
Três personagens. Um homem, duas mulheres. O gênero masculino ou feminino importa? Transição. Alguém saiu de dentro da alma, alguém chegou. Abrimos a porta… Simples assim. Um ir e vir de amor.

Três personagens. Um homem, duas mulheres. O gênero masculino ou feminino importa? Transição. Alguém saiu de dentro da alma, alguém chegou. Abrimos a porta… Simples assim. Um ir e vir de amor.
Justiça perde o limite do possível, do conforto: estar do lado certo. Não existe mais lado, estamos de frente ou de costas. E se cair, pode ser fatal… Sem certo nem errado. O que pode ser certo? Piada. O difícil é saber o limite para não ser alvo. A violência está tãaaoooo… Não tem explicação. Dentro da violência, a confusão. Do mal feito, do acaso, do provável a manifestação bombástica, política para responder ao acidente: “não toleramos violência”…É piada?
“Mas de que adianta pensar nisso agora? Se tem tempo para isso, faça um storyboard.”
Outra vez a questão tempo. Deixa-se voar aquele minuto, a história se desfaz na sobra… Amanhã recomeço… Enquanto releio as cartas dou-me conta que nem mesmo cheguei a ler p… Ele contou que doía, o desespero, mas eu não quis saber. Não tem perdão! Apressadas leituras, apressados sentimentos! Ansiedade, angústia se misturam na desordem dos livros, dos amontoados papéis, das malas desfeitas, da hora de partir, e chegar. Estamos a escapar do momento certo. É preciso entender! Quando compreendemos, é tarde. É tarde agora…
“Mas quanto mais penso sobre vender sentimentos, mais difícil fica… Isto é mais profundo do que eu imaginava.”
E não há rascunho, nem existe outro momento como foi aquele. Retomar o tempo é chegar noutro tempo. E agora recorto cartas, digito, fotografo e desenho por cima, ninguém responde… Não existe ninguém do outro lado; apenas tento voltar atrás… Estou vendendo o passado? Mas,
“Não venderia de jeito nenhum para um conhecido. É mais fácil vender para um desconhecido.”
Escrever também é assim, não nos confidenciamos aos conhecidos. Contei a história ao amigo que fiz em Roma…Todos os caminhos levam para Roma. As vozes estão no ouvido desconhecido do passante e do leitor.
Porque “Dá medo saber o que a pessoa amada pensa.”
Acordo do sono pesado. Outro sonho. No meio das ruínas, no parque, perdido no corredor, procurando… Quero falar. Chego tarde. Retenho o olhar. Doce. Velado. Sedutor. Na memória, bebemos o vinho, comemos frutas, não dormimos. O dia amanhece pelas frestas da cortina azul daquela mínima janela, e o cheiro do café nos faz levantar.
Duas, ou três…O silêncio sacrifica. E o excesso perturba. Onde estará o meio termo? Aquele equilíbrio descompromissado do começo do amor? Quatro palavras, uma linha. Um sorriso. Tua mão! Elizabeth M.B. Mattos – maio de 2013 – Torres

A correspondência que não caminha pelo correio, nem por letras japonesas, nem desenhos, nem cotidiano, nem cartões, ainda pode ser a descoberta, o caminho para o amado. A cor, o traço, o pincel no mangá. Ainda assim, e quase sempre a mesma história…,a minha, a nossa.
“Eu não te contei nada até agora… Mas vou casar na primavera do ano que vem. Por isso, eu só vou poder escrever cartas a você, deste jeito, até o dia da cerimônia. Eu sei que estou sendo egoísta, mas você pode me compreender, não pode? Eu sou uma pessoa afortunada por ter conseguido trocar correspondências com você durante mais de 10 anos, desde que me formei no ginásio. Independente do conteúdo da carta, receber e ler suas cartas me trouxe muita felicidade.
Você sempre torceu por mim...”
(p.122) Bakuman
Estou às voltas com o tempo que abocanha esperanças, complementa certezas. Interroga a perplexidade. Incoerência, inconformismo. No entardecer o vizinho coloca seu barco-brinquedo na lagoa, e as horas escoam nas manobras de ir e vir. A distância da margem ao centro da lagoa, o desafio. Este ir e vir da lancha a motor, caça ao tempo… Lazer, prazer, vagar, sem desafio. O nada de horas e horas ditas vazias! Aliviar a tensão. O mesmo efeito da jardinagem: remexer a terra, cavar, podar, afofar, cortar a grama, libertar os galhos, colher as frutas, as flores… É o tempo! O livro certo. Atada na cadeira. Não, logo a mente se desvia. O tempo se remexe… Altera a velocidade. Posso ver o dia se fechando. Os pássaros, o cheiro, a luz invasores! Levanto os olhos pro nada, e já não tenho mais tempo. Posso ver o trabalho agitado, apertado da pintura de Maria Lidia Magliane! Eu me curvo.
Era uma vez um alguém… Esmeralda, Ágata, Rubens, não Eduardo. Era uma vez a ansiedade. Escrevo. Elas, as histórias, esbarram na incompetência. Repito: conto histórias reais porque a vida não é real. Desafio. Reconheço o inferno: ardência, fracasso. Terror imediato. Sinto o movimento no estomago. Sinto o pânico roer a dignidade. Não consigo aceitar o razoável. Nem bons ventos, ou boas chuvas. Bom sol, boa bebida, nada justifica. O corpo pesado aperta minha alma. Apatia, miséria suicida. Miséria visual. E este peso nos braços, no corpo! Se eu morrer é preciso que saibam que foi tudo equívoco, eu queria viver. Vou pedir outro café, acender um cigarro. Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2013 – Porto Alegre
— Há tanto de humano nesta rua, nos canteiros, até nas árvores… As folhas se fecham em arco! Mesas e cadeiras. Toldos… A natureza da cidade é diferente. Na mesa o pão, manteiga, suco, fruta cortada. É a melhor refeição. Padre Chagas, Moinhos de Vento, Porto Alegre. Rio Grande do Sul. A queda, uma perda, as marcas! Sinto tua falta. Minhas costuras não têm linha, não uso dedal, nem agulha. Ainda tenho os livros: leio mapeados por anotações tuas! E não estás aqui! Sofrer a felicidade como diz Proust, ou ter apenas o colorido quente do dia? As vitrines, abertas a imaginação! A possibilidade. Então visto aquela saia longa, a botina marrom, uma camiseta verde escura colada no corpo, e aquele blusão cinza com as pontas longas… Linda a bolsa azulão! Bebo mais um gole de café. E me pergunto: Quem são estes novos homens sem lei nem ética que abrem os braços? E brilham! Em princípio não me importo, depois me aborreço… Elizabeth M. B. Mattos – maio de 2013 – Porto Alegre