livro aberto

Todas as letras, sem corte. Interpretar o possível…  Um livro aberto ao acaso pode assustar! Céus! Dizem que hoje a terra pega fogo e o céu se fecha.

Enlouquecer pode ser bem simples! Infernal calor,  terrível frio… O vento, a geada, o silêncio completo, a guerra. E não escrever. Por onde caminha o fantasma maior? Dor esquecida. Memória ridícula. Distração e  inconsciência. Colégio, exercício físico, jejum, lições de latim. E desfazer… Irreverência! É preciso abrir caminho. E.M.B.Mattos 2019

 

barganhar

A pessoa quer ajudar, não sabe. Quer dizer e não fala. Grita.

Quer consolar mas agride, quer perdoar, não consegue. Quer entender confunde.

Que droga! Em excesso o sentimento transborda. Vira catástrofe. Inundação, horror! Seria tão fácil dar as mãos e seguir, confiar! Não! Estamos sempre a comprar/barganhar a novidade. Há que encontrar a tal resiliência, e se deixar ficar. E me culpo… E.M.B.Mattos 2019

quadro geraldo pintado pelo pedro

Óleo sobre tela – Pedro Moog

inquietação

“Trago dentro dos olhos essa cor da distância

quando o mar e o céu se misturam

e há um pouco de mar no céu

e há um pouco de céu no mar …

 

Que mundo imenso o mundo que há no meu olhar… “J.G.de Araujo Jorge -AMO! Poesia

Estou sem voz. Esvaziada. Esquisita. Desanimada. “Mas sofrimentos desta espécie não destroem a qualidade essencial da vida, como o fazem os que nascem do desgosto com o próprio ser. Além disso, cada interesse externo inspira alguma atividade que, enquanto o interesse permanece vivo, constitui um preventivo completo contra o tédio. O interesse por si mesmo, ao contrário não conduz a nenhuma atividade construtiva. Poderá fazer com que se escreva um diário, com que se seja psicanalisado, ou, talvez, com que a gente se torne monge. Mas o monge não será feliz enquanto a rotina do mosteiro não fizer com que se esqueça da própria alma. […]

Tem de si mesmo uma imagem como acha que ele deveria ser, e que está em constante conflito com o conhecimento de si próprio como ele é. […]

No fundo, ele ainda aceita todas as proibições que lhe foram ensinadas na infância.” (p.19-20 )Bertrand Russel – A Conquista da Felicidade (p.19-20)

tristezas

“Creio que quase todas as nossas tristezas são momentos de tensão que sentimos como uma paralisia porque não mais ouvimos nossos sentimentos de estranheza com a vida. Porque estamos sozinhos com o desconhecido que entrou em nós; porque tudo que é habitual nos foi retirado por um instante, porque estamos no meio de uma transição em que não podemos parar. Por isso a tristeza também passa: o novo em nós, o acrescido, entrou em nosso coração, foi para seu mais intimo reduto e também não está mais lá, já está no sangue. E não ficamos sabendo o que foi. Facilmente poderíamos acreditar que nada aconteceu, e mesmo assim nos transformamos, como uma casa se transforma quando entra um hóspede.”  Rainer Maria Rike -p.175 – A melodia das Coisas 

Para Fernando: a conversa vai ser lenta mansa e nossa. E a tarde terá a luz que importa. Elizizabeth M.B.Mattos – Torres janeiro de 2019

TORRES foto João lindaaaaaaaaaaaaaaaaaaa mar e rocha

Foto de João Brentano – Torres – 2019

coragem

É preciso coragem para ir até o lado ‘mau’ de nós mesmos, e considerar que pode ter um papel construtivo a desempenhar em nossa vida. É preciso coragem para olhar diretamente a fragmentação de nossos desejos e ansiedades. Um lado parece dizer sim, enquanto o outro diz não, com veemência. Um lado da minha psique pede relacionamento, segurança e estabilidade. O outro quer partir para as heródicas cruzadas, anseia aventuras em lugares exóticos, viajar para outro lado do mundo e viver como cigano. Já uma outra personalidade quer construir um império e consolidar seus sistemas de poder. Por vezes, essa discussão parece não ter solução e nos sentimos dilacerados pelos conflitos entre desejos, deveres e obrigações.” (p.47) Robert A.Johnson – INNER WORK A chave do Reino Interior

 

ausência

“Queria lembrar -se do filho, mas o filho é uma mancha branca, sem feições, no fundo dos longos corredores da memória. O filho já tinha três anos quando viu o pai pela primeira vez.’Quem é esse senhor?’, perguntou, e ele não se  animou a dizer nada e os outros não disseram nada, porque estar ausente – já se sabe – é estar morto.” (p.87) Eduardo Galeano –Vagamundo

espanto

É espantoso como os acontecimentos nos dominam, como uma grande força oculta se revela, como a que levanta s florestas virgens, que cresce força, surge de todos os lados em volta das grandes obras. […]

“Não sei se o que fiz está certo. Não sei qual é o valor exato da vida humana, nem da justiça, nem do desgosto. Não sei exatamente quanto vale a alegria de um homem. Nem uma mão que treme. Nem a piedade, nem a doçura …” (p.68) Saint-Exupéry  Voo Noturno

delírio

Não é preciso que uma pessoa sofra de um delírio para se comportar de forma análoga. Ao contrário, uma pessoa, mesmo saudável, pode com frequência enganar-se quanto aos motivos de um ato, tomando consciência deles só depois do evento; para tanto só é necessário que um conflito entre as diversas correntes de sentimentos crie as condições para tal confusão.” (p.71) Sigmud Freud  a Gradiva de Jensen

Estranho sentimento que me arranca do real, não mais definido. Justo a indefinição, o vácuo. Não é delírio, mas realidade. Aquele sentimento caminhante rumo ao nada. Elizabeth M.B.Mattos dezembro de 2018