Fiquei a esperar um toque pra saber detalhes da tua ordem no novo quarto. Inclusive mais almofadas, ou tapete. Não sei. Como tu estás? Estou louca para saber detalhes. Como estão as tuas aulas? E o curso? E o X e o Y? Sinto tua falta e falta do teu aconchego, a falta dos teus carinhos. Quero saber da vida. Conversa com teu pai. É importante. Não o mantenhas afastado. Faz com que participe desta tua nova vida. O salário mínimo vai sofrer aumento e tu deves receber um pouquinho mais. Não fica doente. Lê muito. Lê como se fosse um remédio, ou um vício… É importante. Escreve. Escreve. Faças outros lindos e importantes poemas, não os abandone. Cria/escreve/desenha o teu diário. Tudo isto ajuda mentalmente. Estou gostando mais da minha casa. Vou me aventurar ao frio. Que horror! Eu gosto. Lê as cartas para os meninos. Cuida das crianças. Estou louca para ficar com um pequeno para mim. Se eu nunca mais fosse trabalhar! QUEM SABE?! UM beijo, com muito amor. B.
Nota: Tu vens neste fim de semana, ou é a Ana quem vai viajar com o Agostinho? Conversa com ela sobre isto, e me avisa. Preciso me organizar. Cuidado com os ciclones e ventanias.
Penso em coisas e fatos que aconteceram, e ou deixaram de acontecer… Pedaço amarrado na memória. Nem todas as lembranças são inteiras/completas: nós nos esquecemos, e dentro do esquecimento recriamos.
Enquanto remexo no tempo procuro definições, esclarecimentos. Procuro paz. Procuro chegar mais perto de ti / talvez eu apenas te afaste / eu te assusto com desesperanças…
Quem das pessoas com quem convivemos foram, realmente, importantes? Ou melhor, quais teriam respostas para nos dar? E nos amaram…
Aconteceu uma coisa boa para mim, não sei se eu cheguei a te contar, tão rápido são nossos encontros! Conversei com o Nonô (Vicente Donário Lopes de Almeida), um pouco antes do transplante, um acaso. Ele foi me ver na galeria Garagem de Arte. Foi engraçado/divertido/curioso. Vi aquele homem bonito, espiando, bem vestido: tudo o que sempre vi nele estava ali. Tudo. Tu compreendes? Fui ao seu encontro, conversamos, saímos juntos e caminhamos até a Hilário Ribeiro, e nos sentamos na murada de um canteiro, continuamos conversando enquanto sua mãe não chegava. Ele esperava alguém… E foi mágico. Tão depressa! Aquela repassada no tempo! Tão importante! Pensei que voltaríamos a nos ver. Eu não o acompanhei até em casa, esperamos alguém chegar, eu voltaria ao trabalho…, deveria ter ido. Deveria ter ficado com eles o tempo que eu tivesse… Por que estamos sempre nos cobrando o que não fizemos? Insistimos. Agarrados no/ao hoje como crustáceos, seguros, nenhuma luz no depois… O cotidiano, o agora é a consciência de sentimentos. Segurança.
Por que ele ficou no tempo? Por que não tivemos tempo? Ele morreria um mês depois. O transplante não foi bem sucedido. As fotos que queríamos ver…., e queríamos voltar a nos ver. O importante conversarmos, e rimos e nos olhamos… Não pude vê-lo outra vez. Estas pessoas, as nossas pessoas, as queridas, e as amadas, começam a tomar outras formas, conseguiremos reencontrá-las? É a magia. Elas definiram coisas / decidiram juntas o destino / as escolhas. Esquisito voltar! Vou voltar para a cama.
