energia

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O novo e a volta. Pintar a casa, estofar os móveis, trazer flores e vasos. Revirada no que existe, na seleção de ficar / de largar/  de refazer. Não se apegar ou segurar / agarrar. Abrir as mãos, remexer a terra, afofar. Revitalizar / renovar / reavaliar. E pode ser o fetiche. Renascer. Uma criança, a casa nova, a música, a tinta e o perfume da carne, do pão feito em casa, das panquecas. Doar e recomeçar. Escrever pode ser/estar a caminho / arota ou o novo. Viajar e trocar de casa, ir e vir. Sim, não posso apenas ficar… Volto a Porto Alegre e abro as janelas para respirar o impossível, sacudir os tapetes, trocar as cortinas. E chegar em Torres para o mar… A revolução num dia, numa semana: trocar os móveis de lugar, e pendurar os quadros noutras paredes. Escovar todos os livros… Viajar! Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2020 Torres

” Se você está mal de grana esqueça.”e acho que estamos todos mal de grana afinal. a sepultura está sempre lá e nunca poderemos comprar uma sobrevida. morei num lugar certa vez em Atlanta por um dólar e 25 centavos por semana, vivi por um mês com 8 dólares. E escrevia poesia nos cantos dos jornais sujos que encontrei no chão, sem luz, sem aquecimento, não sei o que aconteceu com os jornais, meio que me lembro do que aconteceu comigo. isso é normal, mesmo quando fica anormal.“(p.97) Charles Bukowski Escrever para não Enlouquecer

O livro impresso deste jeito mesmo, ponto sem maiúscula, e o cheiro de novo mostra o recomeço de ser ele mesmo, e a vida a se refazer. Retomar ou ser outra vez, outra vez ainda, mais outra pessoa diferente. Por um momento deixo de ser Eu e confesso: estou tão absolutamente cansada! A cavar buracos, trocar de casa, abrir e fechar as venezianas. pintar as paredes e fazer tudo, e muito, e respirar. Beth Mattos – Torres – Por que estou sempre no mesmo lugar?

outro sono

A bicicleta acompanha os músculos do corpo e a beleza se mistura com a máquina. Posso remendar a história, e seguir o cheiro do amor em fuga… Liquidada/arrasada, por dentro, pesam os braços. E os cães se perderam. Não faz sentido repetir e repetir as histórias desalinhavadas. Estou mesmo deprimida, triste e arrasada. Igual vai ter um dia, mais um dia na quinta – feira… Sendo depois um sábado e o domingo, outra segunda-feira. E vou voltar para a menina que me espera, descansaremos! Outro dia e outro sono. Elizabeth M.B. Mattos. janeiro de 2020 – Torres

solidão

“A Comunicação Muda  – 14 de fevereiro – O que nos salva da solidão é a solidão de cada um dos outros. Às vezes, quando duas pessoas estão juntas, apesar de falarem, o que elas comunicam silenciosamente uma à outra é o sentimento de solidão.” (p.411) Clarice Lispector  A Descoberta do Mundo  Editora Nova Fronteira, 1984

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Foto tirada por Ana Moog num almoço de domingo – novembro de 2019 – Restaurante TABERNA – beira da Lagoa do Violão – Torres

 

 

 

 

roupa no varal

Roupa pendurada no varal! A secar… O vento venta nestas roupas exibidas. Venta na janela escancarada: seca roupa molhada pelo mar… Danado deste mar! Toalha felpuda, bermuda, biquíni e verão. Edifício indiscreto. Aberto ao sol, ao vento, encascado… Intimidade vencida, sem vergonha. Roupa pendurada no varal do quintal desta janela sacode colorida. História divertida de verão. Elizabeth M. B. Mattos –  janeiro de 2020 – Torres pela janela, nas calçadas da Lagoa, no amanhecer do sol.

pecado

Existe um pecado maior, grande, enorme, eu diria, contra a possibilidade de, a possibilidade de qualquer coisa… Vaidade. Ninguém é/será/terá/ possui suficiente inteligência, poder, genialidade ou esperteza ou beleza, ou qualquer coisa que supere a grande vaidade. Sucumbe. Morre derretido/apertado pela vaidade (quase sempre cega). Ela se agarra a mil outros pequenos defeitos, humanos defeitos. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2020 – Torres (Claro! posso estar dizendo uma besteira equivocada. Arrisco.)

