MANUCA LEAL e a memória

Generosa referência da memória que abraça e retoma, retorna. Uma palavra, e, súbito volta o tempo, revigora… A boa trilha. O que o outro lembra importa. O agora permanece esticado, permanente. Constato. Estamos para sempre presos na memória do outro. No depoimento, a voz das estórias voltamos. E fico em longas e amistosa conversa… Elizabeth M.B. Mattos: fotos de Luiza Mattos Domingues Recife, maio de 2017

ESCULTURA CERÂMICA

“Parabéns amigo e aliado de longa data… A Cerâmica e a Casa grande do Engenho São Francisco tanto quanto a casa da Praia em Candeias me traz boas lembranças, desde criança. Gostava de andar nos cavalos e tomar banho na praia de Candeias de águas rasas e coqueirais desérticos. Obrigado também pelos prazeres da  minha adolescência, quando pude participar dos almoços de domingo, com Deborah, você e convidados, sempre falando de cultura … Saudades de Aloísio Magalhães, Pio Guerra, Marcelo Mario Carneiro Leão e André, meu padrinho Ariano Suassuna, Bebe Seixas, Luiz Tavares, de Zélia, Maria Carmem, Hilda, Maria Dulce, Tânia … e tantos outros, e os de fora , muitos levados por Cesar, Donald Schuller, a linda Lina Bo Bardi, Pietro Bardi, Niemeyer, Burle Marx, Carlos Néjar, Pontes, Ledo Ivo, Antônio Houaiss, Álvaro Lins, José Guilherme Mérquior, Jorge Amado e Zélia, Mauro Motta, Marcos Vilaça, o Grande Eduardo Portella, (padrinho de um de meus irmãos) Nélida Pinõn, Hilda Hilst, Afrânio Coutinho, Ivan Junqueira, o pintor João Câmera, escultor Abelardo da Hora e tantos outros. Isso sim era uma verdadeira Academia de aprendizado …, mas só seis faziam parte da ACADEMIA DOS EMPAREDADOS, Você, Cesar, Marcelo, André Bebe Seixas e Ariano.
Obrigado também, por me ajudar no início de meus negócios,
sendo dos meus primeiros clientes.  Todo esse trabalho de restauração, e antes de tudo instalação de uma nova Industria, inclusive, dando segmento as peças de porcelanas iniciadas por seu pai, e o senhor Ricardo Lacerda, porcelanas que faltavam no mercado para o nordeste pobre e sul longe, … comparáveis as Villeroy, Bosh, Lomonosov, Braz Gil e outras, tudo isso foi o resultado de muita dedicação, foco, trabalho duro e incansável e vontade de se realizar…
Você conseguiu! É Um Vencedor, dos grandes e Eterno…O tempo não acaba a Obra, … você já tinha dito que talvez precisasse ter duas vidas para completar as obras … as obras já estão completas, mas as duas vidas com toda sabedoria nos traria mais e mais o que há de melhor. Você na escultura e Balthus na pintura, sempre estiveram ligados a sexualidade. Como você disse, eu digo, a melhor maneira de viver é não ter medo da morte. Você já diz que tem medo do sofrimento. Com a morte só se perde o presente. Mas não o passado que já não temos e nem o futuro que não teremos. Você diz que começamos a morrer ao nascer. Schopenhauer, dizia que o erro é nascer, mas uma vez nascido, devíamos fazer de tudo para ter uma vida a menos sofrida possível.
Outro dia comentei que se muitos dos nossos grandes artistas morassem fora seriam tão grandes ou maiores que muitos que estão por aí na Europa e EUA. Mas como você diz, a lucidez, os hábitos, valores, mas sobretudo a cerâmica, embora em ruínas, as estruturas para a obra estavam aqui em Recife mesmo. E tudo que você vislumbrava, com certeza, estava aqui. Mesmo sem a ajuda dos irmãos e primos, mas com o incentivo de seus amigos entre eles, Cesar, e a lealdade dos seus assessores mais próximos… a obra se realizou e está viva, e está aqui. Um sonho, a velha fábrica abandonada se tornou a realidade: Oficina Francisco Brennand. Pessoas com sobrenomes Brennand tem muitos…
Mas, apenas um Brennand será eterno e inigualável. O abraço de sempre, meu de meus irmãos e de Jazette … Vida longa desejamos, e ainda estendido a Nenem, Mary, Pierre, Victória, e In Memorian a Deborah,a Deby de sempre, alegre e defensora e criadoras dos animais. Enfim a todos. ”

