sapo princesa e príncipe

Uma analogia com os contos de fada! Vivemos! A lembrança já não de alguém para alguém / não tem corpo físico, mas intensa emoção! A sensação, o colorido, a paciência e o espaço (castelo) estão no hoje a colorir a vida: distribui /promove / entrega a cada um o que importa. O sentir galopa. Como tu eu sinto o tempo, os anos amassaram o corpo, trituraram. E o cansaço é grande, pesado! Arrasto até a memória! Meu filho Pedro passou uns dias comigo, comprou uma enorme televisão, arrancou uma estante problemática, revolução: já na terça-feira virão os pintores e me assusto com o movimento e… céus! O sufoco desta desordem! O bom é que as buganvílias estão floridas, e, verdade, estou feliz e plena, animada. Sinto saudades do que foi sonhar o sonho, mas eu me acomodo na madrugada de viver. Borralheira: cozinho, lavo, passo roupa. Varrer o castelo, os páteos, encerar o assoalho, amassar o pão, amassar. E, por que não escrever? Escrever aos amados, escrever a memória que já espapa – fantasia, ou a ttua vida vivida, ou a imaginada. GLXXYKQ Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres

humor

A vida se embala no humor, aquela vontade de rir, ou de xingar, apedrejar, depois a cortesia gentil consigo mesmo, e, com os outros, por que não? Presentear com a delícia do almoço fora de hora: bifes e tomates, no meio da manhã. Horário!? Não existe hora certa para ser feliz, apenas somos, assim, sumariamente, felizes, porque as cores estão, adequadamente, azuis. ah! Os advérbios desnecessários e pontuais! Elizabeth M. B. Nattos – dezembro de 2022 – Torres e os efeitos da visita generosa do filho.

Reviravolta azul

Não era a cor preferida, de todas eu me inclinava para a luz do amarelo ou à vibração dos liláses, ou para o verde que não termina nunca. O azul. O verde se multiplica em nuances o dia inteiro a olhos vistos! De certo azul também. O mundo é colorido, presente surpresa com fitas e mágicas.

Ah! meu querido! Tuas marcar por toda a parte, nas fotos, nos livros anotados, nas músicas. Tu entras na minha vida por todas as portas – o som, a leitura, os olhos sobre o passado. Fico feliz e assustada. Fico sem acreditar que está acontecendo no meio deste cansaço de envelhecer, tu, outra vez, perto de mim. Uma desordem imposta remexe a vida… Amanheço possuída de paz, e te confesso, sonolenta. Assim mesmo te escrevo. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres

Temos que ser competentes para sermos loucos. A terrível loucura do idealismo. Tão perto dos festejos natalinos! Tão completamente, absorvida com a pintura do quarto, a nova estante, o novo gosto de tempo! Esta alegria que chega picada como confetes, e se enfia por todos os cantos, todas as dobras.

TERMINANDO 2022

Amiga silenciosa, ocupada. Deves estar a correr, a pontuar o aqui e o agora entre os jogos e o trabalho, entre o parque e o amado. Igual fico a pensar que não vou te ver, e, quando nos reencontrarmos (num remoto dia), sequer vais me reconhecer, tanto o tempo se sacudiu dentro de mim! Arrancou a alma, recolocou, reorganizou, e a pobre alma se imobiliza assustada. E eu? Sinto cócegas. Agitada, tropeço nos chinelos, esqueço as frutas no balcão, penso em laranja e tangerina quando as uvas estão chegando… E durmo assim agitada, com os travesseiros voando pela cama. E te escrevo longas e detalhadas cartas que desaparecem depois, tal é a desordem… Encontro um bilhete teu, depois uma carta, depois um retrato. A presença presente da amizade. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – TORRES

Perdido da voz

Quando eu te escrevo, imagino que possas estar ocupado, integrado, feliz ou infeliz, mas, completamente, distante da minha voz… Impossível alcançar tua mão ou encontrar a palavra certa para me aproximar. Algumas distâncias se tornam intransponíveis, o que foi tão fácil, quase banal, falar e contar histórias para ti, e tu contares dos sentimentos audaciosos, e, também daquela juventude tempestiva! Ah! Eu fazia conexões impossíveis! Aquela tua juventude era fatia perfeita entre sabores e fazeres culinários, a minha debruçada na janela a ver a banda passar… Colorido do dia diferente, no mesmo dia, lado a lado da memória. Ah! Tenho saudade sim. Não sei se tu podes sentir este cheiro nostálgico no que te escrevo, se é que te escrevo. Uma inibição na exposição de feira aberta! Represei este sentir: o escrever, o entendimento, e até o emocional respeito por estares a sofrer enquanto atravessas tempo incerto. Não sei. Quando te escrevo, pelo Amoras, registro o que faço, espio. Estou inteira: corpo e pensamento, mas não estou… A fantasia é a máscara, evidente, obscura: meu declarado amor. Elizabeth M. B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres no meio das mentiras KJMCLYW

