cartas, o rabisco e a ponte

Tereza cortou cinco girassóis para mim. […] Havia uma carta sobre a mesa. Por trás das dores nas costas da mãe, estava escrito: Na segunda-feira de manhã deixou a roupa limpas para a avó. Ela as vestiu antes de ir ao campo. Pus as sujas de molho. Havia bagas de roseira-brava num dos bolsos. Mas, do outro, asas de andorinha. Meu Deus, talvez ela tenha comido a andorinha.  É uma vergonha chegar a esse ponto. Talvez você possa falar co ela. Talvez ela conheça você desde que parou de cantar. Ela sempre gostou de você, só não sabia quem você era. Talvez ela saiba novamente. Ela nunca gostou de mim. Venha para casa, acho que ela não vai aguentar muito mais” (p.162)  Herta Müller Fera d’ alma

Cartas são rastros de história maior. Quando leio “Tereza cortou cinco girassóis para mim.” Penso nas flores. Tintas. Terebentina, Iberê Camargo, Carmélio Cruz,  Glauco Rodrigues, Caribé. Por que estes e não outros? A vida, o rastro deles no meu rastro.  Contorno o contorno. Vincent Van Gogh, famosos girassóis vibrantes. Quero usar pincéis e tintas e girar também meus dedos fazendo ficar as histórias todas de lembrança uma memória. Caminho pelo teu apartamento, eu me detenho no autorretrato corajoso das tuas tintas. Não digo, mas te sinto inquieto e ativo. E a posição dos quadros.  Os tapetes, as cadeiras preciosas. O gosto/prazer da beleza está impregnado no teu olhar. Estranharás que passados tantos dias eu respiro, ainda, tuas palavras, e qualquer narrativa faz ponte.  Como posso te explicar? A vida,  tua e a minha, se cruzam de forma suave, discreta. Estes detalhes enriquecem vida sem rótulos, sombra e luz e a cena se define. Sabes o que mais gosto/desejo/sinto os pequenos prazeres do corpo represados. Disto a velhice, o entardecer, e as certezas escapam / escorregam. Estou atenta. Escrever/ler pode ser respirar. Alerta! Esta tragédia em Minas Gerais eriça sacode e não posso fazer nada, os que podem… Vês meu amigo, nada explico. Tudo se confunde caótico. Importa que eu te diga, ainda não voltei, estou na estrada, a caminho de mim mesma. Obrigada, quando te debruças, eu me sinto maior, melhor. Elizabeth M.B.Mattos – janeiro de 2019. Solidariedade amorosa precisamos. A terra se sacode, o céu azul ilumina, o mar conversa. Eu escuto.

 

os bebês acalmam

Se eu pudesse ficaria grávida outra vez, os bebês acalmam. Ou os projetos: não sair / não falar / não rir. Caminhar um pouco, e depois ficar / ir ficando, ou  chegar no N A D A, devagar. Às vezes penso que ter saído da Garagem de Arte tão sem explicação tenha sido mais dolorido que tudo, mas é assim, não tem volta, afundou comigo.  De que vale pensar? O que é a consciência senão a superfície do oceano da alma? Ninguém pode tirar a solidão de mim. Tem dias que sinto o tempo, o envelhecimento, o corpo sem frescor, as rugas das mãos, da pele, do tempo! Tem dias difíceis! Este é um deles. Quando lembro da sensação de juventude daquele encontro! Nos encontramos como se houvesse tempo, muito tempo para viver, e não tivemos. Entraste na minha vida – não se sei se sei como seguir. Chegar aonde é preciso. Leio tua voz nos bilhetes apressados, nas horas corridas, e ainda sinto / penso / procuro. Não sei o que apreendi, e…

