Eu nem posso acreditar que tenha levado tanto tempo! E, foi tanto, ou tão pouco! A vida tira as medidas, arranca a memória, e depois aperta tudo. Não é assim, que bobagem! Um nome atrás do nome, nenhum. Sem nome o amor. Não é a vida, mas o tempo, o tempo. Largar…, Pode ser difícil, mas agarrar e viver também é difícil. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2022
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fantasia real
Das histórias:
O começo, ou a verdade, se esconde nas evidências do final. Mas este ponto parece mais instigante ainda…, e os fios se misturam com os depoimentos / algumas confissões. A história de cada pessoa, o pessoal está no coletivo, mas o coletivo se fantasia, se colore destes pedacinhos, confetes jogados a cada informação. Diários intimistas, confissões, revelações! Todas elas com fantasias específicas. A curiosidade de cada ser humano. E o movimento. Como vamos chegar/tocar na essência?! Há sempre o dia que sublinha o que não aconteceu / vais negar a importância. Eu deveria ir, com minha irmã, até a ilha e seríamos quatro. Ora, por que não fomos? Não lembro. Quem nos esperava? Não sei? E nunca conheci tua casa. Por medo não fiz isso nem aquilo. E as portas fechadas sequer me inquietam, ao contrário. Eu me sentia segura. Sempre pronta para trancar as janelas. Vedar as frestas. Não abrir. Ah! O mar! Perigo e beleza! A essência do belo / o perfeito tocando no imperfeito. O caminho aberto, e o precipício. Escuto tua voz. Ligo e te chamo. Nunca será o momento certo. Não tens tempo…, nem disposição. Tua vida está nos cartões postais do mundo, palmilhas a beleza, e isso basta. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

dimensão
Estamos em dimensões diferentes / a cada encontro sinto isso…, tão próximos, e, tão completamente separados. Uma história nova: a cor dos olhos, ou o cabelo, o passo: sim o caminhar deveria ser diferente. E as mãos? As mãos são perfeitas, a fala perfeita. E o que posso te dizer?
De dentro de um túnel que não termina…, não parei de caminhar, nem de pensar, estou mesmo a correr. Cansada, eu interrompo a pressa, não o passo. Devagar, eu sigo. Não imaginas a velocidade dos carros: o barulho, a poeira, e, às vezes, o silêncio. Quando voltar, eu vou te contar, em detalhes. Teremos horas horas e horas: um bule de chá, insisto. Eu gosto de café, tu sabes. Evito. Tenho comido menos, mas, ainda não emagreci. Apenas como mesmo. Durmo pouco. O desânimo grudou no meu corpo. Eu me deixo ficar na cama. Deveria voltar a trabalhar. Vou te contar com/em detalhes, não hoje. O ciclone não passou por aqui como deveria. Estamos na expectativa. Assim mesmo, ficamos quietos, parados. Esperar não é fácil. Tem qualquer coisa de florescer… Vou voltar a deitar, ficar quieta. Estou a reaprender sobre imobilidade / esvaziamento, paz e silêncio. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres


o direito
às vezes eu me dou o direito de pensar/imaginar, na maioria das vezes, não. É como conversar, bom e ruim, produtivo, ou ao contrário, atrasa a vida, e o fazer. Termino, e não sei por que comecei. Quero aproveitar, e fica assim, vazio e sem motivo. Como cozinhar. Ou limpar. Ou como envelhecer e ter consciência do tempo. Não. O tempo é uma oferta aberta, como o sorriso…, ou o sonho de sonhar todo o dia. Há qualquer coisa no prazer!, depois se transforma em desprazer: uma explosão! Atletas a competir: um dia depois do outro, e, claro! Ganhar! Superar! Competir/superar pode ser exaustivo: mantenho o foco, o querer, mas não olho/não vejo, sigo… A cada um sua escolha! Não quero medir, nem ter mais, ou menos, quero ser Eu. Tão difícil! Ufa! Terminei de te amar / terminei o livro / terminei o filme / terminei de cuidar. A chuva segue. O frio também! Elizabeth M.B. Mattos – maio e 2022 – Torres
na/da vida