especial única, amiga Mabel

Luz e soluções. Amiga estrela. O acaso de tantos acasos acolhe. Se mistura ora na rua André Poente, ora na Independência, ora na Viúva Lacerda em Botafogo, ou de volta a Porto Alegre na Farias Santos. Apartamento ensolarado debruçado para a Praça das Nações! E Torres com mar a nos espiar e verões de trabalho, telefonemas entrecortados, alegria cansada e o jogo de cartas. O arroz solto e branco, jantares meia-noite, e o Bento Roberto com a batuta, isso pode, isso não pode. Ríamos. Foi naquele verão que a Lucia passou quinze dias conosco. E as leituras? Sim. Podíamos ler muito sem medida na madrugada. Permitido. E eu a trabalhar no Bazar Praiano. Equilibro e solução. Depois deste verão fui contratada para dar aula na Universidade. Caminho aberto. E toda gentileza agradecia… Ajuda e socorro. Cheiro de risada, coisa boa, e confiança! Flor ou chocolate, ou carinho dentro de amor, ou abraço tudo e nada. Apenas nossas risadas. Ar e prazer  de alegria. De repente eu me mudo para Viamão, e construo uma casa. Serei especialmente, e ou particularmente feliz/alegre perto de vocês.

Saudade cheia / recheada de agradecimento. Sempre a estender a mão e emprestar energia, minha amiga. Não estou a dizer que a vida da/na lagoa não tem felicidade e delícia. Quero dizer que cada fantástico lugar escolhido pode ser possibilidade… Encanto. E ter desdobramento. Surpreender. A história do socorro: margaridas, anêmonas. Gatos e cães. Jardim verde, sacadas abertas, vista para o mar, e gentileza. E o cigarro! E a tua mãe a conversar com a minha mãe… Amigos e surpresas. Quero agradecer, principalmente, a vida no/do pequeno e mágico apartamento ensolarado da Praça das Nações. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2020 – janeiro Torres

 

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Ônix, depois do passeio, preocupada com minha demora em entrar! Depois, já refestelada na sua almofada-mirante. Que dia lindo! E segue tão agradável este verão!

listinha de sentimentos de CLARICE LISPECTOR

“Então comecei uma listinha de sentimentos dos quais não sei o nome. Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto –  como se chama o que sinto? A saudade que se tem de pessoa de quem a gente não gosta mais, essa mágoa e esse rancor – como se chama? Estar ocupada –  e de repente parar por ter sido tomada por uma súbita desocupação desanuviadora e beata, como se uma luz de milagre tivesse entrado na sala: como se chama o que se sentiu? Mas devo avisar. Às vezes começa – se a brincar de pensar, e eis que inesperadamente o brinquedo é que começa a brincar conosco. Não é bom. É apenas frutífero.” Clarice Lispector – Brincar de pensar –  1967

E pensar exige felicidade, ou tristeza, ou aquele vazio, ou a melancolia intensa, quase febre a sacudir e nos fazer voltar e redescobrir e ficar… Ainda nesta mesma crônica:

“Pois para pensar fundo – que é o grau máximo do hobby – é preciso estar sozinho. Por que entregar -se a pensar é uma grande emoção, e só se tem coragem de pensar na frente de outrem quando a confiança é grande a ponto de não haver constrangimento em usar, se necessário, a palavra outrem. Além do mais exige – se muito de quem nos assiste pensar: que tenha um coração grande, amor, carinho, e a experiência de também se ter dado a pensar. Exige -se tanto de quem ouve as palavras e os silêncios – como se exigiria para sentir. Para sentir exige – se mais.”

…e eu volto para conversas perdidas. Recados atrasados, e história / estória de te esperar. Tu e eu conversamos, e pensamos juntos. Era / foi tão bom! Conseguimos. Voltaste no tempo de lembrar. Da ida para o Rio de Janeiro. Do meu casamento. Da tua visita, dos teus desencontros festivos. Eu te senti por completo. Ressuscitei da tristeza, e fui menina outra vez. Acordei do susto da morte. Voltei para te esperar. Agora, devagar e mansa, retomo o silêncio necessário. E volto aos livros, os mesmos. Quero te contar a novidade: estou a ver filmes, muitos filmes. Quieta. Não é bom? Sou de natureza agitada. Beth Mattos em janeiro de 2020 – agradável e imprevisível a temperatura deste verão.

