coisas do amor

Via/caminho/rota pouco definida a correspondência,  um sopro. A cada um sua cruz / destino/ prazer/ encontro e alegria. Eu me apaixono por palavras. Depois o som, a voz…, todas as terapias se amontoam (não quero dizer/ quero imaginar, ou escrever). E o tato, o cheiro, os olhos. Vinte anos ou trinta de uma confissão apressada, eletrônica, e dois anos de embalo: eu te gosto. Contou/ conto,disse/digo dos amores, nem tão amados, mas instigantes. Depois, a questão juvenil ou tumultuada, ou apaziguada. Depois a maturidade. E nos encolhemos na idade. Cada um com seu biombo. …, estamos adiando, mesmo assim, amando.

– E eu o amo – disse suavemente Julie. […] Nada mais perigoso do que uma bela mulher que esquece até que ponto o é. […] Não, Julie, eu não quero dizer que a amo…Apesar do que pensam os românticos, o amor é uma coisa que a gente se permite ou não, salvo nos primeiros golpes, diante dos quais nada podemos fazer…Mas é uma felicidade para mim estar passeando aqui com você. É um esquisito privilégio, feito de angústia e de alegria, Vê – la a tal ponto iluminada por sua existência pessoal, que é capaz de referir – se a minha vida, como se nunca lhe houvesse ocorrido a possibilidade de perturbá – la. Estes conselhos que me pede e que parece ter o desejo de seguir…Muito bem. Eu não estou em condições de dizer se você é ou não inimiga de Lewis. (p.211) Charles Morgan – A Fonte –

Que livro! Que autor! Passo os olhos no meu volume todo despencado.’Invadida‘, volto as minhas anotações, volto… Assim mesmo, penso em ti. Que importam os livros que não leste? Não nos separam. Despeçados pedaços das nossas conversas. O jeito atravessado de amar. Estamos do blindados, eu sei. Não podemos mudar isso? Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres

Charles Morgan 2

Charles MOrgan 1Charles MOrgan 3

Charles Morgan a capa

sapatos

Mágicos sapatos. Despedida: chinelas da mãe, e sapatinhos do Pedro, tênis da Luiza?

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Terminei de lavar a louça preguiçosa a se demorar no balcão. Molhei as plantas, abri a janela para a madrugada entrar, o frio, aquele grandão, se foi… Aumentei o testamento de saudade: esqueci de mencionar os lápis, os diários, as revistas, os prismas. Empacotei alegria e coloquei fitas diferentes, cruzadas. Cores de beleza a se desfiar em arco-íris… Netos, filhos ocupam/aquecem/aceleram fantasia. Abastecem amor e preocupações. Cuidar da Ônix, (vou deixar cartazes explicando/ e o roteiro), enroladas as duas. Bom! A noite se carrega/encarrega das estrelas. Eu vou ter mesmo que morrer, mesmo querendo ficar. O chapéu, Ana usará na praia, mesmo a desfiar. É estranho quando se abre as gavetas: lenços, panos, saias, camisetas de sol e sabonetes. As caixas estão cheias de beijos, cartas em algumas, abraços, e risadas em muitas. Então, abram devagar…Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres com lua, lua e luas…céu entrando.02/08/2020 04:13:04

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Livre de vírus. www.avast.com.

Cecília Meireles

Epigrama 8

Encostei a ti, sabendo bem que eras somente onda. / Sabendo bem que eras nuvem depus a minha vida em ti. / Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil, fiquei sem poder chorar quando caí.”

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Esquisito ler o poema e a cada palavra ler a vida e a fragilidade toda de nossas escolhas. Quero negar as sombras, quero esquecer sem nominar, apagar sem mencionar, e depois engolir as lágrimas tristes decepcionadas e aflitas que não vou chorar. Qualquer tarefa pequena, qualquer cheiro atrapalhado do guisado, da farofa, dos ovos mexidos, daquela salada verde colorida pelos tomates, pelo pepino, pelo palmito se transforma em banquete. E o palácio tem o perfume das roupas no varal, dos vasos úmidos e daquela tristeza toda brilhando no domingo que se rasga. Os lápis ainda estão espalhados por grupos indefinidos. E o Pedro recebeu seus presentes, e a Bárbara filmou, e as risadas chegaram…e nossos parabéns se universalizam coloridos. Esquecemos a pandemia porque reinventamos tudo. Nós os mágicos do tempo. Amanhã vou fazer ensolorar o dia… Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres

beleza

“A beleza do mundo é tudo aquilo que aparece em seus elementos singulares como as estrelas no céu, os pássaros no ar, os peixes na água, os homens sobre a terra.” Guilherme Conches / “A Beleza é Verdade, a Verdade, Beleza” – isto é tudo o que sabeis na terra, e tudo o que deveis saber.” John Keats “O Belo é sempre bizarro. Não digo que seja voluntariamente, friamente bizarro, pois, em tal caso, seria um monstro fora dos trilhos da vida. Digo que contém sempre aquele pouco de estranheza que o faz ser particularmente Belo.” Charles de Baudelaire

