relampejar

Prima Norma me contou de ti…, saudade e tudo! beijuca, admiração!

Que incrível! Que perfeito chegar em ti. Saudade daqueles meninos que fomos caminhando sobre sacos, nos galpões, onde foi aquilo? Saudade dos pais que tivemos, e do cheiro de ser criança! Boa sensação, te imaginar percorrendo o Amoras. Como será que tu estás?

Sei lá como estou! Estás bem? (rindo) Emocionado com teu texto… ranjou um fã… deste jeito (rindo)

Com vontade de conversar mais. Não lembro a idade que tínhamos quando nos vimos pela última vez. Boa sensação de reencontro. Coloquei no Amoras uma foto do Érico Veríssimo e da mãe com a Rita. Eram padrinhos. Viste? Estamos bem tu e eu, certamente estamos bem.

Fui ali e vi que faltou um O em como estou! Espia lá http://palavrasavoantes.wordpress.com

 assim começou …

Eu vi. Droga de tempo mágica de tempo! Parece que te vi ontem, e eu te vejo. Estranho! Entrei no palavrasavoantes do mesmo wordpress —, fiquei inquieta te lendo e te pensando, já tinha lembrado do violão …, e a Rita linda! ligados pelo fio da história de nossos pais! Tempo …, e onde moras? Estou mexida pelo encontro.

Magia … Chove muito aqui! Mas me faz bem RELAMPEJAR, …

Se relampejamos acontecemos …, se sentimos, criamos. Se o passado volta volta o mistério, e os tropeços ! O mágico. Surpresas. Éramos nós crianças. Imagem guardada. Bons cheiros destes sentimentos …  Não vejo nem o Alberto, nem a Nelly, nem meu pai ou minha mãe! Apenas nós dois, crianças. Estou rindo. A chuva se mistura com o sol! Elizabeth M.B. Mattos – 2014 Torres

“Não tenha medo da vida”

” Hoje, tantos anos mais tarde, quando me lembro das palavras que me vieram à mente com a ajuda de Deus, ainda sorrio, mas vejo nelas alguma verdade: ‘ Talvez eu esteja com medo da vida, doutor.’ E esta seria minha última visita ao psicanalista, que não pôde fazer mais do que se despedir de mim com as palavras: ‘ Não tenha medo da vida, Kemal Bey“. (p.195) Orphan Pamuk Museu da Inocência

Obsessão amorosa e embate entre tradição e modernidade. Não importa a idade do apaixonar, enamorar porque sempre está impregnada do que há de melhor na vida. Beth Mattos – julho frio e molhado e cinzento de 2018

insuportável

Insuportável  sentimento. Impotência. Escondo a voz na chuva. Busco no vazio outro nada, outra invenção. O desejo sai da vontade e do querer. “O que ontem era insuportável de tanto que doía e queimava hoje não dói mais. Você está sentado num banco e está sereno. Pensa algo como:’Frango recheado’. Ou: ‘Mestres-cantores de Nuremberg’. Ou: ‘Preciso comprar uma lâmpada nova para o abajur.’ E isso tudo é realidade e é igualmente importante. Ontem tudo era improvável, frágil e sem sentido, e a realidade era completamente diversa. Ontem você ainda desejava vingança ou redenção, queria que ele telefonasse ou que precisasse de você […] Sabe, enquanto você sente coisas assim, o outro se alegra à distância. Tem poder sobre você […] Mas chega um dia em que você acorda, esfrega os olhos, boceja, e de repente percebe que não quer mais nada. Não se importa nem de encontrá-lo na rua. Se ele telefonar, você vai atender, como se deve. Se ele quiser vê -la e você precisar encontrá-lo, pois não, que disponha. […] Já pode, porque não dói mais.” (p.127) Sándor Márai  De Verdade

Dentro de mim  não passou,  lateja / grita / volta como se pudesses te materializar. E eu me consumisse no teu beijo.