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Uma das versões

 1.

De quem é a culpa? Aquele sanduíche tem culpa, todos tem culpa porque nunca curei a tal ansiedade e a vontade indefinida de ter e ter, de querer sempre o melhor, e sempre o tudo e todos sem saber, exatamente, do conquistado, nem o que eu tenho / fiz ou sou. Enquanto me entrego aos meus quarenta anos, caminho, caminho, avanço, desbravo e não consigo chegar no tal campo verde, colorido, não vejo anêmonas, nem tulipas, nem destroços, nem floresta, nem lago. Caminho em direção aquela sobrevivência… Abro os olhos e sinto raiva. Ela ainda está lá a pensar/ a dizer coisas/ a indefinir definindo minha vida. Uma corrente nos prende uma na outra. Eu não me liberto e ela se conforta confortável! E agora estes quarenta anos! Esta danada idade divide tão bem a vida entre o que foi e o que será! Outros quarenta? Possível, mas diferente. Um será mais do que nunca incerto, porque com gosto certo definitivo. Pois é… Alguém me disse: tua mãe é culpada. Claro! Como não seriam os pais e as mães culpados de tudo que nos cerca, ou somos, ou fizemos! E mãe ausente? E aquelas que morreram cedo, aquelas que não nos conheceram? Nem nos abandonaram? Também elas são culpadas? Culpadas por terem desaparecido. E os pais? Aqueles homens atrapalhados apreendem / ou se esforçam ou se desdobram para ser mãe / pai e responsável, eles nunca são / serão culpados. Comandados pelo sistema matriarcal / serão patriarcais. Deprimidos ou irresponsáveis, amantes, homens, serão companheiros. Eles também são culpados.

A mãe definiu tudo o que sou porque, neste caso, do pânico, de passar necessidade / de faltar / de não ter o suficiente explode todos os dias, sou o resultado. Eu não me liberto. Sigo a sentir medo do que vai faltar… Guerra iminente. Terror. Um dia não é outro dia depois do dia, mas possível carência. Não consigo me libertar. Estou constantemente a procurar soluções, e soluções, mais certezas, justo onde elas não estão, procuro nos outros, nas pessoas. Procuro apoio. Explico. Sinto assim porque um dia ela desesperou na necessidade da carência, houve um momento em que tudo faltou na nossa vida. A minha mãe estava a perigo. E tínhamos a pequena conosco. E faltou tudo. Eu, apenas eu estava lá. Para ela faltou tudo. Mas eu estava lá para cuidar, atender, saber, trabalhar e tranquilizar aquela aflição toda que saltava dos olhos e se encolhia no corpo dela, como parasita faminta a arrancar pedaços. Ela queria fazer, mas não sabia por onde começar, como sair do buraco escuro. Foi esta mãe, foi esta situação, foi esta carência e este medo que tomou conta da minha vida. Nunca mais respirei livre, para sempre, nunca mais me senti descompromissada, ou pude pensar apenas em mim. Eu me senti responsável por ela. Comecei a trabalhar no balcão daquela loja, em casa, o tempo todo, trabalhar. A refazer o já feito para recomeçar por ela. Assumi a vida dela, e a minha se transformou em nossa. Era tão frágil aos meus olhos! Peguei em armas, e nunca mais parei. Apenas respirar, dizer com certeza: a vida é minha, não sou ela, nem sou responsável por ela! Eu era. Céus! Eu não sei me dizer: eu sou eu, não sou ela. Como estas nuances são difíceis, ou certezas? São perturbadoras! Os outros filhos, meus irmãos, nunca se sentiram diretamente atingidos. Eles foram, eles voltaram, eles seguiram, eles voltaram, mas eu continuei lá. Eu levantei a casa, pintei as paredes, comprei os tijolos, fiz o jardim, e o necessário. Fiz a comida, cuidei das roupas enquanto ela curava a alma…

2020-01-02 01.10.18

A viagem poderia ser incerta, mas não podia recuar. Outra vez trocar / arrancar / refazer. Estudar. Trabalhar. Voltar para o começo.

Esquisito imaginar a reação de Y ou N. ou de T. As relações são complicadas / estranhas e  as versões se cruzam ou se estremecem… Conflituadas. Inexplicáveis. Ficção.

