resiliência

saudade tua e minha  /  estranho…, ainda presa: resiliência

rosas

esqueci… esqueci onde eu me agarrava para ser forte / esqueci o eixo e o beijo / larguei coerência / perdi o tempo – será isso resiliência? era brinquedo / um jogo…

eu te perdi

(E.M.B. Mattos – Será que foi por nunca ter tido?)

 

vulnerável

hoje mais do que ontem, talvez porque escuto música e a noite fechada, ou a possibilidade de ser mulher, um olhar, não sei, sinto medo e me atrapalho… o amor tem suas frestas e pedras a serem polidas. Caminhos perdidos a serem reencontrados. O amor tem um corpo que reclama. Todas as minhas inquietações e tristezas estão amarradas em ti, nas tuas palavras, por favor, vem me libertar… atende ao telefone, fala comigo, explica. Ou não diz nada. Deixa eu te olhar apenas uma vez e ir embora. Te apieda deste amor desgovernado estéril e intenso…

Passei tantos anos tentando agradar/ fazer a coisa certa / dizer a coisa certa / harmonizar -, hoje isso me pesa. Hoje não quero mais fazer o certo, o correto, mas apenas ser eu mesma sem medo. Droga de medo! Medo de mim, das pessoas, dos passos, de tanto sol! Não quero me preocupar se estou certa ou errada, quero seguir meu coração e chegar onde estás. Não importa a certeza de que meu fazer, o meu sentir, o meu desejo tenha peso ou valor, ou colorido. Quero as coisas do jeito que sou / do jeito que eu sinto. Não me importa mais acompanhar / confraternizar ou sorrir ou dizer ou querer ser aceita por inteiro, ou metade. Nunca é o todo, sempre parte. Não importa o que pensem a teu respeito a meu respeito, se estou certa se estás errado. Importa que estou/ sou como sou, aceita ou não.  Não quero entrar na caixa e ser etiquetada. Se soubesses o tanto que significou dizeres/ falares… tu sublinhaste tanta coisa esquecida!  Quero ser uma pessoa comum, perdida para os outros, encontrada bem nos meus limites de mulher!  Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2019 TORRES – faz um ano ou quase dois, eu não sei. Faz toda a vida  e eu acordei.

tu

o lugar certo / o lugar neutro / o possível.

o inteiro de dois pedaços: o outro

Depois de tanto tempo neste tempo arrastado lembrei de ti forte forte, forte (quase vivo), de ti e de nós dois que nem somos/ não fomos…

eu  a olhar teu desencontro, tua explosão no espelho que sou eu…

vaidade esta tua vida tão do teu jeito! …e eu a te desejar menina, vou me despindo para o abraço, e fecho os olhos, somos ontem, antes de ontem, somos sempre… Elizabeth M.B. Mattos – abrir de 2019 – Torres

se as histórias se explicassem

As mesmas e inacreditáveis fábulas da vida balançam… Nenhum sinal, nem alarme, nem grito, nada. Vou passar o café, esquentar o pão, descascar a laranja e beber, mais tarde, o leite gelado. Boa menina. Escuto música e dedilho ordenando as letras, pas en français, sempre português, nem japonês. A memória assusta com as pancadas naquela porta . Não abro. Transbordada e comovida de saudade eu te penso, materializas.  Eu te abraço. Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2019 – Torres

chuva

…a chuva veio cheia de personalidade e poder, mas se enfiou pela grama, desceu para a lagoa. Acordou os peixes, saltaram! E veio o sol… não tenho mais como te contar daquele estrondoso braço/abraço de trovoadas. Beth Mattos – abril de 2019 – Torres

inclino o beijo

Eu me inclino, eu me debruço, e sinto as dobras do corpo… eu me debruço, e me espreguiço. Menino enfeitiçado e tristonho: o que te agarra / o que te segura tão longe de mim?  Não te arrependas. Naquela  ilha, naquele lugar desenhado, vamos nos encontrar. Vou passar a mão nos teus olhos, vais segurar meus pulsos. Ficaremos em silêncio:  tudo nos dissemos… Não tenho voz. Sinto teu cheiro de sol.  Eu te reconheço. Pelo teu silêncio,  Pela camisa puída. Eu me debruço, e tocas meus ombros de leve… Eu te contei que os cães me reconheceram? Elizabeth M.B. Mattos – abril de 2019 – Torres

apenas tu

Saudosa, velha, apegada, vontade apertada, pés gelados: sou eu. Encolhida nas cobertas. Ouvidos cheios de vento…e te imagino inquieto, menino e rotineiro: a mesma coisa sem ser, – viajante,  vigilante… Os filhos nos viram/reviram pelo avesso: e te ocupas.  Metódico e lírico ao mesmo tempo /poeta. Remexes no passado e te inquietas.  E te deslumbra o presente/ o agora todo solto, leve, apenas tu… Beth Mattos – abril de 2019 Torres

Chapéuzinho vermelho

Outra vez, é a última vez que te escrevo meu amado querido, a última vez que te digo, fala comigo, volta.

Teu silencio pesa, volta para me dizeres que vais definitivamente embora, não acredito. Precisas ir. Explica tudo outra vez, devagar.

Enquanto dizes e repetes eu te cuido

ou te devoro: sou o lobo mau, sou a chapeuzinho vermelho perdida na tua floresta, eu te devoro. Elizabeth M.B.Mattos – abril – Torres

aquele que mais amei

Você me perguntou, num rasco de sinceridade, qual o homem que mais amei, desejei. Quem o escolhido, o querido? Eu respondo. Aquele que não tive. Idealizei. Escritor, pintor, escultor, ator, jornalista, músico: os fantasmas. Em que momento amei? Quando não quis ser sogra, amiga ou confidente. Confessei. Sedução perigosa: tudo querer e nada possuir, puro desejo. Inquietude ou distração. Da arte, um templo. Não respirei, enfiei as mãos na terra: eu ainda penso em você. Distraído, medroso, ousou, e viveu… Saudade! O beijo, a certeza de que era/foi/ será sempre, amor. Não repartir ou respirar. Queria e tanto! Sem ousar. Eu confessei o desejo de amar… Elizabeth M. B. Mattos – abril de 2019 – Torres