te escrevo

às vezes sinto raiva, às vezes desejo, outras saudade, depois esqueço. Depois escrevo e me respondes … logo te arrependes. Compreendo. Não decido, exijo, esqueço, apago … fecho os olhos, não durmo, e escrevo … recomeço. E outra vez já não me queres. E.M.B.Mattos

“Não há nada que ensine mais do que se reorganizar depois do fracasso e seguir em frente. Mas a maioria das pessoas fica paralisada de medo. Elas tem tanto medo do fracasso que acabam fracassando. Estão condicionadas demais, acostumadas demais que digam o que devem fazer. Começa com a família, passa pela escola e entra no mundo dos negócios.”(p.53) Charles Bukowski – O Capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio – Porto Alegre, L&PM, 1999.

não estás no meu abraço

Volto a te escrever com expectativa de te ver. Quero que compreendas a importância da tua presença e da tua ausência. Eu me sinto isolada e sozinha, sei que sabes o quanto. Usufruo da beleza é verdade. Tenho montanha, tenho mar, tenho rio, e tenho a lagoa, mas não estás comigo. Os livros aquecem, conversam entre eles, conversam. Consolam a menina, a mulher, a pessoa… Sem inverno, sem excessos. Durmo bem, mas repito, teu abraço me faz falta. Como posso me despir das letras? Tuas palavras, teu pensamento, teu dizer/contar me fizeram escrever escrever e escrever. Sei que não lês, já não me importa. Sou movida por teu vigor. Tuas palavras removeram tristeza/nostalgia/ isolamento, consegui me encontrar com o espelho, e certezas perdida: tudo foi presente, já faz um ano que abro pacotes, caixas e me sinto feliz, recomeçando. Eu toca nas tuas escolhas, teu colorido, tuas buscas e aventuras e me completo. Pequenos e grandes sonhos. Tua coragem. Eu te admiro por tudo que és hoje / agora / neste momento. Eu me sinto incluída embora tenhas me excluído. Tens razão quando dizes: Nada é mais sensual do que envelhecer juntos sem vergonha da nudez.Ou quando me enfeitiças afirmando:  vou viajar e te despir lentamente …, e vou levar 50 anos até terminar. Elizabeth M.B. Mattos, Torres 2017.

P.S. Temos tanto e muito em comum! O que importa.

“ Vem, meu-bem-amado, diz Espinosa; saiamos ao campo; vamos morar nos campos. Levantemo – nos de manhã para ir ver as vinhas; vejamos se elas começam a brotar; se os laranjais florescem; se as flores de nossas árvores vingam e nos prometem frutos. Não há uma palavra dessas que não exale um ar de solidão e as delícias da vida campestre. Quer seja o amor que, ciumento de sua liberdade, gosta dos campos descobertos, onde passeia seus devaneios e deixa expressarem – se por vontade própria seus desejos impetuosos; quer seja uma pessoa avessa ao tumulto e que se apraz em cuidar de si mesma, que busque os lugares retirados, cujo silêncio e a solidão enredam seu ócio sempre ativo; quer seja outra causa que o faça gostar do campo, uma coisa é certa: isso tudo o encanta. Mas há um tipo de amor que enche o coração de delícias: costuma ser o amor em seus primórdios. Este gosta dos jardins, das flores, dos campos cultivados e agradáveis, que com seu rosto sorridente, se posso falar desse modo, servem para nutrir suas alegrias. Ao contrário, há um amor enlouquecido, desesperado, levado ao extremo por ausências, privações, desdéns do amado e pelas suas próprias violências. Este gosta dos lugares assustadores, onde vê, como eu disse, suas desolações vivamente representadas. ” (p.35) Rainer Maria Rilke, – O amor de Madalena. Landy Livraria Editora e Distribuidora Ltda. São Paulo, 2000 – (edição trilíngue).

Voilà les admirables et les mystérieux détours de l’ amour penitente, qui s’ avance em fuyant, qui se met em possession em rejetant em quelque manière le bien qu’ il poursuit.

OBRA DE RILKE

 

Transformações HERMANN HESSE tradução de LYA LUFT

“Uma violenta pulsão nos impele

A romper a mudez das coisas,

E com palavras, gesto, som e cor,

Exprimir o mistério do ser.

Aqui jorra a clara fonte das artes,

O mundo luta: pela palavra pela revelação,

Pelo espírito, e iluminado, anuncia

A eterna experiência pelos lábios humanos. ”

PINTURA de HERMANN HesseTEXTO DE HERMAN HESSE

TRANSFORMAÇÕES de Hesse

 

 

muito perto bem perto

A presença física do outro o estar perto/ junto, bem perto importa. Aí reside a sensação de liberdade. Sim. Na entrega física e necessária, a liberdade.  É a vida a pulsar.  É preciso tocar, sentir a pele do outro, o cheiro. passar a mão… E lá está o carinho. O carinho que o corpo humano deseja.