Tu já pensaste nisto? Todo o dia arrumado / engomado a repetir o mesmo, sem susto, repetir / repetir / repetir. Organizar a próxima viagem: entrar em todos os cartões postais, beber os melhores vinhos, o sol… Deve ter um mistério que desconheço, sou eu a repetir os mesmos textos, a repetir a repetir… Pensar como seria entrar no tempo perdido, igual e repetir. Já pensaste nisto? Beth Mattos – maio de 2021 – Torres
“Sim, o que te escrevo não é de ninguém. E essa liberdade de ninguém é muito perigosa. É como o infinito que tem cor de ar. O que sou neste instante? Sou uma máquina de escrever fazendo ecoar as teclas secas na úmida madrugada. Para te escrever eu me perfumo. O que faço por involuntário instinto. O que eu estou fazendo ao te escrever? estou tentando fotografar o perfume.” (p.85) Clarice Lispector –Água Viva
A última das tantas ridículas cartas, todas de amor, pois só o amor pode ser ridículo (já explicou Fernando Pessoa), impulsivo e tempestivo. Às vezes tu falas comigo com a comedida voz e tom ao que consideras boa educação, e pertinente. Digamos, própria de quem trabalha com o público. Nenhuma manifestação amorosa que possa comprometer tua alma, tua retidão. Apenas, a fidelidade,
Fidelidade a boa educação. E os princípios de fidelidade internos, familiares. Importantes. A amizade deteriorou-se junto com a queima da paixão. Sonho e desejo, sozinha, imagino teus abraços, tuas risadas, teus pinotes quando estás feliz e alcanças os objetivos. Cansei de esperar, imaginar e borboletear a tua volta. Eu lamento, mas estamos, os dois estacionados no vazio. Como alimentar esta viagem? “Viajar é descobrir que todas as pessoas estão erradas a respeito dos outros países”. Aldous Huxley.
Eu estou errada a teu respeito, não houve/não há interesse, ou paixão. Nada morreu, pois nada existiu. Então. a minha esquizofrenia foi maior. E, eu atropelo a minha vida com outros fantasmas, eu me defendo dizendo e contando de outros amores ou coisas assim esperando aquela reação imediata tua: “Não, sua tola, apenas a mim tu amaste e amas…” Aquele direito divino de saber quem é quem no meio do povo inteiro. Afinal, meu querido, nunca soubeste nem imaginaste, nem sentiste o amor que eu tenho por ti. Assim, de que vale meus sonhos, meu desejo? E as minhas fantasias? Elas caem na vala comum do ridículo, do vulgar. Perdoa o que te escrevo, esquece o sonho e segue nesta campanha silenciosa do n a d a: isto é, sem cinema, sem leituras, sem poemas, sem textos, sem vinho, sem música nem risadas.
OK!? VOU AQUIETAR-ME
São José dos Ausentes, ausente, com neve, fogo, embriagues e amor com sexo, sexo com amor, sem sexo, com a mão correndo o corpo e os beijos secando a boca. Risadas, marcas e saudade já daquele momento que nem aconteceu, acontecendo.
Tenho que conseguir te esquecer. Apagar.
Aceitar teu caminho. As escolhas do tempo roubado. Que sejas, afinal, feliz como pai, avô, marido, viúvo, comerciante, intelectual, respeitado ou sei lá mais o quê desejas. Rico. Tenho ligado no meio da noite, no meio da manhã, nas tardes, com chuva, com sol, com lua, com latidos, com coragem, com medo, sem assunto, com muito assunto. Tenho ligado muitas vezes. Do celular, perdi o número: perdi todas aquelas mensagens carentes sem resposta. Como te ameaçar no amor. Esquisito. Invasão minha. Ninguém nos quer juntos e nós não somos mais de nós mesmos. Um beijo. Se Paris voltar para nós eu estou aqui. Se as flores chegarem, eu estou aqui, se a cesta com vinhos e petiscos chegarem eu estou aqui. Se teus poemas se escreverem, eu estou aqui, se fores ao cinema, eu estou aqui. Se puderes, um dia, me amar, eu estou aqui. Um dia é muito tempo. Um dia inteiro sem medo. Um dia nosso, um dia. Como deixar o medo preso naquela gaveta e chaveado? Isto. Pensa nesta possibilidade: chavear o medo, a insegurança e as desconfianças e então abrir os braços de forma lenta, muito lenta, sem sofreguidão…Toda uma tarde, toda uma generosa noite com direito ao amanhecer quieto, por isto São José dos Ausentes nos espera. AUSENTES. 28/5/2004 10:23:37 / Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – Torres
“Às vezes, lembro, com o coração ansioso, seu sorriso, seus olhos, sua voz e lágrimas me vêm aos olhos, mas eu não choro não, é apenas amor.”
