o menos

O menos, o que nunca existiu, foi quem mais me feriu, e, tão completamente que tudo o que veio depois, foi só depois…

Se existem outras vidas, se é mesmo possível ou verdade que seguimos…,  De qual vida viemos? Responde, desastradamente, ao que somos… E.M.B.Mattos – fevereiro de 2019

saboneteira na janela

1968

Escorregar e recomeçar, cair e levantar, desesperar e voltar. Perder por dia inteiro, ou foram dois… Alternância imposta. Perdi a saboneteira vermelha, e a esponja. O tempo. Sapatos, escova, blusa laranja, fita azul, a razão. Desordem. Deveria ter gritado, talvez caminhado ou chorado, ou esquecido. Outro sabonete, outra esponja. Não consigo largar, deixar. Procurei dia inteiro. Depois, arrumar gaveta, ligar o rádio, aspirar, tirar o pó, esfregar os vidros. Poeira por todos os lados. E o lugar fora do lugar. Senti aquela vontade danada de desfazer-me disto e daquilo, inutilidade. Lembrança boba. Passado de beijo e de abraço, lembrança esquisita.  Quando cheguei. Quando voltei. Surreal este perder… Até o contato. Insistência. O filme que eu queria ver. Deixo para trás o sol e o vento. Que importa? Desespero pela saboneteira. Procurei, entre um andar e outro, ducha e a banheira. Repassei passos e pensamentos. Ufa! Encontrei a saboneteira… No parapeito da janela. Elizabeth M. B. Mattos – março de 2019 – Do meu jeito! Feliz!

Um presente! como gostei! como gostei! Como sempre presente!

riscado marcado e agora triste

Triste o tempo de entender que passou, e nem passou…, afinal estás aí perto tão absolutamente tu, e tão jovem! Não passou. Não passou para mim, nem para nós… Se fecho os olhos dançamos no Juvenil, dançamos na tua casa entre irmãos, dançamos, na minha casa porque é Natal, dançamos na viagem porque trocamos de par tu e eu e ficamos nós. Sentamos no muro e conversamos, namoras a menina que mora em frente, eu me encanto contigo enquanto tímido, te escondes. Nos teus setenta e tantos, nem tantos e nos meus contados setenta e poucos, muitos, nós nos olhos um do outro, sonhamos aqueles sonhos passando em preto e branco, passados. Eu com 16 anos ou 17 anos ou ainda 15 anos pela praia caminhando, pelo mar, pelos sonhos todos de menina a escolher um par. Depois voltamos, tu me levas pela mão, irei onde quiseres, ou me deixarei ficar com minha mão na tua. Responsável atento, guardião. Esta candura e cuidado de irmã amigo, ou de amigo irmão. Não me dás um beijo. Eu te espio, eu tento desajeitada, impossível. Meu cavalheiro guardião, espada e proteção. Eu te espero e a história se estica…, vou contar.

Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2019 –Torres

Mudei de jeito, de vida. Filhos me deram a doçura de beijos abraços, risadas e brincadeiras. Areia e mar, caminhadas e brejeirices, música para dançar. Tuas artes para lá, as minhas para cá. Entre o tímido desenho juvenil, tu homem, e pai, eu mulher e mãe, nós seguimos separados. Outra calçada. As visitas terminaram. Nas festas as nossas crianças fazem roda. Trocam presentes. E nos dois olhávamos, paralelos. A cada um sua vida-caixa.

