FrancoIsabellaAntoniaStellaJuliaMariaEduardoAnaClaudeMiguelRobertoFlávioFranciscoArthurMarinaJoãoLucas

Cabelos crespos espalhados pelos ombros. Olhos maiores do que já são. Rosto marcado pela intensidade necessária da expectativa. Nela, tudo transborda. A boca entreabre-se na fala da alegria. O corpo despejado no promissor amanhã. Rede mágica e lenta: maternidade. Limpidez, graça. Felicidade. Confiante, amorosa.

A vulgaridade humana se minimiza. Estou sendo incisiva? Perdidos os valores esbarramos nas aparências: beleza, lucro, dinheiro… E poder. É o combustível. Surpreendentemente perdem-se referências interiores, se é que um dia existiram. A introspecção, a individualidade, ou necessidade dela. O espetáculo importa mais do que a vida. Há que haver a manchete, a televisão, o microfone, o aplauso, e o palco. Pobres! No jogo de luz e sombras o texto.

A essência está acorrentada na caverna.

A semente do possível está na gravidez, neste bebê que está chegando. Jubilo. Renovação!

FrancoIsabellaAntoniaStellaJuliaMariaEduardoAnaClaudeMiguelRobertoFlávioFranciscoArthurMarinaJoãoLucasPedroJosé

GuilhermeLuisLuizaAntônioCarlosRicardo

Ao vento

Ao vento

Estudar ler. Música bons espetáculos apreender o prazer. E desfrutar do ócio. Não é sempre possível. Importa ser. Perseguir o tempo sentir o sol o vento o mar a chuva, e crescer! Elizabeth M.B. Mattos

Crueldade

Histórias que não se escreveram, ou não foram lidas estão em cartas decifradas. Nas lacunas… O passado tem sabor. Morada. Atualidade. O que passou nos transforma nas pessoas que somos, neste hoje / neste agora. Na carta a fresta. Porta entreaberta. Desafio. Não te preocupa em magoar, ou recuar, ou não avançar. Defesa subjetiva. Nela está crueldade…Elizabeth M.B. Mattos – dezembro 2012 – Torres

oai deki te ureshii desu

My poor heart is sentimental / Not made of wood / I got it bad, and that ain’t good

Meu pobre coração é emotivo / Não é de madeira / Doeu pra valer e não gostei

Duke Ellington, 1914

 

Um Hotel na Esquina do Tempo

Jamie Ford. Editora Nova Fronteira

 

oai deki te ureshii desu quer dizer tudo bem com você, linda? em japonês.

wakarimasen – não entendo.

Lattoog Desing

Lattoog Desing

22 designers celebraram a semana de arte moderna com criações exclusivas para 1 ano de bamboo
Leonardo Lattavo e Pedro Moog assinam a poltrona Regg, que é o resultado da fusão de uma rede, nosso móvel mais primitivo, com a poltrona Egg, de Arne Jacobsen, no melhor estilo antropofágico brasileiro.
“Essa fusão é parte de um trabalho que nós sempre fizemos, está inclusive no nome do nosso estúdio (que é a fusão dos nossos sobrenomes). Regg é a quinta peça da série Vira-Lata, que faz muita referência ao Manifesto Antropofágico”, explicam. A poltrona está em produção pela Schuster Móveis, e acaba de chegar à loja Arquivo Contemporâneo, no Rio de Janeiro.

lattoog.com
arquivocontemporaneo.com.br

Passarinhada

Manhã com lua, cinza. Lagoa ilumina a cidade brilha, e a passarinhada. Fui molhar o gramado. Outro dia quente. Mosquitos. Perfume de verão. Amanhece quieto, e ruidoso. Levantei os olhos! Já está tudo cor de rosa… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2012

Lawrence da Arábia

Lawrence da Arábia

Está escrito. É o destino. Para alguns homens o que está escrito é o certo. Bigorna do Sol, o deserto de Nefud…  Diferença e igualdade. O homem pode ser o que quiser. Mas não pode querer o que quiser. Desconfiança e cautela pertencem aos velhos. Vencer o deserto.
Beleza completa, absoluta. Guerreiros  e a política selvagem.