SIMBOLO de BRENNAND

Lomonosov porcelanaVilleroy

Balthus lindaaaaaaaaaaaaaaaaBalthus lindaaaaaaaaaaaaaaaaBalthus lindaaaaaaaaaaaaaaaaBras Gil

ELE soube escrever coisas duras sobre as mulheres, ou viu assim mesmo como bruxas…

OUTRA PLACA DE BRENNAND NUNCA INERTE

SORRINDO SORRINDO ESTA

MARAVILHOSA ESTA

NÓS DOIS BRENNANDBRENNAND FALANDO comigo

DE COSTAS no ATELIER LINDAAAAAAAAAAAAAAAAAA

LINDAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

27 de fevereiro de 1975

Yara a quem nunca vi, me sopra um beijo na boca por telefone. Ela frisa:’Um beijo na boca’. É estranho e comovente o poder de entrega das mulheres, mesmo quando mentem, mesmo quando fingem. Há sempre algum capricho nesta espécie de doçura feminina que é superior a qualquer forma de dissimulação ou impostura. Elas se entregam mesmo quando violadas. São verdadeiras, mesmo quando falseiam a verdade.

As mulheres, no conceito medieval – quando emergiam do império das trevas e que estavam sempre envoltas com bruxarias -, não eram definidas como criaturas malignas, e sim como o próprio mal: para um bruxo dez mil bruxas…

FRANCISCO BRENNAND

PROPRIEDADE SANTOS COSME E DAMIÃO FRANCISCO BRENNAND e eu

PROPRIEDADE COSME E DAMIÃO

PREDIO LINDO

TODAS AS FOTOS foram tiradas por LUIZA MATTOS DOMINGUES, Recife, maio de 2017.

Propriedade Santos Cosme e Damião

9 de março

Deixo aos vários futuros (não a todos) meu jardim de veredas que se bifurcam.

Manhã preparando recortes de papel (notícias sobre mim mesmo) num caderno; aplicada tarefa de alguém que pretende colocar sua vida em ordem, numa corrida pacífica para o nada. Enfim, uma espécie de testamento jornalístico e sem valor algum. De contrapartida, a repentina ousadia de queimar – sem nenhuma hesitação – grande parte de meus cadernos de 1964 a 1974. Quando eu dei entrada definitiva nos portões desta velha Fábrica (2 de novembro de 1971), eu sabia que um novo destino faria o seu trabalho e que a Providência (como quiserem entender) me seria favorável. E não foi por outra razão que tive o trabalho de copiar neste caderno um trecho de Wagner, como se eu próprio o estivesse escrevendo. É estranho, mas é verdadeiro: “Estava convencido de que seus erros e as falhas de seu caráter eram secundários. Manifesta-se em mim uma vontade mais forte do que o valor de minha personalidade. É a tal consciência deste fato que já não me pergunto se quero ou não quero. Quem a isso se encarrega é o maravilho gênio que hei de servir, porquanto me resta de vida e que me ordena cumprir aquilo que só eu sou capaz de fazer.

Depois da destruição pelo fogo – não numa fogueira comum, mas utilizando um forno cerâmico contínuo, em forma de túnel, usado para queima de material refratário de alta temperatura (1.400 Graus C) – pude verificar, ainda na entrada do forno (cerca de 300 Graus C), os cadernos se retorcerem agonicamente, como almas penadas nas chamas do inferno, à espera da fatal condenação. Não foi uma brincadeira, e sim um ritual. Só desta forma eu poderia seguir o exemplo de Pasternak: “Deixa em branco algumas páginas da tua vida. ” (p.263) Diário de Francisco Brennand

 O Nome do Livro Volume I (1949 – 1979)  Recife/ Rio de Janeiro:  Inquietude, 2016.

