 Rio de Janeiro.                             

sem título

Esquisito emaranhado esdrúxulo. Desaparecer, não do mundo, mas disso tudo, de um disso não definido. Um disso que pressinto. Deste ser o que não sou, ou estar sem aparecer. Arrancar o agônico inexplicável. É o não chegar. Aonde. Ser eu mesma sem alta tensão. Estado passagem. Seguro o fio, a voz o jeito, depois esqueço. Saudade de ser a outra que um dia eu fui. E, nunca fomos/somos de ninguém. Fica- se a espera. Não existe outra metade. Envelhecer parece aborrecido/chato/ frustrante, … não sei explicar. Pequeno/grande tanto espaço, … tão ao acaso. Não sei se sei. É pouco, mas novo. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

caes caes caes

Foto de Luiza .M. Domingues

jasmim do cabo

Sentimento amargo aperto. Estranho. Estrangulado gosto, e, logo a cabeça explode. De dentro o jasmim, o jasmim-camélia, jasmim do cabo:  branca, branco. Enorme, perfumado, para ver/olhar sentir o cheiro/perfume, nunca tocar. Pétala macia, carnuda. Intocável jasmim… Elizabeth M.B. Mattos – novembro 2017 – Torres

JASMIMIMIIMIM

entreaberta

…, comi com fome, delícia! Exagero no alho, na cebola. Batata com casca. Crocante. Lembro o churrasco, costela, maionese feita em casa, ambrosia doce português goiaba, …cebolinha em conserva. Uma associação com vida na/de bandeja…, e, juventude. Gravidez inocente. Languidez de vinho…

Não quero mais cozinhar nem mesmo para o amado, mesmo amando muito (que perdoe o amor!). Nem os netos entram na lista. Quero morar num hotel, e ser servida. Ter cães e gatos… e, olhar verde, sem azul, escolho castanhos. Quieta. Silêncio e pausas. Grande vazio. Sem telefone, sem música, sem comer… talvez, mergulhar no rio, no mar. Nunca piscina. Odeio piscinas mornas. Mentira dizer que vou mimar, e ser e acontecer: não vou.  Excesso. Estou cansada, um pouco triste! Sem motivo. Estou. Possuída por um egoísmo bem particular, grande… ah! Se alguém pudesse fazer tudo por mim! Até pensar… Deixo a porta entreaberta. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

PORTA AMARELA com folhas

Foto da Luiza M. Domingues  – 2017 – Alagoas

teu jeito de dizer

luiza e danúbio

“ …expressão dos olhos da mãe, …o mundo de dentro que ela tem… de que dentro ela veio… tu és o amor em forma de pessoa” (tu/você)

Um texto se derrama no outro. Imagens a conversar sem voz. Estar estou estamos ( … ). Claro que choro, choro porque sinto saudade. Saudade indefinida da possibilidade do podia ser que se anunciou e se apagou, … não estás aqui não estás comigo, ainda não cheguei… não terminou. […]  Não estou no teu olhar porque não estamos tu e eu juntos.

Eu te conto:

Sigo o caminho da lagoa. Hoje de manhã azul, e o dia era azul, muito azul. Agora venta, venta bastante. …, sinto vontade de estar, de voltar ao começo do ano, ao começo de amar, … agora é o que ficou, o fim, o ponto. História acabada. Tu e eu sem sermos nós. Despedida que se estica se alonga se espreguiça, e chora. O vento leva a voz, leva lembrança, leva tudo. Carrega areia folha, este vento. Liza Beth Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

 

luiza luiza tão luiza

 

 

seguraste a lágrima

…, poema palavra, teu olhar inclinado. A doçura devolve o riso. Volto ao teu abraço outra vez, outra vez tuas mãos. E escreves:

“  Legítima querida do tempo de querer”

e ainda

“ Não são apenas palavras soltas, são pensamentos de sentimentos a brotar, e que saem pela ponta dos dedos ...”

és tu a me escrever.

“Gosto muito de ti, mais do que possas imaginar ou sonhar.”

És um pensar, o pensar que me acorda …

“…, quero me afogar em ti” 

“quando tu me encontraste estavas iluminada”

“gosto de estar contigo, de conversar, deste nosso ficar …”

“ Precisas desabafar e não deixar o corpo sentir.” 

…e, o tudo mais. Depois de te escutar é mesmo fantasia. O corpo se arrepia sente se abre, e se entre… Mas, sendo corpo, acorda. A lembrança tem um pedaço de mel outro amargo e outro vivo… Não sei bem o que lembro e o que esqueço neste avançado setenta anos que lacrimeja. Eu te penso. Elizabeth M.B.Mattos – novembro de 2017

amei a rochapedras e chão e areia

Fotos de Luiza M. Domingues – Alagoas 2017

a escrever

Volto a escrever porque já não sei o que fazer que não seja lavar louça e pensar, aspirar outra vez, arrumar camas, beber um chá? …empurrar o sono. Acordar. Este vinho Carmenere (desta uva não gostei). Não gostei, ou gosto?… Não sei. Vontade de comer doces: tenho logo que beber água e mais água. Ver o mar, olhar o mar, estar no mar e esquecer esta coisa de casa a ser perfumada. Deixar de polir e lustrar. Apertou a garganta, e sigo sentindo o cheiro do pó. Se eu pudesse colocar tudo no sol a esquentar! Esquecer dos cheiros! O sol limpa. Eu me sinto escrava enquanto lavo e estico. Outro sentimento desta liberdade maldita. A fazer. Se não faço? Bem, não sei. Escrevo. Outra loucura seria mudar de casa. Tão simples! Esvaziar tudo e limpar, pintar… São os livros que acumulam pó e cheiram. Ou sou eu com este meu olfato ativo, bem sou eu com o jeito de ser Liza Beth Elizabeth ou Eliza seria melhor. Sou eu tão distraída!  Não sei. Respiro primavera, cheiros se acumulam e me perseguem. Volto para As três mortes de Che Guevara! Estou a contar as minha… Quantas eu tive? Ainda não todas: falta uma. Vou caminhar… Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2017 – Torres

com flavio