saudade de ti

Saudade sinto de ti! […] raiva, desejo, e este gostar se mistura com fantasia. Desespero por este caminho descaminho, complicado, …e, sem volta. O sentimento se despedaça. Eu te disse: não sou romântica. Sou/estou enlouquecida com medo deste fio que se estica, por um fio… Só um fio, apenas um. E nunca és tu porque quem és é existe na minha imaginação. Este entende/sabe. Ninguém ninguém poderá te substituir, nem tu mesmo, sendo… Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres (te encontrar foi dádiva no meio despedaço de tanto desencontro)

tua liberdade escapou

… poema presente e expressiva imagem. Perfeita beleza, … eu me emociono. Entre flores de bronze expande-se uma rosa / trevoso mistério … Sigo a dizer que não mereço. Do teu mundo poeta/poesia nada sei. Que tempo terei? Perdoa, escorrego. Tu me fazes chorar, … como não sentir medo …, e se te esperei por tanto tempo … por que por que tão tarde!

– Tarde seria se não nos conhecêssemos …

Estamos sempre juntos e juntos, … mas quero tudo e mais, não entendo! …, tão livre tão apenas eu …  Fico atordoada sempre a me esquivar, não sei se sei, e fico a te pensar a te pensar e querer te ver/olhar … sinto teu cheiro.

– Tua liberdade escapou!

Escapou … estou presa … Estou presa… só penso em ti. (Chove faz sol chove outra vez … ) Sempre nós. Juntos.

– Sempre.

Não sei como conseguimos ficar tão perto …  Eu me assusto … sinto como se tu estivesses mesmo aqui comigo, ou eu aí contigo. Sempre nós. Juntos.

– Tu sabes que sempre estivemos perto. O olhar é que parecia estar em outra direção. Até que nós nos olhamos…

da despedida

Talvez fosse possível apagar. Começar sem passado. Podar galhos, flores. Sem tronco sem folhas, depois, apenas semente. Talvez não devesse espiar o antes. No entanto, lá está o corpo cheio de cicatrizes com um coração desencontro e encontro. Aberto este coração sangra sarando enquanto se agita.

Ultrapassa evidência. A vontade não domina, mas se submete. O que foi se alça, mesmo que seja, apenas tentativa. Vida ou suicídio. Amar é entender estes pedaços que se enrolam… Usar liberdade fantasiosa encardida enferrujada mentirosa, sem amarras. Despedida: viagem chegada, e encontro contigo comigo conosco . Depois de tanto depois… tantos anos!  Parece maravilhoso e fantasioso. O dia vai passando, nenhuma palavra, nenhuma voz até agora. Doído ansioso (05/04/2017 15:51), perigoso sentimento de abandono. Esta curva insegura me descontrola. Assim penso o teu eu aberto, e secreto. Para desconstruir desenho a despojada, qualquer lugar pode ser o lugar. Qualquer andrajo a roupa. Qualquer descaso pode ser ainda, sentimento. A entrega de reserva escancarada a recomeçar. Anseio: uma curva amorosa. Escondo medo pejo. Eu fui/estou/sinto/ penso felicidade. Acarinhada escandalosamente amada. Tão perto! Tão único! Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

cogmelo na janela linda a foto

um lugar improvável, o amor

coisas da madrugada

O problema não é inventar. E ser inventado hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.

“A verdade essencial é o desconhecido que me habita e a cada amanhecer me dá um soco. ” O Outro  – Carlos Drummond de Andrade CORPO novos poemas – Record 1984

Por que? Por que nascemos para amar, se vamos morrer? Por que morrer, se amamos? Por que falta sentido ao sentido de viver, amar, morrer? C.D. de Andrade

Verdade. A porta da verdade estava aberta, mas só deixava passar meia pessoa de cada vez. Assim não era possível atingir toda a verdade, porque a meia pessoa que entrava só trazia o perfil de meia verdade. E sua segunda metade voltava igualmente com meio perfil. E os meios perfis não coincidiam. C. Drummond de Andrade