EXPLICANDOOUVINDO E SORRINDOFALANDO LINDA braços abertosMARAVILHOSA ESTASORRINDO SORRINDO ESTATOCANDO NELEBRENNAND FALANDOSORRINDO SORRINDO ESTA

EXPLICANDO O ESPAÇO muito boa

DEDO EM pé ACRESCENTAR

SAINDO com ÓCULOS PRETOS

SOU EU SÉRIA E BONITA SERENA

Experiência visual e humana aqueceram minha alma. Afinal viver importa. Estar vivo, continuar fazendo e sendo e amando. Recife foi/é importante: eu me senti, especialmente, viva e natural. Eu comigo mesma, incompleta e inteira. Agradeço minha filha Luiza ter tido a paciência e a amorosidade de ESTAR completamente comigo neste momento.  Recife, 11 de junho de 2017, aniversario de 90 anos de Francisco Brennand – Elizabeth M. B. Mattos – junho 2017 – Torres

ele pisa na grama, pisa nas flores

“Primeira Carta

Pense no quanto você não conseguiu prever o que aconteceria, meu amor. Quanta infelicidade! Fomos traídos por falsas esperanças. A paixão em que você depositava tantos planos de alegria não lhe causa hoje senão extrema angústia, só comparável à própria crueldade da ausência que ela mesmo provoca.”(p.17)  Mariana Alcoforado, Cartas de Amoro , Editora Imago, 1002

MURANO Itáfia foto Marina Ppeifer

Murano, Itália. 2017 foto de Marina Pfeifer

 

F. A. Travassos

Recife,

Perto do Capibaribe,

10 de junho. 2017

Meu querido,

Escrevo todos os dias. Não é saudade da voz do olhar nem da ausência, mas saudade de mim mesma. Saudade distraída e atenta, sonolenta, mas acordada. Coloquei cravos no vaso de Murano. * Debruçada na memória releio as cartas que mandas de Longéia. Sinto e pressinto. Não existes, eu te invento, e eu te amo de amor assim mesmo, e assim mesmo inventado eu te leio neste papel feito de azul. A luz ilumina o quarto. Depois de dez ou oito dias com chuva e chuva o sol, sinto frio, não tão frio, mas ainda assim mesmo frio, mas o rio se ilumina. E a grama do jardim fica verde. E o sono demora para chegar, e as notícias do Brasil são as piores possíveis, entristeço, mas não digo nada, já não faz sentido dizer qualquer coisa, nada muda/ou se transforma, tudo fica. E segue a loucura de revirar/reinventar o absurdo. O picadeiro do circo tomado. Lembras do poema daquele que diz ele pisa na grama, pisa nas flores arromba nossa porta e / porque não dizemos nada este invasor mata/destrói, não é assim o poema, mas é este o dizer: o nada nos elimina, então, por favor, meu querido, diz. Para nós eu danço, danço todas as tardes, escuto música, e me debruço na janela, a janela do nosso quarto embora todas as outras estejam abertas, escolho a nossa. E escuto o silêncio povoado de memória e papel. “Quando o barco perde a praia quanto tudo diz adeus e se apaga a luz do céu. Histórias que não voltam mais…”. Eu te beijo, eu te abraço e também não digo nada, espero esperançada que voltes logo, e me acordes. Elizabeth M. B. Mattos / Torres

FALANDO LINDA braços abertos

* Em 1291, o prefeito de Veneza, Itália, ordenou que todas as fábricas de vidro mudassem para a ilha de Murano para prevenir que possíveis fogos das indústrias afetassem a cidade de Veneza.[1] Desde então, o vidro de Murano é reconhecido por sua beleza e cor.

O VIDRO NO FOGO

A.M. Cailleteaux

Croisset,

perto de Rouen,

4 de junho. 1857

Senhor,

A carta elogiosa que me escreveu faz com que seja um dever responder francamente sua questão.

Não, senhor, nenhum modelo posou para mim. Madame Bovary ‘’e uma pura invenção. Todos os personagens deste livro são completamente imaginados, e Yonville-l’Abbaye é uma região que não existe, tal como Rieulle etc. O que não impede que aqui na Normandia, queiram descobrir em meu romance uma multidão de alusões. Se eu tivesse procedido assim, meus retratos seriam menos parecidos, porque eu teria em vista as personalidades, e eu quis, ao contrário, reproduzir tipos.