Não entendeu a relação / encontro, ou do casamento. De certo eu teria feito diferente. Ele também, não fosse o deslumbramento da situação. Em que ponto ou tangente, ou caminho estávamos ele e eu? Não pode / ele nunca pode avaliar. Estávamos no Rio de Janeiro. Um gosto de desastre. Esta volta, festa / encontro / desfecho parecia tranquila e leve.  As conversas / reminiscências, minhas e dele, como se fôssemos adultos. E não éramos. Eu nos vejo crianças assustadas.  Ele nos seus 24 anos, eu nos meus 18 anos. Painel de lembranças e afetos desencontrados. As conversas, canais de liberdade. E casamos. Como ele podia / pode/ pensou e disse que escolhi o dinheiro? Nunca me conheceu como eu era / sou. Ou será que não me sei eu? Talvez os mimos… O esconderijo. Como pode ser / ter uma ideia parecida com esta de escolher o poder dele? Bonito, bem-nascido, complicado, e…, afinal, desconhecido. E eu cedi. Nunca deveria ter saído de casa, de Porto Alegre. Escolhi a mão que se prendeu na minha mão, no escuro de seis meses nos casamos. Dançamos, rimos juntos, recebemos amigos, comemos nos melhores restaurantes. De certo nos amamos desavisadamente amamos o amor. Vestimos o luxo. Misturamos instabilidade com confiança, não era paixão, de certo seria amor… E ele colocou a mão naquele verde, de tantos verdes. Desenhou o formato do nicho, e coloriu… O som novo, e a comida em tigelas de barro, talheres de prata. A ideia de sinfonia. Música e bossa nova. Culpa da estouvada juventude. E do despreparado destino… A ideia de que amanhã será para sempre. Não sabíamos nada de nada. Das ausências. Da vontade de ser independentes. Fazer acontecer. Da pressa de resolver, acertar. E aquela solidão apertada de ser pessoa, e também crescer. Somos tão estrangeiros pra nós mesmos! (Eu era / talvez tu não sejas!) E nos embretamos no carnaval e casamos. Acreditando. Daria certo e embalar os filhos nos abençoaria. Poderia ter sido diferente. Deveria ter sido de outro jeito. Mas, lamentar seria negar o sentido da minha vida, e da vida dele. Um erro não apaga outro erro. E o medo não vencido, gera outro medo. Recomeçar pode ser coragem, mas, tenho a impressão, arrisco a dizer, sobrevivência. Complicada palavra! Amarra tanta coisa de dentro, de fora e sacode, define, joga fora…Acerta! Os equívocos se agarram uns aos outros, e teço o manto, a veste, a ideia de que consegui. Consegui sair de casa, consegui agradar o pai e a mãe, surpreender as irmãs, trazer as pratas, os cristais, as porcelanas o enxoval de não sei quantas peças. As roupas sob medida, os vestidos a combinar com os casacões, os baús. Levei o sol junto com o temporal. Conseguimos uma vida. E a metade da biblioteca. Claro! Ficaram as lareiras, os tapetes, e os amigos. Deixei para trás as lágrimas. E as bonecas. As incertezas. Fechei a porta, e virei carioca.

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3.

Quando eu cheguei. Quando eu voltei para o Brasil. E pensei a vida em casa, tudo estava virado. A casa de pedras não existia mais, a família não existia. Estava tudo alterado. A vida chegava à beira da praia, eu estava frente ao mar a ver a Ilha dos Lobos. E o balneário deserto, porque não era mais verão. E os argentinos, uruguaios começavam a voltar para suas casas. Os veranistas se despediam. Do outro lado. Não existia mais em casa, mas o caos. Senti um para sempre escabelado, desajeitado. Berlim ou Roma, ou Paris ou a minha história de ponta cabeça. E eu tinha / precisava de / precisava organizar / recomeçar e entender. E fazer alguma coisa… Estranho como estas carências de sobreviver / proteger / guardar e assumir voltavam para o prioritário, sobreviver. Voltavam para as minhas mãos… Todos / tudo dependia da coragem, do meu fazer. Sim. Eu era necessária ali, ao lado delas. E eu fiquei. Surpreendida. Também eu, recomeçava do susto, do não ter mais, do zero. Ela me parecia frágil, entregue e gentil. Eu era a pessoa forte. Possível e jovem.  Eu tinha 24 anos. A roda girava/ gira. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2020 Torres – Primeira Versão.