Balanço 1952 – 1919

Estas leituras e estas citações costuram colcha amiga/antiga: livros se acomodam em baixo do meu colchão já escovados, limpos e adormecem. Se esquecem de mim, e eu deles. Tanto para anotar / dizer desta vidinha enterrada. Areia remexida da lagoa sem aguapés. Cansada de não ter certeza. Exausta com o ruído: sem vontade de ir adiante. As pernas doem, desejo de massagem no corpo todo. Sono quieto, não desejado, mas calmante, apaziguado. Cheiro de cera, de limpeza, de beleza a sair pelos vidros. Da lagoa. Feliz! De repente, sem avisar bates na porta do meu quarto, e num olhar de abraço, me dizes: vou te ajudar, te aquieta. E a febre cede devagar, os pés aquecem, o corpo se remexe feliz. Abraço o travesseiro, enfio o nariz no perfume do lençol. E durmo. Nunca mais me deixarás: tua cadeira instalada junto a minha cama, tocas violão. Fechas as janelas. A penumbra, ar pelas frestas. Se eu voltar a cabeça, vejo o sol. Sem fazer força sinto que posso viver mais dois ou três anos, e terei amoras azulando os livros: editados por/com teu cuidado. Apenas para me fazer feliz, tu me fazes o presente. E os filhos  chegam com flores, silêncio e alegria, como eu gosto! Elizabeth M. B. Mattos – fevereiro de 2019 – Torres Amanhã vou fazer almoço e a comida. Sempre a mesma, vai animar a festa! Pedro trouxe duas garrafas de vinho. Luiza costurou uma camisola solta que desce até os pés. Joana perfumou meus cabelos, e a Ana Maria segura minhas mãos. Os netos espiam encabulados.

 

Balanço de Uma Campanha

Outubro, 16 – Continuo arrumando papéis o dossiê da campanha política malogrado, na parte de discurso – para devolver tudo ao nosso ex-candidato. Vejo que na correria, perpetrei, sem pronunciá – los, os seguintes discursos, levemente retocados pelo orador. […]

Outubro, 18 – A vitória de Getúlio Vargas na eleição presidencial incentiva o folclore político que o envolve. As piadas realçam -lhe a simpatia, a esperteza, o carisma. E voltam-se contra os candidatos que o enfrentaram e que foram derrotados por eles. […]. Venceu, é o maior. Mas há também a parte calculada dos que desejam explorar o triunfo por todos os meios, visando tripudiar sobre os vencidos. O folclore getuliano dá às vezes a impressão de ser laboriosamente fabricado e distribuído. ” (p.95)

 

Janeiro, de 22- Tarde de chuva fina, no centro. Junto à livraria, observo minuciosamente as ruínas do tempo, que me sorriem. Para não sofrer com o espetáculo, preferia fechar os olhos. Eles, porém, inspecionam por conta própria, máquina fotográfica a funcionar independente de mim. Chove no passado, chove na memória. O tempo é o mais cruel dos escultores, e trabalha no barro.” (p.97)

 

Janeiro, 11 – Nosso bardo deixou hoje a casa de saúde, depois de intervenção cirúrgica com anestesia geral. Revelou espantosa capacidade respiratória, ao contrário do que se receava. E foi para a casa da Estrela Vésper, que o recebeu com carinho.

 

Março, 28 – Saiu Viola de Bolso, que me rendeu oportunos 2 mil cruzeiros em direitos autorais.

Leituras. Pinço em Vitor Hugo um verso que parece me definir;

 “Une immobilité faite d’ inquiétude. ” 

E outro, idem, em Mário de Sá – Carneiro:

Fartam-me até as coisas que não tive. ” 

Aprendemos muito com aqueles que jamais souberam de nossa existência.

Maio 16 – Portinari vem conosco de automóvel para casa. Como sempre, ele faz toda a despesa da conversação, sobre pintura. Não leva a sério a Semana de Arte Moderna, e diz:

– Em 1922, Picasso já estava enjoado de modernismo e mergulhava na fase grega. Aí apareceram nos nossos modernistas. Que é que a gente diria se um camarada falasse numa semana de arte moderna realizada em Assunção? No brasil, o cara aplica uma injeção em Uberaba e vira logo Pasteur…

 

Dezembro, de 31 – Escusa fazer balanço do ano. O tempo é contínuo, e a divisão em meses, convencional. Por que ter esperança no ano próximo e desacreditar o que passou? Eu é que passei, não ele. Fiz 50 anos. Perdi um irmão discreto e simples. Tive ímpetos e descaídas. Não me sinto habilitado a julgar a vida nem a mim mesmo. E seria preciso? Num conjunto colossal como o universo, que importância teria destacar um ano, uma vida, uma pessoa? ” (p.99-100) Carlos Drummond de Andrade O observador  no escritório