Mais do que isso: aprendi a chamar à minha mesa convidados de longa viagem, que vêm inclusive de tempos distantes, e me faltam na condição de homens que morreram cedo demais – por exemplo os amigos de anos jovens – ou que apenas continuam falando por seus livros, e, ditos mortos, ainda continuam vivendo. Eles trazem notícias de uma outra estrela, continuam discutindo, mesmo à mesa, ou querem ser redimidos com a ajuda de histórias de mentira que se fingem piedosas, porque eles se enrijeceram se transformando em imagens de pedras medievais. Mais tarde eu estendi meu próprio tempo e escrevi o romance O Linguado,[…]” Günter Grass  Nas Peles da Cebola – Memórias

Quando penso, e eu penso: tocar pode tirar a sede, saciar a fome. Descansar o olhar no teu olhar. Não tocar… Olhar. Beber o café, ou a água, seguir o tempo, tua voz. N A D A. Vou voltar, tu sabes. Silencioso tu me esperas, eu te espero ansiosa. O tempo é que se cansa de nós dois, cansa de esperar. Elizabeth M.B.Mattos – janeiro de 2019 –  Já passou um ano inteiro.

valentina pequena no avião

 

fome, tantas! sentir fome

Embora o prato de cogumelos e o espinafre de urtigas me tenham transformado em cozinheiro e anfitrião, os pressupostos para minha vontade de juntar isso e aquilo numa panela, rechear uma coisa com outra, que continua firme até hoje, explorar o gosto especial de algo com diferentes ingredientes e imaginar convidados vivos e mortos junto de mim quando cozinho, já se anunciam nos primórdios da fome roedora, quando o ferido já se recupera e foi arrancado às mãos cuidadosas das enfermeiras, passando da estação de cura em Mariambad diretamente para o campo da fome no Palatinado Superior.

Entre dezenas de milhares, e até mais, prisioneiros de guerra, eu aprendi, depois de dezessete anos de fartura regular – só às vezes é que passei por apertos -, a suportar a fome, que era sempre dona da primeira e da última palavra, como uma tortura duradoura e roedora, e ao mesmo tempo aproveitá – la como fonte de inspiração continuamente borbulhante; quando minha força de imaginação aumentava, eu sempre emagrecia visivelmente.“(p.157) Günter Grass in Nas Peles das Cebolas – Memórias

Lembrei do Internato das Cônegas. No café da manhã, tínhamos uma fatia de mortadela e outra de queijo. Eu gostava. Amanhã vou fazer um feijão. Houve um tempo de penúria quando resolvi morar em Torres, teimosa, deixei para trás conforto e luxo. O que de fato definia, era a juventude dos 40 anos. Eu podia recomeçar.  Animadas, felizes e com planos. Livres.

Se eu pudesse recomendar um livro…, este seria o certo

Se eu pudesse…

Capítulo IX

“Espero ter desenvolvido, suficientemente, as minhas ideias nos capítulos anteriores para dar o que pensar ao leitor, e para por em condições de fazer descobertas nessa brilhante carreira: não terá senão que ficar satisfeito de si, se um dia conseguir saber o modo de fazer viajar sua alma a sós; os prazeres, que essa faculdade lhe proporcionar, compensarão, de resto, os quiproquós daí resultantes. Pode haver gozo mais lisonjeiro do que o de dilatar a sua existência, de ocupar ao mesmo tempo a Terra e os céus, e de duplicar, por assim dizer, o próprio ser? O desejo eterno e nunca satisfeito do homem não é o de aumentar o seu poder e as suas faculdades, o de querer estar onde não está, de recordar o passado e viver no futura? Quer  comandar exércitos, presidir academias, ser adotado pelas formosas, e se possui tudo isto, tem saudade dos campos e da tranquilidade, invejando a choupana dos pastores; os seus projetos, as suas esperanças naufragam sempre de encontro às desgraças reais inerentes à natureza humana; não lhe é possível encontrar a felicidade. Um quarto de hora de viagem comigo vai mostrar-lhe o caminho. […]”  (p.31-32)  Xavier de Maistre Viagem ao Redor do Meu Quarto

Estou limpando  estantes, e, a bem da verdade, levarei o verão inteiro, talvez mais… Visitas, conversas se esticam irritadas e tropeçam na desordem. Neurastenia seria uma boa palavra? Ostracismo,  egocentrismo. Quantas terminologias a serem revisitadas! Eu me divirto. E.M.B.Mattos – janeiro 2019

 

igual

Sigo igual, a mesma. O tempo não perdoa. Eu me perdoo. Que importa se já passou ou não passou? Eu ainda sinto, e tu também.