Eu estava bastante melancólica ontem, não sei exatamente o porquê. Talvez seja o danado limite, entender onde não irei/não posso chegar… Minha saudade, em vez de quente e feliz nostalgia, transformou-se em tristeza. Eu não posso mudar nada. Eu não posso, sim, estou sozinha. E isso é péssimo, o outro importa muito, muito, muito. E.M.B. Mattos
Gostaria de não ter vendido a casa. A casa de pedras. Gostaria de nunca ter saído e convivido com fantasmas. Existem forças de anjos, também existem demônios. Aquela estrada de terra parecia a única por causa dos eucaliptos, e pelas margaridas, e pelos açudes. Os cães. Este começo era uma escolha, e eu gostava do silêncio. Dos dias excessivamente quentes, e também daqueles que as lareiras eram acessas. E a Lena estava sempre por perto. Eu tive amigos. Comecei a ler com a regularidade necessária para acorrentar um autor ao outro, estabelecer o sentido, flutuar, algumas vezes chorei, mas nada me removeria. As caminhadas. O introspectivo. O sorriso fácil, o generoso espírito comunitário. A estrada não me assustava, qualquer carro poderia me levar de lá para cá. E os alunos foram sempre a força natural. Alegria. Eu me libertava de correntes pesadas, eu decidia e fazia e sentia, e dizia, e tinha e completava…fiquei eu. Estes períodos não são longos, estes acertos também são apressados, e a coragem de largar tudo outra vez é o resultado saudável. O sono se deixa dormir, ninguém vai te acordar, o sono se deixa chegar às 16 horas espiando, e eu posso dançar às duas da manhã num dia de chuva. E. Se eu te amo, não importa. Eu te amo. E pronto. Já se passaram tantos anos! Deixarei de amar, virarei as costas, caminharei apressada, desligarei a orquestra. Talvez não chore. Guardo o beijo, o cheiro, o abraço e tua audácia na caixa amarela, aquela bonita que está em baixo da cadeira. Depois dobro todas as minhas confissões. Na outra, aquela azul, junto as intenções. E vamos fazer uma carne assada, dourar as batatas, vou abrir o vinho. Fiz uma ambrosia com quinze ovos. Festejamos. Hortência nos vasos. Passei batom e o vestido com flores vermelhas e azuis e verdes, canta francês e cantarola alegria…Gostaria de ter te conhecido mais cedo, muito mais cedo… Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2021 – torres
Existe um lugar que é o começo… Não posso improvisar a felicidade. É preciso esperar, ficar de tocaia, como se ela fosse alçar voo…, e chegar/pousar na janela. Entre a espera e a chegada, uma flor. Depois, a tal felicidade… No irreal, o impossível e inexplicável espanto real. Estás a me esperar… Beth Mattos – meio de 2021 – Torres
3 de maio de 2021 – um dia cheio de…, agitado, a transbordar. Sou turbulenta, apressada, desajeitada, lenta. A transbordar, exceder. Fazer acontecer sem pensar, desmedido excesso…, não sei explicar. Intimidade, confiança e aquele prazer seguro, sereno. O mesmo desavisado planeta. A idade certa. Generoso momento. Generoso dia. Feliz. Sim, ser/estar feliz é coisa boa. Ou compartilhar. Ou lutar… Lutar em causa própria. Esta danada epidemia segura/agarra, limita, transforma / ou deforma, muda / modela alguma coisa, certamente, conectar… Reavaliação, também. Eu me justifico. Reclusa, mais “esquisita”, ou menos social, de repente, acolhida. Não fecho as janelas, nem desligo o celular, ou desapareço. Estou. Torres transborda. Exercito minhas vontades… Caminhos virados, ou os achados. E me apaixono. Amante amado amor, um susto. Fosforescente. Estás nos meus silêncios, e no meu abraço. Horas e horas a contar pedrinhas, dormir. Café juntos, cozinhar. Dividir. Este cheiro de outono, estas manhãs menos ensolaradas… Demorado tempo a revirar na cama. Escrever menos, ler menos, escutar menos, e o teu silêncio. Esperar cartas. Tão bom! Se chegam longas, leio duas vezes, três. Gosto que não te importas que cortei os cabelos desajeitada no espelho. Não te importas se visto a mesma roupa. E aquele dia, aquela manhã de demorar nas conversas se espicha… Gosto de te gostar, de me entregar, de não ter vergonha, e de pensar: agora, muito, muito, muito, muito melhor. Este hoje me dás de presente, vou desembrulhar devagar… Desdobro, dobro. ZYJMCAMVT Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2021 – Torres, partida / porto / chegada: amizade. Amante. Amigo. Tesão. Sexo. Vagar. Devagar. Epidemia. Desejo. Cerveja, pizza. Vinho. Aguardente. Sol. E frio. Chuva também. Lagoa. Mar lá, a esperar. Céu. Histórias de contar… “Momentos irrefletidosque levam a encontros irrefletidos. Momentos irrefletidos que levam a escolhas perigosas. É bom você não ficar me lembrando muito disso“(p.281) Philip Roth Fantasma sai de cena – Seda, sede. Saudade. Coisas de sentir.
