Mês: maio 2021
brincadeira
…, não sei se nós brincamos com a fantasia, ou se a fantasia brinca conosco. Leio o que escreves, escuto o que me dizes. Posso te tocar ou não: imaginar. Estares perto ou longe…
Nada fica cinzento nem frio, nem triste, nem incômodo, nem mais ou menos. Por dentro, por fora: estou inteira, completa e feliz e tão absurdamente tua / contigo, feliz. Homem versus menina ou Mulher versus menino. Que importa?!! Ou apenas nós dois do jeito que somos / estamos entre o nublado e a cozinha, entre passar as roupas e as panelas. Dançando ou sem dançar, cochilando, ou correndo… Ouvindo rádio, ou no silêncio. Te cuida. Cuida muito. Beijo, um beijo, ou dois, ou ainda saudade picada, ou tesão / vontade de estar / escrever e ficar enrolada nesta grande confusão de te amar ou te perder. Dizer tudo e nada. Elizabeth M.B.Mattos – maio de 2021 – Torres

amor maior amor grande amor para sempre amado amor
desabafo incoerência
Cultivar/cuidar/ trabalhar uma inteligência para despojar/arrancar as coisas de seu valor secreto, de tudo o que constitui o verdadeiro sentido, a beleza do universo, caminhar apenas na tua direção obstinada e enlouquecida para dizer nada enfiada no teu abraço. Esquecer tudo o que já foi dito / escrito sair dos trilhos! Olhar para dentro de si mesmo, e dizer tudo! Ninguém ainda teve a audácia de dizer tudo! Finamente apareceu alguém: tu. Ou seria eu! Eu irei me despir, ficar nua, tirar a roupa e caminhar devagar a fazer o que for preciso, preparar o café, esfregar a panelas, e viver absolutamente livre. Uma nudez simbólica. Um tudo emocional. Um despojar festivo. Todos estes impulsos se resumem, iluminam o amor apaixonado cego que sinto por ti. E se tu não me amas? Escorregarei, esfolarei os joelhos, sangrarei as mãos, ensurdecerei. fecharei as janelas. Morrerei para voltar outra. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres Hiroshima / bomba / extermínio e silêncio, explosão / o horror colocou P O N T O FINAL.

festa de balões
Não contei quantos estão no céu, os balões voltaram e com eles a festa, a festa… Como se pudéssemos dançar nas calçadas! Enfeitar o coração com bastante / muita alegria flutuando… Este outono chega carregando frio, os casacos coloridos e as boinas se apressam nas caminhadas. O movimento alerta: estamos vivos! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021- Torres – torço para as buganvílias festejarem a cor todos os dias…


maio escorrega, feliz contigo

Aliviada, queimaste cartas e fotos. Ardente lembrança tempestiva. Ao me desnudar estremeço, depois tremo no pudor. Bom que sabes arrancar o medo e me acordar. Guardo o colorido / festivo sentimento: amor que sinto por ti. Confesso ansioso amor. Releio mil vezes o que me escreves até comprimir o sentimento… Extravio na papelada do correio, mas em caixas guardo nós dois: somos o pigmento. Misturo/ preparo e uso o pincel mais grosso para escorregar. Desenho na tela, esparramo as lembranças. Passo os dedos pela tela, loucura absoluta. Pelo tato, pelo cheiro sinto teu corpo. Uma página da tua carta (uma basta) aquela dos teus beijos no meu corpo, a das tuas promessas sussurradas: despejo vermelho, depois esparramo o castanhos, desenho teu rosto, aperto teus olhos, defino tua boca. Não és mais o garoto/menino da minha memória. Deixo uma palavra boa, a melhor, a flutuar pelo amarelo… Jogo a tinta branca respingar em / por cima de nós dois. A tinta demora a secar. O desejo se agita, grita: tempo indefinido. Uma semana, um mês inteiro. Queimo ansiedade em longas caminhadas. História boa / beleza certa, tu és mestre. Obrigada por destruir vestígios, sim. Sem rastro. Se estivéssemos, hoje/agora juntos nem fotos, nem bilhetes, nem tempo existiria, apenas tu e o meu delírio. Hoje cavoucarei a terra até os dedos sangrarem. Alguns artistas pintaram com sangue, a loucura da imaginação / transgressão. Karin Lambrecht. Não sei,… os museus, as galerias te interessam? Quero entrar religiosamente, como se fosse uma catedral. Tenho tanto para apreender contigo… O mundano da beleza se remexe…Tu podes me levar, deixar para trás, ou pegar na minha mão, não esquece… hoje, amanhã, depois de amanhã já… Tenho certeza que virás por mais tempo (foi tão furtivo, tão abrir e fechar o nosso último encontro!), depois esquecemos este tudo…, eu te prometo. Apenas hoje enquanto ferve o desejo. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres



e música

abrigar reticências interiores
Ao conversar, pensando, escrevendo, sonhando, e as reticências no texto…., dentro de mim, em cada palavra explícita. O tesão complementa, e o toque conversa ruidoso, e o que nunca vai desaparecer é o silencio da tua voz e as tuas palavras despejadas… Eu te sinto na cumplicidade contagiosa com tudo que é vivo. Aprendi olhar apreciar campo, árvores, animais, o sol, esta chuvarada que me faz doer o corpo, e a te conhecer. O sonho não muda de lugar, e o pior , ocupa a realidade, quero que venhas o mais rápido que possas meu amigo. Beth Mattos -maio de 2021 – Torres ou preferes que eu corra ao seu encontro? E descubro flores…


fatalidade
Apaixonada aos setenta anos não me parece inteligente, ao contrário, um despropósito, um descaminho inóspito (ver sentido e colocar num caldeirão, a ferver, todas as cores do possível, da lucidez)…, no entanto, ser aprisionada desta forma / jeito deve fazer acontecer alguma coisa mágica…, ou tão absurda que vira brinquedo, senilidade…Estou a tentar descobrir. Nada mais me importa, nem faz sentido, e me parece tão idiota! Claro, num rasgo de loucura escrevo. De certo, amanhã, neste outono deslumbrante, neste mundo louco cheio de sol, vai acontecer a fatalidade, que eu esteja pronta! Elizabeth M.B. Mattos -maio de 2021 – Torres




lápis de cor
Envelhecer junto, legal. A tribo protege, ser tu contigo, desafio bem bom! Casa limpa! Pois é! Dureza limpar e limpar e limpar, e o tempo terminou. Alguém pra ajudar… ou a roda volta, dinheiro, tão simples, alguém pra ajudar, e, massagem, cabelos cortados, vestido alegre, ócio, e o que mais? Uma xícara de chá, ou de café verdadeiro, moído na hora… Tapete persa, louça inglesa, chinesa e aromas… Não dar atenção, meia volta pra independência, sair, mas tão bom ficar! Acomodar: história de ser dois com apoio…, afinal!? Foco na filha, então, caso certo, aceito, sou feliz. És feliz? Tudo bom e sólido. E tão ao acaso. (Que bom!) Pois é. Vemos o que queremos ver, caleidoscópio mágico. E ser um pode ser pesado, sou dois, que bom, e este jardim… Os cães, a receita: ser eu! Mais fácil… Depois, custa só felicidade acreditar, custa nada. Aeroportos liberados, voar. Agarrada nos lápis de colorir, preencho linhas estremeço, desligo a televisão, compro a poltrona, marco limpeza. Com o amarelo, um pouco de lilás, bastante vermelho e todos os verdes possíveis verdes. Adoro lápis! Cadê o outro? Uaiiii, dureza! Sem óculos até segue…, mas. Sem lentes o olhar pesa leve na rotina caminha justo. Estou muito, muito bem, passei no teste e faço tudo que sempre fiz. Eu acredito. Claro! Conheço cada pinta, cada dobra, cada grito, cada desamor, cada tristeza, e aquela boa alegria: acertei no feijão! Corta as laranjas, já refoguei a couve. Este brinde de imaginação no melhor dos mundos possíveis fica com gosto de água gasosa e rodelas de limão. Uauuuu, Estou feliz! Feliz? um pouco mais ou menos, um pouco bastante ventoso, uma espiada surpresa neste vento no meio do sol. Que outono tão lindo! Pronto! Solução! Pego um avião e vou… Esta droga de ficar me exaspera, este jogo firme de ganhar. Não ganhei. Estou a te esperar, sem ânimo, quieta, espiando as rugas, o cansaço, a vontade de não fazer, o dormir sem sono, caminhar devagar, não voltar. Lápis de cor. Vou comprar aquela caixa de sessenta, e outra caneta Park 51, um pote de tinta. Envelopes e papel de cartas. Aquela ideia. Uma carta cada dia, dois selos, e… Beth Mattos. Elizabeth M. B. Mattos – maio – 2021 – Torres

“De tudo que te disse o mais importante é a inspiração do futuro e a expiração do passado. Como um suspiro. O resto é mero retoque teórico de convencimento. Me faria bem admitir que possa fazer o bem. É um mantra – fazer o bem!” JYXZCM
descuidar
cuidar, não podemos descuidar, mas podemos apertar, minimizar, amassar a vontade no barro do jardim, e nos cuidar
cuidar, cuidar, cuidar, para viver…, não te apressa, eu te espero, eu te cuido. Beijo para XYHZKJM /maio bonito, bonito