“Saudade de ti. […] Proíbes -me de  procurar -te. Só tenho tua Caixa Postal. Por quê? Disseste na tua carta, […]Não sei por quê, mas penso que mentes. Quanto a ser traída, traídos somos todos nós, mais cedo ou mais tarde. Angustiada? Alguém mais ilustre escreveu: ‘ fora do corpo não há salvação.’ (p.23)  Hilda Hilst Cartas de um Sedutor

“Cansei – me de leituras, conceitos e dados. De ser austera e triste como consequência. Cansei – me de ver frivolidades levadas a sério e crueldades inimagináveis tratadas com irrelevância, admiração ou absoluto desprezo. Sou velha e rica. Chamo – me Leocádia. Resolvi beber e berimbar antes de desaparecer na terra, ou no fogo ou na imundície ou no nada.” (p.100)

Apenas ela é ela. E,  irreverente, direta louca, absolutamente, verdadeira e séria. A vida tem/dá esta cuspida idiota. Traça um rumo desconcertante. Escrever tem mesmo a loucura amarrada, vagar preciso/necessário: ato de coragem. Estou aqui pasma indecisa a pensar. Estas mulheres incríveis! Será que eu me alimentei este tempo todo de frango de vitrine? (risos) Não sei nada. Silvia Plath Anne Stevenson Elizabeth Bishop Helga Weiss Lilian Hellman Jenet Malcolm Colette Doris Lessing  Herta Müller Simone de Beauvoir Margarite Duras

Virgínia Woolf “A árvore perto da janela bate de leve na vidraça… Quero pensar com calma, em paz, espaçosamente, nunca ser interrompida, nunca ter de me levantar da cadeira, deslizar à vontade de uma coisa para outra, sem nenhuma sensação de hostilidade, nem obstáculo.” (p.107)  Contos completos – A marca na parede

OU  Marina  Tsvetáieva “Uma única lei rege, de fato, tanto o mundo físico quanto o espiritual. Aquilo que é mentira em um é irremediavelmente  mentira no outro. Você não ama suas feridas, você não se inebria com elas, você quer sarar ou morrer. Mas, no decorrer da doença, aprende muito, e eis que, ao levantar, abençoa a ferida que o tornou um homem. O mesmo acontece com o amor.” (p.287) Vivendo Sob o FOGO

OU  Liv Ulman: entro em minha casa  me estiro na cama. Sinto que estou excluída de alguma coisa que é vital. O medo, dentro da solidão: talvez só o que os outros tem seja  real.” (p.31) MUTAÇÕES

Fiquei tão perto, aberto! Sem ler nem saber me escondi atrás da carta e lamentei. Somei egocêntrico com neurótico, sem orgasmo, e me pareceu uma medida comum entre mulheres e homens. Mas se isso pode ser escrito, ou pensado e dito! Céus! Talvez seja a soma e a multiplicação da matemática. Devemos ler mais, conversar muito e reafirmar ou negar (esdrúxula sou eu que só penso em amar). Mas imediatamente a frase: “O livro não existe, o ódio contamina o computador, esfogueteia quem sente – escreve, e assim lê.” Paulo H. Filho. Quando abro estes Cadernos manuscritos fico atordoada. Concluo que antes eu era corajosa, agora, cautelosa. E está errado, preciso ser apenas livre. Elizabeth M.B. Mattos – 2019 Torres