Apenas divago e sinto, apenas sou eu… No meio da noite Nelson Freire toca The Nocturnes de Chopin. A música! Falta o toque e o aconchego da mão no corpo.

Faço carinho na Ônix, sinto o pelo macio. Ela dorme, se volta: patas para cima, jeito feliz de cachorro. Confiante. O toque faz a diferença.

A presença física do outro o estar perto/ junto importa. É preciso tocar. Passar a mão e sentir… E lá está o carinho.  Elizabeth M.B. Mattos  – Torres, julho de 2017

AS BALEIAS estavam PERTO

Em agosto as baleias chegam… Pode – se fotografar!

o casamento

Tanto tempo, tanto tempo juntos!  Esqueço de ser um, sou sempre o todo, todos. Beijo pronto, abraço certo: vozes… Cheiro de café forte, pêssego, também abacaxi. Também o beijo demorado, o toque. Nunca sinto frio, nunca sinto dor, nunca escuto o silêncio, mas o piano…   Os olhos, e as mãos correm e aquecem. Estou no lugar certo com a pessoa certa no momento de sempre… Somos dois. Ou três, ou cinco.  Neste amor de tocar sentir o cheiro e abraçar somos nós, tu e eu. Casamento é cotidiano suado, apressado, corrido e amoroso. Eu sei porque preciso voltar para casa.  Elizabeth M.B. Mattos – julho de 2017 – Porto Alegre

TODOS os filhos aeropporto

FILHOS E RISADAS MARAVILHA DE FOTOTODOS OS FILHOS AEROPORTO MAIOR

ABRAÇO FANTÁSTICO DA JOANA José PICORAL

LUIZA E EU BRANCO E PRETO

tocar e sentir

Não estou preparada nunca estarei …  No momento que te necessito/preciso, ou te desejo e te quero você escapa … desaparece. A urgência me atropela. Caio no espanto e me surpreendo … avanço um pouco mais quieta, mais triste, mas muito mais tua. Você me espreita.

Se vou ao encontro, bem sei que não sou/ não somos, …  vejo fantasmas inquietos acomodados na sala.

Amores guardados que nem amores nem amoras foram. Passagem invenção  visita engodo. Queixa pequena, solta, sem sentido, e importante. Pedra tesoura papel água e terra, então eu grito então fico triste e depois fico alegre.  É preciso enraizar o corpo e tocar e sentir, tocar e sentir. Elizabeth M. B. Mattos, Torres

“Significa ocupar o corpo completamente. Ter sempre a atenção concentrada no campo energético interior do corpo. Sentir o corpo bem lá no fundo, como se diz. A consciência do corpo nos mantém presentes. Ela nos dá uma base firme no Agora.” (p.94) Eckhart Tolle, O poder do Agora, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2002

ADOREIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII

pequena caixa ou caixa pequena …

A liberdade não está ao nosso alcance … ao alcance da mão, da cabeça, mas solta no íntimo da alma. Não domino o sentimento que me afasta, ou aproxima desta ou daquela pessoa … A natureza de ser/ter/ estar se altera no cansaço, no corpo físico, e por dentro …  Escrever sobre eu mesma, ou como me sinto, enxergo ou me vejo,  …  difícil, embora possa ser apenas descritivo. Exercício pesado.  Elizabeth M.B. Mattos – Torres 3 de julho de 2017

Volto a um velho texto de um velho livro: “Existem numerosas espécies e gêneros de hortaliças, porém todas, segundo nossos princípios de classificação, jazem no lodo. Crescem aí e aí são colhidas. Batatas, tomates, chicória e nabos. Seres não – humanos e seres humanos. Alterando a analogia, poder – se – ia dizer que vivemos vidas que estão encaixadas desde o nascimento à morte. Desde o ventre de que nascemos à caixa da família, da qual progredimos para dentro da caixa da escola. Quando saímos da escola, já nos tornamos tão condicionados a viver numa caixa, que, daí em diante, erigimos própria caixa, uma prisão, um receptáculo em nossa volta … até que, finalmente com alívio, somos introduzidos no caixão ou no forno crematório. ” (p.35) Davis Cooper, – Psiquiatria e Antipsiquiatria, – Editora Perspectiva, Coleção Debates, São Paulo 1967

Além das nuvens Win Wenders e M. Antonioni – Par délà les nuages

“A coisa mais difícil é não se interessar por nada. Não ler, não ter nenhuma distração. Alcançar o silêncio e a escuridão. É no silêncio que a realidade se acende. É na escuridão que as vozes chegam de fora”.

“[…] por que preciso tanto ouvir as palavras? […] olhos estão na moda, as palavras estão dentro de nós.”

