espero

Ela combinou horário? Não. Ia tomar um banho, e foi logo me dizendo: “vai logo, vai logo, assim aproveitas bastante…, não demoro.” As duas ficaram quietas. Bebericaram, mastigaram amendoim, e resolveram dar outro mergulho na piscina. Calor! Venta e venta e venta. Festas coloridas, ansiosas, ruidosas e com estranhos silêncios! Quando meninas Papai Noel importava. Rezas e canções! Todos presentes! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2020 – Torres

apesar de tudo

Apesar de tudo, acho a vida uma beleza.” Maria Martins: “A juventude sempre tem razão.” in De Corpo Inteiro de Clarice Lispector – Rocco / Rio de Janeiro/ 1999

Apesar de tudo eu concordo com Maria Martins. A vida e a beleza. Este viver alongado se estende e se espreguiça. Gosto. A tristeza angustiada, a chuva e o trovão, aquela alegria inesperada, o arco-íris e as magnólias. O cheiro de mar, ora cariocando, ora estendido na areia fina do Rio Grande do Sul. Amar o amor dos homens amados. Amizade, gosto de doce de ovos ou chocolate. Gosto da incerteza, e gosto de escrever. Gosto da vida! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2020 – Torres

ah! gosto de gostar…

esperando você

  1. Quando você não escreve, nem telefona, (estou sem celular, verdade,) deixo a inquietude dominar. Penso: lavar, lavar, limpar e aspirar, ordenar: equilíbrio. Sou eu. Espero você. Desejo o mágico fazer nada, com você e a luz e o tudo… Choveu agora. Tão forte! Movimentada água a molhar o calor! Esperar você!
  2. Enquanto espero você eu me desmancho em pedaços ativos: gavetas arrumadas, louça lavada. A poeira desapareceu, certezas exauridas. Chocolates desapareceram…
  3. O bom de contar é você, dezembro de 2020 – Torres com chuva, esperando você. Beth Mattos

cupins

Atuantes e eternos. Formigas, mosquitos, eventuais e insistentes moscas. Eternos. Livre de baratas e outros cascudos. E o tempo? O tempo civilizado se escoa nestas tarefas estafantes e cheias de veneno. O terreno, a terra de viver precisam ser domados, desinfetados. Edifícios sobem, gigantescos: o cimento se encoraja, e o jardim diminui: vida de caixas, empilhadas, envidraçadas e confortáveis. Ordenadas. Elizabeth M. B. Mattos -dezembro de 2020 – Torres

medo assusta

Estou toda errada, estou toda perdida, assustada. Também indefinida. A chuva trouxe/deu alívio, prazer. Onde está a barreira? Preciso saltar. Não aconteceu nada, eu foi tanto! Fragilidade, o repente de um instante entre o medo e a coragem, o jeito estupefato/perdido e entregue. Sentimento de…, pois eu não sei descrever. Quero me livrar / jogar pra longe. Despejar, e não sai.  Aconteceu na terça-feira de manhã. Eu carregava um desalento qualquer, um cansaço e o rapaz percebeu. Depois o dia se agitou inteiro: derramei em tanto falar sem dizer. Dormir na quarta-feira. Agora uma insônia desajeitada. Inquieta. No celular as digitais. Da perda aquela luz de espiar e aquietar se desmancha. Jogo de paciência. Estou inquieta / agitada e… No espelho vejo uma coisa estranha sem semblante, opaca imagem fundo e dolorido. Procuro a dor e não vejo, não compreendo. E estou outra vez entregue e fraca e desajeitada sem saber… O que será mesmo que precisamos saber pra voltar a ter e ao dizer estar/ sim, estar aqui agora é preciso. Neste instante, neste agora o medo. Tão rápido! Talvez passe logo, compro celular novo… A mágica será o brinquedo. Vou esquecer. Eu vou voltar. Associações. Energias esquisitas / de certo preciso rezar. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2020 – Torres