“1954

Maio, 20 – Pouco pensei em ti, hoje, do muito que gostaria de pensar. Tua lembrança caminhou algum tempo comigo, nas ruas, mas era antes o desejo dela, de uma convivência mais intima, repetida e tranquila com a tua essência, e que mantenho tão abafada sob interesses imediatos. Perdoa – me não de te amar como queria, tanto mais quanto sou eu mesmo que me reduzo e me empobreço com tua falta. […]” (p.105)

C.D. de Andrade O observador no Escritório

 

 

regras/normas

Agarra-se o mínimo, e assim mesmo é muito. Sinto uma enorme saudades de sentimentos que não me permiti sentir, beijos que não se jogaram, nem o encontro leve solto programado de prazer puro e simples, sem ideia ou palavra. Éramos nós, acostumados os dois, a estar tão completamente verdadeiros inteiros livres e prontos sem hora… De repente, o jogo e as regras / normas e proibições. E nos perdemos. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2019 – Torres

sigo viva

“Vou me curando, acho que vou, não sei,

trabalho, passo de uma a outra hora,

até capaz do que não passei.

Vem tua imagem, leva tudo embora…

[…]

Não estou onde estava, perco o assunto,

ah, será sempre assim, eu me pergunto,

não voltarei a mim sem te dizer?” Paulo Hecker Filho in Neste Amor

Sem fôlego. Corpo com dor, com peso, cansaço físico mesmo. Vou fazendo, limpando,  respondendo ao pó, ao conserto que parece…, nem sei. Demolição, inferno. De certo vem o bom, o paraíso, o bonito. O que vai ficar e durar, e durar… Não é queixa. Pedaço, ou  perda, ou depois que se transforma em ganho, conserto. Elizabeth M.B.Mattos – fevereiro de 2019 – Torres. Duas palavras: sigo viva.

futuro

[…] ouvíamos  a Sagração da primavera, de Stravinski, e o Barba Azul, de Bartók, sempre de novo. Eis que agora não éramos mais pobres e podíamos comprar fígado de vitela e discos. Em Paris, Anna e eu dançamos separados e juntos, bem apertados. Em Paris, éramos felizes e não imaginávamos por quanto tempo ainda. Em Paris De Gaulle chegou ao poder […]. Em Paris não houve ajuda possível a Paul Celan. Em Paris, em pouco não havia mais por que ficar. E então, no outono de cinquenta e nove, o romance O tambor foi publicado em primeira edição, Anna e eu viajamos de Paris para a Feira de Frankfurt, onde dançamos até de manhã cedo.” p.372 Günter Grass Nas peles da cebola – Memórias

As pessoas que são loucas o suficiente para achar que podem mudar o mundo são aquelas que mudam. Comercial “pense diferente” da Appple, 1997

Eu triste. Tão completamente triste! Sei que vai chegar ao fim, ao fundo do poço, e/mas vou voltar escalando, subindo aquelas escadas agarradas na estrutura, e ainda estarei viva! Há qualquer coisa de maior no meio do caos. Entre as bacias e os baldes. Não sei se voltarei ao conforto da limpeza e do impecável. Fora com as caixas! Esquecer as caixas que se amontoaram/amontoam a minha volta…, e ainda não consegui abrir todas elas, nem ordená-las, fantasmagoricamente, elas me perseguem. Em Paris eu acordei. Em Limoges fui feliz, em Torres voltei para dentro de mim mesma, mas ainda caminho distraída pela rua Vitor Hugo e cultivo jacarandás  e margaridas, e pedras coloridas e tampinhas de garrafas… e, de repente estou na Viúva Lacerda no Humaitá, sem cheiro de maresia, cheiro de amor. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2019 – com chuva e calor abrasador.

