Henrik Ibsen

“[…] deveria ter-me lançado na realidade – na dura realidade que não admite sonhos. Eu deveria ter recomeçado de baixo e ter subido novamente até as alturas – mais alto ainda do que antes, apesar de tudo o que tinha acontecido. Sra. Borkman balançando a cabeça, e olhando –a com um ar professoral:  Nada de novo acontece. Aquilo que já aconteceu também não se repete. É o olhar que transforma as ações. Um novo olhar transmuda antigos atos. (Interrompendo – se).  Mas, você não compreende nada disso. – E é esta a minha maldição: não ter nunca encontrado uma única alma que me compreendesse. Talvez uma. Mas há muito muito tempo atrás. Numa época em que eu não imaginava um dia precisar de compreensão. Depois mais ninguém. Ninguém atento o suficiente para, estando de vigília despertar-me – para soar com o sino da manhã fazendo – me renascer alegremente para o trabalho duro e convencendo – me de que eu não tinha feito nada de irreparável. ” (p.67) John Gabriel Borkman  Henrik Ibsen – Editora 34 – 1996

Uma conversa entre poetas.

“numa noite de audácia incomparável passo a tratar – te por tu, e abraço com as pontas dos dedos os nós das tuas mãos; no fresco calor condicionado de um quarto onde a luz não dá para ler, recito estrofes e mitos; beijo -te não é? nada estava escrito, nenhuma verdade comum aos planetas, éramos só nós sem nenhum segredo, vivos e completos, serenos, mortais” – Antônio Franco Alexandre -, matemático, filósofo e poeta português.

escrito pensado

… de frente para a verdade: não há nada de novo, e afinal, sou igual, a solitária e ansiosa pessoa que olha … Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

” – A vida de um homem é tudo o que há de importante para ele. Ele prova, sente, vê, ouve … e julga ser o centro do universo. Isso é perfeitamente natural, pois ele não pode provar, sentir ou ver por ninguém mais. A sua dor é dele próprio, e ele nem é capaz de descrevê – la. E nas células sombrias e reclusas do se cérebro, os pensamentos acham – se tão sós como cadáveres enterrados no chão. Mas, – continuou –  em volta de si, no espaço e no tempo, existem outros como ele; e quando ele fala, esses podem ouvi -lo. De sorte que, afinal, ele talvez não seja o centro de coisa nenhuma. […] – Para onde quer que ele olhe,  – afirmou o religioso – verá diversidade e esperança, dúvida e perplexidade. De sorte que isso talvez importe em nada. Entende agora?“(p.78-79)

Roberto Nathan – A luz da manhã – Editora Globo  Coleção Tucano – 1944 –

arvore mulher

Foto: Luiza Mattos Domingues – Recife –  2017

“na fotografia o escrito pensado, reverbero! “Pedro Sidero

fantasia

Avanço casa adentro sem pensar sem medo. Arrombo porta externa e  interna. Sigo vestígios traços. Encontro cheiros e pedaços, e por fim,  chego no teu abraço.

Somos personagens de carne e osso. Somos criação fantasia: tua e minha. Tu que és eu mesma sendo outro, do outro lado, … sou inteira  completa quando estou contigo. Desperto, aturdida. Sou o medo. Eu a te esperar e desejar no susto de não ter nunca mais, de nunca mais te saber.  Porque nem sou eu, nem és tu, somos o vento. O mar com fúria com voz, e  também esta montanha com sol e sombra. Somos apenas fantasia. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

a mais linda eu em TORRES chegando

Valentina e JAMBO

 

doeu muito muito

Preciso registrar, – a leitura doeu. Kazuo Ishiguro colocou na minha mão a dor, dor sólida. Sufoco.  Sentimento rasgado e ardido. Desesperança inteira. A vida, Ah! Artificial, real? A minha, a tua não passa do abraço.