É uma das mais doces alegrias da literatura, senhor, essa de despertar simpatias desconhecidas. Receba também a manifestação da minha. Com minhas saudações. (p174) CARTAS EXEMPLARES, Gustave Flaubert, Organização, prefácio e notas: Duda Machado. Editora Imago, Coleção Lazuli.

 

não posso mais dançar?

…voltei de Recife, mas não cheguei tanto este jeito esfarelado esquisito e engraçado de ser me aborrece…  Diferente entre nostálgico irritado e triste. Um pedaço tomado por angustia sem entender aquele outro pedaço que exige e quer vida abraço beijo abraço e risada, outro beijo. Faz muito tempo que não consigo chegar dentro de mim nem entender quem sou e por que sou assim lenta e acelerada. Talvez a idade, estes danados setenta anos que logo serão setenta e um, dois e quatro. Estes anos me adolesceram, e me rejuvenesceram, no entanto, as dores ficam. Os joelhos, a perna esquerda, as costas, os olhos! Ah! Queria/gostaria que eles enxergassem mais e melhor. Repudio este fazer desorganizado, e este sentir dolorido. Nostálgica, apegada e distante. De noite perambulo, olho para o céu e para a chuva e espero. Quando jovem o vazio e o desespero, a lágrima alimentavam.

gostava de vestir fantasia de moça recolhida, entristecida, romântica enquanto séria e expectante. A moça que escrevia, lia e alimentava ilusão de que o amanhã seria enorme, imenso, vasto e infinito. Foi com estas fantasias que ele e eu nos vestimos. O inverno nos surpreenderia abastecidos e saciados. Então eu me pergunto por que acordei se não posso mais dançar? Elizabeth M.B. Mattos – junho de 2017 – Torres

do corpo junto ao corpo

Tenho certeza que a angustia o aperto aquela dor que sufoca só diminui com o abraço, o beijo. Não resolve esconder a lembrança ou a saudade ou a vontade de nada fazer. Não consigo dormir, não consigo pensar. A cabeça ferve, e um cinzento cinza se espalha pelo céu e pelo mar, e se confunde …, mas o mar, o mar tem magia na onda que brilha … a natureza responde e o temporal não termina … e a chuva lava e leva e nada resolve. Quero abraço, abraço, e mais abraço, … nenhuma voz, beijo e beijo, só a quietude de um abraço manso contínuo … importa a quietude do abraço, do corpo junto ao corpo. Elizabeth M. B. Mattos Torres junho de 2017

 

“A meu ver, o pecado original foi comum aos dois sexos, mas compreendido de maneira diversa por cada um desses incomunicáveis parceiros. Talvez seja esta uma das consequências mais dolorosas da queda: homens e mulheres estigmatizados por uma saudade louca do seu perdido companheiro e sem possibilidade alguma de resgatá-lo. ” (p.299) Diário De Francisco Brennand, O Nome do Livro, Volume II 1980-1089

do eu e do meu

“A amizade dos dois jovens se baseava na divergência entre seus sentimentos do eu e do meu, os de um ansiando pelos do outro. Pois a encarnação causa isolamento, o isolamento cria diferenças, a diferença provoca comparações, das comparações nasce desassossego, o desassossego faz surgir o espanto, o espanto tende para a admiração, a admiração, finalmente, tende para o desejo de troca e união Etad vai tad. Mútuas. Isso é aquilo. O preceito se aplica sobretudo à mocidade quando o barro da vida é ainda maleável e os sentimentos do eu e do meu ainda não se petrificaram na divisão da personalidade isolada. ” (p.12-13) As Cabeças Tocadas, Thomas Mann, Ed Globo, Porto Alegre,1945.

As cabeças trocadas

… ele/ela fez a mágica

TEXTO Campbell

Moyers: O amor está aí, bem diante de mim. O Amor é o caminho que se abre à minha frente, os olhos …

Campbell: …aquela ideia do encontro dos olhares. “Assim, pelos olhos, o amor atinge o coração: pois os olhos são os espiões do coração. ”

Moyers: O que os trovadores aprenderam sobre a psique? Ouvimos falar da psique – Eros amou Psique – e fomos alertados para a necessidade de compreender nossa psique. O que os trovadores descobriram sobre a psique humana?

