Tendência de guardar tanto troço inútil? E encontramos, de repente, preciosos documentos. História da história que não prestamos atenção… A memória é assim tão pequena pra armazenar lembranças?
Tendência natural. Guardar para construir/ refazer os passos. Armazenar para que um dia, quem sabe, talvez… E as caixas começam a ocupar os armários. É o medo de esquecer de lembrar. Lembranças se espicaçam, não permanecem, e se deformam. Papéis, certidões, foto são como marcos, e parte desta sonhada eternidade. A casa é o meu museu particular. Quando nos mudamos incêndio… A cada mudança um pedaço da identidade. Mas recomeço… E os guardados ocupam o melhor espaço. O mais importante seria / será o que está na casa da avó. E se não tenho nada para guardar entro no primeiro Antiquário Azul…
O último documento fotografado é o Passaporte de Francisco d’Assumpção Martins Cardozo que passa a assinar Francisco Martins Cardozo de Mattos, pai do Pedro Alexandrino, o pai de Roberto Menna Barreto de Mattos – meu pai. Dados detalhados do Passaporte em Comentários. Tenho também a certidão de casamento de Pedro Alexandrino de Mattos com Maria Luiza Menna Barreto. E pais de Rita Menna Barreto de Mattos. Mãe de Roberto Menna Barreto de Mattos.
Transcrevo:
Distrito Administrativo do Porto para Repartição
Passaporte do Exterior
Número 1404 Folha 68 do Livro 7
Signaes
Idade: 23 anos
Altura: 59 polegadas
Rosto: comprido
Cabello Sombrolhos Olhos: castanhos
Nariz Bôca: regular
Cor: natural
Depois vem a assinatura:
Francisco d’ Assumpção Martins Cardozo de Mattos (d’ Assumpção riscado) Custo do Passaporte 1:600rs
Procurador Civil O Administrador Geral do Districto do PORTO
Concedo Passaporte a FRANCISCO d’ Assumpção (riscado) Martins Cardozo, natural de Conçelho de Fontes, Solteiro e súbdito Portuguez
para o Rio grande do Sul
Levando
Abonado competentemente
E cumprindo con a obrigação de fazer sellar este Passaporte com o Sello da Causa Pblica, – de o referendar pelo respectivo Agente Diplomatico, ou Consular, residente neste Reino – e bem assim pelas Authoridades Administrativas das Terras em que pernoitar (um furo q não consigo ler) às mesmas Authoridades, e a todas aquellas a quem pertencer o conhecimento deste, não ponham embaraço algum ao Portador.
Valioso pelo tempo de trinta dias para sahir destes REinos.
Dado em o Porto – aos 22 de Março de 1843.
Como Governador Civil
Administrador Geral
Antônio Luis D’Abreu















Nascimento, mamadas, e lágrimas. Aconchego. A vez de segurar/abraçar, trocar fraldas, e nós! Nosso bebê… Pessoas amorosas vieram te homenagear, felicitar! O nosso bebê amado, desejado festejado! Parte tua, minha, nossa. Francisco não veio, Gianfranco desapareceu, Flávio não compareceu, Paulo viajou, Willy se atrasou. Eduardo não achou correto, Júlio Carlos me visitou em sonhos…, nos sonhos nos amamos! Rubinho não veio a tempo, nem falou. Ricardo, nem Geraldo se inclinou, nem Jorge. Ninguém abriu corretamente as duas portas daquela sala. O Flávio me escreveu, Iberê Camargo desenhou… A filhota nasceu! Porto Alegre, 14 de fevereiro 2013 – Hospital Moinhos de Vento