você

Já não sei mais escrever por escrever, vomito/despejo tudo no Amoras! Um vício! Sem burilar, sem cuidado, sem apego, como se esse fosse o caminho natural. Via única! Não tem volta, não tem pudor! Estranho como eu me nos transformo num boneco, num fantoche, numa marionete de mim mesma! E os tais sentimentos se deformam, não são autênticos, não são eles, mas fantasiados/ emprestados, eu acho. Eles ficam no palco a se exibir! Coisas de mando, sem poder! Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 Torres – Esta quantidade de pares na data do ano está a me irritar mais ainda, onde estás que não estás? Eu deixei de ser tu, e tu não estás aqui, vou procurar o meu você!

sentimento ruim

Não deixa o sentimento ruim entrar, depois, eu sei, dá uma trabalheira dos diabos fazer levantar o dito da poltrona! Petrificado fica a incomodar, e usa o espaço todo, dono ‘do pedaço’! E o fantasma do desagrado circula, senta no banco da frente, de chinelos e bermuda. Caminha na calçada, vigia o edifício, e fala! Que coisa! Não deveria ter voz, mas tem uma voz fácil e estridente que comanda, gosta de dar ordens e achar isso e aquilo! Ah! De repente o caminhão de mudança deveria me levar para outro lugar, aboletada, vendo tudo de cima, pena que não dirijo caminhões! Larguei de ter carro, larguei de ter responsabilidade, larguei de passarinhar, ou não me importar, ou varrer maus fluídos e encrenqueiros. Estou a me importar com tudo, incomodada, azeda! Oxalá termine logo isso tudo, vire o norte e a bruxa se transforme em borboleta! Sem pressa! É mutação! Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 -Torres

evitando pessoas, não o sol

20 de janeiro de 2022 – quinta-feira – Torres bastante, bastante quente. Fizemos um passeio de quatro quadras. Uaiii! Horário péssimo! 10 horas / errado. Todos os dias eu digo, eu me explico, eu me convenço que devo sair mais cedo, bem cedo! Quando os olhos espiam, não quando a preguiça domina; nem esperar o bom senso. Acordar, levantar e sair. Tenho feito tudo muito, muito, muito devagar, num ritmo tão arrastado e meu, que já não me reconheço. Talvez esteja me refazendo do susto de ter me olhado, ou me visto, detalhadamente, pelo espelho: as marcas/manchas na pele são assustadoras, de quem nunca usou um creme para se proteger do sol, e segue abusando. Os olhos claros, a pele sem proteção gritam num pedido de socorro, sem som. Não escuto nada. Faço as contas. Quando? Como eu me “entreguei” a sorte / ao jogo de azar deste jeito!? Coisas e voltas da pandemia, talvez. E se as pernas não ajudam, se as articulações conversam, bem, o mundo mudou, eu me convenço: as pessoas ficaram/estão mais silenciosas, resultado: conversamos melhor com o corpo. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 – Torres

resultado de pensar: imaginação

Entardecer, confissão: minha hora mais crítica / azeda / esquisita, por quê? Talvez por acordar antes da hora, cedo demais. Ou por acordar cedo (normal), talvez seja o fim da jornada. Ou fim do que é. De fato, preciso fazer/acontecer! Talvez cansaço do cozinhar, lavar, e respirar. Não sei. Talvez por ser a estranha janela de luz que se fecha / ou vai fechar, talvez por anunciar outro mundo, eu acho. Fecho os olhos antes da luz terminar. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 – Torres UAUUUU! Que calor! Ônix acompanha!

quase nada

Nada nos segura, ou prende, não a vontade / nem o desejo: um impulso? Apenas desaparecemos, num repente, está resolvido. Viver pode ser esta meia mentira, ou uma verdade pela metade: uma ilusão, o desejo. Então, vez que outra me dou um beliscão. Cutuco o sonho. Evoluir é variar / reinventar. Uma crença / uma fantasia, a minha, qualquer coisa que escutei ontem, ou eu não ouvi…, pensei entender. E, timidamente, volto a escrever. Estou na sombra da vontade. Quase desaparecida! Tanta borracha passei naqueles riscos! Mas, te confesso, não apagou, então, como solução, fiz um colorido por todo o papel. Aquarelei. E para me reconhecer, tirei uma foto no espelho! Céus! Estou mesmo feito um mapa pontilhando as ilhas! Não é estarrecedor? Os livros, eles estão amontoados dentro da minha energia, navegam por mim/em mim, revivo. Sem espelhos. Agarrada no mediocre e forte cotidiano. É assim?

José Ingenieros : “Quando orientas a proa visionária a uma estrela, e desdobras as asas para atingir o tal rumo inacessível, ansioso de perfeição e rebelde à mediocridade, levas em ti o impulso misterioso de um Ideal.” Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2022 – Torres

Vives apenas devido a essa partícula de sonho que te sobrepõe ao real.

Robert Musil / escritor austríaco, um dos mais importantes romancistas modernos. Ao lado de Franz Kafka, Marcel Proust e James Joyce forma o grupo dos grandes prosadores do século XX. Nascimento: 6 de novembro de 1880

“Na luta pela sobrevivência não há lugar para sentimentalismos espirituais, só para o desejo de matar o adversário da maneira mais rápida e eficaz; nisso todo mundo é positivista; também não seria virtude no mundo dos negócios deixar-se iludir em vez de agir concretamente, e com isso, em última análise, o lucro é a superação psicológica do outro, dentro das circunstâncias. […]E, assim, não tem mais a ver com a luta por vantagens pessoais e relativamente vulgares; mas o elemento primitivo do mal, como se pode dizer, não foi perdido, pois é aparentemente eterno e indestrutível; ao menos tão eterno quanto o ideal humano, pois é simplesmente o desejo de passar uma rasteira nesse ideal e vê-lo cair de cara no chão. Quem não conhece a maligna sedução que, quando olhamos um belo vaso vitrificado, vem com a ideia de que o poderíamos quebrar em mil cacos com um só golpe? Intensificada até o amargurado heroísmo que nos diz que na vida não podemos confiar em nada senão no que for absolutamente seguro, essa tentação é o sentimento fundamental na objetividade da ciência; e se, por respeito, não a quisermos batizar de Demônio, pelo menos admitamos sentir um leve cheiro de enxofre.” (p.218-219) Robert Musil O Homem sem Qualidades / admito que ainda é incrível a leitura!

senso de espanto

É preciso ter um senso de espanto para entender o que está além da minha compreensão? Estou divagando sobre a minha volta a França…, estranha viagem! Grata a Maria Virgínia Busnello que me vestiu com o famoso/precioso casaco de visom, também a Flávio Del Mese ter me colocado em contato com Claude Bonjean, de voltar a Paris sem neve embora fosse janeiro! Voltarei a contar…E.M.B.Mattos janeiro de 2022