Notas após Lawrence da Arábia. O melhor filme: 1962

Arqueólogo, escritor e militar, o inglês Thomas Edward Lawrence foi uma das mais notáveis personalidades do Século XX. Sua obra prima literária Os sete pilares da sabedoria é o registro autobiográfico da ação árabe na derrocada do Império turco Otomano. Escrito originalmente em 1919, Lawrence perde os manuscritos de Os sete pilares s da Sabedoria na Estação ferroviária de Reading. Uma segunda versão é finalizada no ano seguinte, mas, insatisfeito com o resultado, o autor a destrói. Finalmente em 1926, escreve uma terceira versão, revisada por George Bernard Shaw e publicada em uma edição artesanal restrita a amigos e escritores. Resenha do livro da Editora Saraiva

Combustão

Como é difícil a sintonia das pessoas!  Histórias narrativas, conversas explicativas. Tédio. Comodidade cotidiana. Tropeço na expressão. O inusitado, a espiritualidade. Deduções sobre o sujeito, e o objeto. Emaranhado de palavras, outra vez o tédio. Lado a lado, mas solitários. Na diferença o inferno. No silêncio a paz. Enlouqueço, ou me deixo ficar na superficialidade da relação. Ou no afeto morno, pacificador. Solidão presente na destruição do imaginário, ou do real mesmo… Assim, neste trajeto ansioso de buscar felicidade perde-se o prazer, até a quietude. O que armazeno, inadvertidamente, explode como bomba ativada a menor insatisfação. Explodimos! Este esparso e morno pedaço, a que chamamos memória, se transforma em quebra-cabeça, ou escrita compulsiva, ou fala incoerente, ou sono que não descansa. É um dom exercer domínio sobre estas questões. Talento transformá-las em combustão.  Não tenho pernas. Alguém não tem generosidade, outro excessivo ciúme, aquele não tem mãe. Este não apreendeu a ouvir. Outro não aprendeu o amor. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2012 – Torres

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Só sei viver o que já vivi

Albertina Maciel Souza, escritora gaúcha publica seu primeiro livro. Causa polêmica em revistas e jornais: aplaudem, crucificam, ignoram. Quem é esta Albertina? Ontem ela veio a Torres. Contou o que aconteceu em São Paulo, da primeira edição da novela Viagem pela Alma, vendeu cem exemplares. Um livro experimento. O restante da edição, fica esquecido. Erros que não se sabe/ nem pode como corrigir! Ela se sente ameaçada, não pelo livro, mas a incompreensão. De repente o esvaziamento. O projeto é bom, mas esta coisa de andar pela alma, esta discrição disparatada do que timidamente chamamos alma? Porto Alegre rejeita o livro. Eu pontifico, tento animá-la, mas Albertina cruza os braços, desanimada. Nada a fazer.

Pego um livro da estante depois de servir o chá, morangos na tigela, rodelas de limão. Abro bem as cortinas, e como é da minha natureza, leio em voz alta:

Não fazer nada é uma grande ocupação . É como estar no cosmos. O tédio prolonga o tempo. Sem falar que no tédio se tem tempo de puramente viver e apenas viver. O tempo é o sentido das horas e da vida. Para senti-lo, é preciso se purificar no nada. O que é o tédio? Talvez seja a vazia meditação que parece com a prece sem palavras nem sequer mentalizada. É o silêncio interior seguinte: estar plena do nada. Isso é o resultado de uma longa e penosa aprendizagem.

Clarice Lispector, p. 17 – do livro de Olga Borelli: Editora Nova Fronteira: Clarice Lispector Esboço para um possível retrato.

Olho para ela lembrando das minhas inúmeras tentativas, tentativas de escrever, de casar, de amar, de desenhar, fazer amigas…Um amontoado de fracassos. Albertina Maciel Souza tem os olhos úmidos, mas cheios de coragem. Então retomo a leitura  da Borelli,  o mesmo parágrafo, leio de um jeito mais pausado como se o que diz Clarice notificasse se aplicasse apenas a mim mesma:

Eu só sei viver as coisas quando eu já as vivi. Não sei viver, só sei lembrar-me.

Rimos as duas, peguei minha xícara de chá. Ficamos em silêncio. Passei a mão no livro Viagem pela Alma, e  completei: – é apenas o ensaio, como na vida. Há que se repetir, repetir inúmeras vezes até acertar! Elizabeth  M.B. Mattos – dezembro de 2012