sem entender

“Num mundo onde tudo precisa ser instantâneo, rápido, sem esforço, sem observação, sem investimento de mim mesma no que faço, e sem dor, as pessoas escavam (ou abstraem) alguns pedaços da teoria de alguém, algumas ferramentas conceituais, e as passam aos outros  como “salvação”. Isso é charlatanice.” (p.45) Barry Stevens Não Apresse o Rio Ele Corre Sozinho

No meio da leitura, sonâmbula no sonho.  Desafeto. Fico encabulada. Depois, eu sigo a encher potes com chocolate.Não abro janelas, nem portas, e não falo. Escuto.

Dias natalinos. Absoluta liberdade. Vou pegar um barco e viajarei para MACAU. Meus passos. Beth MattosIMG-20191129-WA0017.jpgIMG-20191129-WA0018.jpgIMG-20191129-WA0013.jpgIMG-20191129-WA0001.jpgIMG-20191203-WA0003.jpg

excesso

Os cabelos eram, excessivamente, curtos.  E o sono pesado, ardido. Caminho com os olhos fixos na menina. Agarro a boneca bebê com aconchego e desço os degraus para o jardim: o quintal e o verde com gosto livre e doce. Vou para a calçada descobrir o brinquedo. E já estou colorida como ela. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2019 – Torres

P.S. Toda austeridade representa coragem, não ser guarda o estoicismo de ser. O despojar a riqueza, o silêncio o grito a explodir no peito…

26 de abril

Há também o tipo que quanto mais leva tombos, quanto mais razão teria para só pensar em levantar -se, tanto mais pensa em voar e se entusiasma pela ideia. Isso, antes de mais nada, é gosto de contrastes e habito de contemplar – se. Ninguém que não tenha o vício de se encarar como a um outro – um outro importantíssimo tem a capacidade de se entusiasmar pelo prazer e a liberdade enquanto passa pelo sofrimento e a preocupação.” (p. 39) Casare Pavese O Oficio de Viver

Fragmento de livro lido e sublinhado e relido. Cartas / diário e textos / recortes voltam para entusiasmar o gosto travado de desencontro… Tanto gesto perdido! A escorrer o desânimo. Faz frio em dezembro, e o Natal lento vem para festejar os aniversários de todos de sempre. Vontade de se esconder atrás daqueles sonho valente de ainda querer ser… No entanto, já chegou a despedida heroica, e ou traiçoeira,  atenta. Beth Mattos

 

quero energia

IMG-20191203-WA0003.jpgRepresenta vida, a minha Valentina: avança na alegria clara. Acredita.  História da estória a se construir. Beleza plena. Concentração na/da luz. Volta no tempo/do tempo… Deveríamos estar a plenos pulmões! Como a pequena. Esbarro em fotos. Esta me agarrou / prendeu. E.M.B. Mattos – dezembro de 2019 – Torres

 

instinto de liberdade Yukio Mishima

O real, o histórico, o evidente me atrapalha, assim saio do contemporâneo, e me envolvo com oriente oriental, esqueço Macau…  Tramas apaixonadas: entrelinhas do ontem se esticam preguiçosas. Sem tempo, desespero, vou na emoção. Beth Mattos

Se os dois tivessem realmente se apaixonado naquela manhã de neve como poderiam suportar um dia sequer sem se encontrarem, nem que fosse por um ou dois minutos? Nada poderia ser mais lógico.[…] Por mais estranho que pareça, os que vivem só para suas emoções, como uma bandeira obedecendo a brisa, necessitam de um modo de vida que os torna esquivos ao curso natural dos acontecimentos uma vez que isso implica em ser de todo subserviente à natureza. A vida das emoções detesta restrições de qualquer origem e assim, por ironia, acaba por agrilhoar o próprio instinto de liberdade.” (p.108) Yukio   Mishima Neve de Primavera – Mar da Fertilidade Volume I

Marguerite Yourcenar escreve sobre  Mishima ou A visão do Vazio, em se tratando da avó: “A esse contato precoce com uma alma e um corpo doentes, talvez, ele tenha devido, lição essencial, sua primeira impressão sobre a estranheza das coisas. Mas, acima de tudo, ele lhe deveu a experiência de ser, de forma ciumenta e insana, amado, e de responder a esse grande amor. Aos oito anos eu tinha uma namorada de sessenta anos”, tal começo representa ganho de tempo.” (p.20)

impossibilidade

Esbarro e tropeço no impossível do possível. Sim. Com certeza poderia fazer acontecer, mas a certeza do não posso agarrada estremece a vontade. Corro pra me esconder, não importa que seja de mim mesma. Medo do desastre. Pânico. Não posso dominar, entender, ou simplificar. Não tenho esquina, nem acaso, nem desvio, nem certeza…

Será que as bordas da vida são barreiras? Perigo avançar. Que medo sinto das palavras! Se fossem apenas gestos…Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2019 – Torres

mais

IMG-20191121-WA0001 (2) Já não basta escrever, preciso respirar. Inverto a necessidade. O campo, o céu, o mar e aqueles pássaros todos perseguem meu coração. Beth Mattos – dezembro de 2019 – Torres

 

nominando dezembro

“Estava escuro e a única luz que os iluminava era o minguante da Lua e os pontos pestanejantes das estrelas cosidas ao manto negro do firmamento.”