Ummberto imagem belao livro inteiro ECO

misturado

31 de julho de 2020. Ando brigando/discutindo/ esgrimindo com a memória. Lembranças atabalhoadas, misturadas. Depois, o agora/presente, volto. Uma noite inteira com a visita delícia. Bebemos água, comemos as frutas da geladeira. Escutamos música. Adolescentes… Volume alto. Conversamos. Rimos de amigos viajantes, mesmo ao se deslocar na primeira classe,no luxo.Férias na Suíça, reclamam de Paris. Reclamam do céu. Nós dois, nos intoxicamos com risadas, enfiados nos pijamas. Gostamos. O que me atrai são teus olhos castanhos, mas reclamo que engordaste! Tu não te importas com os meus cabelos brancos. Elogias a pele, nem reparas que também eu engordei. Estamos juntos. E a porta fica aberta… Elizabeth M.B.Mattos, saindo de julho. Inverno com sol e já a temperatura subindo. TORRES.

bandeja e vermelhos

querido amado

FOTO BELÍSSIMA

Desabafo não resolve. Estranho como careço de te falar, estar contigo! Não compreendo. Não sei o porquê do feitiço. Não sai e não me liberto. Ah! Viraste meu querido amado, e o único! Sim. Eu imagino como teria sido encontrar a loucura contigo!  Eu mereço o sonho virado de ser. Enquanto falas eu vivo. O engraçado desta história é a tua genuína/absoluta felicidade achada. Estabilidade alegre. E o meu susto quando tenho a mínima oportunidade de falar, emudeço. Só vale o beijo e o abraço. A meninice. Fechar os olhos. A mágica? A mágica  foi esquecer os outros amores amados, afogar todos.

Não existe um único amor, engano, existe aquele que apaga todos os outros… Os lápis desenham, escrevem, embelezam e colorem, a borracha vem correndo atrás, e o papel enlouquece. Uma página, outra e a floresta grita. Sou eu. Anda! Vem me buscar. Tu me abraças depressa demais, a noite passa assustada com medo de dormir. E já estás indo…Saudade. Sinto o teu cheiro cheia de saudade, e faz frio aqui, mais, mais, mais. Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2020 – Torres

COLEçÂO apenas lápis adorei

detalhe

SANTA BELÍSSIMA FOTO DAS MÃOS

Detalhe das mãos, não, não sei o detalhe… É muito mais. As cores, o entalhe. As voltas do branco. A beleza imagem, e o meu silêncio. Nem sempre, quase nunca, quase nunca consigo esvaziar meu tempo para estar no papel, na letra, na necessidade de fazer…Inquietação excitada. Depois posso voltar e te escrever…Espera um pouquinho, estou chegando. Beth Mattos – julho vai terminar hoje, e ontem Pedro fez aniversário, meu menino. 2020

jogo de amor

LINDISIMA COM QUADRO E CRISTALGelado. Inverno cartão de visita. Mas eu não vou, tu não vens. Imagino lareiras acesas e fogo alegre. Cães por perto. Tuas caminhadas apressadas pelo campo. Canecas de café. Tempo nas cobertas, enroscado. Experiência de sol festivo, sem aquecer. Reparaste na floração do pomar?

No meu caminho pitangueiras cheirosas: flores miúdas braçada de noivas. A geada veste o amanhecer. Com a carta eu te envio fotos. Escrevo ainda nas cobertas, estufa e o gosto do café cheio de preguiça, Pão dormido.

Sigo no meu jogo de xadrez: arrumo aqui, espalho ali, seleciono estes, e a poeira me surpreende. Enquanto faço penso nas flores e ouço tua voz. Logo estamos outra vez deitados no sono. Antes, a misturar risadas. Este envelhecer juntos foi a melhor coisa que me aconteceu no Rio Grande do Sul. Voltar para casa, surpresa da nostalgia… Beth Mattos – julho de 2020. Torres

da vida…

…meus sonhos se acomodam bem na vida, sem grandes escolhas, nem projetos, removi uma pedra de cada vez, e plantei…  Floresce. A cada novo galho, entusiasmo. Estou viva! Beth Mattos – julho de 2020 – sempre Torres, e eu gosto.