Talvez eu possa chorar lágrima, ou desespero. Sentir mais, desesperar mais, ou te amar melhor. Não sei. Este livro! Este / esse livro, a ficção chegou… Preciso caminhar e respirar, respirar.

O texto se agita dentro do corpo.  Não me Abandones Jamais de Kazuo Ishiguro

Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

nesse mergulho, não me abandone

Apaixonada recebo o bônus, chance de sobrevida…

Tantas vezes não presto atenção. Caminho às cegas a bocejar.

Feitiço do agora, do imediato, no entanto, tudo pode mudar “num pânico cheio de riso”.

Modelada, enfeitiçada, desenhada: qual a importância? O prazer. O choro de qualquer lágrima. Apaixonada vou adiando o necessário. Eu te espero no outono. Não se pode esquecer amores que amam…

Apesar da vida traçada (factível possível no que é) sonho com desvios.

…leitura paralela, o meu mapa desenhado com Kazuo Ishiguro. Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

FOLHASSSSSS

peço perdão peço desculpa

solitário … solitário e assustado.  Atravessar a selva, referenciar o poder que mobiliza … altera, modifica. Lamento profundamente, eu me lamento. Também no amor perco os pedaços. O que entrego ao amado não posso recolher. Rebento por dentro. Um terrível mal entendido.

tu não me avisaste que nunca me amarias o suficiente/ o necessário para recomeçar, mudar a vida, céus! tu amarias um pouquinho, apenas o honesto.

preciso me cuidar! não posso viver assim, não tenho a resposta, apenas a pergunta.  preciso me cuidar e ficar longe …

um dia alguém me disse: eu leio o que escreves, mas na maior parte das vezes que leio não entendo, não faz sentido nenhum para mim …

Eu apenas sorri, e pensei: pois é … eu também não entendo muito bem o que as pessoas me dizem, nem o que esperam  de mim … E sigo fazendo as mesmas coisas. Do mesmo jeito.

peço desculpa, peço perdão. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

voltar

Voltar  e  descobrir vogais e consoantes. Estranhamento (adoro esta palavra), e certezas. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

 

” O sol declinava pelas venezianas, criando um desenho familiar no tapete, e o vinho branco gelava no refrigerador.”

“Eu era um cara legal, e ele sabia disso. Os animais sabiam esse tipo de coisa. Eles tinham um instinto. Voltei para dentro e o gato me seguiu.” p.49 –  Charles Bukowski –

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Pierre Bonnard

 

 

Jacques Brel não esquecer

todas as letras (não escolhi nenhuma), a voz tudo nele é maravilhoso importa …, morreu tão jovem! Quem gosta do francês … ,  gosta de Jacques Brel

Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

Em 1977 desloca-se a Paris, onde grava discretamente em estúdio doze canções das 17 que havia escrito, e que virão a integrar o seu último álbum, esperado há mais de 10 anos, e chamado, simplesmente, “Brel”.Gravado nas difíceis condições físicas e psicológicas de Brel que se podem antever, torna-se perturbador ler as últimas palavras da sua canção “Les Marquises”: “Veux-tu que je te dise / Gémir n’est pas de mise / Aux Marquises”(trad:”Se queres que te diga/Gemer não é opção/Nas Marquesas”). O disco teve um sucesso imediato: apesar de Brel ter pedido que não houvesse publicidade, mais de um milhão de exemplares estavam reservados antes da edição e setecentos mil foram adquiridos logo no primeiro dia da sua venda ao público. Alheio a esse sucesso volta à ilha pela penúltima vez. Em 1978 a saúde começa-se a degradar e retorna a Paris em Julho para novos tratamentos. Em Outubro é internado no Hospital com uma embolia pulmonar, vindo a falecer com 49 anos, às 4 e 10 da madrugada do dia 9 de Outubro de 1978.O regresso a Hiva Oa, dá-se uma última vez: Jacques Brel é sepultado no cemitério local.Jacques Brel