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E Danúbio tem razão, talvez, pode ser, não sei…

Quando o tempo atropela soterrado de verde amarelo e de vermelho: dizemos vida. Estações se misturam na  memória amorosa. Colei etiquetas, empilhei as caixas. Sem pudor atravessei a sala devagar. Pecado perfeito, maltratado ou prisioneiro, vivo.

Fronteiras foram/são/serão violadas, ou não existem… Somos os mesmos: verdes, azuis, amarelos, pretos, marrons ou com pintas coloridas, ou transparentes. Dourados, prateados, cobreados. Colônia amorosa: o mundo. E muito, bastante sono neste dormir continuado / induzido: sonoterapia reparadora e tranquila. Entre o cinzento e o branco e o negro da noite. Sem interferência. Durmo, acordo. Duas bolachas, uma maçã, macarrão com iscas de sabor. Uma preguiça, outra saudade, uma melodia: Schubert ou Chopin ou Liszt:. O piano toca dentro da minha caixa. E o vinho se faz necessário, uma taça… O excesso me cansa. Medida comedida de vontade. Gosto da chuva e espero o sol para que os travesseiros se iluminem quentes e frescos e os lençóis se perfumem com luz! Então, o vento engrossa a conversa do mau humor. Eu respeito. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Torres (14/11/2019 10:27:01)

2.

Amei /amaste / amamos solto. Fácil o mapa do nosso corpo. A cada surpresa outra certeza de prazer.  Apenas sentir o gosto um do outro. A saliva e o mesmo odor. Sem filosofia, sem psicologia, sem literatura. E sem medida que não fosse exaustão. O tato o jeito e  o riso derramado num copo com água bem lindo! A pequena sacada aberta e flores emolduram dias e noites. Horas desavisadas: somos coloridos. Temos, por inteiro, um ao outro. Desejo ardido. Posse. Acelero sem medo da velocidade, de ultrapassagens, nem da chuva nem da noite tenho medo. Nem das madrugadas. Então, sem pressa,  somos abraços. O brinquedo da alegria e da brejeirice. Não pretendo mudar, alterar, concluir nada. Não há medida. Usufruímos. Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Porto Alegre – Torres – sem medo da verdade. E já não estás mais aqui!

3.

“Pois nada é mais perigoso do que a ambição dos pequenos de serem grandes, e o primeiro objetivo das pequenas nações, mal foram criadas, fora intrigar umas contra as outras, brigando em torno de minúsculas faixas de terra, poloneses contra tchecos, húngaros contra romenos, búlgaros contra sérvios; e em sua condição de país mais fraco de todos nessas rivalidades, a minúscula Áustria defrontava – se com a Alemanha todo-poderosa. Esse país despedaçado, mutilado, cujos soberanos outrora reinaram sobre a Europa, era, devo repetir sempre, a pedra angular.” (p.355)

Stefan Zweig já conheces. Lembro que te mandei o pequeno livro “24 horas na vida de uma mulher”.  Perfeito. Finalmente, eu me encontro com Autografia: o mundo de ontem. E também a vontade de reencontrar a OBRA COMPLETA que esteve nas estantes da biblioteca da casa na rua Vitor Hugo, 229. Compreendo a importância. E se mergulhar em livros didáticos de história, ou específicos, tendenciosamente, eu pergunto, por que não na literatura universal? Zweig faz um traçado de autores com quem conviveu e sofreu influência, e me reaproxima de Romain Rolland, e retoma a música! Ah! Viver tem este gosto de fel e mel e prazer na dor! Eu estou viva! E gosto de respirar! E hoje acordei com aquela vontade de revirar os livros as estantes, o tempo e o amor. Efeito de bons livros e boas insônias e tanto sono! Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2019 – Conclui que os amores amados foram os melhores, e os pais perfeitos, e as irmãs especiais, e os amigos perfeitos. Retrospectiva dos 70 anos esparramados nas buganvílias e nos jasmins, de fronte pra lagoa e no tempo. E hoje relendo volto ao ano de 2020 já no seu ritmo verão. Com chuva. Cinzento. Entre o calor e o fresco. É Torres. Elizabeth M.B. Mattos – janeiro de 2020 – Torres

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