às vezes

às vezes eu sonho teu sonho: voltar a estudar, voltar no tempo de acreditar no sol mesmo quando a tempestade alagou /encheu a terra… tanta água, já estou com sol.

não posso te dizer o que sonho na /com tua vida, apenas dizer que eu sonho teu sonho.

quero te dizer mil vezes, ou um milhão de vezes, te cuida!

presta atenção! e te cuida… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022

amado amor, te cuida! atenção! olha para todos os lados, cautela!

quem sabe tu me sonhas também, e, nos damos as mãos!

o sono

o sono é um bem, uma necessidade, uma gratidão

o bebê, a criança, o menino que dorme é saúde: o momento da entrega está no sono = beleza

respeitar o sono com o silêncio, o cuidado, o aconchego

por que as pessoas ‘sacodem’ o sono, o dormir do outro?

problema de alguns casais é o desencontro do sono, o desrespeito com o sono do outro,

doença de certas cidades, não deixar dormir.

a se pensar na crueldade de ‘arrancar’ o sono de uma pessoa – crueldade.

a cada um seu sono biológico, ou sua insônia doente.

amorosidade das pessoas: abraçar o repouso, a exaustão desarrumada do outro…

é possível entender? Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres

a minha Ônix tonteia o seu dormir quando eu não durmo na hora de dormir

beijo dentro do abraço

um pedra, um livro, as batidas estranhas que sacodem a noite: o desejo de dormir e a certeza que o sono se esconde perdido no meu cansaço, e no incômodo do tempo a me agarrar… sono perdido! o filme, o desejo da releitura, o absurdo de reler se nem consigo ler os não lidos..

os olhos, os apertos e o desejo de dormir, dormir uma boa noite para acordar jovem, aberta, esperta…e voltar a ler / a escrever

vontade de dizer/conversar e estar com quem gosta dos livros, das leituras, dos filmes, das cores, de estar. ah! e não estar no meio desta atmosfero belicosa, desconcertante. as pessoas estão áridas, tensas, inquietas e sedentas: portas fechadas, janelas fechadas, coração serrado, mas em casas de cristal, tão exdrúxulo! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres

um beijo não resolve, é preciso / tem que ser um beijo dentro de um abraço / abraço prolongado, apertado, daqueles que o corpo inteiro se movimenta, participa, até os dedos dos pés…

David Herbert Lawrence

nasceu em 1885, o quarto dos cinco filhos de uma família de mineiros de Eastwood, Nottinghamshire. em 1930, Lawrence faleceu em Vence, no sul da França, aos 44 anos de idade. as três versões de O amante de lady Chatterley foram escritas nos quatro anos anteriores à morte do autor.

Nossa época é essencialmentte trágica, por isso nos reusamos a vê-la tragicamente. O cataclismo já aconteceu e nos encontramos em meio às ruínas, começando a construir novos pequenos habitats, a adquirir novas pequenas esperanças. É trabalho difícil: não temos mais pela frente um caminho aberto para o futuro, mas contornamos e passamos por cima dos obstáculos. Precisamos viver, não importa quantos tenham sido os céus que desabaram.

Era esta mais ou menos a posição de Constance Chatterley. A guerra derrubara o teto sobre sua cabeça. E ela percebera que todos precisamos viver, não importa quantos tenham sido os céus que desabaram.” (parágrafos inciais do livro O amante de ledy Chatterley)

garrafas verdes e cor de âmbar e um trago de anis

Uma cesta cheia de pães, queijos e alcachofras: cada dia uma novidade. Vida maravilhosa. Ou, apenas o gosto da saudade? Da descoberta dos bons caminhos.

Pela primeira vez, neste verão, fecho as venezianas… Faço escuro no meio da tarde. A liberdade desta janela sempre aberta: de dia e de noite, no inverno e no verão, quer chova ou relampeje significava, aberta à liberdade? Ao fechar, eu limito o fluxo? O que está a mudar dentro de mim?…Vou rever / pensar. Esqueço ou valorizo? A tensão desaparece aos poucos… verde, âmbar, o azul, um trago de ânis. Ou o cinzento: cores de todos os vinte lápis sobre a mesa… desenhar e colorir.

O lugar é aqui

O tempo é agora

Agora é aqui,

Aqui e agora: girassóis iluminados. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2022 – Torres