sem reflexo

Reduzir no espaço tua lembrança. Transformar o tempo. Chegar outra vez no começo de ver/sentir e esperar, … não encontro motivação. Vazio o espelho (sem reflexo). Experiência bagagem sem caminho. Desconfio estremeço volto atrás.. Não completo o círculo. Eu me apaixonei, e tu sabes. E.M.B. Mattos Torres, junho de 2018.

vigília

Desta insônia do frio escrevo. Do sono à vigília. Se houvesse resposta … se eu pudesse fazer a mágica seria covarde risonha sem ambição. Esconderia esta orgia. Não posso/ não consigo voltar para mim. Enfeitiçada: sempre que me visto imagino que estás a me olhar. Mar agitado perigoso no meu corpo. Desejo ardente estranho. Que linhas coloridas se estendam neste carnaval de amar. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2018 – Torres

cartas do pai espalhadas na minha vida

resíduos de uma existência

Com base na sua própria experiência de vida, você acha que uma pessoa seduz a outra? Não será que as duas pessoas emitem sinais – se cercam de auras atômicas – tem o efeito de fazer com que uma se aproxime da outra? As pessoas se juntam guiadas pelo instinto que lhes diz que sua vida pode se beneficiar, que haverá um ganho líquido – como é mesmo que dizem os físicos? um ganho líquido de ordem.” (p.210 – 211)

John Updike   – Busca o meu Rosto

avança amigo

Avança segue sai da rotina. Olha o desconhecido (o novo). Avança amigo. Eu te quero bem. Tantos os possíveis caminhos! Não desconfia, nem tenhas medo. Não espera , avança. Verás flores e perfume ao alcance da tua mão e um mundo aberto iluminado a te esperar. Beth Mattos – Se me ouves  – Junho de 2018 – Torres

Torres

Foto de Ana Maria Vianna Moog – junho de 2018 – Torres

2003 , um bilhete

Tempo de novos ventos. Digo que este final de 2013 foi tumultuado desde a minha volta do Rio. Espero me sentir melhor para te visitar. O que será sentir-se melhor? Socializar. No momento tenho dificuldade de conversar. Estou entre caixas e caixas, e malas o que me deixa inquieta, nada agradável. Sair de casa, nem pensar. Enfim amiga, sigo escondida, escondidíssima. Tento controlar ansiedade. Aquieto a alma. Numa destas noites de exaustão, peguei o celular na gaveta, e num gesto estabanado apaguei TODA, mas TODA agenda, estou, como se diz, incomunicável. Está sou eu. Elizabeth M.B. Mattos

apenas eu mesma posso modificar o que sou

Este problema interior tem um característica. Urgência e futuro. O problema é a crise existencial do que poderia, mas não foi resolvido. Aceitar a palavra em toda a sua interioridade, não como prática. Enfim, penso: independente de aceitar o resolvido, sem novas possibilidades, pode não resultar em crise, mas desespero. Isso expressa o desejo inconsciente de futuro. Futuro  =  Amor presente e inteiro. Desespero saber que não vai ser nunca = a crise. É problema quando sinto meu mundo inadequado, ou quando sou inadequada para ele. Algo me fere, agride, sinto dor. Estou doente. Desgovernada. Pedir que me perdoe? É imperdoável o desgoverno. Porta fechada. Exaustão física levada como defesa contra a hostilidade. Distorção do amor e da confiança.

Esta é a história das interdições do amor, das cartas duplas de um duplo momento de dúvida e medo que me paralisou. Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2018 – Torres

prainha torres e amora

Foto de Ana Maria Vianna Moog – junho de 2018 – TORRES

sem passado

Este dizer esparramado esquisito uma saudade. Nós dois sem passado. E eu não te reconheço. As cidades se reconhecem pelo andar, como as pessoas. O recém chegado deduz a vibração do movimento nas ruas. Entra no café para ler jornal e cartas, se cartas existem. Ainda que fosse apenas imaginação, não importa.  A vida passa lenta ao fazer do homem, homem. E logo somos apenas imaginação. Ou borboleta, ou nada. E eu passo a imaginar… Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2018 –

insubstituível

Naquilo que és insubstituível, tu és insubstituível.  Aquilo que nos pensam insubstituível é amor.

Amor é amanhã e depois de amanhã e sempre enquanto for amor, – ser insubstituível no que somos insubstituíveis. Já disseram que o amor está no meio das pernas. Está. Está no meio das pernas quando pernas, braços, boca, pescoço, seios estão possuídos por nós mesmos, isto é, dentro de nós, e em estado de amor. Então, nestes dois amados amores o amor está entre as pernas. Entre as pernas deles dois. Mas na distância do outro, na ausência, na divisão de amores com amores onde sexo se mistura, tudo se esvai. Tudo se perde. Tudo escorrega nas lágrimas e no vazio. E estes pedaços são apenas pedaços, qualquer pedaço, qualquer perna não é amor, não faz amor nem prazer, faz sexo, em uma hora, um dia, e vai embora. Isto não é amor. Não é nada.

Afinal, então, o que é o amor? O amor é o que ainda não encontrei, não sei, não tenho, e, bem dizer, nem quero. Nada que seja verdadeiro eu quero. É arremedo, o depois, o reflexo, a ideia, o já feito. Talvez seja assim mesmo aos pedaços o viver, sem inteiro. Sou um pedaço querendo outro pedaço com a ilusão do inteiro MAYA. Mas, no final, não basta o pedaço. O outro me molda numa história que não escrevi, não pensei, mas que eu quero. Elizabeth M.B. Mattos  – 2018 em junho – Torres

Maya é um nome que possui várias origens como Hebraica, Tupi, Latina, Sânscrita e tem como significado “ilusão”, “água”, “grande” e “mãe”. … Outra possibilidade de sua origem é ter vindo do sânscrito, onde Maya, segundo a tradição budista, é o nome da mãe de Buda. Usado como outro nome para descrever a deusa hindu Durga.

de amor

– procurei pelas safras de amor que desde cedo o nascimento, vida e morte e imortalidade, planto agora tão amorosamente.” Walt Whitman

As queixas de amor, quando amor já não é mais amor, mas apenas dor. Apenas a dor de termos, afinal, outra vez, amado errado. Depois de tantos tropeços, não morremos. A vida segue vida atrelada aos cadáveres de outras vidas. Um poema. O amor há que ser sério, engajado, liso e frutífero. Nunca lúdico ou solto. Elizabeth M.B. Mattos