“Uma vez, qdo eu tinha sete ou oito anos de idade, minha mãe me disse que embora os livros possam mudar ao longo dos anos, assim como as pessoas, a diferença está em que, enquanto a pessoas sempre nos abandonam qdo percebem que não podemos mais obter nenhum vantagem, prazer, interesse ou pelo menos um bom momento para nós, um livro nunca vai nos abandonar. Você com certeza vai abandoná-los, algumas vezes por muitos anos, ou até para sempre. Mas eles, os livros, mesmo traídos, nunca vão lhe dar as costas: vão continuar esperando por você silenciosa e humildemente nas suas prateleiras. Eles nos esperam até por dezenas de anos. Não se queixam. Até que numa noite, quando de repente você vier a precisar de um deles, mesmo que seja às três da madrugada, e mesmo que seja um livro que você tenha desprezado e quase apagado de seu coração por muitos e muitos anos, ele não vai decepcioná-lo…, descerá da prateleira e virá conviver com você num momento difícil. Não fará contas, não inventará desculpas e não se perguntará se vale a pena, se ele merece, se você merece, se você ainda tem algo a ver com ele, mas virá a você no momento em que você pedir. Jamais vai trair você.” Amós Oz
Natural incerteza, tantos anos! Fechar a porta ou decidir o impossível. Quando as relações terminam a lucidez importa. É preciso determinar, colocar uma trava no sentimento contraditório. Apagar a luz, e livre de si mesma, enfrentar o novo tateando no escuro…
“Et nous sommes encore tout mêlés l’un à l’autre,
Elle à demi vivante et moi mort à demi…” Musset
Uma máscara de fadiga parece escorregar do seu rosto, e, os traços adquirem uma expressão simples que a torna parecida com seus retratos de criança. Como a criança que foi, enrodilhada ao fundo da poltrona, olha o fogo e sente o inverno como se pudesse, um dia florir primavera, redescobrir sentimentos, ou interromper a corrente de dor, desalento, provação… entende.
“existem inúmeras formas de ter e dar prazer”
Releio a carta, o café esfria. Quero entrar na brincadeira, usar as cores, estar no mapa, desenhar os caminhos e colocar pedrinhas, lago, árvores e uma casinha com janelas pequenas que olham de longe a chegada do visitante: o brinquedo. Sou o teu brinquedo, és as minhas descobertas de menina velha: viva.
“Manter uma chama adolescente e seus impulsos é uma ‘tarja preta’ sem efeitos colaterais. Não abandona. Nem despreza.”
Vou fazer as torradas, abro a geladeira a procurar manteiga.Sinto já o prazer deste acarinhado sentimento. Não sei se me diz respeito, se ele divaga pensando na fantasia de um encontrando desajeitado, assim mesmo um encontro de apaixonados amantes…, o gosto de chocolate, este sono ciranda me embala. E o beijo.