Esquisito tempo que nos deixou tão longe! Pontas escabeladas e laboriosas e tristes. Talvez o verão tenha chegado. Sim, em nominando dezembro uso talvez. Faz ventanias, faz esquisitices e frio por aqui e um dia quente e abafado depois, e volta o frio destemperado. Clima próprio desta idade espreguiçada, estupefata dos meus setenta anos. Algumas urgências engavetadas se agitam, aflitas.  Pode ser a idade, pode ser o desapego, ou o desanimo. Pode ser tanta coisa! Ou a falta do sentimento de te esperar, não espero. Não sei explicar. Estou atada ao desanimoNão presa, ou amarrada neste ou naquele lugar, mas sem geografia definida. Distraída com o entorno a se movimentar pelas frestas das janelas. Listo, mentalmente, cartas a serem escritas. Festejo projetos. As folhas voam. O céu se movimenta. Amarro o desalento esquisito que me abafa. Lembro que não posso, não devo, não vou. Objetivo claro. Depois obscuro e nebuloso. Depois emaranhado. Rezar rezar rezar rezar seria bom. A calma e a tranquilidade da igreja. Solenidade e recolhimento e silêncio. Estou azeda, azeda, e aborrecida, mas espero o dia azul / o céu de/das estrelas.  Cuidarei das rosas… Sinto saudade. Saudade miúda. Saudade das mãos dadas, do encontro. Que 2020 devolva uma assiduidade de voz e carinho. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2019 – Torres

“A simples presença do outro, porém, pareceu deixá – los a ambos em paz, pois depressa fecharam os olhos e resvalaram com doçura para o sono.”  José Rodrigues dos Santos  A Amante do Governador – Gradiva Publicações, S.A.

Tem coisas / jeitos / situações onde o amor aponta quente e a ternura aquece a casa, o corpo e eu me sinto feliz! Saudade da Beth apaixonada, da mulher sorridente e dos encantamentos doados… E do dizer / escrever sentindo.

 

sonho e mudança

José Rodrigues dos Santos – A Amante do Governador

“Conhece por ventura a palavra japonesa sayonara. Isso é adeus, não é? Em bom rigor, sayo significa assim, e nara significa seSayonara é literalmente se assim. Ou num português mais correto, assim seja. É uma expressão de fatalismo oriental. Ao dizer sayonara, dizemos, assim seja. Dizemos sayonara a cada momento da vida porque a vida é um sonho e tudo está em mudança. Aceitamos a mudança e despedimo – nos de cada momento, dizemos sayonara a cada instante como se estivéssemos permanentemente despedir – nos da vida, assim seja. Todo mundo na grande roda da casualidade.” (p.198) José Rodrigues dos Santos – A Amante do Governador

Livro precioso, li com pressa, emprestado, então cuidado e sem divagações. Não a posse, mas o desejo. O livro passou correndo/veloz e, assim distraído…

 

tra ba lharrr

Trabalhar com / na rotina rotina;. Trabalhar e chegar ao ponto. Ao ponto planejado, fixado, imaginado. Chegar e trabalhar sem pensar; desdobrar o fazer. Lavar, cozinhar, limpar, mas sair de casa para fazer. Ir e voltar, este gosto precisa existir. Talvez ninguém queira oferecer  emprego para  setenta e tantos anos, suporte sessenta, ou setenta e dois anos, depois, apenas oferece uma cadeira, um copo com groselha (risos). Limpar a casa da amiga, do vizinho, varrer a calçada. Ou ler em voz alta. Esvaziar gavetas, fazer pacotes de/para  Natal. Não quero cozinhar, nem lavar panelas, nem pratos. Fechei a porta e a Ônix ficou do lado de fora, paciente, esperando. Céus! Esta quietude me sacode. E sendo teu aniversário fiz um bolo de chocolate, brindei, enchi balões (consegui!), enrolei docinhos. Comprei pastéis, fui buscar os sonhos… E tu não vieste. Elizabeth M.B. Mattos – dezembro de 2019 – Torres

Foto com voz e desordem. Um desenho de saudade, daquela saudade laboriosa da faculdade: energia de juventude… Tempo das cartas de risos e trabalho  em equipe. Tanto e bom trabalho!