Faculdade NOTRE DAME de Paris em Ipanema, de noite. Sério empenho:de manhã daria aulas, 5 períodos, no Colégio da Providência, freiras Dominicanas em Laranjeiras. Aceitei. Uma quinta série, 2 sextas séries, duas sétimas séries e uma oitava, e 1 primeiro ano, segundo Grau. Estudei e me preparei em junho com Roberto. Preparei minhas fichas de análise sintática, classes gramaticais, leituras e filmes. Dois seminários. E foi especial. Sucesso. Fui aceita. Faltava um ano para me formar. E me increvi no Mestrado, aulas…(??????????) a ser concluído.
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empurrar porque não quero
E desejo tanto pegar o celular, discar o número, e dizer, mesmo não dizendo. De qualquer forma o dia ficou azedo, inquieto esquisito, não faço e nem faço este não fazer…Estou do lado errado. E tu não vais ligar. Não me importo. Juro que não me importo. Nenhuma vontade tens que dê certo. Eu estou com dor de cabeça, atrapalhada. E o dia estava/era um bom e gentil dia. Registro. Fica para amanhã, ou depois de amanhã. Ou abafo tudo e não escrevo. É assim, falta – me coragem. Beth Mattos – agosto de 2020 – Torres -Eu vou dormir, fora/sem ser hora de dormir para não te encontrar, nem explicar, afinal, não queres mesmo me ver. Amanhã eu vou telefonar.
inacabado
24/08/2020 13:49:26
Dois dias de sol. Pelo/com/no ou através do sol, vida a se contar e a se repetir. Luz e prismas, depois a inclinação da tua voz. O outro/ amigo, irmão, amado ou amante/ marido/noivo/filho escorrega/ ou surge/ ou aparece dentro da tua alma, num filme corrido… Desgarrada por um momento, definitivamente, não sei. Liberta a lembrança boa, também as doloridas e aquelas picotadas. Caminhamos as duas silenciosas. Depois de tanto silêncio não parece importante o som, ou qualquer coisa que se diga. Assim mesmo o fato de atravessar os corredores em aproxima nossas almas / e o nosso passado. O danado do impertinente passado em que dividíamos o mesmo quarto. Um pouco antes de Isabel casar, e sair definitivamente… O definitivamente não seria voluntário, mas as bandeirinhas coloridas daquele inverno, do salão de festas, dos quitutes: queijadinha, pinhão, amendoim, cocadas brancas, doce de abóbora açucarado ficou como uma pedra, espatifou-se do penhasco com a morte prematura. E as danças a se sacudirem nos babados dos nossos vestidos foram interrompidas com a notícia. E já faz tanto tempo deste dia! Alguém esbarrou no braço de Isabel, ela levantou os olhos, lagos azuis. Os redondos faróis que iluminavam o corpo, os gestos. E a voz não veio. Estávamos as duas na despedida ardida. Deixei as lágrimas escorrerem pelo meu vestido. As lembranças se misturaram. Estranha memória. Ninguém disse/falou ou emitiu um som. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres
Eu sempre estou a começar histórias sem alinhavo, escondidos fragmentos… E sem escrever / sem organizar / sem alinhavar deixo fugir a memória tão logo a manhã termine, e o sol desapareça. Ainda não estou pronta para recomeçar. Escorrego para dentro do passado enquanto o dedilhado do piano me embala e volto a dominar o piano. Por que deixei o tempo passar, por que corri tanto? Por que não estou onde deveria estar? O que exatamente aconteceu? Sou eu que decido ou a vida decide por mim a me empurrar como se fosse uma boneca desengonçada… Onde está o domínio, o poder de ser EU?