O poeta escreve o que importa. Pensa o que importa. Volto ao tema dolorida com o soco. Na madrugada costuro lembrança, abro a janela para respirar a noite, e na colcha, o bordado inacabado. Toda noite uma flor. Não resolvo nada, protelo mais um dia … É como estar no corredor da morte a esperar … Esperar pela inocência, ou um grito/ que anuncie: estás livre, livre, livre! Quando escrevo penso, e se penso volto antes de chegar ao portão. Preciso dar uns poucos passos para entrar no jardim das margaridas … Preciso terminar de colher as maçãs, e as ameixas. Protelo, invento, espero … Como se eu pudesse mesmo interromper a passagem/parar o tempo. E.M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

CDdeAndrade O CORPOCDdeANDRADE CORPO aberto com indicações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

inventar

Eu confesso: problema não é inventar. É ser inventado hora após hora, e nunca ficar pronto. E o desânimo completa o nada deste vazio enorme! Chegar no fundo da saudade, da ridícula e vazia saudade do que não aconteceu. Ir caminhando assim desanimada a sorrir…

Saudade do que poderia ter sido e não foi: simples assim.  Esse romantismo aéreo e voante cheio de assas. Penso: no tempo de ouvir amadurecer as ameixas, e os pêssegos eu flutuava. O sol acariciava os frutos. Dourar redondezas, polir riquezas da terra. Ao amanhecer, junto ao verde dobrado da campanha… Eu era possível, o amor era possível, respirar também. Milagre, tudo certeza, tudo por acontecer… Eu não sabia. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2017 – Torres

LINDA esta foto de abrigo

LEMBRETE

Se procurar bem, você acaba encontrando

não a explicação (duvidosa)  da vida,

mas a poesia (inexplicável) da vida.

Carlos Drummond de Andrade

mãos ásperas

Começa a terminar! Tantos desastres, tanta loucura e tanto amor! Amamos no escuro, sem saber quem como e quando, amamos, simples assim: fantasia, miragem estranhamento. Meninos, adolescentes, e velhos. Quero quem me quer, ou quem penso querer. Reinventei o espaço. Dormi o sono.

Tenho mãos ásperas: polir, lavar, escovar aqui e ali. Espio dezembro. Dois mil e dezoito. És especial, sou especial, somos únicos. Estou a fazer as malas para voltar a Recife, antes São Paulo, outra vez o Rio de Janeiro. Por que não Paris? Por que não Limoges? Por que não São José dos Ausentes, sem esquecer Florianópolis… Acontece em cascata. A Porto Alegre te dar um beijo. Elizabeth M.B. Mattos , novembro de 2017

“É o que chamo imagem-cristal em que um passado é apreendido não simplesmente em função do presente em relação ao qual ele é passado, mas em função do presente que ele foi. […] daí a estranha vida em que é como se víssemos a coisa através de uma bola de cristal.”  Gillhes Deleuze – Images-temps, image-mouvement –

e Francisco Brennand, pinturas

MULHERES NUAS de Brennand

amar amar um pouco mais

Assim mesmo dentro do contexto e da vida. “É interessante a mudança que o amor físico opera no corpo dos homens e das mulheres: a mulher floresce em sua plástica, arredonda -se, perde as asperezas, adquire uma expressão ansiosa ou triunfante; o homem torna se muito mais tranquilo, mais interior.” (p.13) Davis Hebert Lawrence – O Amante de Lady Chatterley – Volume 33 Os Imortais Editora Abril

do outro lado

Madrugada. Escrevo aflita e confiante porque estás do outro lado, e me entendes. Fantasma tu você nós. Uma ideia um grito, e uma loucura de amor. Estranho sentimento deste gostar nebuloso. Não existe o físico o real. A ideia se dilui na fantasia porque se for real, de corpo com corpo, voz com voz…