 

despedida

…, estou me despedindo. Devagar: já na página trezentos e cinquenta e seis. Já disse/e te contei desta ansiedade, morosidade, últimas páginas, de um livro que gosto… Atordoamento. Tudo pode esperar: lençóis revirados, caixas empilhadas, louça por lavar, até a fome de arroz e feijão.  Loucura das velhas fotografias encontradas, e nelas o passado. Eu me apaixonei por Günter Grass As peles da cebola. Quem quer saber dos poemas, do escultor e suas novelas? Amor, guerra e prêmios. Transcrevo. A pensar que quem ama, escreve, recorta, sente, e deseja o desejo, vai gostar da camisa puída, dos móveis usados e de pensar em Hans Christian Andersen. Estou tomada de sono dentro da poeira. Demolição, raspagens. Frenética busca por um cano rompido entre o banheiro e a cozinha. Prazer alegria expectativa se esconde na água corrente de um chuveiro, na torneira aberta do tanque e na delícia nominada imaginação. Ou ficar quieta e olhar. Ler.

Era uma vez um armário, dentro do qual a recordação estava pendurada em cabides… E ele ainda continua aberto para mim e declama estrofe após estrofe, o que está armazenado embaixo, o que em cima, o que é quase novo, o que já está puído e apenas sussurra consigo mesmo. Nosso armário era estreito e foi negociado com um vendedor de objetos usados, e agora a saia de lã de cabra angorá estava pendurada dentro dele. Aberto, ele contava a história de ‘bolas brancas, que dormem em bolsos’ e sonham com traças, também de sécias e outras flores perigosas por suas cores de fogo’, do ‘ outono que vira vestido…’

E assim se tornou real o conto de fadas acerca do qual não se sabe ao certo quem o escreveu:

Era uma vez um escultor, ao qual de quando em quando e havendo oportunidade ocorriam poemas, entre os quais o poema ‘Armário aberto’. Quando recebeu um prêmio modesto por outro poema, ele logo comprou para sua amada e para si mesmo, uma saia e um sobretudo. E eis que a partir de então ele acreditava ser um poeta. E assim o conto de fadas seguiu adiante: o poeta, que à parte ainda era escultor e modelava galinhas, peixes, bem como outros animais, obedeceu, levando os poemas no bolso […. os lilases floresciam no jardim semisselvagem da mansão. Ao anoitecer, o vento soprava mosquitos do lago próximo para a frente da janela aberta. ” (p.356) Günter Grass  Nas peles da cebola

Era uma vez Elizabeth menina que se esquiva e se esconde na memória de um menino que sem ousar dizer sem tocar. Marcou meu corpo, definiu minha voz, majestade. Emprestou coragem e resiliência. Recordação/lembrança pendurada em cabide, se esconde e ferve borbulhas. Sigo sem rumo, a ler devagar, voltar, ficar e apaixonada…

Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 2019 – Torres

mala e papéis e recortes

linearidade desastrosa

Na minha apressada, e diria até desastrosa, ida a Porto Alegre, acabei na Livraria Saraiva procurando lápis, caderno e, claro, livros, lançamentos. Ansiedade ou importância, vou ao cinema, e surpresa boa, A esposa com Glenn Close. Concorre, melhor atriz, ao Oscar de 2019, e me surpreendo. Quantas e tantas vezes alguém guarda a história / a carta / a voz de outro alguém para redefinir a sua. Não importa apenas ser, mas fazer, a voracidade da escrita, a compulsão, senão temos história nos apropriamos de quem as tem. Desde cedo persigo narrativas. Hoje menciono Iberê Camargo, Paulo Hecker Filho, Antônio Carlos Resende. Desenrolo minha trôpega vida acadêmica. Tantas muitas inacreditáveis cartas escritas cheias de erros e desmantelados equívocos, sonhos, eu te explico. Missivas compulsivas, insistentes, confessionais. Sinto o cuidado dos amigos. Já doente Iberê entrega um maço de cartas ao seu estagiário Eduardo H. para que me fossem, estas, devolvidas. Foram pinçadas, escondidas, censuradas pelo artista para preservar bravatas gaúchas e exposição. Talvez Eduardo se sirva delas para remendos. Quem vai saber? Ao longo de quarenta anos a correspondência robusteceu. Foram arquivadas pela Maria C. Camargo, mulher e guardiã da obra. O estranho foi a negociação proposta. O rapaz me entregava o que seriam as tais cartas proibidas, e queria/pedia as de Iberê. O que teria eu escrito que exigia censura? Ou o que tem as dele que seriam surrupiadas? Subjetivo. Uma teia?  Eram manuscritas garruchadas escritas sempre, às pressas, as minhas. As do artista, detalhadas, líricas, urgentes, desenhadas, algumas apaixonadas. Guardei. Os catálogos, e os livros e variado material que pode ser livro. Recortes fotografados, sublinhados, defesa do caso do tiro, que resultou na morte de um homem: uma caixa e duas pastas. Objeto de estudo para o Doutorado em Limoges de Literaturas Comparadas. O livro biográfico soprado por ele, nunca escrevi. E algumas de suas cartas foram extraviadas, abertas, antes de me serem entregues. Também era / teria sido objeto de estudo Ernesto Sábato que se arvorou pintor. Marguerite Duras tão plástica! Artistas geniais e lúcidos, literários plásticos. Nada concluído. Vida acadêmica truncada. E das cartas proibidas? Não me foram devolvidas. Não sei o fim. O proibido? A  imaginação? A dele? O beijo roubado? A minha? O que devo eu ter escrito a pensar/imaginar se não fôssemos amigos/confidentes, mas amantes. Blindados os dois. Não fomos amantes. O zelo de Iberê Camargo, preservar sua amiga/mulher e companheira Maria. Fidelidade obsessiva. Malfadado beijo roubado na escada do pequeno prédio da Viúva Lacerda no Rio de Janeiro, idas ao ateliê da Rua das Palmeiras, amizade de Iberê e Maria com os Vianna Moog. Apressadas visitas ao casal, amigos comuns, nenhuma carta macularia o sagrado. Escrevo histórias picotadas coloridas fatiadas fantasiadas. E missivas como pontes coloridas fatiadas e fantasiadas. Como Iberê foi fiel a sua Maria, e ao seu trabalho (preservou, acervo que pode ser apreciado/visitado e revisado na Fundação Iberê Camargo), eu sou fiel a minhas pequenas ambições, e apaixonada por pão e manteiga, cartas secretas. Como escreve C.S. Lewis: ”É preciso muita perseverança para forçar a si mesmo, em sua própria crítica, a prestar atenção sempre ao produto diante de si em vez de escrever ficção sobre o estado de espírito ou sobre os métodos de trabalho do autor, aos quais, obviamente, não há acesso direto. ’ Sincero’, por exemplo, é uma palavra que devemos evitar. A verdadeira questão é o que faz uma coisa soar sincera ou não. Qualquer um que tenha censurado cartas no exército deve saber que pessoas semiletradas, embora não sejam na realidade menos sinceras do que outras, raramente soam sinceras quando usam a palavra escrita. Na verdade, todos sabemos, por experiência própria, ao escrever cartas de condolências, que as ocasiões em que sentimos mais pesar não são necessariamente aquelas em que nossas cartas sugiram isso.  […]  Eu ficaria feliz em ser mais austero do que o necessário. Devo admitir que palavras que parecem, em sentido literal, implicar uma história da composição podem, às vezes, ser usadas como meros   elípticos para o caráter do trabalho realizado. ” (p.229-230) Clive Staples Lewis Sobre histórias – Tradução de  Francisco Nunes.

História pessoal, tens razão, nunca sou linear ao mencionar minha vida. Não sei dizer o porquê. Uma fuga. Não aceitação. O medo. Insegurança. Reserva, timidez.  Pânico real ou respingos, mais muito do indefinido M E D O. Tudo pesa ou não é. Seria mesmo importante? Amor transbordante. Apaixonada, dispersiva. Encabulada. Não sei. Eu me perco em detalhes, e não vajo o todo. Sei lá! Pensei que tinhas caminhado pelo  Amoras Azuis e já sabias tudo. Pretensão!  Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro de 201

espiando euIberê e Pedro FOTOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOSem Título-470 anos bethquadro geraldo pintado pelo pedrosem os cães uma cabeça virada