Alguma coisa, sentimento / mistério, sei lá! clichê, pois é, mas vou dizer assim mesmo. Alguma coisa que me surpreende no prazer / numa alegria maior / num gozo constante. Pois é, deste desespero do medo, da incerteza / dos amados amores / dos afetos que sufocam ou explicam…esta sensação! Vou chegar / vou continuar. Eu vou te amar mais, e mais… Não vás desistir! Em frente! E todas as minhas noites tem este gosto entusiasmado, a vida. Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2022 – Torres

Fotos: Suzana L. Saldanha
Determinação esparramada, espicaçada, digna de brinde: afinal o amor coloca roupas. E os braços são abraços. As pernas elegância, a barriga, risos. O futuro prepara o tempo. A maquiagem / o preparo não foi adequada, nem os cabelos, nem o vestido solto, muito menos os sapatos… Olhos nos olhos. Festa. Amanhã vou poder contar/cantar. A chuva veio nos molhar. Seco os cabelos. Abrir o vinho. Viver o gosto de acaso. O sentido do inesperado: violão e piano, ah! também os violinos entraram… tu sabes me fazer ser/ter/e conseguir! Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2022 – Torres
amigo especial, ainda tão perto

As minhas cartas / longas, queixosas sempre a dizer tudo e mais um pouco eram respondidas com a paciência de sempre e me abraçavam ! Eu refletia! Afinal, apreendi a ler com cuidado, senão cuidado, prazer, prazer, prazer a loucura! E escrever?! Sigo a teclear / também alucinar nos escritos. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2022
Nilton – sempre
A rotina ansiosa de percorrer médicos / decisões pontuais: horário e tempo certo. O mais, e mais, mais se agarrou na possibilidade de tudo resolver antes dos feriados / resolver.
Visível e invisível amigo querido, estares perto se agarrou nesta semana porto-alegrense de/da pressa, Igual a cidade se revelou. Detalhes. Reencontro com perfume/cheiro, particular odor. O som revelou/desvendou lembranças, subiu ao oitavo andar revirou tudo -, magia. Pensei em descer e te fazer visita – surpresa, mesmo rápida, Ah! acabo enredada nos meu roteiro surpresa, e, reencontro vida em casa, no sorriso da irmã, na conversa comprida. Foi bom! E te visitar relâmpago me ocorreu, tu sabes. Sempre estamos pertos, desde o tempo das calçadas da rua Vitor Hugo, nas voltas, nos retornos desencontros. Sim. Eu me equivoquei, tu sabes. Um beijo. Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2022 – Torres
via Porto Alegre, depois dos balões – agora diferente olhar/ver: Nilton S. L.

risadas
“Isso aí a melhor coisa é rir, essa mudança nos olhos, como que abre um portal para um novo mundo, mais luz, mais cor, mais nitidez, uma maravilha! Aproveita esses momentos, eles fazem a vida rir para a gente… (risos), o que está longe parece sempre ser o melhor, mas nem sempre é.” A.C.L.
E eu me senti solta, possível, e vendo sem ver, festejei a proximidade. Claro! “o que está longe parece sempre ser o melhor, mas nem sempre é” -, ah! como a verdade rola verdade! Carinho ilumina! Obrigada meu amigo / sem esperar eu sigo a te esperar! O longe também é perto! Que venhas! Vou te levar lá, onde estávamos, eu juro! Eu já senti a estória virar história , outra vez, coisas do tempo! Foi / é bom! A foto, um festejo de abril! Eu que moro na beira da Lagoa, na serra, perto do vento! Logo, com a filha, num repente, estava beira mar, com estrelas, tipo uma memória boa, e tão perto! Morei nesta mesma rua! Sentindo cheiro de mar! Torres virou tantos lugares!, nome de saudade! Adorei voltear com a filha! Eu me sinto no mundo! (risos). Obrigada ao amigo querido!

verdade
Verdade atrapalhada, vontade/desejo/coragem, não tenho. Perdi. Vou a me agarrar naquela lembrança… Esfumaça o tempo, refaço o dia, anoto,, planejo, dou conselho e falo, falo, falo atordoando. Estranho ter dado conto do dia, não, já foram dois! Intenso. Não sei. Atordoo. Verdade arrumada, datada. E pulo o desejo. Elizabeth M.B. Mattos – abril – com vento. Amanhã não posso esquecer de molhar as plantas, refazer a lista das compras, programar outro passeio. Onde estão as margaridas? Amei o turco, verdade.


