

A tartaruga perdida me reconhece e vem em minha direção achada. A filha esquecida na casa dos chineses… Eu procuro. Inquietante sensação de deslocamento. O olhar prepotente vê o mundo desgastado esgaçado. Não reconheço. A mais bela foto! Um caroço de abacate a espichar raízes. Uma folha verde. A vida em ritmo natural/normal. Perfume de fubá, cheiro do assado. E …, e o calor manso fervente que se estica. Depois o pesadelo no amontoado de fotos pontuais coloridas cheias de cabelos e trejeitos, homens e mulheres. Imagino a galeria de Picasso. Telas – retratos, essência da alma, e não a beleza padronizada preconizada e festejada da vaidade. Picasso a se delicia na pintura com este retrato – espetáculo festivo do distorcido. O aglomerado confinado festeja esvaziado. Vestidos acompanhantes, e, as taças. Cadeiras espaços luzes abraços. A corte decadente de reis a serem decapitados. A vitrine pode não ser elegante quando expõe no detalhe exposto o excesso. Algumas vezes ela pode ser elegante.
Inquietas personagens belicosas sem beleza ou sobriedade, sequer descontração. Evidentes manequins ostensivamente atentos se inclinam… Padrão grotesco de tempos modernos. Confinadas figuras de papel nesta sala de horrores e sacadas e brilhos e noturnos figurinos. Decotes saias plissadas. Amontoado de sorrisos fabricados a nos convencer que estamos/somos/permanecemos coroados e felizes a festejar. Elizabeth M. B. Mattos / TORRES com sustos.

Ou ainda: “Não se pode deixar de dar razão: naqueles tempo a frequência de matrimônios entre primos, ditados pela preguiça sexual e por cálculos fundiários, a escassez de proteínas na alimentação […] inverossimilmente oliváceas, insuportavelmente ciciantes. Passavam elas o tempo grudadas umas às outras, lançando apenas apelos e coro aos rapazinhos estarrecidos, destinadas, parecia, tão somente a servir de fundo a três ou quatro belíssimas criaturas que, como a loira Maria Palma, a belíssima Eleonora Giardinelli, passavam deslizando como cisnes num charco pejado de rãs.” (p.225) O Leopardo de Lampedusa
Procuro fechar teus olhos, tua boca, segurar teus braços, e te fazer sentar ao meu lado quieto. Procuro te fazer entender. Vou costurar com um remendo … vamos ver. […] ” incapacidade de anotar qualquer acontecimento presente, como se o presente não tivesse nenhuma face, como se fosse algo que apenas se preparasse para uma diluição ou esquecimento e em seguida o pretexto de recomeçar uma história, desta feita, no passado e propícia ao devaneio, aos devidos ajustes, todos na dimensão de nossa desatenta compreensão. O passado como fiel de balança.” E todo encontro de agora/do hoje precisa rápido se transformar em passado para ser compreendido e ajustado e contado e nostalgicamente …. Bem, bem eu acho, bem quem sabe outra vez amado, desejado, plantado de prazer, ou outra vez o beijo, o grito, a loucura. Literário, não é? … Mas me reconheço no que escreveu Francisco Brennand em seu Diário, aliás não era o texto que eu queria estar lendo, não é derramado nem verdadeiro, ou livre ou aberto. Como Iberê Camargo ele se planta no sucesso de artista famoso homem público antes de ser íntimo frágil vulnerável acessível. Um roteiro literário sublinhado para grande fôlego. No Diário estão grandiosas e amontoadas citações como se o mar fosse o livro. E os livros as rochas. O texto não tem aquele cheiro amado assimilado mordido bafejado e substituído. Não. O amor está devidamente catalogado, organizado. Estou engasgada com o gigante que plantou a semente já enxergando/vendo a floração. Sinto inveja. Não amor, nem desejo, nem cumplicidade. Inveja deste poder organizado, limpo e objetivo. Ainda faz muito calor por aqui, sigo desejando … um balão.




c








