Notícias estranhadas, ou diluídas entediadas, as mesmas.
Retomo palavras da citação: caminho, frescura + vergonha e inferioridade = eu me renovo, eu me proponho, eu recomeço, mas sinto vergonha do pouco progresso, da mesmice, de apreender devagar, ou até de emburrar, empacada. Vejo um muro, porta fechada. Por que isso ou aquilo? E eu me consolo, eu me embalo. Eu ouço música. Bebo o café, penso que deveria fazer um bule de chá, arrumar o armário, ou pendurar as roupas.
“A caminho, a frescura do ar, e a vergonha que lhe causava a consciência de sua inferioridade, puseram – no em condições de ordenar suas ideias; e o trajeto foi curto, e à medida que se aproximava da sua casa, o conde sentia renovarem – se todas as suas angústias. ” (p.149) Umberto Eco Elogio do Monte Cristo in Sobre os ESPELHOS e outros ENSAIOS
Esquisita falta importância ou loucura, ou raiva. A cabeça deslocada, insanidade. A dor veste uma memória. Lembrança se desmancha e brota. (…, risos.) Falar, falar, falar ou escrever. Respirar. E tudo será defesa. Nem era o grande amor, nem era especial, nem era para sempre, nem era o que imaginei. Chegou perto / muito, e perigosamente perto, e me desnudou com voltas / feitiço e encantamento. Rodeado de casos amorosos. Minúsculos, ou insignificantes. Pequenas aldeais povoadas. E as estórias se misturam em conversas compridas soltas feito fitas coloridas a balançarem ao vento: todas com palavras suspiros e verdades e mentiras e … aquela poeira levanta. Eu me esquivo. Eu me exponho exibida. Eu respondo que não sei, foi tão depressa, tão ao acaso, tão num repente, de imediato, sem data, assim, … nem sei se foi comigo?! É a defesa. A defesa se agarra no esquecimento, se afoga na negativa, não tem nada de altaneira, de visível. A defesa se multiplica num emaranhado de palavras conceitos lembranças e tantos não me lembro. Quem eram estes dois?
Volto para dentro de mim mesma e vejo a menina acordando, a jovem se espreguiçando. A mulher a se contar estórias. Repasso as roupas pretas, os lenços coloridos, escuto risadas, bebo outra vez o vinho, e já tenho cabelos brancos. Trabalho. Sou feliz, refeita, livre, presa, amarrada, sou eu aquela mulher que corre, que vai sem ir … sou eu mesma? Não sei. Uma transfusão. Desvendar o inventando fantasiando. Entro na minha vida -, luz e jogo, estou presente sem estar. Estou anciã depois daquela adolescência toda. Perco a memória e me desencontro dos fatos evidências ou provas. Coloquei os óculos em qual mesa? Perdi o livro, mas faz dois minutos estava nas minhas mãos. Eu já almocei? Céus! A roupa não está na gaveta que pensei estar. Assim, este amontoado de histórias sem começo nem fim …, e eu me volto para quem se coloca insistente ao platônico faz de conta que é … O que importa se fecha na ausência e na imprecisão. Conversas se abrem e se fecham como flores. Eu te espero. Elizabeth M.B. Mattos – setembro de 2018 – Torres
Acho tudo um escândalo. Perfeitamente gritante. Sempre que leio AmorasAzuis.com fico com a sensação de que poderia ter dito, escrito ou pensado algo semelhante. É tua humanidade, profunda, sensata e irrefreada que te faz errada e certa. Variante. O humor e a auto-percepção. Como gosto de espelhos! Vejo-me sempre. Talvez seja mesmo narcisismo. Mas geralmente não. Olho o meu rosto no espelho, o rosto só não…, e busco o rosto daquele menino a descobrir as dores dos fracassos e as alegrias dos sucessos. Me sinto presente. Totalmente. Também tenho raiva. Afinal, os fracassos costumam ecoar pelos anos afora e os sucessos geralmente são subestimados. E tens, nesta de hoje, um detalhe sobre o tempo que valorizo muito. O vento. Este fantasma a nos dizer que vivemos no fundo de um Oceano Atmosférico. Pode destruir construções, arrancar árvores e nos jogar ao longe. Mas geralmente tenho-o como meu ponto de referência. Não rastejo, afinal, ao fundo deste oceano… Sou parte dele. Vento vente sobre mim, meus cabelos, meu rosto nú. De todas as partes do meu corpo geralmente é o rosto que se deixa despido mesmo que voces, mulheres, o maqueiem… ainda assim está nú. Prestes a sentir a temperatura, o aroma, a força e tudo o mais. Errada? Não… Humana.