Se sentir cheiro gosto e prazer: descobrir / mostrar uma ideia de infinito será vida… Olhar nos olhos escutar a voz, e saberei. O sentimento não pertence ao corpo que imagino, e tudo se desfaz. A crueldade/ dureza da pessoa, o eu que nunca está pronto para o amor do amado. Somos outra vez/ sempre / ainda crianças. Estamos, tu e eu, amontoados em baixo do piano de cauda da casa de Ana Maria na rua Vitor Hugo. Cartas do baralho definem o Rei e a Rainha, e com o trotar dos cavalos pela floresta atravessando pontes vemos o castelo. O vento da janela aberta derruba as cartas: portas janelas corredores desabam, … recomeçaremos. A brincadeira não termina naquele fim de manhã. Elizabeth M.B. Mattos –  fim de novembro 2017 – Torres –

E, enquanto chove… Como chove! Penso:

Há um saber, um saber pouco que é mais do que nada, não sendo muita coisa, um saber de ti e nosso que é pouco! Mas no interior deste entendimento rarefeito descontínuo de tão pouca informação tua presença deixa rastros indícios e aromas que se misturam, os teus, nos meus. A continuidade se antecipa e espera/aguarda o saber recíproco que existe além de nós os dois…  Este saber tem um sabor que se regozija neste provisório incompleto que não sabe, e nem necessita saber: desencontros, ou perdas ou descaminhos, pois é amor. Do amorasazuis.com: sabes o que não sei –  25 de abril de 2017 – Torres – Elizabeth M.B. Mattos

“ J’ai rêvé, l’ autre soir, d’ îles plus vertes que le songe… Et les navigateurs descendente au rivage em quête d´une eau bleue; ils voient  –  c’ est le reflux  – le lit refait des sables ruisselants:  la mer arborescente y laisse, s’ enlisant, ces pures empreintes capillaires, comme de grandes palmes supliciées, des grandes filles extasiées qu’ elle couche em larmes dans leurs pagnes et dans leurs tresses dénouées.

Et ce sont là figurations du songe. Mais toi l’homme au front droit, couché dans la réalité du songe, tu bois à même la bouche ronde, et sais son revêtement punique: chair de grande amour et c’ coeur d’ oponce, figure d’ Afrique et fruit d’ Asie… Fruits de la femme, ô mon amour, sont plus que de mer: de moi non peinte ni parée, reçois les arbres de l´été…” (p.111-112) Amers  – Saint- John Perse – Poesie Gallimard

P. S. Necessidade de trabalho: dedicar seis horas ao projeto.

pedra e poema sentido certopedra e poemamuro de berlim pedaço

Um pedaço do muro de Berlim, – recolhido no dia  da grande festa! Ana Maria M.B. Vianna Moog estava em Berlim

muro e livros

insistência enlouquecida

Fui reler cartas que te escrevi …  As mesmas e repetidas histórias de abandono, de beleza, e de silencio velado, como criança que se faz aparecer, e depois fica envergonha. Neuroses não curadas, o meio fato, ou a meia verdade. O mesmo passado num ensaio repetido sem que exista o definitivo. Escrita circular.  A mesma história desorganizada …  Sem desfecho, sem sentido. Contada infinitas vezes, e se interrompe no mesmo ponto. Um colorindo difuso, sem o desenho. Sem consistência. Olhada do lado avesso, ou do direito, mas inconclusa E me surpreendi com este emaranhado de lembranças. Sim deveria ser organizada. E o inconstante vem junto neste modelo inacabado…E faz muito tempo alguém me disse que se lesse uma carta minha de 50 anos atrás, ou 45 anos atrás ou da semana passada, ou 20 anos ou um mês seria a mesma coisa. O mesmo interrompido e lamuriento fato. Será viver uma insistência enlouquecida de dizer, gritar e nunca compreender? Elizabeth M.B. Mattos – novembro de 2017 – Torres

Farionh pesquisar

Aquarela de Fharion – João Fahrion – pintor, ilustrador, desenhista, gravador e professor brasileiro.