Envelhecer assusta. Um sinalizador da impotência/ inviabilidade do que antes poderia ser apenas audácia. Racionalizo e constato palavras, apenas um amontoado de palavras. Imaginação. Não posso te esperar em nenhuma rodoviária, nenhum aeroporto, não existem pontos de encontro. Não existe o outro, estou plantada na minha própria imaginação. Elizabeth M.B.Mattos –  Torres, julho de 2018

quadross

pode ser reivindicado

Não sei como me desfazer do desagrado, nem do vazio, nem da sensação de lutar em vão. Lutar contra a sombra que me acompanha zombeteira. Palavras voam fazem rasantes se esparramam no meio da sala. Preciso encontrar o jeito …, a reza, ou o caminho. Insólito sentimento. Elizabeth M.B. Mattos julho de 2018

confiar seus males

O tempo não tinha desbotado minhas lembranças (como eu pedira a Deus), nem curado minhas feridas como dizem que sempre faz. Eu começava cada dia na esperança de estar melhor, com minhas lembranças um pouco menos aguçadas, mas acordava sempre para a mesma dor, como se um lampião negro ardesse o tempo todo dentro de mim, irradiando as trevas. Como eu ansiava por pensar nela só um pouco menos, e acreditar que, com o tempo viria a esquece – la! Mal havia um momento em que eu não pensasse nela; a verdade é que, com poucas exceções, pensava nela o tempo todo.” (p.177) Orhan Pamuk / O Museu da Inocência ...,fico possuída e tomada de raiva porque não consigo apagar uma ideia uma possibilidade um café uma rodoviária, um possível sorriso, ou seja, um nada me assombra. Eu posso sapatear, abrir espaços buracos negros pra jogar todos os escritos e então deixar de me assombrar com o que não acontece. Sigo lendo desanimada e a história do livro Neve me assombra. Terei que caminhar e ir até o mar, mergulhar, pular, ouvir todas as músicas, esquecer, ir ao cinema, magia negra. Então ficará apenas pó. Beth Mattos – fevereiro 2018 A Copa terminou deixando um grande vazio. Amanhã começam os nossos jogos. Será que vou me animar a correr/torcer pelo Internacional? Não sei. E. Menna Barreto Mattos fevereiro 2018 – Torres

sem hora para nós

L., meu amigo, meu querido. Quantas vezes sentei para escrever! Muitas. Algumas cartas chegaram, outras não; algumas mandei, outras ficaram envergonhadas. Nas últimas vezes que nos falamos estavas próximo, disseste coisas importantes sobre eu mesma – … e, eu sempre a fugir de quem sou, como sou, escondo/ ou derramo carência, deficiência. Não sei o que pode ser; nestes anos tantos, e todos que nos conhecemos aprendi uma coisa a nosso respeito: em crises / nas crises preciso de ti, e como! e muito! Explicar? Não sei. Sempre conversamos. Sempre conversaremos. Acho que é isto: de alguma forma nos dissemos as coisas sentidas … De repente, surge uma urgência em te ver, em querer saber de ti e perguntar não sei exstamento o quê. Ou uma coisa idiota como: quem eu sou? Tu podes me contar? Quero um tempo grande, comprido, sem hora  para nós dois, maior do que qualquer um que tenhamos tido nestes sessenta anos. (Tínhamos 10 anos, ou nove anos, ou oito quando nos conhecemos?) Sempre coloquei barreiras, por quê? Ah! Se tu pudesses ter/agarrar o tempo! Se eu chegasse nesse tempo! Se eu tivesse certeza que queres conversar/falar, e estar um pouco junto … ter certeza. Querer. Acho que estou sempre importunando, impondo presença. O telefone desligou duas vezes e quase não ligo mais, … achei que estavas aborrecido com a insistência! (bom escutar tua voz, o timbre seguro forte). Quero te ver, coisa de menina. E já estou velha, mas tenho reações estúpidas; como se a vida tivesse me dado um grande e permanente e contínuo susto. Lembro da rua Vitor Hugo, e dos filmes que não vimos juntos. Da tua presença sinto carência de abraço. Carência que  não termina, fantasia, amizade-amor, irmão e a tal saudade. Sempre me  fazes falta e, paradoxalmente, sempre estás comigo. Tudo.