Campbell: O que eles descobriram foi um determinado aspecto particular da psique, de que não é possível falar em termos puramente gerais. A experiência individual, o empenho do indivíduo na experiência, a crença do indivíduo na experiência, a vida individual – esse é o ponto chave.

Moyers: Então o amor não é o amor em geral, é o amor por essa mulher?

Campbell: Por essa única mulher. Exato.

Moyers: Na sua opinião, por que é que nos apaixonamos por determinada pessoa e não por outra?

Campbell: Não seria eu a dizê-lo. É uma coisa muito misteriosa, aquela coisa elétrica que acontece, e depois a agonia que pode advir. Os trovadores celebraram a agonia do amor, a enfermidade que os médicos não podem curar, as feridas que só podem ser cicatrizadas pela arma que as provocou.

Moyers: O que isso quer dizer?

Campbell: A ferida é a ferida da minha paixão e a agonia do meu amor por esta criatura. A única criatura capaz de cicatriza-la é aquela que provocou o ferimento. Este é o motivo que aparece, de forma simbólica, em histórias medievais, o motivo da lança que produz um ferimento. Só quando a lança toca de novo a ferida é que esta chega a cicatrizar. (p.205) Histórias de amor e matrimônio, O Poder do Mito, Joseph Campbell com Bill Moyers

O PODER DO MITO

 

 

 

 

 

 

 

Se fotos contam história apenas uma faz a diferença do que não se diz nada

fazendo força

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received_1113591038662027Gustavo e o caféOS TRÊS FILHOSBrennand e Luizaunnamed.jpg MINHA FOTO com ele

 

É preciso distrair certas evidências e sentimento, … se tudo tivesse acontecido até chegar ao fim natural, (história de amor tem ponto final) na exaustão prevista com serenidade  … seria diferente, talvez nem fosse.

O frio entra e se cola nos ossos, que tempo chuvoso!  Este amuado todo de saudade se espreguiça, e se alonga na ausência machucada.

Foi excesso te encontrar. Foi excesso te amar adolescendo, foi excesso o tempo, foi excesso o permissivo. Foi excesso ceder, avançar. Foi excesso te perder definitivamente porque não vais, ficas, ficaste ficarás. Ficarei a te esperar até voltares …

Carlos Drummond de Andrade no poema Ausência escreve: “Por muito tempo achei que a ausência é falta. E lastimava, ignorante, a falta. Hoje não a lastimo. Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.

Boa ideia estares em mim, e seguires assim, mão na mão, sonho no sonho. Segue uma alegria brejeira de encontrar, … nos encontrar. Elizabeth M.B. Mattos, Torres junho de 2017

unnamed.jpgSAPECA E CARETEIRA

Flavio Tavares

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gustavo py gustavogustavoNosso vinho

PEDRO

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INSTITUTO

 

 

Rachmaninov Concerto No 2

Gosto de Rachmaninov porque minha mãe gostava/adorava o concerto número dois de Rachmaninov. Nunca perguntei porque ela gostava tanto …  Jovens são preocupados com pequenos prazeres e grandes decepções! Sempre enormes injustiças a serem choradas …  Deveria existir um motivo que ela não mencionou. A música acorda lembranças e prazeres.  Gostava daquela máscara de Beethoven … A nova sinfonia, a quinta, todas elas em pequenos discos de vinil …  Existem histórias atrás dos objetos. Lembro de um piano de parede que Willy tinha num quarto apertado onde morava. Ele e seus olhos tremendamente azuis, meu professor de francês belga. E do piano de meia cauda da minha sogra. E do lustre de cristal com pingentes que iluminavam a enorme sala com tantos tapetes persas! Lembro da casa da Vitor Hugo com suas lareiras acesas, e dos nós de pinho chorando… E do meu pequeno apartamento da rua Viúva Lacerda no Rio de Janeiro. Janelas abertas para deixar o Cristo Redentor se mostrar inteiro… Elizabeth M.B. Mattos Torres junho de 2017