Camille Rodin carencia ausencia dor paixão sofrer exiílio dor poder independencia tristeza trabalho mulher Paul Camille silêncio irmão frio muito frio mármore amor amar o amor a arte se foi se fez no amor de amar a arte no amor da luz de tudo que era então proibido o inferno…em vida. És tu amado amor tomado Camille Rodin Paul.
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Aprendiz do desejo
“(…) Gosto de ser incompleto, de olhar para as coisas com ignorância e ter respeito por ela, e a partir disso aprender. Isso está se tornando um projeto-base para minha vida: descobrir um bom/ruim que tenha a ver comigo, construir uma escala nova de valores mais justa, que me respeite, me leve em consideração. É um trabalho. Na verdade, é uma trabalheira dos diabos. Muitas vezes me perco, o vício e sua sedução me rondando. (…) Receber elogios e ‘ ter as coisas boas da vida ‘continuam a me seduzir, mas não quero isso ao custo de não ser eu mesmo e de passar pelo que já passei, por isso tomo tanto cuidado com essas coisas. É um projeto que não abro mão. E, apesar de não ser pouca ambição, não causa dano a ninguém, não custa nada a ninguém, só a mim, não enche o saco de ninguém, e, mais importante, não é para fazer de mim um ‘superior’, não é para humilhar ninguém. É só para abrir um espaço para a minha existência. Não estou empunhando a bandeira da verdade, nem acho que todo o mundo tenha que ser assim. Só quero viver a minha verdade. Portanto, não acho que seja pedir muito que compreendam meu projeto e que o apóiem.
Um abraço, Eduardo.” (p.132-133)
– O aprendiz do desejo – Francisco Daudt daVeiga –
A carta é longa. Projeto um livro. A transição da dúvida. Tomo as palavras de Francisco emprestadas para reforçar o convite:
“A adolescência pela vida afora”.
O prazer do desejo. O prazer de viver. Trabalho desejo. Vida: o rio que vai pro mar, em direção do maior.
Idade
“Acima da camisa aberta, um lenço claro de seda envolve o pescoço, escondendo quase totalmente a garganta, cujas rugas são o único sinal de sua idade. Nesse rosto estranhamente jovem, tudo que pode manifestar algum sofrimento são os olhos, suaves e castanhos, inundados de sentimento, (…)”
Philip Roth – O professor do desejo – p.78.
Existo
O lugar está vazio. Vazio de tudo, menos do mistério e do enigma.
Tu existes, ele existe. Comprovamos o momento, estupefatos…
Devotos a ficção, e a verdade. Devotados ao que existe no gesto, na palavra.
Escrever, escrever, escrever, escrever não é invenção de amorasazuis.com
Eu também existo. E ninguém está me inventando, a não ser eu própria.
Aparência venal
Beleza atrapalha, beleza ofusca, beleza limita. A beleza apaga/ou diminui a força da inteligência, e, se espreguiça na vaidade boba do efêmero! Se não a beleza em si, certamente, a pedra que eu vejo: o efeito dela nos outros. Se não beleza em si talvez o peso do olhar. É o outro a medir e contornar. Aparência limite. Efeito venal que separa… E, na desavisada beleza fica aquele ar arrogante de vitória. Elizabeth M.B. Mattos – 2013 – Porto Alegre
Arrisco
O rosto contraído colado na vidraça como se esperasse desde muito tempo. A casa na penumbra. Noite de lua acesa. Seu rostinho redondo se abre num sorriso. Cheguei. Não desço do carro, apenas espero. Todas as pastas, sacolas, livros se agarram nas mãos pequenas! Não fala. Arrisco uma pergunta. Olha nos meus olhos. O mar esta no cheiro da noite morna, e já é julho. Na mesa da cozinha bebemos o café com leite. Esquento o pão. No pote os morangos, hoje não temos amoras azuis…
Verdade
“Verdade,verdade,verdade,verdade, verdade. A paixão é frenética, inesgotável e, segundo minha experiência, tem a rara capacidade de se realimentar.” (p.62)
Philip Roth – O professor do desejo –
Raiva
No repouso a beleza adormecida. Acalmada e silenciosa raiva contida!
Se eu não sou rei ninguém será coroado!
Paulo Sérgio
Lendo Daniel Glattuer (acho que recomendei @mor e A sétima onda) volto no tempo. Imagino que tu és o meu Leo! Sou Emma. Reencontramos-nos depois de trinta anos, ou quarenta? Tanto o tempo acelera! Outra vez o intenso de um dia depois do outro!
Não guardo a lembrança toda. E nem sinto o peso definitivo da felicidade. Lembro risadas, leveza, e do ardente. Do inesperado que chega adiantado, sem ansiedade. Certezas, nenhum medo! E lendo o livro repasso os verbos sair, voltar, ficar, recomeçar, largar. Verbos no infinitivo para serem conjugados no modo indicativo, ou modo subjuntivo. O possível. Tens razão, não foi passagem de ano, nem dia 25, nem 31 de dezembro. Estes nós lembraríamos! O que enternece? A música, nossos abraços! A leveza dos trinta anos! A sétima onda que Daniel cita no livro. A sétima onda do escritor e presidiário Henri Charrière citada no livro biográfico Papillon. A salvação… Amor e todas as vertentes que nos libertam. Bom esperar! Acreditar que atravessaremos a sétima onda! Quero te dizer o seguinte: o escritor vienense Daniel Glattauer me faz chegar muito perto de ti. Hoje, através dos e-mails, neste tempo digitado de ir e vir posso me reencontrar contigo. Não é ótimo?
Chuva forte
Voltar na volta adequada. Enumerar. Casa, cidade, rua, táxi, automóvel, política, filhos, sentimento, jardim. À volta com fita, papel, caixa, espaço, vazio, surpresa. Sento exausta na ponta da cama, mas não quero mesmo dormir, apenas chegar. Joelhos, cabeça, costas, braços doem. Tantas foram às frases conciliatórias! Não vou abrir o portão. As camélias exuberantes, crescidas assim sem poda, belas!Desagradáveis degraus! Amaldiçoados! Escadas não levam para o céu. E as estrelas se escondem. Vejo a chuva grossa e forte batendo nos meus olhos! Elizabeth M.B. Mattos – março de 2013 – Porto Alegre