Vontade de rever as pessoas que me envolvem. Por que tenho medo delas? Por que nunca estou pronta? Oxalá me telefones no meio da noite, agora, quem sabe estás insone como eu, ou amanhã de manhã, … ou qualquer hora. Oxalá te possa ver no próximo domingo, ou no outro …, ou que venhas a Torres. Ou que possas existir perto, mais perto. É tão triste não ter o outro lado da referência … Preciso guardar amigos. Rir e chorar junto. Que eu não me perca de ti, e que tu possas esticar a mão e me alcançar. Tu sabes o quanto sou tua. Tu sabes. Beth Mattos ( Torres, quinta-feira – 11 de março de 1999 ) –  Elizabeth M.B. Mattos – fevereiro Torres de 2018

Sem Título-16

jogos jogos

download

desanimada sem motivo, devagar, sem força

sem explicação

tênis envolve  futebol enlouquece

Jean B. Basquiat meu ídolo, vou correndo atrás … e, não o vejo

fragmento, não sou nada E.M.B.Mattos -julho de 2018 – que a tristeza não me afogue, nem a depressão paralise, hei de reagir

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não toco piano

Desencontro inesperado. Ainda aperta a hora do azul. Desgosto. A nostalgia se remexe na memória. Vou ao espelho, como recomendou um velho-novo amigo, examino corpo feições expressões e constato: envelheci, mas ainda sou. Ser o que sou me fortifica. Coragem sem  desânimo. Volto aos anos de menina. Nem tudo deu certo, não toco piano como gostaria apesar de tantos solfejos e vontade. Não desenho, nem uso as tintas e os lápis que me instigam. Não danço, no entanto,  alegria, música de dentro, acomodação festiva.  Estou no lugar certo na hora certa. Oscilo. Transparente tanto quanto pessoa a ser tocada, exagero e te abraço. Suficientemente insatisfeita, quero mais e ser mais e ser mais e ser eu. Eu, eu, e eu, egoisticamente, eu. Desenho a casinha com chaminé saindo fumaça. Caminho de pedras com florzinhas de três pétalas, colorido de criança. Lembro da tabuado do cinco. Magda onde estão nossas bonecas de papel? Ana Maria, desenha o corpo desta aqui, já fiz os vestidos. Esta vai ser princesa. Nádia, vem brincar conosco. E corremos para a calçada onde riscamos o jogo. Moleques, meninas. Depois sentamos no muro para conversas sigilosas e bem-humoradas. Lembrar das criança enfeita a memória, e traz de volta a ingenuidade. Volto a escrever.  O bairro de Petrópolis começa a existir. A rua Vitor Hugo terminava num barranco. Poucas casas. A rua era quintal. E no verão tínhamos Torres. Elizabeth M.B.Mattos – julho de 2018

Sem Título-116

controvérsia

Pausa ideia controvérsia tempo incerteza. Fantasias penduradas guardadas no armário. Na primeira gaveta máscaras, na seguinte purpurina confete e serpentina. Assim começou o ano de 2017 em festa, e 2018 se esparrama em ritmo de valsa. Candelabro veludo e cetim. Sofisticação e delícia.  Inverno azul a congelar. Estranhezas e equívocos. Consciência tímida descaminho e pausa. Em que planeta eu vivo que não adoeço nem choro nem acho engraçado muito menos dramático, escrevo. Planeta com prateleiras revistas verdes flores caixas de bombom e licor. Aos amigos agradeço, aos vizinhos dou sorrisos,  conversas generosas e alegres plantam esperança. Obrigada Sandra Luiza Magda Ana Cristina Marina Odila Elizabeth Solange Roberto Cláudio Cristina Bárbara Roberta Cristiana Ângela Eduardo José Geraldo Flávio Francisco Nádia João Suzana Lucas Marcelo Jean Marie Juliette e todos os que me acompanham. Tão bom ser abraçada e reconhecida no meio da multidão. Elizabeth M.B. Mattos julho de 2018

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