azul e verde

Aragem boa, céu azul. O frescor de ontem se estende ao domingo festivo. Caminhar prazer, não fosse encontrar o céu com balões coloridos e o medo da Ônix apertar teria demorado na calçada e nos sorrisos de bom dia. E as notícias de Minas Gerais. De onde vem/chega beleza, de onde chegam desastres? Mapeamento de horror e susto. Não sei nada, e a ignorância sufoca. Despreparada. Assim conversamos, tanto a se lido, e dito e paradoxalmente, nada. Tudo já foi dito e apreendido. Beth Mattos

tua palavra

Sem palavra, tua voz me acolhe. Gosto. Galhos do pessegueiro, da goiabeira. Eu me transporto. Avanço com passos apertados pelos corredores do mosteiro direto ao ponto mais alto.  Verei os pinheiros e a extensão da floresta.

Eu não podia expor -me à falta de amor”  ou

” Um tremor de prazer  desceu-me do coração até  o estômago.” ou

Apaixonei -me perdidamente. Por ela e por seu vestido de flores, seu pano à cabeça, seu avental, familiares, amáveis, limpos, contrastando ali com os trajes sebentos e berrantes das ciganas ricas e muito más.”

Vou citando desgovernada passagens do livro O Ritual dos Pastores de Fernando Cacciatore de Garcia, o texto…, a palavra, o perfeito se define e se universaliza, eu mergulho.

Tenho a impressão de que o que escrevo não é em nada amargo, apesar das amargas verdades que venho expondo. Senão, não poderia ter a cordura com que penso estar narrando meu passado, a leveza com que encaro meu presente e a esperança com que antevejo meu futuro. Terei deixado claro que até o momento não culpei ninguém? Apenas desculpei. Nem vou culpar.”(p.141)

Ao ler estas memórias, fictícias ou não, eu me acovardo. Tantas vezes sem mencionar culpei. E ao confessar perdão senti rancor. Ser abandonada pode ser catastrófico, fatídico, eterno, e tão dolorido que toda ruptura sangra  para sempre.  Que a vida se encarregue de perfumar com rosas, cravos, ou colorir com anêmonas o caminho, eu me perco nas memórias, e lembranças catastróficas embora algumas vezes amorosas… A maternidade me salvou, não sei. O fim da guerra libertou Günter Grass, o amor salvou F. C. de Gracia, não posso ter certeza. Os textos se cruzam. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2019 – Torres

codigo livro velho

batalha perdida

…este cansaço de viver não está nos sessenta, setenta ou oitenta, nem noventa anos, antes no medo, na covardia, no pudor. Dar passagem sem vontade. Alguns livros sugam a alma, arrancam a coragem. Como escreve Günter Grass nestas memórias que atravessam a minha precária lembrança comum. ” O medo foi a bagagem da qual não consegui me livrar. Eu, que saíra de casa para aprender o temor, tive lições cotidianas. Encolher – se, desviar – se, adequar – se, humilhar – se, essas eram as técnicas lapidares da sobrevivência, que tinham de ser praticadas sem treinamento preparatório. Ai de quem não quisesse aprender. […] Mais tarde, chamei à recordação algumas situações às quais pude escapar apenas com a ajuda de acasos afortunados, e as chamei por tanto tempo até se arredondarem e tomarem a forma de histórias que no decorrer dos anos ficavam cada vez mais palpáveis ao fazerem questão de se tornar críveis até o mínimo detalhe. Mas tudo que se conservou na condição de perigo  sobrepujado na guerra tem de ser posto em dúvida, mesmo que fanfarroneie com detalhes concretos em histórias que querem valer como histórias verdadeiras e fazem de conta que podem ser mostradas e demonstradas como o mosquito no âmbar.”(p.115-116) Nas peles da Cebola