“No isolamento – distância, dificuldades “
– então, imaginar faz sentido. Eu sigo a ler tuas cartas, tuas observações críticas, certeiras:
“Por enquanto me senti no Le Roy Merlin, nas prateleiras dos organizadores usados para colocar o que quiserem em suposta ordem. Não faria isto, jamais. Com amores, com louças sim. Nunca contei amores. Esposas, ou amantes. Não saberia contar e seria injusto com qualquer uma delas. Foram, são e serão sempre… enquanto dure (poetinha…, citando Vinícius de Morais)”
Não posso te repetir, nem dizer nada. Ainda dormes. Matutina sou eu, inquieta. Estás no teu elemento / no teu prazer, fora das angustias (de repente escapa a palavra, minha memória !?, não de amores, nem de ausência chorada, a memória do dia – onde estão meu óculos, qual é mesmo o nome daquela flor, quem escreveu isso? Qual cidade? Que nome tinha o professor de Latim? Miguel) Coloquei água para esquentar, vou passar outro café. Descascar uma laranja. Amanhã quero figos, preciso comprar legumes. Gosto quando o frio entra indiscreto e me arrepia. E mencionas cumplicidade e renúncia. Eu penso. Em que momento renunciamos? Conscientes? Ou apenas viramos as costas… Eu me aqueço nas tuas palavras, com as mãos lambuzadas releio:
“…,idade não transforma desejável em indesejável. O que transforma é a vontade. Atitude de não ser desejável. […] tenho que me manter leve, eu me emociono”,
Tens a sedução costurada no coração, nas tuas mãos, ao poder, e o caminho de respirar e fazer acontecer te encoraja, penso nos mimos, nas lágrimas e nos armas (lembras do filme? Viste O perfume?) Releio:
“Beth…sonoridade. […] Somos, no espelho, a imagem de nosso presente. Devemos ficar felizes por estarmos ali. Se algo não agrada, aqui ou ali, retoca ou ajusta no possível. Nunca seremos o que fomos, apenas seremos no espelho de nossas memórias. Somos personagens do passado, coadjuvantes lá atrás, papeis principais hoje, mas personificados por esta nuvem do tempo. Curte…, sem ansiedade. Senão tem gosto ruim. Vive… como pode e surge. Sem angústia ou lamento de perdas. A vida reserva momentos inesquecíveis aos aventureiros. A monotonia aos que não ousam. Inteligência em dividir prazer de ansiedade é a chave para que o momento seja o momento pleno. Pensa e relaxa e usufrui como é!”
Pensei no bilhete que te escrevi às pressas para não te perder, guardar um pouco mais enquanto respiro o teu cheiro. ‘estou aqui agarrada no momento de gostar de ti, tanto e tanto!’. Sou lenta, tão lenta para entender / sentir / ou estar no momento, no agora, no livro certo… Já me conheces, a pressa de agarrar, o cuidado, a incerteza e o hábito de pensar que depois, amanhã, na outra semana, ou sempre estarás ao meu lado… Disposto a ouvir, a contar, e também, disposto a me abraçar, calar o desatino e embalar o presente com as fitas que trouxeste na mala, e os perfumes… A tua chegada tem gosto de orgia acesa sem máscara, sem cuidado, sem limite.
Louca e consciente eu te escrevi: […] enquanto temos tesão, enquanto andamos nus pela sala pelo quarto, enquanto nos deixamos ficar uma tarde inteira embaixo dos lençóis, enquanto brincamos e fantasiados de desejo assistimos o prazer, o tempo passa… Enquanto nos falamos somos / estamos jovens, vivos e felizes. Obrigada / obrigada / obrigada. O que importa? Não precisamos de palavras…, o silêncio prolonga. Te cuida poque quero te amar amanhã, e depois de amanhã, e passando o mês de maio, ainda em junho. Um beijo, dois, ou três, ou um valendo quatro, melhor, um abraço suado. Eu te mandarei flores, coloca num jarro, no canto da bancada, na tua cozinha, são poucas, misturei alecrim… E, agora, vamos assistir ao futebol e torcer… Elizabeth M.B. Mattos – meio de 2021 – Torres ( eu já escrevi isso) Desambientação, curiosidade, atração. A gente nunca se arrepende de não mentir. WWJMCLJCAkYZ