Paulo tem razão, a cada linha um jeito novo de se esconder, se perder mais um pouco, ou se reconhecer. Fernando segue escrevendo a própria vida numa reprise de desconexões porque se descobre numa cidade desconhecida, a sua velha meninice pulsa. Magda viaja entre amigos inquieta, fortalecida. Ana Cristina mergulhou nas imagens da lente, e se inquieta entre Portugal e o Rio de Janeiro: o tempo, um minuto. Sérgio agarra lasca redesenha a vontade sensual permanente da juventude. André se aquieta e mistifica o poder, depois se entrega, como um menino, para a beleza melancólica da paz. Simone cuida da vida com gentileza atenta. Celso pensa e eu penso Celso, temos um abismo a nos separar. Gustavo persegue as sombras enquanto eu choro. E o meu amado aproveita os dias para me esquecer e fazer assados neste inverno. Eduardo espia o mundo com sua lente de pesquisador e devolve tudo em letras e acertos. Francisco consome amor e música com olhos verdes de desejo alegre. Paulo Sérgio se prolonga na magia de ser jovem amado bonito e genial. Aos internautas o mundo dos boabás e descobertas: ouro com hora marcada.

” – se tu vens, por exemplo, às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração…É preciso ritos.”
Assim caminha o amor, descabelado a se pensar a caminho, ou todo ajustado, arrumado, penteado para o amor certo, na hora certa! Perdendo os pedaços no meio do caminho, distraído! Saudoso, abençoado e dadivoso: esparramado…
” – Que é um rito? – perguntou o principezinho. – É uma coisa muito esquecida também. – disse a raposa. – É o que faz que um dia seja diferente de outros dias; uma hora, das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo, possuem um rito. A quinta – feira então é um dia maravilhoso! Vou passear até a vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todo iguais, e eu não teria férias.” (p.99) Antoine de Saint-Exupéry O Pequeno Príncipe
Este sol devolve colorido brilho cintilante. Hoje de manhã, tropeço numa nuvem escura saindo do elevador, com um tapetinho enrolado em baixo do braço, cabelo escorrido, expressão escorrida. Tudo cinzento e seco. Deve carregar o peso por dentro num esforço espicaçado sem som… Sacudi o meu sorriso e escutei os piados e gritinhos alegres da passarinhada nos hibiscos. A Ônix nem se desviou, correu sacudindo o rabo para a liberdade da calçada, eu segurei a porta e a nuvem passou. Entrei na manhã ensolarada, quase noves horas… Elizabeth M. B. Mattos – junho de 2019 – Torres
P.S. Vida: todos os minutos se misturam no eterno.
“Sendo assim, pensou, será que minha vida é apenas um processo de reprodução, de materialização, de uma imagem latente que guardo em mim? Até que ponto eu sou responsável por estar completamente perdida?” (p.99) Haruki Murakami 1Q84 (Livro 2)
Não sei nada de viver nem de nada. Vou devagar, distraída, sacudida, meio perdida!

Escreve Danúbio no seu livro SER OU NÃO SER ARTE (p.61) : “Vicent nasceu morto. Irmão homônimo do pintor Van Gogh, esperança para a família, herança nominal de um esperado vencedor. O cognome maldito pesaria como traumática cobrança. Recusado como homem e artista. Fracassado.” E transcreve de Vincent escrita no hospício de Arles para a irmã Wilhelmine. ‘Se eu tivesse elevado minha voz desde o começo, em vez de me calar em todas as línguas do mundo!’ Segue: Arrependimento do pintor. Van Gogh vendedor de objetos de arte, Van Gogh pregador religioso, Van Gogh socorrendo a mineiros explorados no Borinage, Van Gogh aprendiz desenhista, Van Gogh apaixonado frustrado, Van Gogh sustentado pelo irmão, Van Gogh mutilado, Van Gogh internado no hospício de Arles, Van Gogh apedrejado e batido pelos intrusos antropófagos, Van Gogh suicidado pela sociedade. A carta: ‘É muito provável que eu ainda venha a sofrer muito. E, para lhe dizer a verdade, isso não me agrada, pois em hipótese alguma eu desejaria uma carreira de mártir. Porque sempre procurei algo diferente do heroísmo, que não tenho, que evidentemente admiro em outros, mas lhe repito, não acredito que seja meu dever ou meu ideal.’“.