magia pura

…, muito querido, muito amado. Acordei diferente hoje. Ter uma cama grande de casal estranhei. …, engraçado. Uma Albertina resgatando alguma coisa boa. Não sei. Ficar adulta de repente, num susto assusta: Albertina livre, Albertina sem preconceitos. Existe? Deve existir. Penso em dinheiro e no trabalho, outra vida: leve depressão. Espanto. Coloco um disco bem alegre, alto o som. Toma espaço …, e, … eu mesma, … e céu e terra.  Canção francesa …, músicas dos anos 60/70 …, para dançar para rir para estar de pés descalços. Começo a melhorar e a descontrair: sonho com a França, com aulas de francês com pequenas (ou imensas) paixões de jeune fille. A vida feita de pedaços alegres nostálgicos, tristes não. Nunca fiquei/fico triste ao teu lado … Estar contigo foi ACORDAR e olhar para o sol, para cima, para o amor . Leve e tudo azul , ah! teus olhos claros! aqueles que eu sonhava …,  do jeito que eu gosto, tudo nos moldes Albertina menina. Fico assustada outra vez. E eu? E eu hoje MEU DEUS!  Como estou construindo/ fazendo esta minha vida? Arrumar este vazio praiano do apartamento! Louça nova, máquina de fazer sonhos, de lavar louça, o tapete, um quadro com verdes (decorando a sala), não do Iberê, é claro, ou um anel bem lindo com esmeralda, ou ametistas … ametistas penduradas em brinco. Ir ao cabeleireiro …, não. Viajar, viajar para o Nordeste ao encontro do mar mais iluminado do mundo, ou será que não é? Usar óculos escuros, lindíssimos, sofisticados … Armani ou Cartier. Não pensar, não pensar. Quieta, muito quieta para que esta euforia alimente. Lentamente reabastecida.

Partilhar problema, remexer ferida. Tomar decisões, … rir menos porque tudo é tão estupidamente sério e duro e difícil!!!!!! Já sei. Não vou telefonar porque te passo minha tensão, já explicaste, não ficas tranquilo …, mas bem que eu queria ouvir tua voz…pensa! tudo o que precisamos é saúde e tempo para nós, mais nada. Sei lá!!!! Bom te conhecer, doce te amar! Alegre pra mim. Vida transborda do meu corpo, bem estar … Muito bom muito bom muito bom. Sou feliz quando te penso, mesmo quando estás longe estou feliz porque vais chegar: pura magia. Elizabeth M.B. Mattos  – 22 de outubro 1994 – Torres

carta para o FLÁVIO

FT e eu

 

não quero ser triste

” Na realidade, a angústia  que cerca o dinheiro é muito maior do que admitimos para  nós mesmos. Não estou falando de ‘riqueza’ e da ‘pobreza’, ou seja, dos conceitos teóricos, mas do dinheiro, essa matéria cotidiana indefinidamente perigosa e única, essa coisa mais explosiva que a dinamite, dos dezoito florins e dos trezentos e cinquenta florins que ganhamos ou não ganhamos, que entregamos ou negamos a outro ou a nós mesmos … Sobre isso ão se fala. Sobre isso não se fala. As angústias diárias da vida assim se reúnem em torno dessas quantias lamentáveis, as tramoias, as fraudes, as denúncias, os pequenos gestos heroicos, as renúncias e os sacrifícios diários, sacrifícios que se transbordam em tragédias no âmbito das possibilidades de trezentos e cinquenta florins. A literatura fala sobre a economia como se ela  fosse uma armação.  Também no sentido mais profundo da palavra … (p.156) Sándor Márai – De verdade

E afinal, sinto um aperto por não ter a liberdade do dinheiro fácil. Das soluções fáceis. Do sorriso que abraça sem constranger, porque tudo é fácil. De repente a incompetência de não ter pesa nos ombros, e acabo triste. E eu não quero ser triste. Elizabeth M.B. Mattos fevereiro 2018

 

intermináveis telegramas

Amar não termina, … lembrei tanto e tanto de ti e do tamanho que éramos, tu e eu, eu e tu, grande enorme, redundante! O amor afoga devora agitado insone e preguiçoso, … eu sei. Não quero repetir nem voltar atrás. Quero hoje.  Encontrei … aqueles intermináveis telegramas! Ansioso, intenso.  …, não eu não queria tudo outra vez …, não vou explicar. Um vazio no tempo. Respiro. Refaço. Avanço. Mas …, tu não prestas atenção quando falas comigo, …digo outra vez: dia 12 de julho estarei em Porto Alegre, aniversário de 79 anos de minha tia, não prestas atenção.  Quem arrebentava de saudade era eu: “Lundi segunda liguei ninguém encontrei tentarei chegar PAlegre anoitecer  quarta telegrama da estrada confirmado exatidão após cruzar Chui vg espero não estejas Oiapoque como hoje vg arrebento de saudades beijos abraços Gafa”

telegrama

explico …

VESTIDO 

 

…, enroscada na fantasia reinvento o amor. Bom quando chove chuva forte como agora: o cheiro da terra molhada … o cheiro/ perfume e gosto do corpo! …, atravessa espaço rompe a distância. Isso é bom. Comer abacate faz bem para a pele, estar apaixonada faz também muito, muito  bem para a pele.  Respiro melhor. Estico beijo. Este gostar faz tudo ser, escandalosamente, colorido.  Elizabeth M.B. Mattos – 19 de fevereiro de 2018. Torres

 

amor rombo estrago

É como eu disse, nós nos gostávamos / gostamos. (…, é o perigo). Sempre que se usa a palavra gostar é disfarce porque gostar é diferente …, não é conversa, não pode ser pouco, nem mais ou menos, não pode ser amigo, não tem medida pequena, sempre fica muito e transborda, atropela, passa por cima de todo e qualquer bom sentimento, vira paixão, rombo, estrago. Gostar de/ amar apaixonar não tem idade, chega de um jeito tordo azedo, definitivo violento. Destes amores queria contar. Na verdade, não é um único amor, não é aquele, mas muitos de jeitos diferentes. Acesos. Perfeitos. Intensos e, que o tempo apaga. Elizabeth M.B. Mattos Torres em que ano, no passado ou começando o número mágico, – o nove 2018. A conta? 8 + 1 = 9 ( meu número), restam/  sobram, ficam 2 , tu e eu, ou eu e tu, como achares melhor.

