flores

Palavras vestidas de gala, ou traje de banho, não, palavras de passeio… Digo / escrevo o veredito, ou dou opinião, ou refaço o circuito e penso diferente / novo: opiniões ocorrem, sim, não são convicções, mas emoções, então escuto. Ouvir o outro pensar! E o mundo, fechado naquele momento, muda de cor. Muda igual / do mesmo jeito que o gosto/sabor da maçã se altera na fome. Desvios do dia… E os mimos são flores, e as flores gestos. E os gesto tem sabor e perfume, cheiro. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres

feira do livro

É urgente reinventar a roda / a conversa, o pensamento, sei lá o que mais. Redescobrir o mundo, as nascentes…

Inédito! Fantástico!

Calçadas pavimentadas com lantejoulas… Feira do Livro em Porto Alegre / fantástico!

Elizabeth M.B. Mattos – 2021 – novembro Torres

competir



Competir/desafiar, insistir, ou deixar apenas acontecer. A eternidade de um dia, ou o futuro em trinta e nove anos, a qualidade de um mês. Novo idioma, e a mesma história. O dia de ontem. Floração: gosto apimentado de pitanga! História condensada. Os primeiros anos esquecidos, outros tão misturados na memória! Foto desmaiada, bilhete, carta. A ideia transpira e se metamorfoseia em sentimento: folhas numeradas, notícias, tantas vezes, deslocadas…, ou, enfaticamente, comentadas! Sentimento inesperado! Gosto e buganvílias. O mundo de quarto aberto na imaginação florida de tuas palavras. Cruzas as pernas, inquieto te levantas, depois olhas pelas janelas a lagoa, as árvores e começas a rir! Aproveito e troco o disco… Abro o vinho. E brindamos. Elizabeth M.B. Mattos – novembro com chuva cantante, e sei dos dias contados, sei que voltas. Sei do para sempre deste encontro.

jeito de viver

Já tanto feito! E o relógio parado: a caminhada, uma amiga nova. Passei roupa e estendi as que faltavam…, fiz pão com bife, e improvisei um coador de café. Travesseiros ao sol! Os discos seguem espalhados. O prazer o mesmo: esquisitice de escutar música, as minhas canções. Meus horários, jeito invertido. Quando todos estiverem na calçada estarei no meu sono da tarde. Se eu contar histórias serão dela/ela… A luta da beleza! Incompreendida? Não sei. Desafiador descobrir os motivos internos. O relógio especial de cada personagem! A cada um seu encontro perfeito. Que bom estares aqui! O teu trilho, as mulheres. O meu os livros espalhados, as leituras desorganizadas. O poder de ter. Isso importa? O poder se esconde, mas, também resplandece evidente. Esta vida de polir pedrinhas, de colher violetas, caminhar entre as sombras…Que dia tão pleno! Elizabeth M. B. Mattos – novembro de 2021 – Torres da nossa meninice! Festa!

amigo – joseph anton /memórias de salman rushdie

“Seus amigos vão se fechar em torno de você como um círculo de ferro, e dentro desse aro você vai poder tocar a sua vida.” E foi exatamente isso que eles fizeram. O código de silêncio deles era inquebrável. Nenhum deles jamais deixou escapar, por descuido, o mínimo detalhe de seus movimentos, nem uma só vez. Ele não teria sobrevivido seis meses sem eles. Depois de muita desconfiança inicial, a Divisão Especial também chegou a confiar nos amigos dele – a entender que se tratava de pessoas sérias que compreendiam o que tinha de ser feito.(p.153) Salman Rushdie

ingênua sinceridade

Morno, pegajoso, qualquer coisa assim neste outubro a se despedir, ou inaugurar o feriado lotado.

Eu? carrego/sinto/festejo prazer inexplicável. Por quê? Intenso sentimento, meu. Café madrugador, velhos discos chiando, e as canções francesas, eu comigo, e o resultado de leitura perturbadora. Conversa inexplicável!

ingênua sinceridade” toda sinceridade é ingênua e constrangedora, nua, despida e ameaçadora (ah! faz pensar! acorda aquelas almas anestesiadas, um livro)

cavado o seu refúgio” com certeza, o refúgio pode ser o ferrolho de oscilação, imposição: conviver exige / gostei demais disso, afinal, sem refúgio somos apenas evidentes! Ah! Pressa de existir! No refúgio somos outro sou a outra, sou aquela, sou nova, e velhíiiiiiiiiiiiiiissima!

fermentação implacável” sentimento horripilante e, desencontro inexplicável!

“habituar – se à vida” / outro recorte: “evolou-se deixando – os esvaziados” Constatações simples: “Se era feliz, deveriam ser também”

áspero e violento” / “dores da vida / dores da pobreza” : a comentar os registros, agora estou com fome! E vontade de música outra vez, concentração nos sentires. George Simenon / Crime Impune / Eu volto. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 –

impressão

” – Você vai sair à tarde?