E o medo tem corpo, sentimento, e se sacode incompetente num dia de tanto calor. Não tenho história, não tenho palavras, nem ânimo, tenho medo. Por um momento encontrei uma pessoa que poderia ser o abraço e o aconchego. Equívoco. Ninguém está em condições de estender a mão, atrapalhados com o acerto, o erro político. A cruz do calvário seguinte, o grito, o silêncio. Todos sabem  o que deverá ser correto, quem abandonará o barca. Formigas e camondongos, incerteza. Preciso  correr para o que chamo minha casa, minha caverna…,vou pintar as paredes, e os cupins serão vencidos, e as venezianas me protegerão. Elizabeth M.B. Mattos – ainda Torres de 2019 – quem sabe me mudo para Gravataí?Esqueço o mar e os amores amados. E leio:

“Era a imagem de uma camponesa linda, no seu vestido simples, de pequenas flores amarelas, vermelhas, azuis, laranja e verdes sobre um fundo branco. Além disso ela estava apenas sorrisos, divertindo – se com o que fazia, fazendo – me participar, dizendo que segurasse os saquinhos, que pedisse mais deles à babá. Os pêssegos iam ser muitos […] Apaixonei-me por ela, pela cena, por seu vestido, pelo seu lenço branco, pelo avental, por sua beleza,por sua infinita dedicação com os pêssegos. Senti que, como àquelas frutas, ela me cuidava e me queria. Não resisti a tamanha atração. Tinha de fazer alguma coisa.”(p.59)Fernando C.de Garcia O Ritual dos Pastores

Alguém escreve um livro, mas quem lê se derrama. Viaja, e se transporta. Sente os equívocos, as rejeições, e alucinações…  A vida não tem o limite da terra. Beth Mattos

Afonsinho meu peixe vermelho

A memória gosta de invocar lacunas. O que permanece fixo se reapresenta sem ser chamado, com nomes sempre diferentes, e ama o disfarce. Também a recordação muitas vezes fornece informações apenas vagas e arbitrariamente interpretáveis. Ela às vezes usa a peneira grossa, às vezes a fina. Sentimentos, migalhas de pensamentos acabam caindo pelas beiradas. ” (p.146) Günter Grass – Nas peles da cebola Memórias

O que for possível trazer ou levar, lavar ou esticar, passar distraída deixando para trás… A cada memória ou lembrança um esvaziamento. Lacunas importam mais do que qualquer detalhado e preenchido relatório. Arranco a dor. Estou vacinada. Distraída e saturada, transbordo… Todos os registros da casa estão devidamente apertados, fechados, nenhuma gota sai pela torneira, e na bacia cheia com água salgada os peixes pequenos, aflitos, ansiosos esperam como eu. Coloquei um pouco de areia no fundo, e algas, conchas.

Devo comprar um aquário. Gosto do pequeno peixinho vermelho, mas também dos  listados. Elizabeth M. B. Mattos – janeiro de 2019

 

terrível tormenta

Se  tormentas e temporais e chuvaradas e queimadas me descrevem, não sei. Texto, livro, palavras, a literatura me pertence, ofereço. Gosto do dia, verdade ou mentira. Não importa. Esta maldição abençoada das letras me consome. Beth Mattos

[…] uma terrível tormenta. Os trovões pareciam estar rasgando o mundo com estrondo e não paravam, agudos, intensos, ensurdecedores, […] amplificados por seres malignos que queriam aniquilar – nos. Os raios faziam vibrar os vidros das vidraças, com uma luminosidade ora azul, ora vermelha, ora púrpura, as cores acentuadas pelas cortinas transparentes de voile. […] lembro – me com perfeição, foram os sentimentos conflitantes de amor por minha tia e por minha mãe, a culpa por afastar – me desta e a rejeição que via na permissão que me dera para que eu me aproximasse de sua rival, que, em meu pequeno mas intenso coração, se misturaram com a tormenta, […] (.45) Fernando Cacciatore de Garcia O Ritual dos Pastores – Memórias de um homossexual na infância. Sulina 2011. Porto Alegre