do calor

Do calor ao frescor. Já me sinto melhor. Cansaço atravessa o corpo aflito, mas escapa pelas mãos. Olhos se fecham para o sono pacífico: tudo já passou. É bom! Chove forte e chove ruidoso, cheio. Gosto de chuva. É chuva de verão. Chove bastante…Beth Mattos

alegria generosa de Luiza

De repente deu vontade/ deu saudade do e de você. Este pronome agrega/ presenteia alegria/ bastante dor, bem verdade/ bastante triunfo também. Coisas da vida. Coisas de ser você. Depois gauchei, e passei para o tu / bobagem! Coisa de F.T.! Nunca deveria ter abandonado o você mesmo tendo voltado ao tu. Agora a volta se esticou / ficou grande, quase enorme! Talvez eu esqueça de você… Mas Joana não esquece de mim, e lá estou faceirando com Clarice Lispector Todas as CARTAS – Primeira Edição – Rio de Janeiro: Rocco, 2020

Estas coisas de Primeira Edição tem gosto de Natal, de surpresa/ de amorosidade. De preciosidade de olhar / acertar e escolher. Filhos abraçam e festejam / netos iluminam… Coisas de amor. Coisa de não explicar. Abençoar e agradecer: ser feliz. Alegria de ter amiga como a Luiza. Presenteia natalina, gentil, amiga da delicadeza, daquele carinho “não explicado”, mas cheio de sentir de estar perto de ser ela, bonita e generosa. A gente sente. Você sente! Adorei o lenço (precioso) e exuberante, lindo! E o nosso estar junto piquenique de fofocas, as nossas e das doçuras. Apenas você (ou apenas tu sabes) sabe desta coisa de surpreender numa tarde amiga, eu encavernada. Já Natal! Amiga obrigada pelo punhado de risadas, as nossas, suas e minhas!

“Carta curta, mas carta sua. Já há dias recebi carta de Tania e você não escreveu por falta de inspiração. Que menina impossível. Mas eu bem compreendo e sei que às vezes não se tem o que escrever mesmo quando se tem o que falar.” (p.158) Clarice Lispector [A Elisa Lispector] Nápoles, 20 de abril 1945

Sentimento esconde o ‘desajeitado’ impróprio. Mormaço esconde desconforto. Salva-se amiga! Gloriosa, generosa amiga! Sempre ela… Ternura aquece, e o amor explode…

OBRIGADA Luiza, são tantos grandes e pequenos gestos! Somos blindadas pelo A M O R!

Chuva salva / depois de trovoadas entendo melhor, um pouco mais… Sou eu a sufocar, respiro. Livre! Obrigada! Ser presenteada tem a graça móvel! Estou pedalando uma bicicleta em volta da lagoa! Beth Mattos

coração desprotegido

Tanta coisa. Tanto tempo! E aquele quase nada escondido. Pequenos pecados. Um nada que avança. Estes pecados, os mais cruéis, sem perdão, atormentam… Contra a integridade . O Eu perdido em desencanto. Aquele Eu que perambula na criança que somos/fomos se agigantam quando jovens adultos. Velhos, voltam como tempestade. Beth Mattos – dezembro de 2020 – Torres

Terei que ter a coragem de usar um coração desprotegido e de ir falando para o nada e para o ninguém? assim como uma criança pensa para o nada. E correr o risco de ser esmagada pelo acaso.” (p.13) Clarice Lispector A Paixão Segundo G.H.

Tanta coisa. Tanto tempo! E aquele quase nada escondido. Pequenos pecados. Um nada que avança. Estes pecados, os mais cruéis, sem perdão, atormentam… Contra a integridade . O Eu perdido em desencanto. Aquele Eu que perambula na criança que somos/fomos se agigantam/agraúdam quando jovens adultos. Velhos, voltam como tempestade. Beth Mattos – dezembro de 2020 – Torres