Aquelas palavras tão simples, tão banais, pareceram-me carregadas de sentido, como se escondessem entre as sílabas ideias que nem Viviane, nem eu ousávamos expressar. Demorei a responder, não porque tivesse dúvidas quanto às minhas intenções, mas porque fiquei um momento em suspenso naquele universo um tanto angustiante, mais real, no fundo, que o cotidiano, e que dá a impressão de expor o reverso da vida.” ( p.7) Em caso de desgraça George Simenon

Li durante a noite, dormi de dia. Escutei pelas frestas da minha concentração… Depois dormi na inquietação da leitura e sonhei, como se eu mesma fizesse parte daquela incerteza tão certa, sonhei e senti o medo aflito… Talvez eu viva muito sozinha, ou para dentro! Talvez eu não deixe/permita/ sinta a vida chegar do jeito certo (!?!!), talvez a janela escancarada misture o real com o irreal. Alegria pessoal, e desejo com música, com prazer. Fora do mundo, e dentro, possuída por tudo que me rodeia. Luzes em excesso, outras tão…, sim, sou uma pessoa/um alguém a resmungar, a se inquietar, a ser feliz! Feliz com o reencontro com Simenon: ansiosa também. Que poder de remexer por dentro! E tão corriqueiro e objetivo. Não sei explicar. Agarra no primeiro parágrafo, no segundo já não penso, deixo de ser. Logo eu mesma estou no terror, na aflição do não confesso. E o meu fazer doméstico empurrado para depois…, logo a cozinha precisa de limpeza, os quartos de ordem, o dia de clareza. Vontade de voltar a ler, os olhos ardem, e a cabeça está desarrumada, a caminhada mais apressada…Procuro outros livros dele, acho que emprestei alguns, não estão na estante. E…, já não lembro bem, talvez para a Magda? Ou Carol? Não, foi para a Ana. Alguém que me fez uma visita. ” Ainda existem aveleiras”, ” Os quatro dias de um pobre homem”, ” Carta a meu juiz”, ” O homem que via o trem passar”…Os livros. A memória. Preocupada estou com estes lapsos demorados, conversas esburacadas. Estou com medo. O que estarão fazendo as pessoas neste acordar? Como será conviver? Estar junto? Algumas leituras nos arranham…Sim, Simenon mestre! As reflexões estão amarradas, suspensas e…Sim, insone tento dormido tanto! Incoerências. Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres – Não telefonei para a Marina, não falei com a Suzana! Não almocei com a filha! Agarrada num livro, enfeitiçada pelos velhos discos que se divertem no retrô toca-discos que o João trouxe! Sou criança.

mabel! céus! tenso!

Genialidade, escavações perturbam, ou sou desavisada! Que leitura/?! Terminei Crime Impume de Georges Simenon! Absolutamente perfeito, a angustia aguda / aperta na garganta! tensão! Que genial! e difícil! E duro!

” Falava como e o fato não tivesse importância, exatamente como se dissesse algo apenas para encher o silêncios”(p.154)

” A verdade é que Michel o desprezava, desprezara – o sempre, o suficiente para não se dar ao trabalho de condena -lo.”

Separei várias joias, estou com sono, mas vou expor / espetacular o livro! Amanhã!

saúde

A saúde é pois um equilíbrio do nosso organismo com as suas partes componentes e com o mundo exterior; ela nos serve, sobretudo, para conhecer o mundo. A perturbação orgânica obriga a reconstituir um equilíbrio mais/fortemente interior / meu/ o teu/ o nosso. Retira / exige a alma, e desde então é o corpo que se torna o meu objeto, ele não constitui mais eu mesma, embora ainda seja meu; não é mais do que o barco em que faço a travessia da vida. Estudo as avarias e a estrutura sem identificar com o meu ser eu, o indivíduo. Onde reside em definitivo o meu Eu? No pensamento, ou antes na consciência. Abaixo da consciência há a espontaneidade e aquele fazer rotineiro, tão meu! Então eu sou apenas a ideia de querer ser EU. E de te querer, ainda.

Recebo a notícia da tua morte / a passagem: espanto e dor: lágrima do que não aconteceu…, somos nós os dois abraçados nas escadas do casarão tecendo a malha que nos envolvia no abraço e no beijo. Tudo fizemos / tudo tentamos para que nossa fosse a vida dos carretéis, das agulhas, dos tecidos e daqueles inusitados desenhos coloridos. Por que a certeza não nos carregou lado a lado…, teus estudos, tua Itália, teus / tuas. E eu? Uma mãe forte / obstinada, e cheia de planos / os dela, os meus. Teríamos sido felizes! Completamente e plenamente felizes. Eu não tinha mapa, mas o sentimento preso nos beijos do teu abraço. Eu te amei menina! Elizabeth M.B. Mattos – outubro de 2021 – Torres