– Gosto das tuas histórias, precisas e organizas, catalogadas pelas viagens. Embora não deseje sair de mim mesma, ou trocar de lugar contigo, eu te compreendo. Não tenho pressa, e o tempo apressado se irrita com o meu sono e com os livros inacabados. Vozes interrompidas, aniversários não festejados. Ironicamente trancada em lembranças. Tuas/nossas memórias, ou seja num nada lacrimejante/ brilhante, um bordado inacabado.
primário e comportamental
Gilbert Seldes: ” […] que o homem é uma criatura circunstancial, que se você mudasse os ambientes de trinta pequenos hotentotes e de trinta crianças ingleses, os aristocratas virariam hotentotes, para todos os efeitos práticos, e os hotentotes pequenos conservadores.”
As pessoas são extraordinariamente diferentes em lugares diferentes, e possivelmente apenas por causa dos lugares. É impossível uma completa ruptura com o passado. A falha nem sempre um erro; pode ser simplesmente, a melhor coisa que alguém possa fazer em certas circunstâncias. O verdadeiro erro é parar de tentar, eu estou tentando. E o passado , o que já aconteceu, os sentimentos sentidos são alicerce. Agradeço. Se volto…, será sempre OBRIGADA!
Diz Skinner “Os processos de comportamento no mundo em geral são os mesmos de uma comunidade utópica, e as práticas tem os mesmos efeitos, pelas mesmas razões.” in O Mito da Liberdade
Sentimento e estado de espírito ainda domina debates sobre o comportamento humano. O que uma pessoa ‘pretende fazer’ depende do que ela fez no passado e do que aconteceu. É preciso espiar pela fresta. Evidentemente, o que aconteceu no passado faz sombra (sem medir o bom ou o ruim da sombra) e alimenta o futuro. Somos passado, presente, e o futuro tudo num único instante de consciência… O generoso está no teu olhar, o meu olhar no nosso olhar = agora, o teu no meu, sem cobrança nem expectativa. Ontem desmaia, esmaece no amanhã e projeta… Coisas de amor. Beth Mattos – agosto de 2020. Admiro as pessoas na medida em que não posso explicar o que fazem, e neste caso a palavra ‘admirar’ significa ‘maravilhar-se com’. Um jogo. A luta pela dignidade se aproxima da luta pela liberdade. Por isso estamos juntos. E eu lembro…
LOLITA
” Os grandes romances abalam; e então, depois que o choque se enfraquece, sentimos os abalos secundários“.(p.369) Matin Amis – Pósfacio / agosto de 2020 – Torres
Terminei de ler Lolita de Vladimir Nabokov
A primeira vez que ouvi/escutei o nome LOLILA, foi na Prainha – em Torres – deveria estar a cabritar pelas pedras, (12 anos, ou 11) – eles eram mais velhos o C.A.M. e R.R dos S.. Estavam recrutando as possíveis Lolitas. Passados sessenta anos anos de atraso, ou setenta, compreendo o que eles queriam dizer e o motivo pelo qual riam. o certo seria pegar o telefone e perguntar: você leu mesmo Lolita do Nabokov?
deste agosto desgosto
O frio dá uma fome danada, acordo cedo e sinto frio. Café, chocolate, pão com manteiga. Penso num pedaço de bolo recheado! Huhmm! Vou comer bastante e volto para as cobertas. Espio o amanhecer. Que dia bem danado de lindo foi fazer hoje, no meio deste agosto gelado! Em Cambará do Sul nevou. Vou sair. Céus! Que frio! Apresso o passo, meia volta, volto a te pensar. Arrepio por dentro, e me deslumbro com esta manhã transparente, tão clara! É o sol. Não é tão cedo assim… Dormi demais. Fome outra vez. Vou acertar o dia assistir um filme! Canadá, ao menos francês. Está quentinho aqui dentro. Detestei o filme. Voltou a fome. Que bom escutar três vezes Champagne com Peppino de Capri: lembras?! O italiano, e o tempo. Vou a pensar, não consegui me fazer eu, não nos encontrar na vida/no tempo de gente grande, ou nos misturamos tanto um no outro, eu medrosa. Lembro teu carro vermelho, tua alegria. Sinto saudades tuas: estás a rir. Saudade dos meninos que fomos! Tínhamos treze, ou quatorze anos, ou nem sei quando foi o primeiro verão! Ou doze anos! Meninos. Tempo das quermesses! E tu adoravas as máquinas! Eu a me fazer de gente grande! Fiz tudo errado…, ou certo. Ou o que importa agora! Bavardage! Estou enfiada na tua história e tu és o meu enredo. Beth Mattos – agosto de 2020 – Torres
Sísifo
Pesquisa, qualquer leitura, empenho…, e lá estou eu, outra vez, a carregar a mesma pedra. O mesmo esforço, com igual angustia. Um dia eu me verei livre de todo e qualquer empenho. Beth Mattos
2020 – curiosas temperaturas
Cinzento dia, parece chuva a se aproximar…, ou não, apenas invernoso quente amanhecer. Paradoxo, inverno, normalmente, faz frio, e este parece morno. Meteorologia esquisita, variada: estações expressionistas. Suzana, com razão, menciona curiosa oscilação entre quente e frio, mas como gosto de contrariar, refuto. Festejo dias gelados de inverno definido, logo constato que ela tem razão. A curiosa temperatura de 2020 se reflete no armário. Vestidos de algodão decotados, sem mangas ao lado de casacos. Cobertores empilhados. Camisetas coloridas em pilhas festivas ao lado das blusas de lã. O mesmo com as pantalonas de tricoline, os jeans e as calças de lã. Ou seja. Nunca sabemos o que devemos vestir. A casa ora fechada, ora aquecida. Ora janelas escancaradas… Deixo a brisa da noite invadir. Depois de revolucionar a sala mudando os móveis de lugar, ajustando espaço e dançando com os livros espalhados, eu sento para escrever. Onde coloquei o hábito, o horário, e o empenho. Tenho que encontrar… Ou ver filmes na Netflix? Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torres

pés gelados
Alguns, muitos, ou apenas certos dias esquisitos me atropelam: a terra treme. Os pés doem, e me surpreendem. A cabeça ferve… Escorre dor pelo corpo. Na febre adormeço. O peso do/no dia explode e se espicaça… Na febre adormeço. Elizabeth M.B. Mattos – agosto de 2020 – Torre – dizem – amanhã, ou depois de amanhã, fará muito, muito, muito frio, talvez neve. Verei a neve, o mar congelado, e o céu chumbo, ou negro, ou branco. A terra me amedronta com a ventania e o espanto de revolta se escreve apressado. Sou eu.

Citação
“Para mí la poesia y el pensamiento son un sistema de vasos comunicantes. La fuente de ambos es mi vida: escribo sobre lo que he vivido y vivo. Vivir es también pensar y, aveces, atravesar esa frontera en la que sentir y pensar se funden: la poesía. Octavio Paz La llama doble Amor y Erotismo