“E agora vou lhe dizer uma coisa, caso você não saiba: o amor, se for de verdade, é sempre mortífero. Quero dizer que seu objetivo não é a felicidade, o idílio, a mão na mão, o devaneio, até a minha morte, até a morte dela, sob a tília em flor, atrás da qual, no alpendre, arde o brilho manso da luminária e o lar resplandece com seu perfume fresco … Isso é a vida, mas não é isso o amor. Ele é uma chama mais sombria, mais perigosa. Um dia vem na vida o desejo de conhecer a paixão exterminadora. Sabe, quando não queremos mais guardar nada para nós mesmos, não queremos que um amor nos proporcione saúde, paz, satisfação, mas querermos ser, por inteiro ainda que a preço de extinção. Isso vem tarde, muitos não conhecem o sentimento, nunca …. Eles são prudentes. Não os invejo. ” (p.241)  Sándor Marái De verdade

o mesmo

afinidade idade, enfim

Enquanto procuro uma coisa, perco outra e encontro o que já não estava mais a procurar.  …, numa frase, num sorriso, o estranho. Nunca falamos, sequer olhamos. E, de repente esbarramos.  Posso me esconder atrás da árvore, na sombra, no silêncio! Nenhum lugar esconde. Olhos abertos, pele exposta, …não, não sei explicar. As histórias se prendem umas nas outras. Temperamento, afinidade, descaminho. O que importa nesta roda é a legitimação de ser como somos … , amorosos. Elizabeth M.B. Mattos – 2018 Torres

“Sua vida é feita na medida exata da sua alma. […]  os eventos acontecem a cada um  conforme suas afinidades peculiares.  Cada um encontra o que lhe convém. Assim, se a pessoa se contenta com o medíocre que tem, prova que este medíocre corresponde à sua dimensão, e nada diferente acontecerá. Destinos feitos sob medida. Necessidade de romper suas roupas como o plátano ou o eucalipto, ao crescerem, rompem sua casca.” (p.44) André Gide PALUDES

ambivalência

…, sentir fazer acontecer…, verbos incompatíveis com a correria da idade. Intensidade soluço e amanhecer no meio da tarde. Não entendo, não aceito, aperta. Virado e fora do lugar. As coisas não se desacomodarão … Desordem. Caos. Ninguém controla ambivalência … nos afogamos. Normalmente caminho pela calçada, cuido buracos, saliências, raramente tropeço. Ninguém deveria mergulhar onde não deve…, deveria não acontecer, mas acontece. Estes estranhos fenômenos da natureza deixam o mundo virado. Cabeça virada, corpo do avesso. Não faz sentido. Estou com mais de setenta anos … mais, muito mais.

Monções, o siroco, ou sei lá quantas ventanias … sinto medo. Antes não era assim, não me assustava, apenas estremecia.  Certezas próprias adequadas perfeitas. Noites insones, dores no corpo, ou cabeça fervendo, normal, agora, sinto medo. A desordem me atormenta. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro 2018 – Torres

desordemdesordem dois

se eu me deixar levar

se eu me deixar levar eu vou toda feliz, alegre entregue errada ou certa, desgovernada, assustada, mas vou; o que foi dito é, e …e bem…sem …. não tem dito/explicado, – importa tão pouco! E o sentido se confunde qualquer palavra não é. Então não escrevo. E ponto. Vou me aquietar e respirar fundo. Parar. Estou contigo, estás comigo, tenho sono… E.M.B.Mattos fevereiro 2018

não devia

tem um dia que quando termina não precisa significar, um dia vazio de vontade, de velhice exaustão cansaço …. de ponto:  não vou me esforçar, não vou abrir a porta, não quero ver ninguém. Estou tão completamente triste acabada dolorida. Qualquer bate-boca pode ser inútil mesmo regado com Whisky:  o velho barreiro terminou, vodca terminou….e terminou, o vinho, e terminou a comida, apenas o violão tocou, terminou o dinheiro para o táxi e terminou a vontade e terminou a humildade e civilidade terminou… Não contando o café da manhã, a massa ao meio dia, as omeletes as caipiras, as risadas da despedida tardia das 23 horas. Ficou a louça para lavar e um enorme cansaço vazio e tudo amontoado para depois:…… a pia  a transbordar….Esta coisa de lavar deveria ser dividida. Esta coisa de lavar/ falar tinha que ter cronooooooooooooooooooooooometro, conversa e sorriso, copo com água, felicidade.

Foi assim … um dia feito e costurado em casa de 11 horas da manhã até 23 horas da noite…e ainda faltou R$10,00  para o táxi. Dois dias ….ha !..ha! as danadas divisões que se perdem em centavos. E eu esvaziando estantes com risada. Terminou. Exausta exausta, cansada, desiludida até das risadas, …. já passou. Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro Carnaval – Torres  2018 – preciso dizer das coisas medidas organizadas e divididas, e nenhum obrigada. Acho mesmo que fiz tudo errado, nada ficou no lugar certo, nem o agradecimento, errei em tudo …