“Corremos atrás de coisas e perdemos a alma.”

“Dúvidas, arrependimentos, pesares. O limite de nosso cérebro, de nossas experiências, cultura, de nossa inspiração, de nossa imaginação, pesares. Sinto preguiça. E, ao invés de pensar nas coisas prefiro sentir as coisas.”

“Para ser feliz é preciso eliminar seus pensamentos […] fugir para longe do corpo, o corpo nunca está satisfeito…”

O que significa estar satisfeito? Estar feliz? Estar… Não sei. Liza M.B. Mattos – Torres,  inverno, julho 2017

Outra vez

Ir ao teu encontro tem gosto e cheiro de boa memória.

Estou encabulada como se fosse o primeiro encontro, a primeira taça de chá, a primeira vez tua voz … De volta ao melhor de ser eu, de sermos nós dois outra vez … De volta ao medo juvenil da estória invertida inventada (no vento de inverno) e agarrada na boa fantasia de sermos dois, outa vez … Elizabeth M.B. Mattos  – Torres 2017.

tão curta…

A vida é tão medíocre, tão vazia…

e, depois, tão curta!

Tão, apavorantemente, curta! Só exite uma única felicidade…  encontrar nesta estrada um ser/ um alguém que nos ame, ou conseguir nos encontrar a nós mesmos, entender…

“La vie est si médiocre, si vide… et puis… si courte… si afreusement courte! Il n’y  a qu’un seul bonheur… c’est le rencontre sur sa route un être qui vous aime…”(p.55) Arthur Schnitzler, La Ronde. Librairie Stock, Paris 1934.

“A camareira trouxera o casaco de pele; algo distraído, Fridolin beijou Albertina na testa e nos lábios, como se a conversa da última hora já houvesse sido apagada de sua memória, e partiu apressado.” (p.18)  Arthur Schunitzler, – Breve Romance de Sonho –  São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

Stanley Kubrick se baseou nesta novela para realizar o último filme de sua vida – De olhos bem fechados,  –  uma história sobre o medo. Certa noite, durante uma troca de confidências uma mulher provoca e seduz o marido ao lhe contar uma fantasia sexual.

Conversas perigosas de dois apaixonados! Um NADA termina o AMOR, e tudo se transforma em angústia, raiva, desprezo, dor, – e o amor se esvai/acaba/termina no vazio de não mais amar!  É o dizer levianamente o que nunca deveríamos ter dito. Desejos ocultos e perigosos. Terrível erro o de contar/ sussurrar, confessar/ desabafar. Porto Alegre, 28 de outubro de 2011. Torres, julho de 2017,  falar pode ser o grande pecado, o bom mesmo é sentir. Elizabeth  M.B. Mattos

A grande dama YOURCENAR

Se procuro por influência e vida, basta reorganizar, limpar, trocar de lugar, refazer e ler. Ler o tempo todo. Mesmo que aos saltos/ pulando de um livro para o outro, relendo, e voltando… É preciso voltar para casa, para dentro de casa, da vida. Surpreendentemente o que já leio,  e leio faz muito, muito tempo, fica lá adormecido e transmudado, transformado – um pouco eu / um pouco nós, um pouco eles, um pouco o olhar, um pouco a música, um pouco um objeto qualquer e/ ou o verde, e a pedra ônix junto com uma ametista, ou com pedras- da- lua, e com as pedras do roladas do rio… Um pouco do teu amor, meu querido. Os pés na areia, os pés na grama,  os pés descalços que  se movem na tábua encerada. O cheiro da cera, e sou feliz. Torres, julho de  2017- Elizabeth M.B. Mattos

“Se você procura por influências, é  provavelmente necessário procurar do lado dos filósofos. Acredito, por exemplo, que não se possa dar muito crédito à influência de Nietzsche, não do Nietzsche de Zaratustra, mas aquele de Gaia Ciência, Humano, demasiado Humano, o Nietzsche que tem uma certa maneira de considerar as coisas ao mesmo tempo de muito perto e de muito longe, lúcido, pungente e ao mesmo tempo quase reflexivo.

– Mas  um homem como Schopenhauer, por exemplo, foi importante para a senhora?

Sim, só que sua influência se confundiu rapidamente com o budismo, pois no fundo Schopenhauer foi a primeira tentativa de aclimatar o pensamento budista em país europeu. Mas eu não penso nunca sem ficar emocionada no Thomas Buddenbrook de Mann, depois de uma vida convencional e desencorajada, descobrindo ao mesmo tempo em Shopenhauer o sentido do desespero e, talvez, a paz mais elevada.” Marguerite Youcenar, – De olhos abertos, – Entrevistas com Matthieu Galey. Editora Nova Fronteira,1983