luz

Manhã de boa caminhada, luz e luz, tanta luz! podia ser todas as estações concentradas: prazer, gozo de alegria boa. Sem ler jornal, sem ler…, cada susto! Também as notícias certeiras e lúcidas, mas nada se explica. E se tu não te agarras no cipó certo te verás nos braços de um tigre cheio de fome! Selva é selva! Tanta beleza! Tanta insanidade, mas o Fantasma, o Tarzã estão por perto…, e eu me sinto segura. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021

ilusão

Gosto de dormir em horas engraçadas, e estar acordada quando todos dormem…, e fica maior o dia de viver / o tempo de sentir. OU apenas ilusão, apenas ilusão, deve ser. Beth Mattos

sem defeito este inverno

Começar / refazer / ordenar pelas gavetas parece banal. Não penso que seja, ao contrário, ouso acredita em criatividade. De dentro para fora, e sem pressa de terminar… Ah! Quantas gavetas a serem surpreendidas! O cuidado pincela / ajusta o ânimo, e a força volta ao corpo. Este inverno sem defeito me deu um susto, educou meu jeito estabanado de entrar e sair refestelada nos desejos alegres. Afundada na cama, espiando o dia, desacomodei a dor e o susto. Deu certo. Não seguir confiando, ou melhor, confiar com cautela, a possível, reavaliar. Bonito de escrever, difícil de fazer. A sensação de equívoco volta: os erros serão iguais…, repetidos. Esquerdos. Se quero ser outra / nova / ou apenas Eu do jeito que sou, há que cortar memórias, sacudir lembranças. Doloridas ou excelentes, as ótimas são armadinhas. A cada escolha um nó de marinheiro… Curioso! Quero/desejo/imagino vidas, mas em todas elas me coloco/imagino /penso ser outra, sou eu, apenas eu, plantada em novo canteiro. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2021 – Torres num dia de sol, sol entrando / ou se instalando na sala.

desejo insensato

[…] entre as coisas indispensáveis à raça humanam, figuram, necessariamente, alguns desejos insensatos, não existem homens sem o amor. E o desejo nos guia / leva. E será sempre para o melhor caminho do prazer e da alegria necessária, suportamos o mal / a maldade por amor, e curamos a florir o caminho. Beth Mattos

“[…] parmi les choses indispensables à la race des hommes, figurent quelquer désirs insensés, Il n’y aurait pas d’ hommes sans l’amour. E d’où penses-tu que nous ayons tiré la première idée et l ‘ énergie de ces immenses efforts qui sont élevé des villes très illustres et de monuments inutiles, que la raison admire qui eût été incapable de le concervoir?” (p.26) Paul Valéry Eupalinos ou O Arquiteto

Luiza Mattos Domingues

Luiza Mattos

29 de junho de 2014  · Recife, Pernambuco  

Para que os dias não sejam iguais: Devem ser reais, brutos, vivos, originais. Aliás, não devem nem mais nem menos. Não devem ser amenos, não devem ser pequenos. Necessitam da extinção do pudor, da escassez, da avareza. Que deixem pra trás o rancor e a dramática novela mexicana. Que sobre à mesa a flor e o frescor da verdade. Que exista fartura de alegria, o não exagero da dor. Que a lama seja mais importante que a fama. Que a cama seja macia e sincera. Dias de consciência e resistência. LMD

haver/ter/existir

Transparente finitude! Existe / tem / há decisão a cada hora / tempo. Vontade de correr, também de imobilizar, mas eu te digo: logo socorre o alívio: terminou…, ou se cristalizou, ou morreu, ou se resolveu, verás. Nem sempre azul, nem verde, talvez alaranjado, castanho. Amarelas ou arroxadas…,transparentes esperanças. Corajoso suspiro! E já é/será outono. Elizabeth M. B. Mattos – julho de 2021

quase velha

…, mas não o suficiente para dar conselhos, nem para dizer sei quem sou, não sei…, adivinho. Sem descrição, impossível detalhar, talvez o suficientemente bom, ou péssimo… Terrível de dizer, ou de pensar. O limite. O suficiente, ou o razoável pode ser/ou deve ser amor… Beth M.B. Mattos – Inquietudes existem: fica o conselho nem um pouco razoável: não derrama, não quebra o copo, por descuido, atordoado, desajeitadamente, ou sem modos no meio da sede. Agarra o possível, e te aquieta no silêncio. Soluções galopam…, estão dentro de ti.

dizer

A fala escorrega perigosa, sem freio, quase assassina, mas a alma salva da morte definitiva. Acredito/penso que é preciso mergulhar, enfrentar. Não foi tão ruim assim, consegui, o troféu não era pesado, percebi. Mas não levei o primeiro premio, nem o terceiro, uma pequena medalha pelo esforço… Nem confessei todos os meus pecados, não mudaria nada. Os escudos são poderosos. Espadas, nem arma de fogo o atravessam. Talvez uma bomba, mas talvez eu saia dos escombros. Talvez! Vou morrer no limite do canteiro das margaridas… Como eu ia te dizendo, feliz. Daquela felicidade recheada de prazer e gozo. Obrigada. Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2021 – Torres